quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos namorados

Como sou piegas, meus textos também o são. São melosos, cheios de clichês, óbvios até. Escrever é uma arte, com a qual não fui abençoado. Embora escreva, é preciso ter alma, mesmo para pieguices e obviedades. Neste dia dos namorados, para não cair na mesmice, publico um texto emprestado, embora famoso. Acho que retrata bem minhas idéias, ridículas, mas ainda assim essenciais. Ao menos para mim.



De Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Ridículo...


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