segunda-feira, 30 de junho de 2008

Bandeira Branca, não posso mais...

Tempos idos, uma festa inesquecível. Parentes de longe, celebramos a vida. Todos reunidos, muitas risada, confraternização aberta. Era um tempo em que os problemas eram pequenos, éramos maiores que tudo.

Ainda minimizo os problemas, ainda persigo a música. Mas a vida nos empurra, e cobr seus preços. Pode cobrar à vontade, mas esta música ninguém vai tirar de mim.


domingo, 29 de junho de 2008

Não é mágica, mas é quase

Quer ver uma pessoa se iluminar? Seja gentil. Seja atencioso. Mostre interesse, mas esteja interessado. Ajude. Ofereça. Oferte. Mas não espera nada em troca. Apenas seja.

O universo parece ter planos definidos para quem convive. Porque conviver é diferente de viver. É viver com outras pessoas. Mas essa convivência pode ser estéril. Ou pode ser uma fonte de luz.

Quem é que tem maior poder de atrais pessoas? São aquelas que sorriem, que são gentis, que nos tratam bem. E aquelas que vivem de mau humor, que mal nos olham, que se isolam? Essas, muitas vezes, evitamos.

É tão fácil ser agradável. É tão mais simples. Viver às turras consome tanta energia. E gera tanta energia negativa como resposta! Ser agradável é uma escolha. Como ser desagradável, ou inerte. Nós escolhemos.

Houve um tempo em minha vida que eu me entregava aos problemas. Eles me dominavam, e imperavam sobre meu humor. Tempos difíceis. Mas passados, felizmente. Um dia, no meio de uma crise, resolvi sorrir. No início, sorriso amarelado, forçado. Evoluiu. Transformou-se num sorriso espontâneo. Do tipo que diz: - o que não tem remédio, remediado está. E passou a contaminar o resto de mim. As reações corporais. A mente. E passou a ser um hábito. Uma escolha. Uma opção de vida.

Hoje, as dificuldades são encaradas sob um lado mais otimista. - O que eu aprendo com isto? Sem fugir do problema, mas sem deixar que ele me assombre. Não. Eu estou no comando. Eu resolvo o que mexe comigo. E, se isto for mexer comigo, que seja pelo lado bom.

Um dia, no meio de uma crise, um amigo me falou:

- Quando cair, caia para frente. Assim, você ganha alguns metros à frente ao se levantar.

Sábias palavras, imediatamente assimiladas. Mas é uma escolha, sempre é uma escolha.

Qual é sua escolha?

sábado, 28 de junho de 2008

Hibernando...

Assim como os ursos, acho que tenho de hibernar. não se trata do frio, embora ele me assombra como pouca coisa nesta vida. Trata-se de direcionamento, de alinhamento. Preciso parar e me reposicionar. Assim, hiberno,

Continuo com meus posts, programados para publicação nos próximos dias. Alguns dos quais nem terei condições de entrar no cyber-espaço. Nem para ver o que se comenta... Do meu smartphone, entretanto, acompanho a vida, respondendo a quem precisa e merece. Mas, posts, iguais a este texto sem-cerimônia, somente ao fim do período de recesso.

Hoje estava a refletir, e algumas conclusões foram úteis. Por exemplo, jamais entro no MSN, a não ser por necessidade. E, nessas ocasiões, privo muitos de meus amigos de minha presença, Ou os presenteio com minha ausência, é uma maneira de ver. Como não imponho minha presença a ninguém, mas resolvi ser o ombro amigo àqueles que precisarem, isto vai acabar. A partir de agora (ou do fim do período de hibernação), vou estar sempre disponível.

Mas a hibernação é necessária. Se não for apara mais nada, ao menos que seja para eu emagrecer. Algo que me diz que estou precisando. Como um urso...

Ti

Au.

Updated em 29/06: Não, não é nada disso. Minha semana está cheia, agenda apertada, viagens, viagens, jantares... Fazemos o que podemos...

You needed me

Às vezes, precisamos. Às vezes, somos "precisados". Conforta-nos, saber que, se precisarmos, podemos contar com alguém. Esse alguém pode ter rosto, ou ainda ser alguém perdido na multidão. Pode ter seus defeitos e suas virtudes, pode ter nos magoado muito, ou pode ter nos ajudado demais. Nada disso importa, O que importa é que, quando é preciso estamos lá por ela. Ou, igualmente, quando precisarmos ela estará lá por nós. "Lá" onde? Não importa. Estará.




I cried a tear, you wiped it dry
I was confused, you cleared my mind
I sold my soul, you bought it back for me
And held me up and gave me dignity
Somehow you needed me

You gave me strength to stand alone again
To face the world out on my own again
You put me high upon a pedestal
So high that I could almost see eternity
You needed me, you needed me

And I can't believe it's you
I can't believe it's true
I needed you and you were there
And I'll never leave, why should I leave?
I'd be a fool 'cause I finally found someone who really cares

You held my hand when it was cold
When I was lost you took me home
You gave me hope when I was at the end
And turned my lies back into truth again
You even called me "friend"

You gave me strength to stand alone again
To face the world out on my own again
You put me high upon a pedestal
So high that I could almost see eternity
You needed me, you needed me

You needed me, you needed me

A letra é do site http://www.letrasdemusicas.com.br.

Updated em 29/06: às vezes o vídeo falha. Aí achei melhor colocar somente a música. Vale a pena, tem uma introdução deliciosa.

Anne Murray - You Needed Me

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Preparar...

Da última vez, houve uma enchente na Paraíba e passou um ciclone extratropical por Santa Catarina. É bom irem se preparando. Mandei lavar o carro hoje.

De novo, lado 1

Sim, eu sei! É repetido. E daí? Eu canto a mesma música várias vezes. Venha correr comigo na Lagoa e você vai ver (ok, ouvir)...


quinta-feira, 26 de junho de 2008

Grato

A Sílvia passou por este espaço e deixou um comentário muito gentil.

Grato, Sílvia. Sei que o espaço não é nada interativo, mas agradeço a oportunidade de nos comunicarmos. Mas friso o seguinte: as palavras não são senão escravas de nossa vontade. Se quisermos que elas sejam armas mortíferas, elas serão, Se quisermos que elas sejam flores num jardim, assim será.

Enfim, minhas palavras nada seriam sem a boa vontade e o coração aberto de cada um que delas faz uma flor. Assim como você,

Grato, grato.

Significados

Se você está procurando o significado de "efemérides", clique aqui.

Escrevi para uma amiga que "a escrita não tem significados". É preciso esclarecer...

Quando escrevemos, não entonamos. A entonação fica por conta do leitor. Que pode entonar do jeito que quiser, que for conveniente. Por isto, a palavra escrita é capciosa.

Tem uma história (sempre tem, para desespero de meus amigos): um casal tem um filho estudando fora. Numa época antes da internet e do celular. Um dia, recebem um telegrama. O pai abre. E fica furioso. Sai gritando e a mãe, curiosa, pergunta:

- O que aconteceu?

O pai, muito bravo:

- É esse moleque! Veja que malcriado! A gente se mata de trabalhar para pagar os estudos dele, e ele manda um telegrama desses...

A mãe, curiosa:

- Mas o que está escrito?

O pai lê o bilhete em tom autoritário e ríspido:

- Papai, mande dinheiro!

A mãe pegou o telegrama, leu, e falou para o pai, conciliadora:

- Não é nada disto. Ele estava sem dinheiro e escreveu somente o necessário. Na verdade ele disse: ( e leu, em tom que quem pede gentilmente):

Papai, mande dinheiro...

E o pai, apaziguado:

- Ah, bom, se é assim, então eu mando...

Esta história me foi contada por um chefe, há tempos. E me persegue desde então. E escrevê-la é difícil, já que são as entonações que a colorem. E nem sempre conseguimos dar ao texto a cor que queremos.

Luis Fernando Veríssimo tem uma crônica chamada "O Gigolô das Palavras", em que ele diz que o escritor bate nas palavras para ela aprender quem é que manda. Já eu não consigo isto: tenho de implorar a elas que mostrem o que quero dizer. E nem sempre consigo.

Nas conversas diretas, temos recursos: olhares, gestos, silêncios, pausas. Na linguagem escrita, não temos esses recursos, portanto temos menores possibilidades de circunstanciar as idéia.

O medo é que o leitor haja como o pai, e que não possamos traduzir como fez a mãe. Daí, algumas coisas não serão escritas.

Ponto.

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Eye of the tiger

Quem se lembra dos filmes de Rocky Balboa? No de número 3, Rocky perde a confiança. Perde a firmeza do olhar, perde a confiança em si mesmo. E perde uma importante luta. Para, em seguida, recuperar a confiança, o olho do tigre, e vencer seu adversário.

Clichê? Talvez, reconheço. Mas funciona. O caso é que precisamos entrar em campo acreditando na vitória. Precisamos acreditar que podemos vencer. Em alguns casos, precisamos acreditar mesmo que nossa única opção é vencer.

A possibilidade da derrota nos inibe. A possibilidade da vitória nos motiva. Se a derrota é inevitável, o esforço não bastará nunca. Se a vitória é necessária, não há limite para o esforço.

Mas a derrota faz parte de nosso caminho. Aceitá-la, aprender com ela, e partir para a próxima batalha com a vitória na mente, isto diferencia o leão do chacal. Pois o chacal se submete, o leão não.

Neste exato momento, feridas lambidas, brio retomado, digo: é hora da próxima. Que venha a próxima luta, o próximo problema, o próximo dilema. Que venha!

Sem medo de ser feliz, enfrentamos a possibilidade de não sê-lo. Mas escolho: não serei. Nem infeliz, nem refém da infelicidade.

Cumplicidade

Sempre celebrei as diferenças. Elas é que nos ensina, nos motivam, nos completam. E são elas que promovem também os conflitos. Então, me preparei minha vida toda para tratá-las com isenção.

Eis que me vejo com uma filha, com quem tenho um relacionamento sensacional. Mas marcado pelas semelhanças. Numa festa recente, uma amiga me dizia exatamente isto: como somos parecidos em termos de comportamento, eu e essa minha linda. Refletindo, concluo: é verdade.

E como essas semelhanças se encarregam de nos aproximar. Terminamos frases um do outro, falamos a mesma coisa ao mesmo tempo, nos comunicamos mesmo sem palavras. Às vezes basta um olhar para nos acumpliciar.

E é interessante porque conjugamos os mesmos valores, as mesmas reações, as mesmas indignações. É incrível nossa capacidade de nos comunicarmos, e de nos entendermos. É incrível ser pai como atividade secundária, e ser amigo de minha própria filha.

Quando nos encontramos, sempre nos abraçamos com saudade. Nas despedidas, um abraço gostoso, querendo não partir. Às vezes, chegamos em casa e sentamos para conversar. E conversamos, sobre tudo e sobre nada. Rimos, perguntamos, participamos. E convivemos.

Quando precisamos, falamos sério. Mas com um respeito enorme pela posição e pelo opinião do outro. Uma relação mágica, gostosa, deliciosa na verdade. Por isso, curto demais minha filha.

E gostaria de ter voz para cantar a música abaixo:

Auto-ilusões...

De vez em quando, precisamos parar. Parar e avaliar. Estamos indo para onde queríamos? Fazendo o que deveríamos? É isto que queremos? Estamos sendo claros? Estamos gostando? Somos felizes? Estamos certos?

Nada mais enganador que a auto-ilusão. Nada mais tentador que nos confortarmos, enganando-nos sob a comodidade da autocomiseração e auto-condescendência. E, assim, quando nos enganamos, corremos o risco de acreditar na mentira. E, dessa crença, transformá-la em realidade, ao menos para nós. E, como a coruja, acreditar nessa mentira pode resultar em algo que não desejamos.

Às vezes confundimos falta de problemas com felicidade. Ou a existência de problemas é tida como infelicidade. Nada mais falso que ignorar, exagerar ou subestimar os fatos. Nem mesmo pára justificar nossa auto-imagem.

Olhar o lado bom nem sempre é produtivo. Alivia nossas angústias de momento, mas não nos ensina. Não tem o poder de evitar o erro. Só de justificá-lo. E justificativas não são assertivas.

Assim como olhar sempre o lado ruim nunca ajuda, a não ser por esse lado da aprendizagem. Olhá-lo com julgamentos e condenações não torna melhor a situação, nem pior. Apenas torna nossa vida um inferno evitável.

O bom senso, quando convocado, pode cumprir bem seu papel. Mas ele nem sempre é convidado, mercê que estamos de nossos paradigmas.

Só sei que a vida poderia ser bem mais fácil...


terça-feira, 24 de junho de 2008

Para me entender

Eu acredito nas escolhas. E, por conseqüências, nos preços que pagamos por essas escolhas.

Acredito no bom-senso. Ponho fé infinita na conversa. Adulta, ponderada, séria.

Eu não acredito em ameaças, em chantagens e pedidos. Em lugar, conscientização e decisão.

Tive uma namorada com quem sentei um dia e conversamos sobre um problema. A conversa foi ótima, sem contaminação de qualquer espécie (chamo de contaminação principalmente aquelas situações em que a emoção toma conta). E, como conclusão: se o problema não fosse resolvido, estaríamos fadados a nos afastar. Dependia somente dela, e eu poderia somente apoiá-la. E acredito que foi o que fiz, com toda dedicação. Tivemos aquela conversa mais duas vezes, perfazendo o total de três. E o problema não foi superado.

Eu não ameaço. Nem chantageio. Nem peço. Se a razão não consegue produzir mudança, sua falta com certeza também não produzirá, exceto uma provisória, precária, para sufocar sentimentos. A ameaça e a chantagem são, para mim, violências psicológicas inaceitáveis. Não as pratico, e nem me rendo a elas. A ameaça é a tirania se manifestando, e eu não endosso a força pela força. A chantagem é uma faca no pescoço. É uma coerção, um terrorismo comportamental. De novo, não posso endossar esse tipo de comportamento.

Quanto a pedir, não me sinto no direito quando se trata de relacionamento interpessoal. Se a razão se manifestou, teve interlocutor, produziu pactos, o resultado deveria aparecer. Em não aparecendo, a razão falhou. E, quando isto acontece, o repertório exige aqueles passos que eu não dou.

Dr. Thomas Harris (Eu Estou Ok, Você Está Ok) diz que "confissão sem mudança é um jogo". Eu não jogo com as pessoas, e não participo do jogo de pessoas. Se assumimos compromissos, não os cumprimos e reconhecemos que não os cumprimos, e continuamos a não cumpri-los, isso só pode fazer parte de um ritual de manipulação. Do qual eu me retiro.

Como resultado do problema não superado com aquela minha namorada, afastei-me. Sem pedir, sem chantagear, sem ameaçar. Sem mesmo avisar (o que seria, no meu modo de ver, uma ameaça). O preço, cuidadosamente pesado, foi assumido e pago. Por ambos, já que ambos participamos das conversas. Mas a decisão foi minha, ao constatar que era um jogo.

Repilo a pecha de radical por este fato. Houve conversas, houve esclarecimento, houve conscientização. Não houve solução, embora jogo tenha havido. Não é radical aquilo que combinamos, aquilo sobre o qual tivemos tantos momentos de conversas. O preço, sabido, estava claro. O que fiz foi somente decidir. Procrastinar não é um verbo que eu conjugue.


Estou contando esta história para explicar uma outra, não publicada. É para que ilustre uma ação e seus motivadores. É para dizer o seguinte: eu pago os preços, não importa o quanto de sacrifício represente.


I'll be there

Uma música inspirada, que merecia ser mais tocada.



I know how you feel, girl, I've been there many times before
I got a pick-up, I'm walkin' out the door
Sometimes hopin' is all that we can do
In mind and spirit, girl, I'm always there for you
Everytime I think about us, the way it's got to be
You know someday we will work it out
When all that we wish for is just a memory
Chorus:
Anytime you need me, I'll be there, anytime at all - just say the word
Just you say the word and I'll be there - anytime you need me, girl
I will be there
The nights seem longer, the days feel just the same
Well a little more lonelier than yesterday
Sometimes words ain't easy to explain
Whether I'm here or gone, the feeling stays the same, oh yeah
Everytime I think about us, the way it's got to be
You know someday we will work it all out
When all that we wish for is just a memory
(chorus)
(Solo)
Oh yeah, oh yeah, alright
(chorus) - I will be there
Na na na...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Sem rumo...

Sabe quando o filme já começou e você não entende nada? O enredo é estranho, as peças não se encaixam,o mordomo não é o culpado? Sabe quando parece que você perdeu a aula, e nada do que estão dizendo faz sentido?

Sabe quando parece que a língua é diferente, os costumes são outros, os objetivos não são os mesmos?

Então...

Juntando os cacos

Sou bem resistente à dor. Numa ocasião, minha filha ainda pequena, ela queria ir para a casa de uns parentes, em outra cidade. Antes de decidir, me perguntou:

- Pai, se eu quiser voltar você vai me buscar?

Claro que sim, era só chamar. E ela chamou. Numa sexta-feira, logo cedo, ela ligou pedindo para buscá-la. E eu fui. Venci os cento e sessenta quilômetros que nos separavam, almocei por lá com eles, tomamos um café e voltamos. Na hora em que chegamos, levei-a à casa da avó e lhe disse:

- Fique um pouco com a vovó, porque o pai vai para o hospital.

Porque eu tinha acordado com uma crise renal das bravas. Mas, como promessa é promessa, ignorei a dor até voltarmos, e passei a madrugada no hospital tomando soro.

Essa foi uma dor física, daquelas que se pode encarar com um alheamento, uma fuga focada. Essa é fácil evitar.

Difícil é quando a dor é na alma. Quando acontecem coisas que não permitem fuga, Palavras, palavras... Situações daquelas que não procuramos, nem queríamos, nem mesmo imaginávamos. E elas surgem, do nada, para sumir, para o nada, deixando somente aqueles buracos na alma, aqueles vazios impreenchíveis...

Situações em que somos passageiros, não condutores, Não resta senão deixar o barco correr, pois não temos ingerências sobre fatos e destinos. Somos somente os afetados. Temos de assistir, de camarote, ou por puro respeito, ou por impotência.

Quando essas dores emocionais surgem, a fuga é substituí-la. Por uma física, aquela que agüentamos. E, daí, corro, corro e corro. Para, ao final, concluir que é somente isto mesmo: uma fuga.

Voltando aos lobos, lamber as feridas se dirige à dor física. Como fazer com a outra?

The show must go on

Aprendi, a duras penas, que algumas coisas não podem ser mudadas. Enquanto acreditava que podiam, dei murros em ponta de várias facas. Mas a vida nos ensina. E, assim, aprendemos a escolher nossas batalhas, escolher as facas que vamos esmurrar. É uma escolha baseada no seguinte:

"Deus, dá-me a serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, a coragem para mudar as coisas que posso mudar, e a sabedoria para ver a diferença."

E a vida, em alguns momentos, nos cobra decisões e ações que nem sempre podemos postergar. Em outros momentos, nos antecipamos à vida e tomamos decisões e ações para aquelas coisas que nós mesmos julgamos não valer a pena esperar.

Agora mesmo, decisões estão sendo tomadas. Vão afetar a vida de pessoas que me cercam. Mas não podem esperar. O show precisa continuar, e a decisão é necessária.

Desde cedo assumi postos em que a decisão era componente importante. E sempre tinham prazo. E, muitas vezes, não decidir era pior que não decidir. E decidíamos... Algumas vezes, certo. Outras, errado. Mas decidíamos. Os preços, sempre presentes, eram os balizadores. A famosa relação custo/benefício. Mas precisávamos decidir...

Estou acostumado a pagar os preços. Por estar acostumado a avaliar as conseqüências. Algumas vezes nos surpreendemos, erramos, mas nos resignamos: já está feito.

Nas questões, entretanto, que não conseguíamos avaliar com clareza, não procrastinávamos: algo precisa ser feito. E assim era.

Olhando em perspectiva minha história, só lamento uma coisa: a de ser sempre só, não ter alguém com quem compartilhar esse peso. Mas, se não tive, foi um preço que escolhi pagar por uma decisão. E o show precisa continuar.

Hoje, sem muitas facas por esmurrar, a máxima vale mais que nunca. Escolho minhas batalhas, lambo minhas feridas, vou seguindo em frente.

Seguir em frente, objetivo na mente, fé na vida, respeito aos outros, amor a quem merece, esta é a receita.

domingo, 22 de junho de 2008

Minha vida

Lembranças...

Lulu Santos - Minha Vida

Ok

Esta música não sai de minha cabeça...



Valeu!

Adiado

Estava escrevendo um post, e ao mesmo tempo conversando com uma amiga no MSN. Ouvi algo que me travou... Vou me reposicionar, já volto.



Ah, é assim mesmo. A natureza humana tem o dom de me surpreender. Não foi nada muito diferente o que ouvi, mas minha empatia, essa terrível, me fez travar. Reflexão, reposicionamento, preciso correr na Lagoa...

sábado, 21 de junho de 2008

Livre expressão

Numa repartição publica, enquanto aguardava atendimento, tivemos de ouvir um rapaz, aos gritos, protestar contra os serviços daquela repartição. Gritava, saía, voltava, gritava mais, saía de novo... Incomodou a todos, e parece que o show é diário. Ninguém está interessado no que ele tem a dizer, mas todos estão lá, agüentando a ladainha.

Pensei neste blog, vendo a cena. Por que não é senão o que faço aqui: berro contra os escândalos do senado, critico nosso Molusco Lá, de vez em quando canto uma musiquinha. E alguém está interessado? Provavelmente não.

A diferença é que estas mal digitadas não se impõem a ninguém. Se você está lendo isto agora, não é por estar sob coerção. Escolheu ser torturado(a). E isto é uma diferença importante.

E estes textos não se dirigem mesmo a nada. Quisera compará-lo ao Seinfeld, com seu show sobre o nada. Mas nem isto faço, pois o show sobre o nada é um grande sucesso...

Mas como o blog é para me divertir, continuo me divertindo aqui com algumas provocações, algumas músicas, recados vários, e meus segredos de esfinge.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Pescarias

MInha turma de pescaria nasceu pequena. Quatro amigos, um deles logo banido e substituído. Íamos a uma cidade do interior do estado de São Paulo, ficávamos à beira de uma represa e pescávamos no rio, logo abaixo das comportas da represa.

Normalmente eu era o único que levava a "traia" de pesca. Mas sempre íamos buscar uma tambius no rio. E, no caminho entre o rio e o rancho, um posto de gasolina com um restaurante, em que sempre parávamos para reabastecer (comida, cervejas, ânimo).

No jukebox (chamada localmente de vitrola), uma música obrigatória: a 107. Que não é senão a "Fio de Cabelo", de Chitãozinho e Xororó. Era a coisa mais tradicional da pescaria, parar e ouvir a 107. Incontáveis vezes, para desespero dos outros clientes.

No rancho, ao violão, um denós sabia somente tocar uma música. Mas, com essa música, cantávamos todas as que queríamos.

Sem razão especial, a 107 era o hino de nossas pescarias. Talvez porque todos soubéssemos a letra, e a berrávamos, a plenos pulmões. E ríamos, como crianças satisfeitas.

Hoje, grupo disperso, lembro das vaias que recebi numa determinada vez, porque pesquei como gente grande. Ao som da 107, claro.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Memórias do que nunca soubemos...

Esta é a música da apresentação final da música "Para não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré, no Festival Internacional da Canção, em 1968. as palavras de Vandré ao início se referem ao fato de a música, preferida do público, não ter ganho o festival, ficando em segundo lugar. A ditadura, suspeita-se, não permitiu, de forma tangível ou intangível, que tal hino fosse a vencedora de um importante concurso.

- A vida não se resume a festivais...

Hoje, o pão e o circo são os BBBs. São os vídeos de presonalidades, são os programas de auditório que falam das personalidades. nem de longe são um grito uníssono, como Vandré conseguiu.

Geraldo Vandré - Prá Não Dizer que Não Falei das Flores

Metamorfose ambulante

Do I contradict myself? Very well, then I contradict myself, I am large, I contain multitudes (Eu me contradigo? Muito bem, então me contradigo, sou grande, contenho multidões).
Walt Whitman
Dia destes, conversando com uma amiga, fiquei pulando de um assunto a outro, meio a esmo, e ela já não estava conseguindo conectar-se com minha volatilidade. Nessas ocasiões, sempre me lembro dessa frase de Walt Whitman, como que querendo justificar meus atropelos de mim mesmo.

Sempre tenho muito a falar, e tenho muito a ouvir. Ouvir outras pessoas me faz conhecer-me melhor. Por quê? Porque reajo imediatamente ao que ouço (mentalmente, claro), e me questiono sobre os motivos da reação. É um processo desenvolvido ao longo dos anos, o de processar sem transparecer. Mas é real. Assim, em minhas conversas, muitas e muitas conexões com outros assuntos são realizadas, e as perguntas fazem fila em minha mente: eu preciso saber. E, às vezes, quando a pessoa com quem converso tem essa capacidade (de fazer essa minha fila mental andar), pobre dela. É uma metralhadora.

Quando Lula disse ser uma metamorfose ambulante, alguns de nós caímos matando. Onde já se viu? Mas foi somente para não perder o hábito. Sou assim também. Embora não confesse nem sob tortura. Um exemplo é a questão da pena de morte. Se contenho multidões, a depender de quem de mim estiver ao microfone sou contra ou a favor. Explico: circunstâncias, momentos, ânimo, tudo isto interfere nessa minha posição. Num caso como o do João Hélio e da menina Isabella, sou a favor. Em outros casos, contra. São os pedaços de mim fazendo conexão com o mundo externo.

Idem para a questão do aborto. Uma coisa é certa: sob o ponto de vista legal, sou a favor do aborto. A lei não pode impedir o aborto, é em que acredito. Mas, em termos de moral, já não tenho a mesma opinião. Eu mesmo, se tivesse de passar pela experiência de uma gravidez não desejada de alguma parceira minha, já sei o que faria: aborto nunca, a criança viria ao mundo. Mas essa dualidade entre o "eu legalista" e o "eu moralista" me levam a me questionar se deveria existir essa separação. Moral e lei são diferentes?

Nestes anos de minha jornada procurei desenvolver a empatia, entender como as pessoas sentem e pensam e como reagem. Isto acaba criando em mim uma vertente tal de possibilidades que chega a ser uma grande briga interna: os caminhos são tantos. As pessoas são diferentes. Nós somos tão contraditórios.

Tenho muita dificuldade quando me pedem conselhos, justamente por causa disto. Normalmente vejo os dilemas, as contradições, as armadilhas do caminho e da comunicação. Mas o conselho é uma coisa ruim, se não nos afeta diretamente. Posso dizer o que a pessoas quer ouvir. Não digo. Posso dizer o que eu faria. Também não digo.

Se digo o que a pessoas quer ouvir, posso fazer com que ela caia nas armadilhas (ou pague os preços) pela decisão. E nem sempre (quase nunca, na verdade) esse preço é suportável. Se digo o que eu faria, estou somente dizendo qual preço eu pagaria. EU pagaria. Estou pronto para pagá-lo, suporto a barra, compro a briga. Mas isto sou eu, nem todos tem a mesma disposição.

O caminho fácil não me atrai. O caminho mais difícil é de mártir, e nem sempre estou disposto a ser um. A depender do preço, uma destas pessoas que compõem minha multidão interna assume a direção. E lá vamos nós, no comportamento de manada, fazendo o que somente nós (eu) mesmo faríamos.

Por isto, é preciso dizer: essa minha amiga tem um potencial enorme. Vários de nós falamos com ela, a pobre torturada. Mas ela não precisa se preocupar, mandei prender os mais radicais dentro de mim. Às vezes algum escapa, mas nada que uma boa sacudida não resolva.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Nostalgias

Saudades doídas:
  • chegar em casa e encontrar o tabuleiro de xadrez montado (jogávamos todas as tardes, eu e eu pai);
  • pescarias;
  • carona para a escola;
  • penne com calabresa;
  • churrasco na escola de química (o pai era mais esperado que eu...);
  • a piada fácil;
  • o apoio;
  • as lições;
  • o companheiro.
Algumas coisa só se faz a dois. Minha mãe ainda está aí. É coisa a celebrar. Não é pouco. É uma fortaleza, a seu jeito. Mas meu pai se foi. Aqui, um agradecimento à mãe. E uma declaração de falta ao pai...

Imigração Japonesa

Há cem anos, o início. De lá para cá, a mistura.

Não sei se dá para notar, mas tenho ascendência nipônica. Parece piada, mas às vezes as pessoas não acreditam que sou um "mestiço" (AI-NO-KO, ou KON-KETSU-DI). Parece que estamos mais miscigenados que pensamos.

E miscigenados culturalmente! Já comi um sashimi, às margens do Rio Grande, onde o peixe estava temperado com limão, cebola picada, alho, vinagre, muito vinagre. Era o gosto local. Nos restaurantes, nosso sushi já vem com manga, essa fruta deliciosa que é tipicamente brasileira.Já não se sabe o que é tipicamente japonês, ou o que é brasileiramente japonês. Ou niponicamente brasuleito...

Já inseridos na paisagem, os japoneses fazem parte da história recente do Brasil, como os dekasseguis hoje fazem parte da do Japão. Por falta de oportunidades no Brasil. O êxodo toma o rumo contrário, e já levou alguns de meus parentes.

É gratificante ver o Brasil comemorar a data.

Fizemos, recentemente, uma festa em que o símbolo parece retratar bem a imagem que está em todos.



Músicas preferidas

Uma relaçãozinha das músicas que me acompanham pelas estradas da vida:

toni braxton - unbreak my heart - Romantica


Egberto Gismonti - Palhaço



Pet Shop Boys - Always On My Mind

terça-feira, 17 de junho de 2008

Por acaso?

Não sou determinista, nem acredito em destino. Acredito que traçamos nossos caminhos, e agimos para recolocá-los nos trilhos. Mas acredito que, às vezes, precisamos agarrar as janelas que o destino abre e olhar para fora de nossas vidas, e aproveitar ao máximo o que se oferecer.

Isto abrange, claro, oportunidade profissionais. Mas não é a isto que me refiro. Refiro-me a pessoas. Quando encontramos novas pessoas, às vezes as deixamos escapar. Por pré-julgamento, por indiferença, por puro esnobismo. Algumas vezes, aproveitamos a oportunidade e fazemos amigos, ou mais que amigos.

É aquele chavão: se a vida te dá um limão...

Desta vez é: conheça as pessoas que aparecerem na sua vida. Na multidão, pode estar alguém especial. Que come e dança, e é fosforescente, brilha mesmo no escuro.

A lua e eu

Outra música que me acompanha há tempo, e que ficou bailando em minha mente enquanto a lua me observava correr hoje. Monocular, mas arregalado, seu olhar me acompanhou o tempo todo, sem nenhuma neurose. Mas a música, ora, é a música que interessa.


Águas serenas

Quando íamos pescar, sempre havia muito barulho. Muitas gente, muita bebida, muita piada...

Eu era o único (não no início, mas depois sim) que levava equipamento de pesca. Os demais iam para um final de semana relaxado. Só nós, cozinhando, lavando, limpando. Bebendo e comendo, e cantando e fazendo piadas. E eu pescando.

Quando eu ia pescar, o pessoal se revezava para ver quem ficava comigo. Afinal, era uma pescaria. E, aos turnos, me traziam o que beber e os peixes fritos. E a conversa corria solta...

Eu adorava aquelas pessoas. Era uma turma diferente, que, ali, parecia irmanar-se como se irmãos fôssemos de fato. Mas, preciso confessar, quando eu estava sozinho era que curtia a pescaria. Olhando alinha, ali, na água corrente, naquele expectativa que rápido nos abstrai, minha pescaria se transformava numa viagem.

E percorria os caminhos não percorridos, abortados por minha vontade ou de outrem. Imaginava "como seria se.".. que bom seria se... e seu eu não... e se eu... posso? preciso? quero?

Era ali, na solidão rara e momentânea, que eu conseguia conversar comigo, e finalmente ter algumas respostas. O som da água, a expectativa da mordida...

Este é o som de meus encontros comigo:

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Hipocrisias

Quando me mudei para a casa onde passei parte da infância, toda a adolescência e parte de minha vida madura, fomos recebidos por uma família que nos acompanharia pelo resto de nossas vidas: pai, mãe e quatro filhos. Crescemos juntos, brincando, brigando cantando, chorando e rindo. Fomos juntos à escola. Adoecemos juntos. Comíamos juntos. Festas, juntos. Quando o pai deles morreu, lá estávamos nós. Quando o meu pai morreu, lá estavam eles. participaram ativamente de meus dias. Atualmente, nos natais e anos-novos, lá estou eu e lá estão eles, sempre presentes (minha presença é terrível: ainda entro sem bater, abro a geladeira, fuço as panelas...). Há um detalhe, que não nos incomodou nunca: são pessoas negras. Estivéssemos na América do Norte, diria afro-americanos. Mas, no Brasil, isto não importa, somos um país não racista. Caldeirão de raças, este clichê terrível...

Quando há manifestações racistas, a imprensa não dá tréguas. Ataca, mostra, repisa, aponta. Sim, é um país multirracial. Será mesmo?

Numa manhã dessas, o locutor da Globo do Bom Dia, Brasil faz uma chamada sobre um jogo de futebol com uma frase pretensamente jocosa. Nada disso. Achei desrespeitosa. Porque o jogo era contra os argentinos. A Globo, que é uma das pontas de lança na acusação dos racismos, não se constrange em corroborar tão vergonhoso comportamento que já é quase um esporte nacional. Não faz isto aos portugueses, personagens principais de tantas piadas, mas faz aos argentinos. É um péssimo exemplo.

Tenho como amigos, daqueles verdadeiros, com um apreço muito, muito grande, uma família de argentinos. Pai, mãe, dois filhos. A quem eu poderia chamar de família, e me acho muito desmerecedor chamando-os somente de amigos. Nada diferem dos brasileiros, a não ser pelo sotaque, de resto presente em São Paulo, em Minas, no nordeste, no sul.

Entregamos, gratuitamente, um rótulo terrível e desmerecido a um povo que só difere de nós por ter uma questão de fronteiras. Mas que são absolutamente iguais a nós. E essa família, com quem tenho o privilégio de compartilhar alguns momentos, nada tem a não ser uma atenção enorme, uma gentileza infindável, uma nobreza que eu mesmo gostaria de ter.

Estamos ensinando nossos filhos uma lição desprezível: julgue as pessoas por características extrínsecas. Antes de olharmos a pessoa, olhamos sua nacionalidade. É diferente do que julgar pela cor?

Alguns vão dizer que é somente uma brincadeira. Claro, isto explicaria o clima péssimo nos jogos de futebol por exemplo. O homem é produto do meio, ou o meio é produto do homem? não importa. Importa que, enquanto cada um de nós não tiver um posicionamento contra esse comportamento inadequado, ele continuará validado culturalmente. Mas, se pararmos, esse pedaço da cultura pode morrer.

Não acredito nesse tipo de brincadeira, assumindo-se que seja uma. Acredito em valorizar as pessoas. Nunca em desmerecê-las, pois mais que queiramos mascarar isto como brincadeira. Acredito que nosso tratamento, seja entre familiares, seja entre amigos, deva se basear nas coisas boas que temos, não no que se nos impõe socialmente. Acredito no valor, não no (mau) hábito.
Podem achar que é somente uma idiossincrasia minha, gerada pela minha decisão de ser politicamente correto. Não, não é. É errado fazer esse tipo de brincadeira.

domingo, 15 de junho de 2008

Jovem triste

Numa festa familiar, um tio muito querido estava presente. Videokê rolando, nossa voz esganiçada sempre incomodando. Aí o tio pede para cantar. E escolheu a música abaixo.

Em minha infância, esta música esteve presente. Sempre a achei muito forte, muito poderosa. E acompanhei, mesmo sem ser convidado, meu tio cantando-a.

Essa tio, irmão de meu pai, sempre esteve presente na nossa vida, como deve ser com a família. E ainda hoje, nos encontramos e celebramos, de forma verdadeira e sentida, nossas lembranças. Como foi recentemente. Família de verdade, momentos bons e ruins, até briga já tivemos, provavelmente por causa de minha iconoclastia. Mas briga breve, como deve ser entre os que se amam.

E nesta minha família o amor é expressão verdadeira de nossos sentimentos, não uma obrigação a ser seguida. Não faço nada por obrigação. Se gosto, gosto de verdade. Se não gosto, todos sabem.

Este é um tio que pode ser chamado de irmão, de pai, de amigo. Somente pessoas privilegiadas poderiam ter um parente assim. Eu, muitas vezes, acho que não mereço.

Celso Okano, nosso dueto.

Fim de semana especial

Numa sexta-feira, compromissos findos ainda na parte da manhã, resolvi ser diferente. Liguei para o marinheiro, pedi para preparar o barco. Liguei para a cantina da marina, pedi para abastecer a geladeira. O de sempre: verduras, alguns legumes, um queijo camembert, gelo para meu scotch. Um filé, só por precaução.

Peguei a Marginal, coloquei um Cd (Simply Red), e fui para a Ayrton Senna/Carvalho Pinto, gritando a música que me embala nessas viagens.

Devagar, bem devagar, vidros abertos, nada de ar-condicionado. Gravata esvoaçando, carro de maluco.

Chegando à marina, sol ainda bom, corri para o barco, conferi o cockpit, troquei de roupa, e saí. No motor, bem devagarzinho. Ventinho de final de tarde, agora com PetShop Boys. Boné ao contrário, uma cerveja gelada, mar se abrindo... Aquele vento mais que refrescante batendo em meu rosto, querendo inflar as velas...

A noite foi caindo, o horizonte avermelhou. Diminui o motor, fui curtindo o vento. A maresia chegava gostosa, com seu cheiro salgado, enchendo o peito e ajudando a desestressar.

Cheguei ao destino, Uma pequena baía, ao lado de um bar desses que servem com infláveis. Tomei um banho no chuveirinho, sentei já no escuro com um copo de scotch e o meu camembert. A noite, estreladíssima, como só se vê nos pontos isolados. Fiquei incontáveis minutos olhando para o céu, a ponto de ver estrelas cadentes, e duvidar da coincidência.

No som, músicas com significados me levavam pelos tempos: Saturday Nigth Fever, Grease, Simon & Garfunkel...

Aquela paz da lua brilhando no mar, o barulho das ondas no casco do barco, risadas ao longe...

Liguei o notebook só para desencargo de consciência, respondi e-mails, atualizei o blog. A noite ia começar. Na mansidão do mar, indo e vindo, lentamente, me desligava desta dimensão para entrar em alfa... Pés apoiados no banco, pensando na vida... vida boa, sem preocupações...



As cenas acima nunca aconteceram. Ao menos no mundo real. Aconteceram, até o momento, somente em minha mente. Acontece que o veleiro é uma meta. E tudo mais é como eu vivo minha meta. Preciso de detalhes, preciso viver cada momento, a meta precisa ter vida. Preciso acreditar nela a ponto de fazer com que as pessoas também a sintam. Que, quando eu contar sobre esta meta, as pessoas consigam ouvir minhas músicas no caminho da marina. Que o cheiro da maresia possa ser sentido, assim como o vento que nos refresca,. Preciso viver a meta a ponto de fazer as pessoas enxergarem o céu estrelado e as estrelas cadentes. E que possam sentir, assim como eu, a calma que a noite estrelada oferece. Isto é uma meta que é capaz de mexer conosco, é capaz de fazer com que batalhemos por ela, é capaz de nos fazer pulsar por ela. Isto é uma meta, e é diferente do sonho porque a vivemos como se já fosse uma realidade. Desfrutamos dela como se fosse somente uma questão de tempo, e na verdade assim é. É somente uma questão de tempo. E só depende de mim. De nós, se a vida permitir. Mas, por enquanto, de mim.



Os nossos desejos têm hierarquia. Aqueles que desejamos na mesa do bar, no banho, na cama, mas em quem não acreditamos, são nossas utopias particulares. Já aqueles que percebemos viáveis, passam a ser sonhos. Quando, de viáveis, passam a ser exeqüíveis, ou seja, recebem um "como" e um "quando", passam a ser metas. É disto que se trata. Daqueles desejos em que acreditamos, tanto que planejamos. E esse planejamento implica em uma data, um prazo. Implica em nos comprometer com outras pessoas. Implica em ter outras pessoas no sonho. Implica em nos comprometermos com esse plano e, dentro de nosso planejamento, termos prêmios pela evolução da meta. Mas é viver a meta que a concretiza. Acreditar nela a ponto de vivê-la. É o primeiro passo, diria Confúcio.



Este é o último capítulo de uma era, de uma coisa que não farei mais. Usei esta abordagem em algumas palestras de motivação, que prometi não fazer mais. Publico o texto atendendo a um pedido especial, atendendo a um "parou por quê? Por que parou?". Diria Macunaíma: - mais num falo não...

Imortalidade

Dispensa intróitos...



A letra:

So this is who I am,
And this is all I know,
And I must choose to live,
For all that I can give,
The spark that makes the power grow

And I will stand for my dream if I can,
Symbol of my faith in who I am,
But you are my only,
And I must follow on the road that lies ahead,
And I won't let my heart control my head,
But you are my only
And we don't say goodbye, we don't say goodbye
And I know what I've got to be

Immortality
I make my journey through eternity
I keep the memory of you and me inside

Fulfill your destiny,
Is there within the child,
My storm will never end,
My fate is on the wind,
The king of hearts, the joker's wild,
But we don't say goodbye, we don't say goodbye
I'll make them all remember me

Cos I have found a dream that must come true,
Every ounce of me must see it though,
But you are my only
I'm sorry I don't have a role for love to play,
Hand over my heart I'll find my way,
I will make them give to me

Immortality
There is a vision and a fire in me
I keep the memory of you and me, inside
And we don't say goodbye
We don't say goodbye
With all my love for you
And what else we may do
We don't say, goodbye


A Tradução:

Então este é quem eu sou,
E isto é tudo que sei.
E eu devo escolher viver,
Pois tudo que posso oferecer [é]
A centelha que faz o poder crescer.

E eu apoiarei meu sonho se puder,
Símbolo da minha fé em quem eu sou.
Mas você é minha única
E eu devo seguir na estrada que jaz adiante.
E eu não permitirei que meu coração controle minha cabeça,
Mas você é a minha única.
E nós não dizemos "adeus", nós não dizemos "adeus".
E eu sei o que tenho de ser...

Imortalidade,
Eu faço minha jornada através da eternidade,
Eu guardo a lembrança de você e eu aqui dentro.

Cumpra seu destino,
Existe no interior a criança?
Minha tempestade jamais terminará,
Meu destino está no vento,
No rei de copas, na loucura do curinga.
Mas nós não dizemos "adeus", nós não dizemos "adeus"...
Eu farei todos eles lembrarem-se de mim.

Pois eu encontrei um sonho que deve ser realizado,
Cada pedacinho de mim deve perseverar até o fim.
Mas você é minha única.
Sinto muito, não tenho um papel para o amor representar.
[Com] a mão sobre meu coração, eu encontrarei meu caminho,
Eu farei eles entregarem para mim.

Imortalidade,
Existe uma visão e um fogo em mim,
Eu mantenho a lembrança de você e eu, aqui dentro.
E nós não dizemos "adeus",
Nós não dizemos "adeus".
Com todo meu amor por você,
E o que mais nós possamos fazer,
Nós não dizemos "adeus".

sábado, 14 de junho de 2008

Sessão teia de aranha

Há uns (ok, mais) anos, isto foi um sucesso.

E, na época, eu ainda assistia à Globo.



A música é muito bonita.

Feelings,
Nothing more than feelings,
Trying to forget my
Feelings of love.
Teardrops
Rolling down on my face,
Trying to forget my
Feelings of love.
Feelings,
For all my life I'll feel it.
I wish I've never met you, girl;
You'll never come again.
Feelings,
Wo-o-o feelings,
Wo-o-o, feel you again in my arms.
Feelings,
Feelings like I've never lost you
And feelings like I'll never have you
Again in my heart.
Feelings,
For all my life I'll feel it.
I wish I've never met you, girl;
You'll never come again.
Feelings,
Feelings like I've never lost you
And feelings like I'll never have you
Again in my life.
Feelings,
Wo-o-o feelings,
Wo-o-o, feelings again in my arms.
Feelings...

Finito

De manhã, um funeral. Ao qual compareci com um pesar real, compadecido da dor de meu amigo.

Abro um parêntesis para dizer que esta minha empatia é cruel. Demorei muito a desenvolvê-la, e quando finalmente o fiz, ela foge ao meu controle...

Fiz uma avaliação psicológica para uma empresa e o resultado foi desconcertante: pouca afetividade! O que a empresa considerou ótimo, pois criar laços seria péssimo. Já eu achei péssimo, pois ... pois... ok, não lembro.

Treinamos nossa capacidade de empatia. Há diversas dinâmicas de grupo para isto, e fazíamos como uma necessidade real. Sentir o que o outro sente é importante para nosso processo de comunicação. Permite compreender argumentos e posições. Proporciona o conhecimento de outros pontos de vista. É realmente importante...

Mas...

No funeral, revivi emoções das quais fujo constantemente. Minha memória me trouxe a mesma circunstância, e minha empatia me igualou ao meu amigo. Vi sua mãe, sua irmão, seu irmão, de repente eram minha mãe, minha irmã, meu irmão...

Não falo nestas circunstâncias. O que, para os que me conhecem, é algo inimaginável. Mas as palavras sem sentido, sem noção, sem significado, estas fogem de mim. Um abraço, um olhar, um recado: estou aqui, se precisar conte comigo.

Sinto essas perdas vivendo ou revivendo as minhas. Egoísmo? Talvez. Prefiro achar que é empatia. Prefiro acreditar que é por compreender a dor de outrem que choro por pessoas que não conheço...

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Fugas

Impressionou o mundo nazista que o cercava a calma de Viktor Frankl. Enquanto seus amigos estavam sendo vítimas das mais tristes histórias da humanidade, ele conseguia extrapolar o sentimento e ficar alheio, tanto quanto possível, do massacre do povo judeu.

E ele tinha o segredo para tanto: estar no controle de sua mente, de suas emoções, de suas respostas. Conseguia, em meio a tanto sentimento negativo, enxergar o lado positivo, é surpreendente que ele o achasse no meio do Holocausto.

Esse "segredo", que não é segredo, é somente uma coisa que não se faz, não tem nada de misterioso. Podemos escolher o que se passa pela nossa mente, e decidir em que focar. Assim, Frankl passou a ser admirado por outros prisioneiros e até mesmo pelos guardas. Criador da logoterapia, venceu a mais terrível das adversidades: a falta de horizontes.

Enfrentou seus medos, desenhou suas idéias, venceu seus demônio interiores. nos dá uma lição de vida, isto, é, a dá a quem se dispõe a desfrutá-la.

Um dia, decidi pensar nas coisas boas como inspiração. nas ruins como aprendizado, mas sem me deixar contaminar. E, nas coisas boas, penso, claro, em pessoas. Que, como Frankl, trazem aprendizados. E eu quero desfrutá-los.

Elvis Presley canta melhor o que tento, sofregamente, digitar.


Eu, hein?

Meus amigos sabem que paro o carro no mesmo lugar quando vou à Lagoa do Taquaral (E ao Shopping também). Já recebi diversas críticas por isto. Dizem que sou "localizável" ("achável", na verdade). Nunca liguei. Até hoje.

Acabei minha corrida, saí devagar, encostei na grade e fiquei olhando para o nada. E vi um carro parado, logo atrás do meu, com uma mulher ao volante. Carro ligado, pisca-alerta aceso. E a mulher fotografando meu carro!

Fiquei longos minutos observando, e ela ali. Bateu várias fotos e saiu. Para onde, não sei. Mas, se eu sumir (ou aparecer "desovado"), anote aí: cabelos longos, com luzes. O carro era um Peugeot 206, bege.

Credo!

Chuva

Sinto-me fascinado pela chuva. Gosto. Nos dias de chuva, em que as pessoas normalmente se acham melancólicas, eu me sinto bem. Sempre gostei de chuva.

Quando chove, não demoro a ir correr. Correr na chuva parece acalmar mais que normalmente a corrida me acalma. E, claro, se já corro sozinho nos dias normais, nos de chuva a corrida é isolada.

Quando minha turma ia pescar, normalmente escutávamos músicas sertanejas, bem alto. E a conversa corria solta, as gargalhadas sonoras eram o que mais ouvia. Mas, nos dias de chuva, num determinado momento, um de nós ia até o aparelho de som para desligá-lo. E alguém sempre dizia:

- Shhhh!!! Vamos ouvir a chuva.

Ficávamos por longos momentos curtindo a chuva no telhado da chácara e nas águas da represa. Isso nos oferecia aquela calma que procurávamos tão barulhentamente.
E agora recebi este vídeo, com uma música que sempre canto, alto, ou somente mentalmente, em meus dias de chuva:





A dica é da Tati, que parece estar sempre espiando...

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Dia dos namorados

Como sou piegas, meus textos também o são. São melosos, cheios de clichês, óbvios até. Escrever é uma arte, com a qual não fui abençoado. Embora escreva, é preciso ter alma, mesmo para pieguices e obviedades. Neste dia dos namorados, para não cair na mesmice, publico um texto emprestado, embora famoso. Acho que retrata bem minhas idéias, ridículas, mas ainda assim essenciais. Ao menos para mim.



De Fernando Pessoa

Todas as cartas de amor são
Ridículas.
Não seriam cartas de amor se não fossem
Ridículas.
Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
Como as outras,
Ridículas.
As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.
Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas.
Quem me dera no tempo em que escrevia
Sem dar por isso
Cartas de amor
Ridículas.
A verdade é que hoje
As minhas memórias
Dessas cartas de amor
É que são
Ridículas.
(Todas as palavras esdrúxulas,
Como os sentimentos esdrúxulos,
São naturalmente
Ridículas.)

Ridículo...


O poder

Todos almejam o poder. Todos o querem, porque acham que ele define tudo. Define muita coisa, é verdade. Mas não tudo.

O poder, aquele que nos oprimiu há alguns anos (a ditadura de Pindorama), exercido daquela forma, é nefasto. É cruel, é impessoal, é covarde. Não é poder senão o da força. E o poder da força pode mover montanhas, mas não encanta corações.

Algumas pessoas têm o poder. Mas não sabem disto. E, informadas, negam-no. Mas o poder reside nelas e se manifesta de formas surpreendentes. Manifesta-se na linha do sorriso, ou do gargalhar gostoso brotado do nada. Ou do olhar cheio de significados, e nada diz. Ou do gestual tipo furação, que parece espalhar sorrisos e gargalhadas.

Esse poder é pessoal, é íntimo, é desprovido de coragem porque coragem não combina com espontaneidade. É pessoal, mas dirige-se a todos, democraticamente, embora nem todos saibam ou possam desfrutá-lo.

É aquela força magnética que arrasta a tudo e todos na sua onda colorida. É a imagem tatuada na nossa memória, que nos sorrir, mesmo contra a vontade.

Há o outro lado do poder. Do mau humor, da cara feia, do negativismo. Mas mais eu não quero falar neste lado. Porque hoje estou contaminado pelo outro.

Fiquemos com o sorriso.

Gostoso demais

Sem palavras (minhas)...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Provocação

Esta é uma provocação. Mas era demais publicar a versão nacional...



Festa no apê???

Coragem

Há uma máxima que diz que coragem não é não ter medo. É saber enfrentá-lo.

De vez em quando, o medo bate, é normal que seja assim. O medo nos direciona, nos disciplina, nos preserva. Ayrton Senna dizia que:
O medo faz parte da vida da gente. Algumas pessoas não sabem como enfrentá-lo. Outras, acho que estou entre elas, aprendem a conviver com ele e o encaram não de forma negativa, mas como um sentimento de auto preservação.
Às vezes, precisamos enfrentá-lo, mesmo que não estejamos preparados. É exatamente pelo instinto de preservação, ou a ambição, ou - paradoxalmente - o medo do comodismo. Precisamos tomar partido, precisamos arriscar, precisamos dar palpite. Precisamos dar um passo à frente - ou para trás. Enfim, precisamos abrir o peito para a vida, e vivê-la, pagando os preços ou colhendo os frutos.

Quando o medo nos paralisa, a pior decisão é não decidir. Decidir não fazer nada é uma decisão, mas deixar de decidir é omissão. É inação. É fuga, é a vitória do medo.

Podemos tomar a rédea de nossas vidas.

Esta música da Vanusa sempre me impressionou pela atitude nela contida, reafirmada pelo seu tom de voz .

Vanusa - Mudanças



Este post fora de hora e fora de contexto é um recado, dirigido a mim mesmo. Se você não entendeu nada, não tem problema. Curta a música, faz muito tempo que ela está fora das paradas. Se você entendeu, me explique, ainda estou tentando...

Obama e Hilary

Sobre as eleições nos Estados Unidos, é de se destacar que a polarização dos democratas se deu em torno de uma candidato e um candidato negro. Seria a primeira vez na história que uma mulher ou um negro assumiriam a presidência da maior potência mundial.

O que me preocupa é que essa polarização aconteceu com discursos segregacionistas. Dizia-se que Hilary tentaria atrair votos femininos; Obama tentaria os votos das minorias. Acho isto muito pobre. Características desejáveis para o cargo independem de ser negro, amarelo, vermelho, homem ou mulher. Se a polarização aconteceu por causa dessas condições, há um erro descomunal.

Não me agrada a idéia de votar em alguém por ele ser corintiano ou paulista. Ou mulher, ou negro. Temos de votar naquele preparado para fazer da democracia o que ela promete, na sua mais conhecida definição:

- Do povo, pelo povo, para o povo.

Se tivermos de votar em alguém por causa diferente dessa, é a cristalização do estamento. É a terrível máxima do "farinha pouca, meu pirão primeiro".

No Brasil, uma das explicações sobre a popularidade de Lula diz respeito à sua origem pobre. E os pobres o vem não como representante, mas como ícone das possibilidades: agora que um de nós chegou lá, todo mundo pode chegar lá.

Na antítese, Fernando Henrique Cardoso, poliglota, professor universitário, sociólogo, seduziu a classe média. - Este é o caminho, é um de nós, será que isto que pensam os eleitores?

Parece-me incapacidade e desinteresse em avaliar os potencialidades, e, num flerte fútil, eleger quem mais se parece conosco.

Enquanto o governo (qualquer governo, de qualquer país/estado/município) não prioridade da população, viveremos num eterno Fla-Flu: torcida irracional, resultado ruim.

terça-feira, 10 de junho de 2008

Instinto animal

Direto ao que interessa:




Assino embaixo.

Subornando a consciência

Saindo de casa, na esquina, o mesmo homem, já idoso, vendendo suas balinhas. Todos os dias olhos seus olhos azuis e não vejo senão conformismo. Hoje resolvi subornar minha consciência.

Procurei pelo carro uma brecha para entrar na quinta, ou oitava, ou décima-primeira dimensão para achar uma moeda. Porque funciona assim: você larga uma moeda da qual não precisa no carro, e ela fica ali, te espiando. Quando você precisa, ela entra num estado de completa invisibilidade (noutra dimensão, só pode ser), e fica observando, rindo da sua procura. Quando ela percebe que você não precisa mais, ela volta, misteriosamente postando-se no lugar onde procuramos dezenas de vezes.

Mas achei as moedas. Abri o vidro, e ele recebeu a moeda e já ia me dando as balas. Agradeci, não peguei as balas e fiz ver a ele que era uma ajuda. Aí, valeu o dia: ele abriu um sorriso radiante, tirou o boné, fez vários salamaleques e fez agradeceu a mim e a cinco gerações depois de mim. E seus olhos azuis sorriram!

Moedas, que estavam perdidas, e continuariam perdidas. E uma pessoa que diariamente batalha por suas moedinhas, com as quais tenta sobreviver. Sim, minha consciência doeu. Tentei ir adiante, justificando-me para mim mesmo: é a vida, não podemos ajudar todos...

Pois não precisamos ajudar todos. Podemos ajudar poucos. Podemos ajudar um só. E, se todos fizermos isto, esse um pode se somar a milhões. Milhões de moedinhas, milhões de sorrisos. Podemos fazer mais, disse eu à minha consciência, essa corrompida pela dura realidade.

E ela concordou. Fechamos os olhos porque achamos que nunca serás suficiente, que não resolveremos o problema. Mas precisamos abri-los, porque nada disto está em jogo. Independentemente de questões filosófico-administrativas, essas pessoas têm fome. Precisam de remédio e roupas. E se a moeda vai para a quinta dimensão, é porque não precisamos dela, Mas há quem precise. E como há...

Motivos

Nossas metas são nosso combustível. É a mola que nos impulsiona, é o que nos faz levantar de manhã para enfrentar, peito aberto, o mundo. Mas a meta não é nada se não se traduzir em pessoas. Nossos objetivos, se totalmente pessoais, não passam de vontades. Quando envolvem pessoas, entretanto, são motivo, combustível, honra, desejo. São nossos próximos passos.

A vida é vazia se, gregários que somos, estivermos em isolamento. E é rica e florida se contarmos com companhias. E, neste caso, não importa o carro, os bens, a conta no banco. Interessa o sorriso, a felicidade, a alegria da companhia. Tudo aquilo que o dinheiro não pode comprar.

A atenção, o carinho, a demonstração de ternura, estas riquezas imensuráveis são os motivos de nossas vidas. Ao menos, da minha. E, se vou devagar com o andor que o Santo é de barro, vou devagar e sempre. Porque não tenho pressa. Minha hora chegará, e eu chegarei lá.

A música abaixo é: "quem quer viver para sempre"?

Minha resposta é: e precisa?

Enquanto você dormia

Dois grandes ícones da música popular brasileira. Enquanto Tim se rebelava contra o domínio global (e foi banido por isto), Gal cantava e encantava multidões, hoje em doce nostalgia.

Cada momento, cada instante deve ser valorizado, por pior que seja. O tempo, esse radical, não volta, e tenta nos enganar com sua inflexibilidade.

Nada disto, a alegria não é passageira, é perene.




E mais Tim:

Nem precisava

Algumas pessoas precisam de ouro e jóias; outras, de carros e mansões. Cada um qualifica sua vida de acordo com o que almeja. Se já tem as jóias, o ouro, os carros, pode ser que a vida seja boa. Pode ser... Não necessariamente é.

Desde há muito concluí que as pessoas é que têm essa riqueza. E ela nunca pode ser economizada, é uma riqueza que vaza e extravasa. Seja no riso fácil, seja na dura realidade dos fatos. Assim, ao mesmo tempo em que procuro riqueza nas pessoas, sei que compartilho aquela que carrego comigo (e que muitas vezes foi obtida de outros).

Enfim, descobrir pessoas, ter a chance de conhecê-las, ter a oportunidade de enxergá-las além das aparências, isto nos enriquece. E, sem egoísmo, mostrarmos-nos como somos, sem julgamentos e culpas.

Sou rico!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Palavras

Este blog nasceu para minha diversão, como já disse mais de uma vez. Mas ele não precisa ser vazio. É uma coletânea de mensagens, ao menos para mim...

Sempre penso no poder das palavras. Que podem ser armas, mas podem ser bálsamos. Precisamos saber usá-las.

Uma das músicas que me acompanham: Words.

Abaixo a tradução:

Sorria, um interminável sorriso
Um sorriso trará você para perto de mim
Nunca me deixe vê-la triste
Porque isso me faria chorar
Este mundo perdeu sua glória
Vamos começar uma nova história, meu amor
Agora mesmo, não haverá outra vez
E eu posso te mostrar como, meu amor
Fale palavras duradouras
E as dedique todas para mim

E, aqui, o show:


domingo, 8 de junho de 2008

O que vem aí?

Às vezes, coisas surgem do nada. Podem ser coisas boas, podem ser coisas ruins. Se não forem boas nem ruins, muitas vezes nem notamos.

Nossa capacidade de enxergar as virtudes é grande, enorme. Mas nem sempre fazemos uso dela. O reconhecimento é fundamental, no entanto. Boas e más circunstâncias, bem identificadas, podem nos fazer caminhar em direção a umas e fugir de outras.

Quando são pessoas...


sábado, 7 de junho de 2008

Por que ler?

Porque é a liberdade sem limites. Damos às palavras o sentido que queremos, a cor que precisamos, o ambiente que gostamos. Porque, mesmo sendo assim, sabemos que é uma fantasia, e voltamos aos trilhos dom autor, para seguir seu caminho.

Porque assim nos colocamos no lugar do autor, exercendo a saudável arte da empatia. E, assim, empáticos, enxergamos a vida por outros pontos de vista. E estes nos fazem entender porque as pessoas fazem o que fazem.

Porque trazem informações aleatórias e importantes. E nos ensinam seus significados: aleatórias são aquelas para as quais não damos importância. E importantes são aquelas que escolhemos para nelas acreditar.

Porque a imagem é pobre, é limitante. Sim, falo da TV. A TV prende nossa atenção, e amarra nossa criatividade. E, quando a solta, ela está agredida, cambaleante, entregando os pontos. A imagem é o carimbo de nossas vidas é um clichê.

E porque a falta de leitura é o sedentarismo mental. É a preguiça sináptica, a pior das preguiças. E a mais freqüente. Precisamos muscular nosso cérebro, apresentar o tanquinho de nossas sinapses, mostrar os bíceps de nosso raciocínio. Precisamos pensar.

Ler não é para qualquer um, É preciso ser humano; é preciso ter livre arbítrio. É preciso querer crescer, aquele crescimento interno e imensurável. É preciso estar vivo.

Enfim, ler é procurar nas palavras de outrem o significado de nossas vidas. Nem que seja somente para discordar.

René Descartes que me perdoe, mas refaço a máxima: leio, logo, existo.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Barão de Itararé e FEBEAPÁ

Hoje, num de meus inescapáveis discursos, lembrei do Barão de Itararé. Que dizia suas platitudes e o Brasil parava para ler. Não que me esteja comparando a ele, cujo nome verdadeiro era Aparício Torelly. Mas porque as coisas que eu digo são absolutamente descartáveis, para não dizer completamente desnecessárias.

Da mesma forma, Stasnilaw Pontepreta (Sérgio Porto), com seu FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que assola o País, contava asneiras da ex-Ilha de Santa Cruz que, se contadas hoje, seriam de ultra-vanguarda.

Outro a ser lembrado aqui é o Macaco Simão (José Simão, que acompanho pela Folha de São Paulo), que diz que o Brasil é o país da piada pronta. Sua coluna diária é hilária e imperdível.

E, assim, de riso em riso, de platitude em platitude, vamos encarando os problemas da vida. Rir é o melhor remédio, certo?

Nas horas de tensão, costumo fazer uma daquelas piadas que não fariam rir nem o mais fanático dos fãs dos Três Patetas. Esse fator inusitado, uma piada num momento de crise, é tão inesperado que tem o poder de romper qualquer barreira de comunicação. E estamos conversados.

O fato é que tenho essa capacidade de rir de mim mesmo. E, com ela, de rir das enrascadas em que me meto. E o poder de rir de nós mesmos não é pequeno. Não, ele diminui nossa pequeneza, e aumenta nossa grandeza. Diminui o ímpeto de inimigos, aumenta o afeto de amigos. Transfere para nós a responsabilidade e direito de rir de nossas ações.

Há um conto de Fernando Sabino em que ele trata das invertidas em situações reais. Daquelas pessoas que são espontâneas, dizem o que pensam e os circunstantes o acham o máximo da fineza. Até que ele conta para uma donzela que está escrevendo um livro sobre um cafajeste, e ela pergunta, candidamente:

- Autobiográfico?

Arrisco-me a cair no mesmo caldeirão, mas a vida é tão mais divertida assim!

Nestes tempos de internet, de leitura abreviada de manchetes de jornais, precisamos mesmo de mais macacossimões e mais fernandossabinos. Mais barõesdeitararés e de stanislawspontepretas. Ainda precisamos da miriansleitões e dos alexandresgarcias. Mas precisamos de contrapontos. Precisamos rir do nosso umbigo, como Macunaíma; precisamos desopilar, como eu.

A vida em si já é suficientemente mal-humorada e taciturna. A cor está em nós. Aos pincéis, pois.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Raro e delicioso

Sashimi tem toda noite. Sushi, idem, chopp, idem. Companhia inteligente e bem humorada, é mais raro. Beeem mais raro.

Que prazer, que bom!

Dia após dia

A Tatiana me deu a dica, e aqui vai este vídeo delicioso e apavorante.

De vez em quando paro para relembrar meus dias com minha filha. desde o dia em que, cheia de cabelos, me olhou com cara de quem não vê nada, mas que eu, babando, acreditei que ela estava somente dando face a uma voz que a acompanhou desde o dia em que soube que ela estava lá.

Das vezes em que dormi com ela esticada na minha barriga, ela mesma com cólicas, e eu massageando, durante horas. E das horas que passei zelando, nas noites em que ela caia doente.

E das nossas brigas, que tínhamos abraçados um ao outro, no recado claro: "eu te amo, mas não gostei do que você fez. Mas te amo, e é incondicional".

Na infância de riso fácil, de carinho generoso.

Hoje, compartilhamos textos, cantamos juntos, criticamos e elogiamos fatos da vida... ela cresceu, e continua crescendo, como deve ser. E o pai, aos poucos e sempre, vai deixando de ser pai, para ser somente amigo...

É, é muito bom ser amigo. Mas é ótimo ser pai também. Que bom que o destino me permitiu isto.




Ah, é apavorante porque traça nossa vida numa música.

Saúde??

É, saúde não é brincadeira.

Nunca fui paranóico, nem mesmo preocupado, com o assunto saúde. Com o nascimento de minha filha, isto mudou. A responsabilidade falou alto, gritou na verdade, dentro de mim. Não era mais uma questão de auto-imolação, tratava-se da saúde física e psicológica de uma pessoa. Que, até o fim dos meus dias, vou achar que depende de mim.

Perdi meu pai no que achamos que foi um mal súbito. Perdi o então ex-sogro (nem por isto menos querido) num mal que poderia ter tido socorro. Vivo em hospitais, vivo o drama de pessoas que, negligentes, enfrentam a morte - e perdem, muitas vezes.

A precocidade, neste caso, é saudável. E a cautela devia ser a regra. Assim, ao menor sinal de uma doença, vou para o profissional médico. Pronto-socorro, se for o caso, consultório, se o mal for menor. Minha filha trilha o mesmo caminho. Passamos pelas investigações necessárias desses profissionais que se especializaram em salvar vidas, mesmo que as nossas não estejam em perigo. É, talvez, excesso de zelo. Prefiro isto. A alternativa não ;e factível.

Quanto à herança genética, isto é uma benção. Que traz seus preços. Hipertensão, diabetes, anginas, fazem parte do meu histórico familiar. pago os preços da genética com que está ao meu alcance: disciplina e dedicação.

Correr foi um passo. Um segundo passo, mas assumido, como tudo que faço, com a saudável resignação de quem não luta contra o inevitável. Manter a corrida foi, primeiro, terapia. Precisava correr, para purgar alguns demônios. Depois foi pura teimosia, já que eu tinha começado, não iria parar. Agora, é uma necessidade, justificada pela herança genética.

Corro porque gosto, porque me completa, preenche um vazio. E me ajuda a manter a saúde mental e física, e me leva aos hospitais somente para tratar de lesões esportivas que, no meu caso, matam muito raramente.

Enfim, saúde é o mote. É a causa, o objetivo. É a responsabilidade chamando, exigindo, implorando. É nossa vida, justificada não por nós mesmos, mas pelo cuidado com aqueles que amamos. Porque nossa presença pode ser ruim, mas nossa ausência pode ser um inferno.

Arrogância? Prefiro chamar de atenção.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

Meta atingida

Og Mandino, no seu livro O Maior Vendedor do Mundo, nos dá uma lição que, embora possa ser entendida como Programação Neuro-lingüística, não passa de uma lição de persistência:
"O fracasso jamais me surpreenderá se minha decisão de vencer for suficientemente forte."
Sim, reconheço, parece um clichê. Mas pode ser uma filosofia de vida. O texto A Corrida, de Lourenço Diaféria, se aproxima muito dessa filosofia.

Precisamos persistir, persistir, persistir. Desistir, nunca. Persistir. Costumo dizer que a vida coloca tudo no seu lugar. Precisamos ter paciência e horizontes. Precisamos fazer com que a coisa aconteça, e a persistência deve ter o poder de nos fazer aprender com os fracassos (chamemos derrotas) anteriores. Uma hora, vencemos.

O ideal é que essa hora seja programada, que esteja tudo bem planejado. A vida não é assim. É uma sucessão de eventos que parecem querer nos fazer desistir. Mas Og Mandino tem razão. Uma hora, vencemos.

E, aí, comemoramos.