quarta-feira, 14 de maio de 2008

Os centros de nossas vidas

Stephen Covey descreve os centros das vidas das pessoas no seu Livro "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" (obs.: o nome muda de acordo com a edição). Ali, apresenta-nos o conceito de que as pessoas elegem um tema central para sua vida e agem de acordo com essa escolha.

Cada escolha tem sua matriz de comportamento. Os centros podem ser: família, igreja, cônjuge, trabalho, diversão, etc. Se a pessoa elege o cônjuge como centro, suas ações tendem a minorar a importância de todo o resto, para se concentrar em fazê-lo feliz (ou miserável). O fato é que suas ações são direcionadas e dependentes do cônjuge. Se ele aprova alguma coisa, ela faz. Se não, ela evita, Não há, aqui, razão. Somente uma troca de necessidades.

Assim como o cônjuge, a família, o trabalho, a beleza, a diversão. Quem vive em função de diversão pode promover estragos indeléveis na vida familiar, por exemplo. Quem busca a beleza como ideal de vida pode sacrificar a vida profissional e afetiva em função dessa busca.

Esses centros são escolhas nossas. Tanto que algumas pessoas os têm combinados. Família e trabalho, por exemplo. E essas combinações às vezes impõem um dilema insuperável: quando as necessidades conflitam, a quem atender?

Ensina-nos Covey que a vida baseada em princípios soluciona esse dilema. Ou os trilemas, ou qualquer dúvida que paire. Esses princípio são os valores, aquelas verdades filosóficas em que acreditamos. Quando nossa vida é baseada nesses princípios, as decisões se baseiam nos valores que cultivamos desde pequenos, e que se sobrepõem a qualquer tendência e julgamento mais superficial.

Vejo pessoas que mantêm a carreira antes de qualquer outra prioridade. E vejo, nas famílias dessas pessoas, aquele vazio triste da ausência. Noutras, a beleza se impõe, e qualquer relacionamento - familiar ou amoroso - é coadjuvante. Conheço outra situação em que a igreja era o centro. Solapou relações familiares e impôs uma agenda de prioridades que passou a consumir a pessoa.

Algumas vezes me deparo com pessoas que têm seus centros nos valores. Fazem as coisas por certas, não para atender a imposições sociais, não para manter as aparências. Mesmo que essas coisas não sejam de agrado do cônjuge, ou da família, ou do grupo social que representa o centro de sua vida. Mas fazem porque precisa ser feito e é a coisa certa a ser feita.

Esta é uma coragem que poucos têm. Então, são poucos os que podem ensinar, ou dar testemunho próprio, da qualidade de vida que advém desse tipo de comportamento.

Há alguns dias uma pessoa me perguntou de que planeta eu sou, por causa de uma atitude que tomei. Talvez seja mesmo coisa de marciano, mas o fato é que, de volta ao travesseiro, travo essas discussões ensurdecedoras comigo mesmo. Sempre avaliando se os valores estão certos, se as medidas estão corretas. Mas nunca, e preciso repetir, nunca me questiono se preciso mudar a abordagem. Agradar pessoas é muito importante, mas ser íntegro é ainda mais importante.

Em meu momento final, talvez a integridade não permita comprar o caixão mais bonito. Mas a aura, esta é construção minha. Não será preciso comprá-la.

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