sexta-feira, 16 de maio de 2008

O sistema ou as pessoas?

Em 1984, George Orwell nos apresenta uma sociedade administrada com mão de ferro por um grupo político que age descaradamente em favor de suas pretensões. Pessoas são eliminadas, a história é reescrita, a vontade das pessoas é submetida aos interesses do poder.

Ao longo da história do homem, antes e depois de Orwell, encontramos muitas similaridades entre ficção e história. E, sempre, a tendência é achar que o governo, ou o partido, ou o estamento é que são o mal. Não é verdade. O mal é do homem.

Cada homem que integra o governo, o partido, ou o grupo tem sua parcela de culpa. Mais: sua aceitação das regras do jogo as valida e perpetua. Mas se o indivíduo se rebela e age na direção da coisa certa, a soma das ações desses indivíduos muda o rumo da conduta.

Com nosso PT aconteceu isto. O paladino da ética fora do governo, numa mimetização perfeita, agora se confunde com os partidos que ele criticava tão acidamente. No poder, até mesmo seu discurso tomou outros ares. O espírito de Brian (o personagem mítico de 1984) baixou em todos os companheiros, com raras e honrosas exceções.

Enquanto éramos todos winstons (Winston é o protagonista de 1984. É o cidadão que é assolado pela máquina do governo), fazíamos coro com o PT. Agora que o PT pergunta "nós quem, cara pálida?", estamos sós, e sem voz.

Por isto, ao ouvir esta música que tem mais de 20 anos, impossível não concluir que mudam os governos, mudam os partidos, até mesmo algumas pessoas, mas tudo continua muito igual.

RPM

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