sábado, 26 de abril de 2008

A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

Este texto já foi publicado neste blog. Como o blog é meu, permito-me repeti-lo.

Nossas decisões são baseadas em informações. Mas estas informações podem ser incompletas. E se estiverem?

Bem, mesmo correndo o risco de estar errado, às vezes precisamos decidir. A pior decisão é a de não decidir. Procrastinar nunca, então.


A Verdade (Carlos Drummond de Andrade)

A porta da verdade estava aberta,

Mas só deixava passar
Meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
Porque a meia pessoa que entrava
Só trazia o perfil de meia verdade,
E a sua segunda metade
Voltava igualmente com meios perfis
E os meios perfis não coincidiam verdade...
Arrebentaram a porta.
Derrubaram a porta,
Chegaram ao lugar luminoso
Onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
Diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual
a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela
E carecia optar.
Cada um optou conforme
Seu capricho,
sua ilusão,
sua miopia.

Nenhum comentário:

Postar um comentário