segunda-feira, 12 de maio de 2008

Quem pode manda, quem tem juízo...

De novo a questão da ordem, seguida sem questionamento. Na verdade, a vontade de questionar mitigada pelas sucessivas supressões de voz. Mas dá na mesma. Ninguém, em sã consciência, luta contra o poder instalado.

Será?

Tínhamos uma turma em que imperava um belo clichê: insubmissão sempre, insubordinação nunca. Era nosso mantra para, mesmo em meio ao mais belo consenso, dissensar (discordar). Era nossa versão do 007, Licença para Discordar. E discordávamos, às vezes de nós mesmos, somente para chegar às certezas. Mas a discordância era necessária, até para confirmar Nelson Rodrigues. Se toda unanimidade é burra, transformávamos tudo em discordância, para somente aí chegar ao consenso. E dava certo.

Mas o sucesso era devido à confiança que existia entre nós. O pacto psicológico que existia era da mais alta qualidade, e nossas ações eram sempre entendidas como benéficas ao grupo e aos objetivos do trabalho.

Claro que nem todo ambiente, ou grupo de trabalho, está pronto para esse tipo de comportamento. Nossa turma era composta de pessoas de alto controle emocional, e as que não eram assim se portavam, influenciados pelos outros. E, se não existe controle emocional, não pode existir questionamento, não há lugar para a dúvida sistemática, que procura cercar-se da certeza.

Neste outro exemplo de obediência acima de tudo, lembro, mais uma vez, do julgamento de Nuremberg. E, mais uma vez, lamento.

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