terça-feira, 27 de maio de 2008

O processo de comunicação

Eu me preocupo com a comunicação interpessoal. Pois ela pode ser uma grande barreira, para as diversas metas que temos na vida. E, na prática, pode ser uma barreira interposta apenas por sinais mal entendidos.

O Dr. Thomas Harris, no seu livro I'm Ok, You're ok descreve três tipos de componentes de nossa personalidade: o Pai, o Adulto e a Criança, cada qual com suas características reacionais (com Freud, compare-se com o superego, o ego e o id). O Adulto é a nossa parte racional. O pai representa aqueles comandos que foram recebidos e nunca questionados (um autoritarismo que não é necessariamente ruim, e que muitas vezes é determinado em nossa defesa) e a criança, que é a parte de nós que nos permite divertir, é onde a ludicidade se manifesta. Podem ser manifestar de forma mista, mas são os tipos básicos.

Problemas na comunicação acontecem quando o Adulto de uma pessoa tenta estabelecer contato com, por exemplo, o Pai de outra. De um lado, a razão (racionalidade). De outro, a obediência submissa a uma regra estabelecida.

As pessoas, na medida em que se conhecem, tendem a trazer seus paradigmas para o Adulto. Ou seja, questionam suas premissas de vida, sejam aquelas que as fazem seguir ordenamentos sem critério, sejam aqueles que as levam a procurar somente diversão.

A comunicação acontece de forma satisfatória quando os Adultos conversam. Mas não é o que se vê amiúde. O que se observa é que as pessoas agarram-se aos seus paradigmas, muitos dos quais sem origem definida, e não questionam suas próprias condutas. Pessoas assim não se conhecem e não pretendem conhecer (a si ou a mais ninguém).

Vejo no Orkut comunidade que expressam essa vontade de "mais do mesmo": "sou assim, e daí?"; "sou legal, mas se pisar no meu calo...". E penso que essas pessoas, em vez de procurar crescer, querem ficar exatamente onde estão. Uma pena.

Quando deixamos que nossas emoções nos dominem, temos de estar prontos para as conseqüências. Fazemos fama de "estourados", impacientes, irritadiços, "pavio curto". Ou de "molenga", covarde, irresponsável... Mas tudo é uma escolha. Se escolhemos trazer os fatos e agir conforme sua lógica, dificilmente estaremos sujeitos a uma má decisão. Pode ser uma escolha errada, mas tomada de forma lógica, racional. E, de longe, melhor que aquela tomada por contaminação do comunicação.

Quando um Adulto de uma pessoa conversa com a Criança de outra, a comunicação está prejudicada. Aliás, quando a conversa, conforme descrita por Harris, acontece em desnível, não há senão problemas de comunicação.

Vejo famílias tomadas por paradigmas que moldas suas vidas. E que trazem descontentamentos, amarguras, grandes manchas sobre todos. Muitas vezes, desnecessárias.

Lembrando da piada dos psicólogos trocando a lâmpada (quantos são necessários? Apenas um, mas a lâmpada precisa querer ser trocada), as pessoas precisam querem nivelar o processo de comunicação. Sem esse componente volitivo, não há mudança. E não há comunicação.

A mudança precisa quebrar muitos paradigmas, e nenhum deles é fácil de ser descontado. O lado Adulto das pessoas precisa tomar conta como nunca, para que a descontaminação aconteça. E nem sempre isto é possível.

Olhando de longe, e escrevendo sobre o tema, o assunto parece ser fácil. Não é. Tenho minhas dificuldades, algumas enfrentadas como se fossem vitais, outras abandonadas por falta de perspectiva. A dificuldade é muitas, e por mais que achemos que sabemos, todos enfrentamos essa dificuldade.

Esta minha preocupação se manifesta nas minhas interações com minha filha, meus familiares, meus amigos próximos. E, claro, na vida profissional. Comunicação é tudo. Mas devo confessar que na vida profissional, nem sempre o cuidado é para descontaminar. Algumas vezes, o importante é passar um recado. Manipulação? Não, simplesmente comunicação.

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