segunda-feira, 19 de maio de 2008

O copo, meio cheio ou meio vazio?

Lady Guinevere era uma rainha. E tinha seu rei. Arthur era o rei. E tinha seu reino. E Sir Lancelot estava acima de tudo.

Se lêssemos essa história de forma mais figurada ainda que a ficção que a criou, poderíamos achar muitas lições de vida. Guinevere e Lancelot formaram um casal à parte. Independentemente de Arthur e do reino.

As lições estão sempre presentes. Depende de quem lê, de quem interpreta. Podemos ver traição, podemos ver também lealdade. Podemos ver o que quisermos.

O fato é que as palavras, perdidas nos livros, não são nada. Lidas, ganham a forma que queremos dar. Interpretamos as coisas como queremos, e isto pode ser muito bom.

Quem enxerga o copo meio cheio tem seus motivos. Apesar de todos os problemas que isto pode causar, podemos escolher ver o lado bom. Podemos também ver o lado ruim. E, mais, podemos ver ambos os lados, sem nos contaminarmos com excessos, seja de otimismos ou de pessimismos.

Escolhemos a interpretação mais fácil, mais adequada, a mais conveniente. As palavras são armas, armas psicológicas, que se transformam em armas de atitude. Palavras, mais que tudo, podem ser mais letais que qualquer outra coisa. Ou mais vitais.

As leituras, ora as leituras, elas não importam. A interpretação, isto é que importa. Um amigo me disse, certa vez, cheio de orgulho, que tinha identificado mensagens comunistas na história de Chapeuzinho Vermelho. Azar o dele.

Assim como a palavra escrita, a falada também tem seu poder. E pobre daqueles que interpretam segundo seus medos, suas limitações. Pobre daquele que, vivendo na caverna e vendo somente as sombras, acha que entende a vida.

E pobre daqueles que, rodeado de pessoas, se isola, vendo as sombras e os corpos, mas escolhe interpretar somente as sombras. Platão tem razão: dentro e fora da caverna existem as contaminações do ego.

A projeção do "eu" é uma dádiva do ser humano, e uma maldição. Se confiamos, podemos ser traídos, como Arthur. Se não confiamos, o mundo passa a ser um grande inimigo, peso grande demais para qualquer um.

Na nossa escolha, preços diferentes têm de ser pagos. Escolho o caminho da confiança, sob o risco da decepção. Confio, às vezes cegamente, muitas vezes queimando a mão que coloquei no fogo. Mas vivo bem, cheio de amigos, talvez com alguns lancelots, mas ainda crendo na natureza humana. No lado bom, bem entendido.

Decepções, sei que as terei. Mas, se e quando for o caso, aí é que me preocuparei com as conseqüências. É a lei do mínimo esforço: é mais fácil ser feliz assim.

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