domingo, 6 de julho de 2008

Conformismo e necessidades sociais

O vídeo abaixo mostra uma experiência clássica, em que um indivíduo é inserido num grupo e, apresentados a um cartaz com uma linha ao lado esquerdo e três linhas de comprimentos diferentes ao lado esquerdo. Todos têm de apontar a qual corresponde a linha do lado direito.

Na experiência, somente um dos elementos é "verdadeiro". Os demais estão ali para cumprir um papel, qual seja o de oferecer respostas deliberadamente erradas. Os resultados mostram que o elemento nega suas próprias constatação para seguir as opiniões do grupo, por mais que lhe pareçam erradas. Nas variações, um dos elementos do grupo "falso" passa a dar as algumas respostas corretas também. Neste caso, o grau de acerto do elemento verdadeiro sobe. E, finalmente, o elemento passa a escrever suas respostas, e os acertos sobem mais ainda.

Como conclusão, tem-se que o elemento verdadeiro tende a seguir o grupo, numa demonstração de conformismo, determinada pela necessidade social de interagir e pertencer ao grupo. A experiência foi conduzida pelo polonês Solomon Asch.

A experiência pode ser comprovada na prática no dia-a-dia de todos. A necessidade de ser aceito faz com que as pessoas, sem necessariamente mudar seus critérios pessoais, passem a ter comportamentos definidos por um padrão grupal, que normalmente é decisão de maioria.

Na prática, a célebre frase de Nelson Rodrigues: toda unanimidade é burra se comprova nesse tipo de comportamento. Quando há a concordância geral e imediata, não há discussão e não há evolução. As idéias tendem a não se aprimorar, porque faltará senso crítico. Ninguém ganha com isto, a não ser na aparente estabilidade do grupo.

Mas há que se entender as razões do conformismo. Baseado no princípio dor-prazer (evitamos o que nos casa dor, tendemos a repetir o que nos causa prazer), o elemento que passou por reprovação grupal tende a evitar situações que a repitam. Daí, se esconde no padrão grupal. Mas a situação se dá somente em casos da necessidade de aceitação. Se fosse uma disputa para um emprego, por exemplo, o conformismo não se apresenta.

A situação só será notada em grupos imaturos. Grupos mais evoluídos (passemos a chamar este de equipe) têm tendências a aprofundar as discussões e capitalizar as diferenças de opinião. Nessas equipes, o conformismo, se é que existe, passa a ter conotações diferentes e mais profundas. Se a regra grupal é a de manifestar e evidenciar a diferença, o indivíduo o fará. A questão é: faria de qualquer jeito, ou o faz somente por ser a regra grupal?

Acredito que ele teria a vontade de fazê-lo sempre, e o faz porque o grupo permite. A permissão não deve ser confundida com regra. Se o grupo é evoluído (equipe) o clima de confiança é outro, e permite que as diferenças floresçam e agreguem valor.

Há poucos aventureiros que fogem da regra do conformismo. Infelizmente.

Vale a pena ver o vídeo:


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