terça-feira, 17 de junho de 2008

Águas serenas

Quando íamos pescar, sempre havia muito barulho. Muitas gente, muita bebida, muita piada...

Eu era o único (não no início, mas depois sim) que levava equipamento de pesca. Os demais iam para um final de semana relaxado. Só nós, cozinhando, lavando, limpando. Bebendo e comendo, e cantando e fazendo piadas. E eu pescando.

Quando eu ia pescar, o pessoal se revezava para ver quem ficava comigo. Afinal, era uma pescaria. E, aos turnos, me traziam o que beber e os peixes fritos. E a conversa corria solta...

Eu adorava aquelas pessoas. Era uma turma diferente, que, ali, parecia irmanar-se como se irmãos fôssemos de fato. Mas, preciso confessar, quando eu estava sozinho era que curtia a pescaria. Olhando alinha, ali, na água corrente, naquele expectativa que rápido nos abstrai, minha pescaria se transformava numa viagem.

E percorria os caminhos não percorridos, abortados por minha vontade ou de outrem. Imaginava "como seria se.".. que bom seria se... e seu eu não... e se eu... posso? preciso? quero?

Era ali, na solidão rara e momentânea, que eu conseguia conversar comigo, e finalmente ter algumas respostas. O som da água, a expectativa da mordida...

Este é o som de meus encontros comigo:

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