terça-feira, 13 de maio de 2008

Tergiversando

Sobre esse processo a que todos (espero) estamos sujeitos, a velhice: Robert Redford e Brigitte Bardot nos dão uma aula de serenidade. Ambos foram sinônimo de beleza ao longo de suas carreiras e ambos resolveram envelhecer de forma natural. Nestes últimos anos, aparecem assim, sem constrangimentos, ademais desnecessários, mostrando as marcas da idade.

Tive uma namorada que estava lindíssima. Digo "estava", poderia dizer "era". Não o digo porque algumas coisas eram muito artificiais. Lipoescultura, silicone. Insatisfeita com a genética, tratou de arrumar-se segundo sua interpretação do que era a beleza. Sim, lindíssima, a genética foi vencida. Resta brigar contra o tempo.

Não sou obcecado por beleza, embora o seja por saúde. No final das coisas, uma coisa e outra não tem a ver com quem somos, ou seja, não deveria interferir no nosso amor próprio. Mas obviamente interfere.

A comunicação dita as regras. O feio, o desajeitado, o diferente não se insere. Todo o aplomb é para o lindo, o descolado, o inserido. Se está errado? Não, não está. A mídia da venda é mesmo assim, mostrando somente o lado bonito das coisas, que é o que vende. Mas, internamente, em nossas considerações de alcova, não deveriam valer.

Pensar que a beleza dita o padrão dos relacionamentos é promover uma auto-ilusão que não se sustenta. E, por isto mesmo, tem tendência a ser altamente destrutiva.

O que garante a qualidade (boa ou má) do relacionamento são aquelas virtudes (ou defeitos) que provêm da personalidade e caráter, raramente as físicas. Envelhecemos fisicamente, e mesmo psicologicamente, mas nossa personalidade e caráter tendem a ser, senão os mesmos, ao menos uma versão melhorada do que já fomos. Melhoramos com o tempo, e isto se reflete nos relacionamentos. Se dependemos da beleza, nossos relacionamentos têm data de validade, e isto não é verdade.

Sim, tudo isto porque me sugeriram pintar os cabelos, já encanecidos pela obra ininterrupta do tempo, implacável. Primeiro que esta é uma coisa "proibida" pela minha filha. Segundo, não acredito nessa artificialização da imagem. E, terceiro, há quem goste, se esta for a questão.

Mais importante que meus cabelos, minha saúde. E meus níveis de colesterol, HDL, etc etc estão muito bons. Tenho fôlego para correr vinte ou mais quilômetros todos os dias. Tenho disposição para muitas, muitas coisas sem que os cabelos grisalhos pesem mais do que deveriam.

Conclusão: meus cabelos vão continuar brancos. E vou seguindo pela vida, feliz, assim como já sou.

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