sábado, 14 de junho de 2008

Finito

De manhã, um funeral. Ao qual compareci com um pesar real, compadecido da dor de meu amigo.

Abro um parêntesis para dizer que esta minha empatia é cruel. Demorei muito a desenvolvê-la, e quando finalmente o fiz, ela foge ao meu controle...

Fiz uma avaliação psicológica para uma empresa e o resultado foi desconcertante: pouca afetividade! O que a empresa considerou ótimo, pois criar laços seria péssimo. Já eu achei péssimo, pois ... pois... ok, não lembro.

Treinamos nossa capacidade de empatia. Há diversas dinâmicas de grupo para isto, e fazíamos como uma necessidade real. Sentir o que o outro sente é importante para nosso processo de comunicação. Permite compreender argumentos e posições. Proporciona o conhecimento de outros pontos de vista. É realmente importante...

Mas...

No funeral, revivi emoções das quais fujo constantemente. Minha memória me trouxe a mesma circunstância, e minha empatia me igualou ao meu amigo. Vi sua mãe, sua irmão, seu irmão, de repente eram minha mãe, minha irmã, meu irmão...

Não falo nestas circunstâncias. O que, para os que me conhecem, é algo inimaginável. Mas as palavras sem sentido, sem noção, sem significado, estas fogem de mim. Um abraço, um olhar, um recado: estou aqui, se precisar conte comigo.

Sinto essas perdas vivendo ou revivendo as minhas. Egoísmo? Talvez. Prefiro achar que é empatia. Prefiro acreditar que é por compreender a dor de outrem que choro por pessoas que não conheço...

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