sábado, 31 de maio de 2008

Eu fiz minha parte...

Basta cruzar os braços e esperar que os outros façam sua parte. Claro, depois de termos feito a nossa.

É a receita para o fracasso. É a consagração da desagregação, é a contradição do homem como pertencente a comunidades.

De vez em quando, ligo para amigos e menciono o tempo que não n os falamos.

- Ah, mas da última vez quem ligou fui eu!

Sempre brinco, dizendo que sabia da regra, mas, para acabar com isto, quando quero falar com alguém, ligo. Procuro, vou atrás. Visito, apareço de surpresa, converso rapidamente e me vou.

Antes eu achava que esta coisa de "parte" (minha parte, sua parte) era uma boa regra. É boa, mas para iniciar caças às bruxas. Não para manter relacionamentos, profissionais ou pessoais. Por isto, subverto a lógica.

De vez em quando, deparo-me com essa situação e me sinto frustrado, porque as pessoas não percebem o óbvio: se é uma relação, depende dos dois. E se estiver mal, a responsabilidade é dos dois. No fim das contas, quando der errado, não importa quem fez a sua parte, quem não fez: fomos derrotados.

Procuro, em meus relacionamentos profissionais e pessoais, deixar claro o que penso. E se precisar divergir para convergir, este é meu caminho. Não procuro evitar o conflito, embora o conflito para mim seja muito suave: significa apenas uma discordância em relação a alguma coisa, não uma guerra.

Ao longo de minha vida, tenho lucrado com isto. Meus amigos e as pessoas que trabalham comigo sempre sabem o que esperar. Seja desaprovação, seja apoio incondicional. E, acima de tudo, assertividade nas colocações e objetividade em relação aos objetivos.

Às vezes, demoro muito para falar. Não é procrastinação, é a espera pelo momento ideal. Ainda não aconteceu de eu perdê-lo. Numa empresa em que trabalhei, eu era famoso por conseguir tudo que pedia. O segredo era pedir na hora certa...

Esse problema de esperarmos a "outra parte" me parece mais um comportamento daqueles ditados pela história. Pessoas machucadas com comportamentos alheios se defendem esperando, sempre esperando, mas perdendo a chance de fazer a diferença.


Os esforços devem ser de quem percebe a necessidade. A história só deve ser considerada se houver aquela dúvida: vale a pena?

Se valer a pena, não há lado. Todos são de um lado único.

Recado dado?

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