quarta-feira, 11 de junho de 2008

Obama e Hilary

Sobre as eleições nos Estados Unidos, é de se destacar que a polarização dos democratas se deu em torno de uma candidato e um candidato negro. Seria a primeira vez na história que uma mulher ou um negro assumiriam a presidência da maior potência mundial.

O que me preocupa é que essa polarização aconteceu com discursos segregacionistas. Dizia-se que Hilary tentaria atrair votos femininos; Obama tentaria os votos das minorias. Acho isto muito pobre. Características desejáveis para o cargo independem de ser negro, amarelo, vermelho, homem ou mulher. Se a polarização aconteceu por causa dessas condições, há um erro descomunal.

Não me agrada a idéia de votar em alguém por ele ser corintiano ou paulista. Ou mulher, ou negro. Temos de votar naquele preparado para fazer da democracia o que ela promete, na sua mais conhecida definição:

- Do povo, pelo povo, para o povo.

Se tivermos de votar em alguém por causa diferente dessa, é a cristalização do estamento. É a terrível máxima do "farinha pouca, meu pirão primeiro".

No Brasil, uma das explicações sobre a popularidade de Lula diz respeito à sua origem pobre. E os pobres o vem não como representante, mas como ícone das possibilidades: agora que um de nós chegou lá, todo mundo pode chegar lá.

Na antítese, Fernando Henrique Cardoso, poliglota, professor universitário, sociólogo, seduziu a classe média. - Este é o caminho, é um de nós, será que isto que pensam os eleitores?

Parece-me incapacidade e desinteresse em avaliar os potencialidades, e, num flerte fútil, eleger quem mais se parece conosco.

Enquanto o governo (qualquer governo, de qualquer país/estado/município) não prioridade da população, viveremos num eterno Fla-Flu: torcida irracional, resultado ruim.

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