terça-feira, 24 de junho de 2008

Para me entender

Eu acredito nas escolhas. E, por conseqüências, nos preços que pagamos por essas escolhas.

Acredito no bom-senso. Ponho fé infinita na conversa. Adulta, ponderada, séria.

Eu não acredito em ameaças, em chantagens e pedidos. Em lugar, conscientização e decisão.

Tive uma namorada com quem sentei um dia e conversamos sobre um problema. A conversa foi ótima, sem contaminação de qualquer espécie (chamo de contaminação principalmente aquelas situações em que a emoção toma conta). E, como conclusão: se o problema não fosse resolvido, estaríamos fadados a nos afastar. Dependia somente dela, e eu poderia somente apoiá-la. E acredito que foi o que fiz, com toda dedicação. Tivemos aquela conversa mais duas vezes, perfazendo o total de três. E o problema não foi superado.

Eu não ameaço. Nem chantageio. Nem peço. Se a razão não consegue produzir mudança, sua falta com certeza também não produzirá, exceto uma provisória, precária, para sufocar sentimentos. A ameaça e a chantagem são, para mim, violências psicológicas inaceitáveis. Não as pratico, e nem me rendo a elas. A ameaça é a tirania se manifestando, e eu não endosso a força pela força. A chantagem é uma faca no pescoço. É uma coerção, um terrorismo comportamental. De novo, não posso endossar esse tipo de comportamento.

Quanto a pedir, não me sinto no direito quando se trata de relacionamento interpessoal. Se a razão se manifestou, teve interlocutor, produziu pactos, o resultado deveria aparecer. Em não aparecendo, a razão falhou. E, quando isto acontece, o repertório exige aqueles passos que eu não dou.

Dr. Thomas Harris (Eu Estou Ok, Você Está Ok) diz que "confissão sem mudança é um jogo". Eu não jogo com as pessoas, e não participo do jogo de pessoas. Se assumimos compromissos, não os cumprimos e reconhecemos que não os cumprimos, e continuamos a não cumpri-los, isso só pode fazer parte de um ritual de manipulação. Do qual eu me retiro.

Como resultado do problema não superado com aquela minha namorada, afastei-me. Sem pedir, sem chantagear, sem ameaçar. Sem mesmo avisar (o que seria, no meu modo de ver, uma ameaça). O preço, cuidadosamente pesado, foi assumido e pago. Por ambos, já que ambos participamos das conversas. Mas a decisão foi minha, ao constatar que era um jogo.

Repilo a pecha de radical por este fato. Houve conversas, houve esclarecimento, houve conscientização. Não houve solução, embora jogo tenha havido. Não é radical aquilo que combinamos, aquilo sobre o qual tivemos tantos momentos de conversas. O preço, sabido, estava claro. O que fiz foi somente decidir. Procrastinar não é um verbo que eu conjugue.


Estou contando esta história para explicar uma outra, não publicada. É para que ilustre uma ação e seus motivadores. É para dizer o seguinte: eu pago os preços, não importa o quanto de sacrifício represente.


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