domingo, 15 de junho de 2008

Fim de semana especial

Numa sexta-feira, compromissos findos ainda na parte da manhã, resolvi ser diferente. Liguei para o marinheiro, pedi para preparar o barco. Liguei para a cantina da marina, pedi para abastecer a geladeira. O de sempre: verduras, alguns legumes, um queijo camembert, gelo para meu scotch. Um filé, só por precaução.

Peguei a Marginal, coloquei um Cd (Simply Red), e fui para a Ayrton Senna/Carvalho Pinto, gritando a música que me embala nessas viagens.

Devagar, bem devagar, vidros abertos, nada de ar-condicionado. Gravata esvoaçando, carro de maluco.

Chegando à marina, sol ainda bom, corri para o barco, conferi o cockpit, troquei de roupa, e saí. No motor, bem devagarzinho. Ventinho de final de tarde, agora com PetShop Boys. Boné ao contrário, uma cerveja gelada, mar se abrindo... Aquele vento mais que refrescante batendo em meu rosto, querendo inflar as velas...

A noite foi caindo, o horizonte avermelhou. Diminui o motor, fui curtindo o vento. A maresia chegava gostosa, com seu cheiro salgado, enchendo o peito e ajudando a desestressar.

Cheguei ao destino, Uma pequena baía, ao lado de um bar desses que servem com infláveis. Tomei um banho no chuveirinho, sentei já no escuro com um copo de scotch e o meu camembert. A noite, estreladíssima, como só se vê nos pontos isolados. Fiquei incontáveis minutos olhando para o céu, a ponto de ver estrelas cadentes, e duvidar da coincidência.

No som, músicas com significados me levavam pelos tempos: Saturday Nigth Fever, Grease, Simon & Garfunkel...

Aquela paz da lua brilhando no mar, o barulho das ondas no casco do barco, risadas ao longe...

Liguei o notebook só para desencargo de consciência, respondi e-mails, atualizei o blog. A noite ia começar. Na mansidão do mar, indo e vindo, lentamente, me desligava desta dimensão para entrar em alfa... Pés apoiados no banco, pensando na vida... vida boa, sem preocupações...



As cenas acima nunca aconteceram. Ao menos no mundo real. Aconteceram, até o momento, somente em minha mente. Acontece que o veleiro é uma meta. E tudo mais é como eu vivo minha meta. Preciso de detalhes, preciso viver cada momento, a meta precisa ter vida. Preciso acreditar nela a ponto de fazer com que as pessoas também a sintam. Que, quando eu contar sobre esta meta, as pessoas consigam ouvir minhas músicas no caminho da marina. Que o cheiro da maresia possa ser sentido, assim como o vento que nos refresca,. Preciso viver a meta a ponto de fazer as pessoas enxergarem o céu estrelado e as estrelas cadentes. E que possam sentir, assim como eu, a calma que a noite estrelada oferece. Isto é uma meta que é capaz de mexer conosco, é capaz de fazer com que batalhemos por ela, é capaz de nos fazer pulsar por ela. Isto é uma meta, e é diferente do sonho porque a vivemos como se já fosse uma realidade. Desfrutamos dela como se fosse somente uma questão de tempo, e na verdade assim é. É somente uma questão de tempo. E só depende de mim. De nós, se a vida permitir. Mas, por enquanto, de mim.



Os nossos desejos têm hierarquia. Aqueles que desejamos na mesa do bar, no banho, na cama, mas em quem não acreditamos, são nossas utopias particulares. Já aqueles que percebemos viáveis, passam a ser sonhos. Quando, de viáveis, passam a ser exeqüíveis, ou seja, recebem um "como" e um "quando", passam a ser metas. É disto que se trata. Daqueles desejos em que acreditamos, tanto que planejamos. E esse planejamento implica em uma data, um prazo. Implica em nos comprometer com outras pessoas. Implica em ter outras pessoas no sonho. Implica em nos comprometermos com esse plano e, dentro de nosso planejamento, termos prêmios pela evolução da meta. Mas é viver a meta que a concretiza. Acreditar nela a ponto de vivê-la. É o primeiro passo, diria Confúcio.



Este é o último capítulo de uma era, de uma coisa que não farei mais. Usei esta abordagem em algumas palestras de motivação, que prometi não fazer mais. Publico o texto atendendo a um pedido especial, atendendo a um "parou por quê? Por que parou?". Diria Macunaíma: - mais num falo não...

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