terça-feira, 8 de julho de 2008

Como comecei a correr

Primeiro, uma crise me levou ao cardiologista. Que apurou que nada mais era senão stress. E recomendou que eu saísse do sedentarismo, já que minha vida de tecnocrata era bem parada em termos de atividade física.

Comecei a caminhar na Lagoa do Taquaral (Parque Portugal) que tem pouco mais de dois mil e setecentos metros na volta interna. E assim foi durante um tempo. Até que a andar não mais bastava. Havia energia de sobra, precisava acelerar. E comecei a correr.

De início, corridas curtas. Pouco menos de mil metros. Depois de uns dias, estabeleci uma meta: correria até uma determinada árvore. E assim foi, por duas semanas. Apesar de ser bem curto o trajeto, pulmões e pernas se alternavam na reclamação. Ora faltava ar, ora faltava músculo. Mas a meta ali estava, eu precisava cumpri-la.

Depois que atingia minha zona de conforto, ou seja, me habituava com a distância da meta, eu a aumentava. Sempre de cem em cem metros. E sempre depois de vários dias de adaptação. Até que um dia, minha famosa impaciência me empurrou. Se continuasse assim, não chegaria tão cedo a uma volta. E resolvi completar a volta correndo. Pulmões gritando, pernas em chamas, completei a volta. Para nunca mais parar.

Depois da volta, foram voltas. Depois, veio o controle de tempo por volta. E aqui estou hoje.

Algumas considerações:

  • Corro sempre no mesmo lugar, sempre na mesma direção. Não é minha característica de "sistemático" se manifestando. Não, acho que é. É que eu gosto de comparar o tempo com o a distância, e é assim que consigo;
  • Uma vez ao ano, no mínimo, faço um check-up no meu cardiologista. É mandatório, e eu seria irresponsável se não fizesse;
  • Idem com o ortopedista. Sempre que acho que preciso de orientação, é a ele que recorro;
  • Minha roupa é adequada. Nada de improvisação. Estamos falando de mais de vinte mil metros diários. O corpo cobra suas contas. Já fui parar no hospital com tendinite nos dois joelhos por conta da troca intempestiva de um par de tênis;
  • Não desafio meu corpo além do limite. Isto é, desafio sempre, mas dentro do aceitável. Se não estou bem, por exemplo, corro o mínimo possível. Se dói, ou me sinto desconfortável com o exercício, paro e volto para casa;
  • Sempre me alongo. No início tive muitas contusões, que hoje sumiram. Como estou mais disciplinado ao alongar, credito a isto a melhora;
  • Utilizo um monitor cardíaco e procuro me manter dentro dos níveis recomendados. Corro para manter a saúde, não para danificá-la;

Alterno meus programas: um dia é tempo, outro dia é distância. Ou seja, procuro alternar meu foco entre melhorar meu tempo por distância percorrida e aumentar essa distância. Claro que afeito às minhas idiossincrasias: se um dia estou aborrecido, corro contra o relógio. Se estou preocupado, corro contra o hodômetro. Se o dia é normal, corro alternando uma e outra forma.

Aprendi uma coisa muito importante, quando corria com outra pessoa (o que aconteceu somente com uma pessoa): nós somos muito propensos a dar desculpas para nós mesmos. Justificamo-nos e explicamo-nos demais para nosso próprio "eu". É uma enganação. A coisa mais triste (para mim) é quando mentimos para nós mesmos. Mais triste ainda é quando acreditamos nessa nossa mentira para nós. Assumi um compromisso para comigo mesmo: vou correr. Fiz um planejamento. Se eu não cumprir um compromisso assumido comigo, o que me garante que vou cumprir um compromisso com outrem? Uma coisa é ter um compromisso que me impede. Outra é eu dizer para mim mesmo: - estou cansado. Acho que hoje não vou correr...

Quando me vejo tentado a dar esse tipo de justificativa, calo-me imediatamente e calço meus tênis. Corro no frio e na chuva. Já fui correr três e meia da manhã, e às dez horas da noite. Compromisso é compromisso.

Se você vai correr, consulte seu médico. Prepare-se. Se está com sobrepeso, perca algum antes de iniciar. Compre um tênis adequado. Faça uma avaliação física. Corra não para ficar bonito(a), mas para ser saudável. E, mais que importante, não se preocupe com os conselhos de outros (como este texto descartável). Cada um tem seu ritmo, sua abordagem, sua forma de fazer. É só começar!

Não tenho conselhos (fora os do último parágrafo, roubados de especialistas) tenho minha história. Meu compromisso é para comigo, por isto corro sozinho. Não preciso de outros para me estimular. Minha cobrança de mim mesmo é sempre mais eficaz que qualquer outra cobrança. Se corro para manter a saúde, não é à toa: há pessoas que precisam de mim. Minha filha, minha mãe, minha família. Felizmente tenho com quem me preocupar.

 

Um comentário:

  1. show de bola! adorei seu comentario! moro em portugal v.conde e corro quando posso á beira mar com a minha musiquinha. abraço e boa corrida xD

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