sábado, 5 de abril de 2008

No cravo e na ferradura

O noticiário mostrou tumulto na apresentação dos acusados pela morte da menina Isabella, que é o crime que está comovendo o Brasil. Pelo que vi, o tumulto não foi causado senão pela imprensa.

Alguns ainda devem lembrar o caso da Escola Base, em que os acusados provaram sua inocência na justiça. Na opinião pública, entretanto, ficou a culpa, reverberada pela mídia pelas declarações inconseqüentes de algumas autoridades.

Foi a imprensa quem delatou o esquema PC-Collor. Também o mensalão, também o mensalinho... temos vários exemplos de contribuição da imprensa para com o Brasil. Mas, nestes casos em que a comoção dá o tom. a imprensa mostra o pior de si.

Hoje li que a mãe da Isabella foi à escola buscar os trabalhos da filha. Pergunto: há relevância nisto? Ou é uma ação para manter a atenção no caso, como se fosse necessário?

Pode ser que os pais (o pai verdadeiro e a madrasta) sejam culpados. Como também pode ser que sejam inocentes. Como vivemos num país em que a culpa deve ser provada, ou todos são inocentes, deveríamos deixar a investigação prosseguir. Mas não temos, ou melhor, a imprensa não tem dado chance para essa presunção de inocência. Ao contrário.

Não temos ainda um país de leis perfeitas. Ainda temos, sob a lei, uma peneira que permite a alguns o seu rigor, a outros os favores de amigos. Mas, numa questão tão básica, devemos ter serenidade: inocência até que se prove o contrário.

E o país que forma opinião mais pela imprensa deveria cobrar dela a mesma coisa: serenidade (e sensatez). Quem julga é o juiz. Esta é a regra.

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