sábado, 31 de maio de 2008

Metas a cumprir

Hoje fui correr. Tempo chuvoso, vento frio. Frio, muito frio. Uma sensação térmica terrível.

Arrumei meu Mp3, meu agasalho, meu shorts e meus tênis, sem esquecer o boné. Fui correr.

Algumas pessoas me disseram que era loucura correr neste tempo. Que eu era doente. Que o dia não estava para isto.

Só tenho uma coisa para dizer: para atingir nossas metas, precisamos de disciplina. Precisamos cumprir o planejado, precisamos seguir o plano.

Não corro para ficar bonito, que a genética não me ajuda. Nem para competir, que este é um gene desligado em mim. Minhas competições são somente comigo mesmo. Corro para fugir do sedentarismo, para lutar contra doenças impregnadas nas minhas gerações.

Mesmo se assim não fosse, eu tinha planejado correr hoje. Stephen Covey diz que a maior prova de nosso compromisso é cumprir as promessas feitas a nós mesmos. Pois bem, eu tinha de fazer isto hoje.

Voltei motivado e entusiasmado para casa. Fiz uma sopinha de legumes com creme de batata, ao filé mignon amolecido na pressão. E sorvido com um prazer de quem está em paz consigo mesmo.

Corro, sim. Não de nada, mas para algumas coisas. Uma delas: cumprir meus compromissos para comigo mesmo.

Eu fiz minha parte...

Basta cruzar os braços e esperar que os outros façam sua parte. Claro, depois de termos feito a nossa.

É a receita para o fracasso. É a consagração da desagregação, é a contradição do homem como pertencente a comunidades.

De vez em quando, ligo para amigos e menciono o tempo que não n os falamos.

- Ah, mas da última vez quem ligou fui eu!

Sempre brinco, dizendo que sabia da regra, mas, para acabar com isto, quando quero falar com alguém, ligo. Procuro, vou atrás. Visito, apareço de surpresa, converso rapidamente e me vou.

Antes eu achava que esta coisa de "parte" (minha parte, sua parte) era uma boa regra. É boa, mas para iniciar caças às bruxas. Não para manter relacionamentos, profissionais ou pessoais. Por isto, subverto a lógica.

De vez em quando, deparo-me com essa situação e me sinto frustrado, porque as pessoas não percebem o óbvio: se é uma relação, depende dos dois. E se estiver mal, a responsabilidade é dos dois. No fim das contas, quando der errado, não importa quem fez a sua parte, quem não fez: fomos derrotados.

Procuro, em meus relacionamentos profissionais e pessoais, deixar claro o que penso. E se precisar divergir para convergir, este é meu caminho. Não procuro evitar o conflito, embora o conflito para mim seja muito suave: significa apenas uma discordância em relação a alguma coisa, não uma guerra.

Ao longo de minha vida, tenho lucrado com isto. Meus amigos e as pessoas que trabalham comigo sempre sabem o que esperar. Seja desaprovação, seja apoio incondicional. E, acima de tudo, assertividade nas colocações e objetividade em relação aos objetivos.

Às vezes, demoro muito para falar. Não é procrastinação, é a espera pelo momento ideal. Ainda não aconteceu de eu perdê-lo. Numa empresa em que trabalhei, eu era famoso por conseguir tudo que pedia. O segredo era pedir na hora certa...

Esse problema de esperarmos a "outra parte" me parece mais um comportamento daqueles ditados pela história. Pessoas machucadas com comportamentos alheios se defendem esperando, sempre esperando, mas perdendo a chance de fazer a diferença.


Os esforços devem ser de quem percebe a necessidade. A história só deve ser considerada se houver aquela dúvida: vale a pena?

Se valer a pena, não há lado. Todos são de um lado único.

Recado dado?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Células-tronco

Como lembrou Lula, "o Brasil é um estado laico". Que, na definição do Dicionário Houaiss, é o "que ou aquele que não pertence ao clero nem a uma ordem religiosa; leigo". Baseado nessa premissa, a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre as esquisas com células-tronco não poderia ser outra, que não a autorização.

Porque a decisão tem de se basear em critérios científicos e assim fizeram os juízes que compuseram a maioria nesta votação.

É preciso destacar que são células inviáveis, e que não se tornariam nunca um ser vivo: estão fadadas ao descarte, justamente por inviáveis.

Quem tem na família pessoa(s) que precise de reposição de tecidos danificados tem uma tendência a aprovar a pesquisa. Quem não sabe o que é a necessidade/vontade tem uma tendência a desaprovar a medida.

É uma questão moral, mais que religiosa. cada um tem seus credos, e vai lutar por eles até o fim de sua vida (ou da sua crença). O fato é que a lei impera neste país (ao menos para algumas coisas) e nosso maior tribunal disse que sim. Que venha a pesquisa.

De minha parte, sou um pragmático. Sou a favor. Se os embriões podem ser descartados, e nunca ninguém se rebelou contra isto, rebelar-se-ia agora que eles têm uma utilidade?

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Fazendo a diferença

Escrevi algures sobre o excipiente QSP. São aquelas pessoas inertes, que somente passam pela vida, desinteressados em qualquer ato que os faça sobressair. Porque estão mais interessados em sobreviver do que em viver.


Em contrapartida, há aquelas pessoas que, ao contrário, são o princípio ativo. Da vida de muitos, de uma família, de uma equipe. Fazem a diferença e influem no rumo das vidas de outras pessoas.


Pessoas que fazem a diferença são apaixonadas pelo que fazem. E essa paixão gera a dedicação que define a grande diferença. São pessoas que, acima do dinheiro, vêem significado no seu trabalho. E, mais do que isto, vêem o resultado dele na vida de outras pessoas, sempre de forma positiva.


Sua dedicação é notável, e às vezes exagerada. São pessoas que se envolvem emocionalmente com o que fazem, e não poderia ser diferente, pois é resultado de uma paixão.


Essa diferença pode ser na vida de um, de poucos (uma família, um grupo) ou de muitos (um político numa cidade, num estado, um líder empresarial), mas o resultado é o mesmo: é o enlevo, é o entusiamo, é uma grande motivação, muitas vezes só pela proximidade da pessoa.


Os melhores processos de liderança são aqueles exercidos pelo exemplo. Faça o que faço...Daí essas pessoas terem uma vida corretíssima, não santa, que ninguém é perfeito, mas daquelas sobre as quais não se pode levantar dúvidas.


Essas pessoas, raras e especiais, muitas vezes nem se sabem assim. Sabem somente que gostam de fazer uma determinada coisa, e a ela se dedicam, sem esperar recompensas, pois o ato em si já é compensador. Não que não precisem de recompensa, apenas não fazem dela exigência para tão destacado comportamento.


Gostamos de estar perto dessas pessoas. Como são poucas, temos poucas chances. O que poucos sabem é que todos podemos fazer a diferença, ser o princípio ativo, deixar, ao menos momentaneamente, a manada inerte do excipiente Q.S.P. para emergir e fazer a diferença para alguém.


O preço é baixo, mas a demanda é alta. Pequenos gestos muitas vezes traduzem mudam a vida de pessoas. Gentilezas, dedicação, demonstrações de interesse, preocupação sincera, lealdade, carinho. Algumas vezes severidade, seriedade...


Enfim, precisamos de mais gente que, em vez de assistir a vida passar, atua na vida, e muda seu roteiro. Princípio ativo, e pessoas de princípio.

terça-feira, 27 de maio de 2008

O processo de comunicação

Eu me preocupo com a comunicação interpessoal. Pois ela pode ser uma grande barreira, para as diversas metas que temos na vida. E, na prática, pode ser uma barreira interposta apenas por sinais mal entendidos.

O Dr. Thomas Harris, no seu livro I'm Ok, You're ok descreve três tipos de componentes de nossa personalidade: o Pai, o Adulto e a Criança, cada qual com suas características reacionais (com Freud, compare-se com o superego, o ego e o id). O Adulto é a nossa parte racional. O pai representa aqueles comandos que foram recebidos e nunca questionados (um autoritarismo que não é necessariamente ruim, e que muitas vezes é determinado em nossa defesa) e a criança, que é a parte de nós que nos permite divertir, é onde a ludicidade se manifesta. Podem ser manifestar de forma mista, mas são os tipos básicos.

Problemas na comunicação acontecem quando o Adulto de uma pessoa tenta estabelecer contato com, por exemplo, o Pai de outra. De um lado, a razão (racionalidade). De outro, a obediência submissa a uma regra estabelecida.

As pessoas, na medida em que se conhecem, tendem a trazer seus paradigmas para o Adulto. Ou seja, questionam suas premissas de vida, sejam aquelas que as fazem seguir ordenamentos sem critério, sejam aqueles que as levam a procurar somente diversão.

A comunicação acontece de forma satisfatória quando os Adultos conversam. Mas não é o que se vê amiúde. O que se observa é que as pessoas agarram-se aos seus paradigmas, muitos dos quais sem origem definida, e não questionam suas próprias condutas. Pessoas assim não se conhecem e não pretendem conhecer (a si ou a mais ninguém).

Vejo no Orkut comunidade que expressam essa vontade de "mais do mesmo": "sou assim, e daí?"; "sou legal, mas se pisar no meu calo...". E penso que essas pessoas, em vez de procurar crescer, querem ficar exatamente onde estão. Uma pena.

Quando deixamos que nossas emoções nos dominem, temos de estar prontos para as conseqüências. Fazemos fama de "estourados", impacientes, irritadiços, "pavio curto". Ou de "molenga", covarde, irresponsável... Mas tudo é uma escolha. Se escolhemos trazer os fatos e agir conforme sua lógica, dificilmente estaremos sujeitos a uma má decisão. Pode ser uma escolha errada, mas tomada de forma lógica, racional. E, de longe, melhor que aquela tomada por contaminação do comunicação.

Quando um Adulto de uma pessoa conversa com a Criança de outra, a comunicação está prejudicada. Aliás, quando a conversa, conforme descrita por Harris, acontece em desnível, não há senão problemas de comunicação.

Vejo famílias tomadas por paradigmas que moldas suas vidas. E que trazem descontentamentos, amarguras, grandes manchas sobre todos. Muitas vezes, desnecessárias.

Lembrando da piada dos psicólogos trocando a lâmpada (quantos são necessários? Apenas um, mas a lâmpada precisa querer ser trocada), as pessoas precisam querem nivelar o processo de comunicação. Sem esse componente volitivo, não há mudança. E não há comunicação.

A mudança precisa quebrar muitos paradigmas, e nenhum deles é fácil de ser descontado. O lado Adulto das pessoas precisa tomar conta como nunca, para que a descontaminação aconteça. E nem sempre isto é possível.

Olhando de longe, e escrevendo sobre o tema, o assunto parece ser fácil. Não é. Tenho minhas dificuldades, algumas enfrentadas como se fossem vitais, outras abandonadas por falta de perspectiva. A dificuldade é muitas, e por mais que achemos que sabemos, todos enfrentamos essa dificuldade.

Esta minha preocupação se manifesta nas minhas interações com minha filha, meus familiares, meus amigos próximos. E, claro, na vida profissional. Comunicação é tudo. Mas devo confessar que na vida profissional, nem sempre o cuidado é para descontaminar. Algumas vezes, o importante é passar um recado. Manipulação? Não, simplesmente comunicação.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

O blog é louco!

Falando com uma amiga, ela me disse que meu blog é louco. Que as páginas não imprimem, ela clica num lugar e o site vai para outro... enfim, é louco.

Ok...

domingo, 25 de maio de 2008

Liderança

Quando chegávamos em alguma unidade de nossa empresa, procurávamos identificar logo: quem é que influencia quem? Muitas vezes, o contínuo tinha mais poder que o gerente geral. E isto determinava nossas ações naquela unidade.

A liderança é um papel, exercido muitas vezes desatrelado de um cargo. É aquele comportamento de uma pessoa que, pelo caráter, carisma, conhecimento etc., influenciam outras pessoas no caminho apontado por ele.

Essas características são sempre positivas. Sua personalidade é envolvente, a pessoa é convincente, sua fala é hipnótica. As características negativas (imposição, força, coerção) não geram liderança, geram submissão. Que é uma adesão imposta, não aquela voluntária e desejada gerada pela liderança.

Se as características do líder são positivas nesse sentido, não são necessariamente utilizadas para o caminho certo. Alguém tem dúvida de que Hitler era um líder? A despeito de ser um tirano para alguns (poucos), era um líder para seus (muitos) seguidores. Sim, era um líder. Mas alguém tem dúvida de que seus motivos eram errados? Acho que poucos.

NO caso de Hitler, ele era um líder com um "cargo" com uma posição que lhe reforçava a liderança. Há casos em que isto não precisa acontecer. Há aqueles casos daquelas pessoas que, carismáticas, inteligentes, comprometidas, têm seguidores em seus idéias mesmo sem ter nenhum tipo de cargo. São líderes de fato, não de direito.

O líder utiliza sua credibilidade e seu conhecimento para gerar respeito. Esse respeito garante audiência, ou seja, pessoas o ouvem e acreditam nele. É uma relação sempre de confiança, nunca de força ou de submissão. Por isto, quando o gerente é líder de fato, o cargo importa pouco. A credibilidade e a confiança é que determinam a relação.

Os líderes, na verdade, são pessoas especiais, que conseguem concretizar aquela máxima da administração de recursos humanos: atingir os objetivos com a participação das pessoas. Não subornando-as, não obrigando-as, mas convencendo-as.

Precisamos de mais líderes e de menos chefes.

sábado, 24 de maio de 2008

Metas

Comecei a andar na Lagoa do Taquaral em Campinas por recomendação médica, para fugir do sedentarismo. E, um dia, parecia que andar não bastava mais. Era preciso correr. E corri. Não fui muito longe, mas corri. E assim foi a partir de então. Corria, até cansar, e parava.

Um dia, vi que não havia progresso. Um dia cansava num ponto, outro dia noutro, e por ali parava. Estabeleci metas. Precisa chegar a um determinado ponto antes de parar. E assim foi. Corria, com um objetivo definido. E, cansado ou não, não parava antes de atingi-lo.

A dados intervalos de tempo, aumentava meu objetivo. E assim fui progredindo. Até que um dia, resolvi extrapolar os limites, e fazer algo realmente desafiador (para mim, naquele ponto): fiz uma volta completa. Pulmão estourando, pernas ausentes, atingi a meta.

De lá para cá, sempre com as metas, vou fazendo minhas corridas. Quando chego à Lagoa, dependendo de minha situação no dia, estabeleço um objetivo de tempo e distância. E me esfalfo, muitas vezes, mas procuro atingir minha auto-imposta meta.

Stephen Covey chama isto de "a milha extra". Que é aquela superação justamente a partir do ponto em que achamos que não vai dar mais. É um compromisso para comigo mesmo, uma promessa que me faço, e cujo cumprimento me cobro. É uma forma de garantir que minha zona de conforto não me seduza demasiado e, ao mesmo tempo, que meu entusiasmo não me leve a agredir meus limites.

Dizem que não há vento favorável para quem não sabe para onde está indo. Embora seja um clichê (eu os abomino), concordo. Estabeleço minhas metas (e confesso que elas são sempre ambiciosas demais) e trato de planejar como atingi-las. Quando vento não há, sopramos.

O importante é crescer.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Pontos de vista

Apesar de tudo, as coisas são como queremos que elas sejam. Não se trata de Programação neuro-lingüística, nem daquela acomodação perigosa em que caímos as vezes. Mas sim de enxergar as coisas boas que temos, a parte preenchida do copo.

Não gosto do otimismo exagerado, aquela alienação que nos faz crer que a felicidade virá, se esperarmos. Nem da alienação que promove a religião que cuida de espalhar que basta esperar.

Acredito em nossa capacidade de mudar, de fazer acontecer. Acredito nas nossas possibilidades, e no nosso poder de transformá-las em realidade. Acredito que acreditar é o segredo, e que não há luta que não seja vencida primeiramente em nossa mente. Bem ao estilo confuciano.

Por isto, ouço músicas como esta:

Queen - We are the champions

As músicas

Não escrevo bem. Daí minha necessidade de utilizar os recursos da música.

E também porque, às vezes, a música expressa melhor um sentimento que se queira transmitir. Nossa memória olfativa nos leva pelo tempo quando sentimos um perfume que marcou. Da mesma forma a memória auditiva. Como escutei música sempre, tenho meus "marcadores". E, quando escrevo, parece que as ouço, e quando possível as publico.

Às vezes é um eco do passado. Outras vezes, é um recado. Para mim, talvez, mas sempre com significados.

Esta música me lembra uma época em que era prisioneiro numa luta entre ambição e ética. talvez seja bom relembrar.

Jefferson Peres

Morreu um grande brasileiro. Que, apesar de grande, era político. Senador, era um dos arautos da moralidade, ao lado de Pedro Simon. Excluindo-se cores partidárias, lutava pelo que achava certo, o que não é pouco.

Ainda há poucas pessoas que colocam o país acima de tudo. Hoje o mantra é o partido, ou o poder, ou o interesse. Mas não para Peres que, na sua calma e comedimento, lutava pelos nossos interesses maiores.

Isto o beneficiou? Não sei monetariamente, mas acredito que fazer a coisa certa seja um bálsamo para pessoas como ele.

O Brasil ficou menor.

Tecnologias

Tenho lido artigos reclamando das novas tecnologias, algumas pessoas falando mesmo em boicotá-las. Interessante!

Tenho uma conexão internet em casa, que aproveito em um micro, dois notebooks e um handheld. Claro que é sem fio. Wireless, para utilizar a língua portuguesa. Tenho uma placa de conexão à internet pelo celular. To tipo PCMCIA, que prefiro à USB. Recebo e envio e-mails pelo meu smartphone. Além, claro, de navegar pela internet.

Às vezes, um e-mail urgente precisa ser mandado. Ou um arquivo precisa ser editado e transferido. Ou, simplesmente, preciso fazer o web-check-in de algum vôo. Se não faço essas coisas pelo smartphone, faço pelo notebook.

Respondo e-mails do restaurante. Ou da lagoa, quando vou correr (antes ou depois de iniciar, claro). Finais de semana, antecipo resolução de coisas que, se postergadas, poderiam ser problemas.

Não paramos de trabalhar? É, talvez não. mas é a nova era. Paro uns minutos para fazer uma coisa dessas, e evito ficar dois dias atarefadíssimo corrigindo conseqüências.

A vida melhorou. O telefone, com GPS, nos diz (literalmente) como chegar aos nossos destinos. Diz onde andam nossos filhos. Permite comunicar atrasos, ou resolver problemas à distância. O micro nos permite ver o mundo, com suas webcams.

O fato de nos ligarmos mais ao trabalho deveria ser motivo de júbilo. Estamos mais presentes, mais comprometidos, somos mais responsáveis. Numa época de escassez de empregos, isto é um diferencial.

Hás os que louvamos a tecnologia, há os que a condenam. Mas é preciso fazer uma ressalva, eu que aplaudo as novas conquistas: no meu caso, a utilização de cada novidade surgida, me traz melhoria na qualidade de vida. Estou mais próximo de meu esporte, de minha família. É só saber aproveitar.

Lembrando: 23 de maio

Somente para lembrar o que é o dia de hoje: aqui.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

A doutora nerd

Num evento, cheguei-me a um grupo e fui cumprimentando todos. Uma mulher parecia deslocada, e me foi apresentada como sendo uma neurocirurgiã, recém chegada ao time. Como estava deslocada, procurei integrá-la.

Depois das perguntas de praxe (de onde você é, é a primeira vez num evento como este, etc), começamos a jogar conversa fora. Aí veio a surpresa.

A doutora é uma verdadeira geek, uma nerd, daquelas que poderiam ser centroavante do time dos "Cátions sem causa"...

Nossa conversa enveredou por assuntos inusitados:

  • Qual o nome da namorada do Homem Aranha que foi assassinada pelo Duende Verde?
  • Quem matou Robin, na história do Batman?
  • Qual o nome dos seres peludos que invadiram a Enterprise do Capitão Kirk?
  • Qual o nome do monstro que aprisionou a Princesa Lea depois que Han Solo foi "congelado"?
  • Qual era o nome do irmão da Mafalda?
E por aí foi. De deslocada, passou a ser o centro das atenções.

Essa nerd, essa profunda conhecedora da mesma cultura inútil de que tanto gosto, deve estar curtindo muito The Big Bang Theory. Como eu. Espero que esteja bem, e que esteja cuidando das sinapses de seus pacientes com a mesma competência com que conhece a ameaça romulana.

Isto é para poucos...

Alexander Courage - Star Trek - TV Theme

I'll be there for you

Uma amiga, de quem havia me afastado há alguns anos, finalmente reencontrada, me disse que, apesar da distância e do muro que se formara entre nós, ela tinha uma certeza: a de que, se precisasse, eu estaria pronto para ajudá-la.

Sua certeza tinha fundamento e razão de ser. Pessoas fazem parte de nossas vidas e às vezes nos afastamos por algum motivo. Ou sem motivo algum. Mas a memória do que essa convergência, efêmera que tenha sido, deve prevalecer.

Não costumo deixar ninguém passar por dificuldades sem ajuda. O que dizer, então dos amigos? Ou das pessoas a quem já chamamos de "amigo"? A disponibilidade deveria ser regra, mas parece não ser. Ainda há pessoas que mudam de calçada, viram o rosto, evitam encontrar aquelas pessoas perdidas no passado. Eu, inclusive. Mas, na hora da necessidade, eu esqueço qualquer outra circunstância. Se precisar, estarei lá.

Algumas pessoas já sabem disto. Pessoas que, perdidas no tempo de nossas vidas, às vezes nos acham, no auge do desespero, nem que seja para encontrar um ombro. De preferência amigo, no mínimo amigável.

A vida faz com que pessoas tenham rotas que se encontram, mas que se afastam num determinado momento. Em nossa comodidade, deixamos que a vida assuma essa culpa. Em nossa ação positiva, corrigimos a rota da vida, e mantemos aquelas pessoas que nos são caras e por cuja amizade temos real interesse. Mas, a vida, essa vingativa, às vezes interpõe novidades que retaliam nossa reação: um novo relacionamento (deles ou nosso), filhos, viagens, profissão, orgulho...

Nada disso importa. O que importa é que, afastados ou não, distantes ou não, relacionamento saudável ou não, eu fiz minha escolha: estou à disposição para qualquer tipo de ajuda. Claro que sujeita à minha idiossincrasia: a depender do motivo do afastamento, vou, ajudo, certifico-me de que as coisas estão bem, e sumo de novo. Volto para minha nave (a que me abduziu) para voltar somente no caso de outra necessidade de ajuda.

Republico a música abaixo, que me fez pensar nisto:

James Taylor - You've Got A Friend

quarta-feira, 21 de maio de 2008

A contra-informação

No texto Calos de relacionamento, o tema era a desinformação e o desinteresse ou a falta de coragem em obtê-la. Agora, quero falar da contra-informação.

Há aquelas informações que se desencontram por causas morais. A questão do aborto e a utilização de embriões inviáveis, por exemplo. São decisões pela adesão ou não são orientadas pela moral ou, mais comumente, pela religião. Não há aqui o que discutir sobre quem está certo. A crença (ou a adesão ao valor moral) é que determinam nossa decisão. Podemos discutir outras coisas conseqüentes, mas não a veracidade da informação.

Há outros questões, entretanto, que não são assim. Por exemplo:
  • os transgênicos ameaçam o ser humano? Se consumimos um alimento transgênico temos mais chances de desenvolver um terceiro braço?
  • o governo fez um dossiê contra o Fernando Henrique Cardoso, expondo seus gastos com cartões corporativos?
  • havia armas de destruição em massa no Iraque?
  • os equipamentos dos controladores de vôo estão (estavam) em péssimas condições de uso?
  • houve mensalão?
  • etc.
A alguns, interessa um sim. A outros, interessa um não. Dependendo do lado em que está, publica sua opinião defendendo seu lado. Enquanto isto, nós, os leigos que recebemos as notícias, não sabemos em quem acreditar.

Para muitos nem interessa. Para os poucos que se interessam, a imprensa é o instrumento bastante para apuração e detalhamento dos fatos. Como diz a música do RPM, os jornais são pagos pelas propagandas. Que é feita pelas empresas. Que têm interesses...

Alvin Tofler, no seu Choque de Futuro e Powershift não podia prever guerra com tamanho número de vítimas. Que vítimas? Ora, que vítimas! Qual é a resposta oficial para a pergunta:

- Há uma epidemia de dengue no Rio de Janeiro?

As vítimas desse tipo de contra-informação. Assim como essas, as mortes nas estradas, decorrentes de péssimas condições de manutenção. - Ah, estão sem manutenção? - Não, dirá o governo. Sim, gritariam os mortos, se pudessem.

O biocombustível ameaça a produção de alimentos? Responda quem tem interesse. E assim vai.

Posições ideológicas e morais (religiosas) à parte, precisamos ter cuidado com o que lemos. Mas é preciso ler.

Progresso

No Japão, um papagaio perdido conseguiu voltar para casa após fornecer o nome do dono e endereço às pessoas que o encontraram. Falando, obviamente.

Má notícia para os fabricantes de coleiras, excelente para escola de idiomas...

terça-feira, 20 de maio de 2008

Calos de relacionamento

Certa vez, ao chegar ao trabalho ( ainda era funcionário de estatal), encontrei o maior rebuliço, com fofocas cruzando o ar como mísseis. A causa: uma auditoria teria demitido um gerente de uma unidade próxima. Informações desencontradas, cada um dizia uma coisa e uma causa diferente. Peguei o telefone, liguei para a pessoa, e fui franco e direto:

- Aqui está correndo um boato de que você foi demitido pela auditoria. É verdade?

Espantadíssimo com minha abordagem direta, ele me contou o que acontecera, e o envolvido nem ele era. De posse da informação, reuni quem eu pude e tratei de "espalhar" a verdade. Os boatos morrera, a paz voltou.

Esse flash back de minha falta de cerimônia foi devido a uma triste constatação: há cerimônia demais nos relacionamentos, qualquer relacionamento. E há julgamento demais, para informação de menos.

Presencio isto diariamente: uma pessoa que passa sem se deter, que mal cumprimenta as demais, logo é rotulada. Negativamente, claro. A ninguém interessa se ela está com problemas, se algo mais grave a está preocupando, ou se o problema é conosco.

Esses julgamentos, baseados numa verdade percebida (que não necessariamente é uma verdade) são a coisa mais prejudicial no relacionamento. Quando rotulamos uma vez, o rótulo fica. E sempre emerge, transformando-se em "verdade", pois sempre alguém a ratificará, mesmo que para isto tenha de prejulgar novamente.

Um exemplo desse tipo de comportamento é este texto de Stephen Covey, reproduzido por mim. E as "verdades" que decorrem de nossos julgamentos acabam se impondo perante as pessoas, transformando-se, muitas vezes, em obstáculos intransponíveis. Desnecessários, mas instransponíveis.

As relações exigem aquela abordagem direta. Exigem assertividade, exigem maturidade. A conversa precisa existir, e as respostas precisam ter sua chance. Não se sustenta um relacionamento - amoroso, de amizade, profissional -- com base em meias-verdades ou amarguras embaixo do tapete.

E as conversas, quando não entabuladas, impedem mesmo as outras: a contaminação da falta de comunicação. Pessoas não têm coragem de perguntar, podem não ter coragem de responder. A troca de informações não acontece, forma-se uma crosta de mal-entendidos que vai se avolumando. Até chegar a um ponto em que sufoca o sentimento original do relacionamento.

É difícil ver pessoas se destruindo, e aos seus relacionamentos, em decorrência de um processo tão deletério. Seria muito, muito fácil resolver esse tipo de problema. Se o mundo fosse ideal, mas não é.

Essa conversa exige igual maturidade das partes. E igual dedicação, preocupação, resolução de resolver os problemas existentes e evitar outros. E essa maturidade não é tão comum como poderia ser, infelizmente.

Um dia destes, presenteei duas pessoas com caixas de chocolates . Uma delas ficou felicíssima, agradeceu, e perguntou o motivo. Disse que não tinha motivo, apenas quis fazer aquilo. Ela abriu um belíssimo sorriso, e foi-se embora feliz. A outra pessoa, desconfiadíssima, perguntou também o motivo. Dei a mesma resposta que dera à outra. E ainda assim ela ficou matutando: "o que você quer", "o que você fez de errado", "o que você vai pedir"...

Perdeu uma chance de estar feliz.

Assisto cenas de pessoas que se afastam por causa dessa falta de comunicação. E, ressentidas com o afastamento, amargam na tristeza, causada por elas mesmas, ou ao menos por ela não enfrentada. Tenho uma enorme vontade de dizer: - vocês não estão vendo como tudo isto é um mal entendido: Vocês não vêem como o problema não existe?

Não, não faço isto. Talvez pelo princípio da percepção dor-prazer (temos a tendência de repetir o que causa prazer e evitar o que causa dor). Seria intromissão, seria uma invasão. E eu nem fui chamado... seria um outro rótulo.

Essas coisas têm de amadurecer no pé. Mesmo que doa, mesmo que cause sofrimento, é o tipo de coisa que só se cura com maturidade e serenidade. Infelizmente.

Inspiração

Ainda sobre a forma de nos comportarmos, é preciso dizer mais.

Como no conto de Pöe (A Carta Roubada) e Conan Doyle (Sherlock Holmes em Um Escândalo na Boêmia), as coisas estão tão aparentes que não as vemos.

É tão simples que chega a ser ofensivo. Cursos e mais cursos, mais testes de revistas, mas palestras de doutores, todos prometem ensinar o que fazer. Mas é tão simples!

Não vale a regra de ouro: não fazer aos outros o que não deseja para si. O segredo, escancaradamente exposto, é fazer a coisa certa, sempre. E é incrível como nos recusamos a ver essa verdade tão óbvia.

Vejo pessoas que acordam mal humoradas, pessoas que não se incomodam com os gestos de irritação, com as desqualificações que oferecem a outras; pessoas cujo mundo se restringe ao seu próprio, e as outras pessoas somente precisam compreender, aceitar, perdoar, esquecer.

No meu mundo, algumas coisas vêm antes. Eu respeito sem esperar o respeito alheio. Assim como compreendo, aceito, perdôo, esqueço. Aquelas coisas que precisamos fazer sem esperar a contrapartida. Porque é a coisa certa a fazer. Não porque esperamos o mesmo tratamento.

Não me incomoda a falta de cortesia, respeito, atenção consideração. Ao menos quando é de outras pessoas para comigo. Incomoda-me, e daí nasceu minha decisão, é quando eu não tenho esses comportamentos com outros. Sim, não me interessa como vão reagir. Interesse como será minha ação.

Não espero nada em troca. Apenas sou.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Leve, leve

Quando a gente faz o que gosta, não há empecilhos. Não há problemas, quando muito há dificuldades, que superamos. E com gosto,

Hoje falei, falei, falei. Das nove às dezoito horas. Em pé. As pernas estão me matando hoje, apesar de me achar preparado, principalmente com minhas pernas.

Minha voz falha, meus olhos, já nipônicos, querem estar ainda mais fechados.

Mas falei com a alma, tentando mostrar, desvendando áreas desconhecidas, sem inventar, sem meias verdades, apenas a verdade nua e crua.

Neste mundo de competição exagerada e exacerbada, não é um caminho fácil. Mas o objetivo, quando atingido, compensa qualquer dificuldade no caminho.

Quando compactuamos com pessoas que privilegiam a verdade, é mais fácil ser honesto e verdadeiro.

O cansaço, este será logo esquecido. Porque será apagado pelo sono dos justos.

Boa noite.

O copo, meio cheio ou meio vazio?

Lady Guinevere era uma rainha. E tinha seu rei. Arthur era o rei. E tinha seu reino. E Sir Lancelot estava acima de tudo.

Se lêssemos essa história de forma mais figurada ainda que a ficção que a criou, poderíamos achar muitas lições de vida. Guinevere e Lancelot formaram um casal à parte. Independentemente de Arthur e do reino.

As lições estão sempre presentes. Depende de quem lê, de quem interpreta. Podemos ver traição, podemos ver também lealdade. Podemos ver o que quisermos.

O fato é que as palavras, perdidas nos livros, não são nada. Lidas, ganham a forma que queremos dar. Interpretamos as coisas como queremos, e isto pode ser muito bom.

Quem enxerga o copo meio cheio tem seus motivos. Apesar de todos os problemas que isto pode causar, podemos escolher ver o lado bom. Podemos também ver o lado ruim. E, mais, podemos ver ambos os lados, sem nos contaminarmos com excessos, seja de otimismos ou de pessimismos.

Escolhemos a interpretação mais fácil, mais adequada, a mais conveniente. As palavras são armas, armas psicológicas, que se transformam em armas de atitude. Palavras, mais que tudo, podem ser mais letais que qualquer outra coisa. Ou mais vitais.

As leituras, ora as leituras, elas não importam. A interpretação, isto é que importa. Um amigo me disse, certa vez, cheio de orgulho, que tinha identificado mensagens comunistas na história de Chapeuzinho Vermelho. Azar o dele.

Assim como a palavra escrita, a falada também tem seu poder. E pobre daqueles que interpretam segundo seus medos, suas limitações. Pobre daquele que, vivendo na caverna e vendo somente as sombras, acha que entende a vida.

E pobre daqueles que, rodeado de pessoas, se isola, vendo as sombras e os corpos, mas escolhe interpretar somente as sombras. Platão tem razão: dentro e fora da caverna existem as contaminações do ego.

A projeção do "eu" é uma dádiva do ser humano, e uma maldição. Se confiamos, podemos ser traídos, como Arthur. Se não confiamos, o mundo passa a ser um grande inimigo, peso grande demais para qualquer um.

Na nossa escolha, preços diferentes têm de ser pagos. Escolho o caminho da confiança, sob o risco da decepção. Confio, às vezes cegamente, muitas vezes queimando a mão que coloquei no fogo. Mas vivo bem, cheio de amigos, talvez com alguns lancelots, mas ainda crendo na natureza humana. No lado bom, bem entendido.

Decepções, sei que as terei. Mas, se e quando for o caso, aí é que me preocuparei com as conseqüências. É a lei do mínimo esforço: é mais fácil ser feliz assim.

domingo, 18 de maio de 2008

Mágicas

Estou na sala de embarque de Congonhas. A situação está quase como antes da queda do avião 3054 da TAM. Muita gente, o saguão lotado, mudanças de portões de embarque... Mas não está mais nos noticiários.

É preciso aplaudir os tecnocratas: resolveram todos os problemas. Se antes o equipamento dos controladores estava defasado, quebrado, em péssimas condições, parece que agora não está mais. Contrariando Lavoisier.

Com um passe de mágica, acabou o overbooking, o grooving apareceu, a extensão da pista bastou. As companhias aéreas passaram a se comportar, e não há mais problemas.

Para inglês ver? Calaram-se os descontentes, a imprensa deixou de divulgar problemas, os risco sumiram.

Até que o próximo avião caia, a verdade está encoberta. A bagunça que vimos não some assim, sem mais nem menos. Ela foi escondida, foi sufocada. Mas, se risco havia, risco ainda há. É o MINIVER, o Ministério da Verdade orwelliano atuando.

Espero ser desmentido.

Hoje, como sempre

Nas palavras de Taiguara, momentos que foram verdade ontem, ainda são hoje, e serão pelo porvir, porque refletem o ser humano com uma de suas batalhas.

Hoje
Trago em meu corpo as marcas do meu tempo
Meu desespero a vida num momento
A fossa, a fome, a flor, o fim do mundo
Hoje
Trago no olhar imagens distorcidas
Pois viagens, mãos desconhecidas
Trazem a lua, a rua às minhas mãos
Mas hoje,
As minhas mãos enfraquecidas e vazias
Procuram nuas pelas luas, pelas ruas
Na solidão das noites frias por você
Hoje
Homens sem medo aportam no futuro
Eu tenho medo acordo e te procuro
Meu quarto escuro é inerte como a morte
Hoje
Homens de aço esperam da ciência
Eu desespero e abraço a tua ausência
Que é o que me resta, vivo em minha sorte
Ah, sorte
Eu não queria a juventude assim perdida
Eu não queria andar morrendo pela vida
Eu não queria amar assim
Como eu te amei

letrasdemusicas.com.br Esta letra foi retirada do site www.letrasdemusicas.com.br


sexta-feira, 16 de maio de 2008

Não entendeu?

Explico: recebi um pedido para publicar aqui um texto dizendo porque sou assim. E me dedicaram uma música, com o pedido também de publicar aqui.

Mas é verdade, a porta não é da Felicidade, é da esperanca ( a Paulinha me deu um puxão de orelhas).

Vamos, então, abrir a Porta da Esperança

O sistema ou as pessoas?

Em 1984, George Orwell nos apresenta uma sociedade administrada com mão de ferro por um grupo político que age descaradamente em favor de suas pretensões. Pessoas são eliminadas, a história é reescrita, a vontade das pessoas é submetida aos interesses do poder.

Ao longo da história do homem, antes e depois de Orwell, encontramos muitas similaridades entre ficção e história. E, sempre, a tendência é achar que o governo, ou o partido, ou o estamento é que são o mal. Não é verdade. O mal é do homem.

Cada homem que integra o governo, o partido, ou o grupo tem sua parcela de culpa. Mais: sua aceitação das regras do jogo as valida e perpetua. Mas se o indivíduo se rebela e age na direção da coisa certa, a soma das ações desses indivíduos muda o rumo da conduta.

Com nosso PT aconteceu isto. O paladino da ética fora do governo, numa mimetização perfeita, agora se confunde com os partidos que ele criticava tão acidamente. No poder, até mesmo seu discurso tomou outros ares. O espírito de Brian (o personagem mítico de 1984) baixou em todos os companheiros, com raras e honrosas exceções.

Enquanto éramos todos winstons (Winston é o protagonista de 1984. É o cidadão que é assolado pela máquina do governo), fazíamos coro com o PT. Agora que o PT pergunta "nós quem, cara pálida?", estamos sós, e sem voz.

Por isto, ao ouvir esta música que tem mais de 20 anos, impossível não concluir que mudam os governos, mudam os partidos, até mesmo algumas pessoas, mas tudo continua muito igual.

RPM

Porta da felicidade

Este espaço não é a Porta da Felicidade, mas vou atender a dois pedidos.

Tudo porque recebi um telefone, uma voz não ouvida há muito, uma conversa deliciosa, trazendo de volta momentos e sentimentos.

O primeiro:
Acredito na nossa capacidade de escolher nossas reações. E resolvi que eu seria gentil com todos. Gentileza e atenção que independem do tipo de tratamento que eu receba. Não acredito que os sentimentos tomem conta de nós, acredito no inverso. O mau-humor só toma conta quando deixamos. O bom-humor, ao contrário, é uma escolha que fazemos. E a capacidade de rir de nós mesmos é uma dádiva. Nossos problemas são nossos, e ninguém deve, por eles, enfrentar nenhum tipo de adversidade. Esta não é uma deliberação conjunta, é uma decisão minha.

Eu acredito na relação de confiança. Mais que uma cumplicidade, é um compromisso. Assim como meus problemas são meus, nossos problemas são nossos, e não costumo discuti-los aí fora. Ressentimento não são suficientes para subverter esta regra.

Não acredito na manipulação. Se o compromisso é com a verdade, não cabe manipulação, que é uma projeção de meias-verdades para atender nossos objetivos e desejos. Melhor viver fora da caverna (Platão).

Sobre a reação: primeiro penso, depois reajo. Parece insensibilidade, concordo. E daí?

A assertividade: é raro, mas algumas vezes somente o conflito resolve problemas. Quando opto por este caminho, é para valer. Ponho a faca nos dentes, e aí já não há volta.

O segundo pedido é para publicar uma música. A contragosto, aí vai. Mas promessa é promessa. Sobre a música e este pedido, só tenho uma coisa a dizer: obrigado, é muita gentileza sua.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Influências positivas

Dizem que precisamos ler bons livros e sair em boas companhias, para que estejamos sempre motivados e no caminho certo.

Mais um chavão que, iconoclasticamente, desafio. O que é um bom livro, o que é uma boa companhia, o que é mesmo uma companhia?

O ditado/conselho tem um objetivo: ler coisas boas, andar com gente boa, isto deveria ser um bom exemplo do que fazer.

Pois bem, conheci num churrasco na casa de amigos uma pediatra. Menciono a especialidade da médica porque parece mesmo personagem de conto: ela tinha de ser pediatra, como Peter Pan tinha de ser criança para sempre.

Acontece que a doutora tem um astral para padre nenhum botar defeito (nem mesmo os que gostam de balão). E, como se não bastasse o contágio presencial, ainda procuro sempre me contaminar fuçando no seu perfil do orkut, para ver as fotos e as situações, aproveitando o sintoma principal: largos sorrisos.

Agora, sério: com um altíssimo astral, e com uma simpatia de desenho animado, a doutora é uma pessoa que eu recomendo para os estressados. Não há mau-humor que agüente tamanho astral.

A música abaixo, que é do Egberto Gismonti, é uma das mais belas que eu conheço. Faz parte do disco Circense. Sempre a associei com crianças e aquela felicidade calma que elas nos trazem. E sempre que olho a foto da doutora, parece que ouço a música. Eli Stone que me perdoe, mas surtar faz bem.




Updated em 20/05: abaixo a versão original da música, gravada em studio. É mais completa que a acima, e traduz melhor o que quero dizer.

Os centros de nossas vidas

Stephen Covey descreve os centros das vidas das pessoas no seu Livro "Os 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes" (obs.: o nome muda de acordo com a edição). Ali, apresenta-nos o conceito de que as pessoas elegem um tema central para sua vida e agem de acordo com essa escolha.

Cada escolha tem sua matriz de comportamento. Os centros podem ser: família, igreja, cônjuge, trabalho, diversão, etc. Se a pessoa elege o cônjuge como centro, suas ações tendem a minorar a importância de todo o resto, para se concentrar em fazê-lo feliz (ou miserável). O fato é que suas ações são direcionadas e dependentes do cônjuge. Se ele aprova alguma coisa, ela faz. Se não, ela evita, Não há, aqui, razão. Somente uma troca de necessidades.

Assim como o cônjuge, a família, o trabalho, a beleza, a diversão. Quem vive em função de diversão pode promover estragos indeléveis na vida familiar, por exemplo. Quem busca a beleza como ideal de vida pode sacrificar a vida profissional e afetiva em função dessa busca.

Esses centros são escolhas nossas. Tanto que algumas pessoas os têm combinados. Família e trabalho, por exemplo. E essas combinações às vezes impõem um dilema insuperável: quando as necessidades conflitam, a quem atender?

Ensina-nos Covey que a vida baseada em princípios soluciona esse dilema. Ou os trilemas, ou qualquer dúvida que paire. Esses princípio são os valores, aquelas verdades filosóficas em que acreditamos. Quando nossa vida é baseada nesses princípios, as decisões se baseiam nos valores que cultivamos desde pequenos, e que se sobrepõem a qualquer tendência e julgamento mais superficial.

Vejo pessoas que mantêm a carreira antes de qualquer outra prioridade. E vejo, nas famílias dessas pessoas, aquele vazio triste da ausência. Noutras, a beleza se impõe, e qualquer relacionamento - familiar ou amoroso - é coadjuvante. Conheço outra situação em que a igreja era o centro. Solapou relações familiares e impôs uma agenda de prioridades que passou a consumir a pessoa.

Algumas vezes me deparo com pessoas que têm seus centros nos valores. Fazem as coisas por certas, não para atender a imposições sociais, não para manter as aparências. Mesmo que essas coisas não sejam de agrado do cônjuge, ou da família, ou do grupo social que representa o centro de sua vida. Mas fazem porque precisa ser feito e é a coisa certa a ser feita.

Esta é uma coragem que poucos têm. Então, são poucos os que podem ensinar, ou dar testemunho próprio, da qualidade de vida que advém desse tipo de comportamento.

Há alguns dias uma pessoa me perguntou de que planeta eu sou, por causa de uma atitude que tomei. Talvez seja mesmo coisa de marciano, mas o fato é que, de volta ao travesseiro, travo essas discussões ensurdecedoras comigo mesmo. Sempre avaliando se os valores estão certos, se as medidas estão corretas. Mas nunca, e preciso repetir, nunca me questiono se preciso mudar a abordagem. Agradar pessoas é muito importante, mas ser íntegro é ainda mais importante.

Em meu momento final, talvez a integridade não permita comprar o caixão mais bonito. Mas a aura, esta é construção minha. Não será preciso comprá-la.

O curso do rio

A vida se impõe. Às vezes, da forma que queremos. Outras vezes, não notamos. Mas, muitas vezes, mais do que gostaríamos, a vida parece jogar contra nós. E não podemos fazer nada.

Ninguém luta contra a chuva, por exemplo, e ganha. Diminui seus efeitos, se molha menos. Mas a chuva está lá, nem um pouco afetada pela resistência.

Algumas coisas acontecem, assim, sem razão. Porque é a marcha da vida. Não é preciso que haja um motivo. Só acontecem.

Lutei muito contra as chuvas, os ventos, os moinhos de vento. Só para descobrir, muito tarde, como de hábito, que é preciso aceitar as coisas. Mas, como também não podia deixar de ser, não todas as coisas. Mas algumas coisas.

Assim, aprendi que devemos sofrer com aquelas coisas que acontecem e não deveriam acontecer. Aquelas que estão (ou estarão) dentro do nosso círculo de influência, e que um dia poderemos mudar. A dor é necessária, o sofrimento é útil. Porque nos conecta com nossos valores e orienta nossas ações.

Outras coisas acontecem e, apesar de causarem sofrimento, não podem perdurar. São aquelas coisas que estão totalmente fora do nosso alcance. Soframos o necessário, e prossigamos com a vida. A vida cura tudo.

De um lado, o sofrimento que é útil. De outro,. o sofrimento inevitável. Em qualquer dos casos, que não deixemos criar aquela crosta que nos torna insensíveis. Que isto tudo seja somente mais referenciais na nossa feliz vida.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Mais fácil?

Uma amiga me passou uma mensagem perguntando se não era mais fácil dizer "não, não vou pintar meu cabelo".

Mas, daí, qual é a graça?

Tergiversando

Sobre esse processo a que todos (espero) estamos sujeitos, a velhice: Robert Redford e Brigitte Bardot nos dão uma aula de serenidade. Ambos foram sinônimo de beleza ao longo de suas carreiras e ambos resolveram envelhecer de forma natural. Nestes últimos anos, aparecem assim, sem constrangimentos, ademais desnecessários, mostrando as marcas da idade.

Tive uma namorada que estava lindíssima. Digo "estava", poderia dizer "era". Não o digo porque algumas coisas eram muito artificiais. Lipoescultura, silicone. Insatisfeita com a genética, tratou de arrumar-se segundo sua interpretação do que era a beleza. Sim, lindíssima, a genética foi vencida. Resta brigar contra o tempo.

Não sou obcecado por beleza, embora o seja por saúde. No final das coisas, uma coisa e outra não tem a ver com quem somos, ou seja, não deveria interferir no nosso amor próprio. Mas obviamente interfere.

A comunicação dita as regras. O feio, o desajeitado, o diferente não se insere. Todo o aplomb é para o lindo, o descolado, o inserido. Se está errado? Não, não está. A mídia da venda é mesmo assim, mostrando somente o lado bonito das coisas, que é o que vende. Mas, internamente, em nossas considerações de alcova, não deveriam valer.

Pensar que a beleza dita o padrão dos relacionamentos é promover uma auto-ilusão que não se sustenta. E, por isto mesmo, tem tendência a ser altamente destrutiva.

O que garante a qualidade (boa ou má) do relacionamento são aquelas virtudes (ou defeitos) que provêm da personalidade e caráter, raramente as físicas. Envelhecemos fisicamente, e mesmo psicologicamente, mas nossa personalidade e caráter tendem a ser, senão os mesmos, ao menos uma versão melhorada do que já fomos. Melhoramos com o tempo, e isto se reflete nos relacionamentos. Se dependemos da beleza, nossos relacionamentos têm data de validade, e isto não é verdade.

Sim, tudo isto porque me sugeriram pintar os cabelos, já encanecidos pela obra ininterrupta do tempo, implacável. Primeiro que esta é uma coisa "proibida" pela minha filha. Segundo, não acredito nessa artificialização da imagem. E, terceiro, há quem goste, se esta for a questão.

Mais importante que meus cabelos, minha saúde. E meus níveis de colesterol, HDL, etc etc estão muito bons. Tenho fôlego para correr vinte ou mais quilômetros todos os dias. Tenho disposição para muitas, muitas coisas sem que os cabelos grisalhos pesem mais do que deveriam.

Conclusão: meus cabelos vão continuar brancos. E vou seguindo pela vida, feliz, assim como já sou.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Quem pode manda, quem tem juízo...

De novo a questão da ordem, seguida sem questionamento. Na verdade, a vontade de questionar mitigada pelas sucessivas supressões de voz. Mas dá na mesma. Ninguém, em sã consciência, luta contra o poder instalado.

Será?

Tínhamos uma turma em que imperava um belo clichê: insubmissão sempre, insubordinação nunca. Era nosso mantra para, mesmo em meio ao mais belo consenso, dissensar (discordar). Era nossa versão do 007, Licença para Discordar. E discordávamos, às vezes de nós mesmos, somente para chegar às certezas. Mas a discordância era necessária, até para confirmar Nelson Rodrigues. Se toda unanimidade é burra, transformávamos tudo em discordância, para somente aí chegar ao consenso. E dava certo.

Mas o sucesso era devido à confiança que existia entre nós. O pacto psicológico que existia era da mais alta qualidade, e nossas ações eram sempre entendidas como benéficas ao grupo e aos objetivos do trabalho.

Claro que nem todo ambiente, ou grupo de trabalho, está pronto para esse tipo de comportamento. Nossa turma era composta de pessoas de alto controle emocional, e as que não eram assim se portavam, influenciados pelos outros. E, se não existe controle emocional, não pode existir questionamento, não há lugar para a dúvida sistemática, que procura cercar-se da certeza.

Neste outro exemplo de obediência acima de tudo, lembro, mais uma vez, do julgamento de Nuremberg. E, mais uma vez, lamento.

domingo, 11 de maio de 2008

No travesseiro

No fim do dia, às vezes paro para pensar: como foi meu dia?

Claro que isto só acontece quando nada de extraordinário aconteceu. Porque, se foi o caso, o dia já tem avaliação certa. Mas, se não é caso, preciso avaliar: quem ajudei, quem me ajudou, quem me usou, quem eu usei?

O certo é que essas são situações que acontecem. Usamos, somo usados, e a vida é assim. Não precisava ser, infelizmente é.

Há pessoas que não percebem. Mas usam, ou são usadas, e isto parece ser bem normal. As que são usadas são as que normalmente não percebem. Mas estas têm a alma pura. Aqueles que usamos outras pessoas, nós é que deveríamos nos preocupar com isto.

Ruy Mattos, num de seus livros, descreve processos de liderança, e o mais alto grau é aquele em que ela é exercida de maneira religiosa. Esse líder tem fanáticos o seguindo, além do ponto racional.

Assim pode ser com pessoas que têm competência, inteligência, carisma, beleza... Qualquer qualidade (característica) que se destaque, e cuja luz seduza outras.

Pois bem, há muitas dessas pessoas. E muitas, como a cobra que hipnotiza suas presas, não tem consciência do que faz. Apenas usa seu dom para proveito próprio. Outros, com valores mais fortes, usam seu brilho para promover aquilo que entendem ser um bem comum. Cada qual com seus erros e acertos, mas as pessoas do último tipo ao menos fazem isto por acreditar no bem coletivo.

É um dom, esse de enfeitiçar, que poucos têm. E estes poucos deveriam saber disto, para que a canalização fosse a um bom caminho. E encontramos essas pessoas pelos nossos caminhos, agradecendo algumas vezes, e lamentando profundamente outras.

No fim do dia, no travesseiro, precisamos saber identificar: eu fui a luz ou fui a sombra? Eu contribui para a vida, ou fui instrumento de uma escalada pessoal?

Algumas vezes não é fácil dormir. Ou porque fomos instrumentos, ou porque hipnotizamos.

terça-feira, 6 de maio de 2008

Days of our lives

O que não tem remédio, remediado está.

Este ditado, por clichê que pareça (ou seja) está coberto de razão. Algumas vezes combatemos fantasmas, simples sombras, mesmo sabendo que não há contra o que lutar. Exceto os fatos.

Tenho um amigo que diz que contra fatos não há argumentos, invertendo a lógica da argumentação. Mas ele, graduado em Brasília, sabe do que fala. Contra argumentos, não há fatos. Nossa decisão influi em nossa decisão, ensina ele e confirma a corte.

Estou em outro nível. falo de nossas percepções pessoais, que nos levam a querer acreditar em coisas que ali não estão. E sabemos que não estão. Mas, de forma consciente ou inconsciente, não queremos aceitar. E trilhamos o caminho da pior mentira, aquele em que queremos acreditar.

Isto nunca dá certo. Por mais que afirme qualquer manual de auto-ajuda. Precisamos acreditar na verdade, e isto é uma escolha. A questão é: em que quero acreditar? Escolho minha verdade, ou vivo minhas mentiras.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Sem assunto...

Uma amiga me disse que queria saber mais do meu dia neste espaço. Acho que não consigo dar a ela o que ela quer.

Outra amiga me disse que sou prolixo. Provavelmente está certa. E, para ela, talvez eu não consiga deixar de sê-lo.

O fato é que não falo de mim. E, se falo, o faço por metáforas, por alegorias, por músicas que expressam, de alguma forma, pelas letras ou pela memória emocional, o que senti no decorrer dos dias. E minha hiperatividade me leva a fazer conexões múltiplas, muitas, daí a prolixidade.

Não consigo deixar de falar num determinado assunto sem ver milhões de outros relacionados, e daí minha conversa se transforma numa conversa alucinada que mistura alhos e bugalhos, pretendendo ser lógica.

Aquela amiga que queria saber mais de mim só vai ficar mais curiosa. E a outra vai me achar cada vez mais prolixo.

Este blog, que nasceu para ser uma diversão, está realmente divertido. Dedilho aqui meus dias, pelo menos como os compreendo, mandando mensagens a ninguém a a todo mundo, e me expressando quando e como quero. Faço homenagens, desagravos, procuro não ofender. Mas estou me manifestando. Isto é certo.

Mostrando pouco de mim, e muito, muito prolixamente, reconheço...

domingo, 4 de maio de 2008

Os ciclos da vida

Quem olha em perspectiva para a vida, enxerga ciclos que se repetem, inexoráveis, e que nos levam a uma montanha russa de sentimentos. Tudo decorrente da marcha da vida, que nos arrasta e nos obriga.

Mas somos seres humanos, dotados de inteligência e poder de interferir na história, na nossa própria e de nossos semelhantes. Como seres inteligentes, escolhemos nossos caminhos e se, precavidos, olhamos para esses ciclos da vida, podemos transformá-los, evitá-los, manipulá-los, sempre a nossa favor.

Algumas pessoas, presas em armadilhas emocionais, fazem com que o ciclo se repita sempre e sempre da mesma forma, com atores diferentes. São pessoas doentes, que buscam a felicidade por caminhos tortos, e acho que nem mesmo sabem que só são felizes sofrendo.

Outras pessoas, mais predadoras, utilizam os ciclos sempre em proveito próprio, como o animal selvagem que mata sua presa quando esta vem se alimentar.

Mas há um conjunto de pessoas que, sabendo-se detentoras desse poder, o utilizam para tornar sua vida e dos que o rodeiam mais palatável, com menos dissabores, com mais sabedoria. É uma escolha inteligente, mas difícil e sempre mais penosa. Há que ter inteligência emocional adequada para isto, e isto exige um grande preparo e uma grande, enorme dose de entrega. São pessoas que recusam o caminho fácil, para escolher o caminho correto, o mais adequado, overdadeiro caminho, não importando o tamanho da jornada.

Quando digo dos ciclos, coloco mais um ingrediente: o ser humano, com sua inteligência única, pode iniciar e findar ciclos sem mesmo esperar pela inércia da vida. Iniciar novos ciclos é sempre mais fácil que encerrar um. Para que encerrar, então? Para assumir verdades, por exemplo. Relações com pessoas destrutivas, com pessoas não-confiáveis, com pessoas com quem nada temos a ver. Trabalhos que não traduzem o que somos, relações que nos sugam mais que nos completam.

Muitas pessoas não têm coragem de encarar esses fatos. Se o cônjuge já não é mais amigo, companheiro, cúmplice, a história há de redimi-lo. Se o amigo está abusando, dependente, amargo, é só uma fase, mesmo que seja para o resto da vida.

De minha parte, abro e fecho portas todo o tempo. Encerro e inicio ciclos quando acho que a necessidade exige. Algumas vezes, óbvio, erro. Noutras, simplesmente não sei. E não há como saber. Mas, à noite, ao repousar a cabeça no travesseiro, penso simplesmente que fiz o que acredito ser a coisa certa.

E me redimo!

sábado, 3 de maio de 2008

Com ou sem você

Regravando alguns CDs de MP3, me encontro com algumas músicas que me acompanham há tempos. Esta é uma delas.

Interessante como damos sentido à música independente de suas letras. Mesmo por que, tomadas literalmente, podem não significar nada mesmo. Mas quando a colocamos em circunstâncias, tempo e lugar, como elas fazer emergir lembranças, cheiros, sensações.





See the stone set in your eyes
See the thorn twist in your side
I wait for you
Sleight of hand and twist of fate
On a bed of nails she makes me wait
And I wait... without you

With or without you
With or without you

Through the storm we reach the shore
You give it all but I want more
And I'm waiting for you

With or without you
With or without you ohoo
I can't live
With or without you

And you give yourself away
And you give yourself away
And you give
and you give
And you give yourself away

My hands are tied
My body bruised, she's got me with
Nothing to win
and nothing left to lose

And you give yourself away
And you give yourself away
And you give
and you give
And you give yourself away

With or without you
With or without you
I can't live
With or without you
  

A tradução:

Veja a pedra jogada em seus olhos
Veja o espinho cravado em seu rosto
Eu espero por você
Num passe de mágica e num desvio de destino
Em uma cama de espinhos ela faz me esperar
E eu espero... .sem você
Com ou sem você
Com ou sem você
Pela tempestade nós chegamos à orla
Você dá tudo mas eu quero mais
E eu estou esperando por você
Com ou sem você
Com ou sem você
Eu não posso viver
Com ou sem você

E você se entrega
E você se entrega
E você entrega
E você entrega
E você se entrega

Minhas mãos são amarradas
Meu corpo é ferido, ela me tem com
Nada para ganhar ...
E nada mais para perder

Com ou sem você
Com ou sem você
Eu não posso viver
Com ou sem você
  

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Buda e o Molusco

Sidarta Gautama era um príncipe, que cresceu protegido do mundo por ordem de seu pai. Um dia fugiu, e conheceu três coisas que o abalaram profundamente: a velhice, a doença e a morte. E uma quarta, que foi o esplendor de um monge, o que o levou a procurar uma nova vida, e que o tornou o Buda.

Na velhice, um senhor encurvado que mal conseguia andar. Na doença, um homem excruciado por dores. E a morte, um cadáver envolto em uma mortalha de linho. Protegido dessas iniqüidades, Sidarta as desconhecia completamente. E, por conhecê-las, transformou-se, dedicando sua nova vida, abdicada de riquezas e posições.

Na sua luta pela presidência, o Molusco Lá já conhecia os flagelos da vida. Pobreza, doenças, morte, tudo era muito, muito conhecido pelo metalúrgico. Que disse a nós que lutaria contra essas pragas se tivesse poder.

Votamos nele (sim, votei algumas vezes) só para descobrir que é o Buda ao contrário. Que, se tocado antes pelas pragas da vida, hoje em dia está protegido delas. Não precisa mais enfrentar filas do SUS, pois suas doenças são tratadas em hospitais de primeira linha, sem filas. Doenças, não há mais. Velhice, ora, a velhice não é senão um estado de espírito. Como se pode ser velho com um belo salário, amigos dispostos a favores perenes, viagens, holofotes?

No maior estelionato eleitoral que já vi, nosso Adub, que dizer, nosso Molusco, esqueceu-se de suas origens. Em vez de se escandalizar, desescandalizou. Deixou de ser aquele que nos redimiria, deixou de se importar.

Encantou-se com o brilho. Não dos monges, mas o próprio. E, nesse brilho, acha que falar resolve. E que falar muito, resolve mais.

Continuamos como estávamos. Há nossos doentes, nossos idosos, e nossos mortos. E há nós, que se não estamos lá ainda, estaremos: idosos, doentes, ou mortos. A diferença é o que o Molusco Lá, adorado por nós, elevado por nós, continuará seu discurso, o de que nunca antes neste país tivemos alguém lá por nós.

Como se fizesse diferença.

A metamorfose do poder agiu novamente. Elegemos um de nós, e logo ele se transformou num deles. Pior: no seu líder.

Pior que nossa condição de idosos desamparados, doentes sem socorro e mortos sem dignidade, só mesmo a do Molusco, que a história há de mostrar: o traidor da história própria.