sexta-feira, 6 de junho de 2008

Barão de Itararé e FEBEAPÁ

Hoje, num de meus inescapáveis discursos, lembrei do Barão de Itararé. Que dizia suas platitudes e o Brasil parava para ler. Não que me esteja comparando a ele, cujo nome verdadeiro era Aparício Torelly. Mas porque as coisas que eu digo são absolutamente descartáveis, para não dizer completamente desnecessárias.

Da mesma forma, Stasnilaw Pontepreta (Sérgio Porto), com seu FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que assola o País, contava asneiras da ex-Ilha de Santa Cruz que, se contadas hoje, seriam de ultra-vanguarda.

Outro a ser lembrado aqui é o Macaco Simão (José Simão, que acompanho pela Folha de São Paulo), que diz que o Brasil é o país da piada pronta. Sua coluna diária é hilária e imperdível.

E, assim, de riso em riso, de platitude em platitude, vamos encarando os problemas da vida. Rir é o melhor remédio, certo?

Nas horas de tensão, costumo fazer uma daquelas piadas que não fariam rir nem o mais fanático dos fãs dos Três Patetas. Esse fator inusitado, uma piada num momento de crise, é tão inesperado que tem o poder de romper qualquer barreira de comunicação. E estamos conversados.

O fato é que tenho essa capacidade de rir de mim mesmo. E, com ela, de rir das enrascadas em que me meto. E o poder de rir de nós mesmos não é pequeno. Não, ele diminui nossa pequeneza, e aumenta nossa grandeza. Diminui o ímpeto de inimigos, aumenta o afeto de amigos. Transfere para nós a responsabilidade e direito de rir de nossas ações.

Há um conto de Fernando Sabino em que ele trata das invertidas em situações reais. Daquelas pessoas que são espontâneas, dizem o que pensam e os circunstantes o acham o máximo da fineza. Até que ele conta para uma donzela que está escrevendo um livro sobre um cafajeste, e ela pergunta, candidamente:

- Autobiográfico?

Arrisco-me a cair no mesmo caldeirão, mas a vida é tão mais divertida assim!

Nestes tempos de internet, de leitura abreviada de manchetes de jornais, precisamos mesmo de mais macacossimões e mais fernandossabinos. Mais barõesdeitararés e de stanislawspontepretas. Ainda precisamos da miriansleitões e dos alexandresgarcias. Mas precisamos de contrapontos. Precisamos rir do nosso umbigo, como Macunaíma; precisamos desopilar, como eu.

A vida em si já é suficientemente mal-humorada e taciturna. A cor está em nós. Aos pincéis, pois.

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