domingo, 11 de maio de 2008

No travesseiro

No fim do dia, às vezes paro para pensar: como foi meu dia?

Claro que isto só acontece quando nada de extraordinário aconteceu. Porque, se foi o caso, o dia já tem avaliação certa. Mas, se não é caso, preciso avaliar: quem ajudei, quem me ajudou, quem me usou, quem eu usei?

O certo é que essas são situações que acontecem. Usamos, somo usados, e a vida é assim. Não precisava ser, infelizmente é.

Há pessoas que não percebem. Mas usam, ou são usadas, e isto parece ser bem normal. As que são usadas são as que normalmente não percebem. Mas estas têm a alma pura. Aqueles que usamos outras pessoas, nós é que deveríamos nos preocupar com isto.

Ruy Mattos, num de seus livros, descreve processos de liderança, e o mais alto grau é aquele em que ela é exercida de maneira religiosa. Esse líder tem fanáticos o seguindo, além do ponto racional.

Assim pode ser com pessoas que têm competência, inteligência, carisma, beleza... Qualquer qualidade (característica) que se destaque, e cuja luz seduza outras.

Pois bem, há muitas dessas pessoas. E muitas, como a cobra que hipnotiza suas presas, não tem consciência do que faz. Apenas usa seu dom para proveito próprio. Outros, com valores mais fortes, usam seu brilho para promover aquilo que entendem ser um bem comum. Cada qual com seus erros e acertos, mas as pessoas do último tipo ao menos fazem isto por acreditar no bem coletivo.

É um dom, esse de enfeitiçar, que poucos têm. E estes poucos deveriam saber disto, para que a canalização fosse a um bom caminho. E encontramos essas pessoas pelos nossos caminhos, agradecendo algumas vezes, e lamentando profundamente outras.

No fim do dia, no travesseiro, precisamos saber identificar: eu fui a luz ou fui a sombra? Eu contribui para a vida, ou fui instrumento de uma escalada pessoal?

Algumas vezes não é fácil dormir. Ou porque fomos instrumentos, ou porque hipnotizamos.

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