sábado, 19 de abril de 2008

A Era da Informação

Alvin Toffler prenunciou as mudanças em dois livros: A Terceira Onda e Powershift. A humanidade passou de um sistema de produção e geração de riqueza para outros. O foco agora é a informação, e é pela informação basicamente que se iniciam os mesmos processos de geração de riqueza. Bill Gates, como provedor de soluções para armazenamento e acesso à informação, é um fiel exemplo disto. Há outros, mas Gates é o ícone.

Segundo Toffler, essa transformação é tão poderosa que já merecia ser uma era: a Era da Informação.

Na década de 80, aconteceram os primeiros movimentos no sentido de estabelecer comunicações entre empresas para alavancar os negócios. O EDI (Eletronic Data Interchange) surgiu para conectar uma rede de supermercados com um fornecedor, que promovia o ressuprimento do estoque na medidas em que as vendas aconteciam. Modernamente, essa abordagem (entre parceiros de negócios) é denominada genericamente como B2B (business to business), e é mais praticada para compras digitais. Mas, na essência, é a informação compartilhada que aprimora processos de negócios. O ponto é que essa evolução aconteceu porque parceiros se uniram e, com poder econômico e com um ganho esperado, fizeram o futuro acontecer.

No Brasil, essa troca de informações tem alguns ótimos exemplos. O Serviço de Compensação de Cheques e Outros papéis do Banco do Brasil/Banco Central é um dos mais eficientes do mundo, e é baseado em processamento eletrônico de dados. Neste caso, houve uma influência direta da inflação, que galopava sem intervalos. O interesse econômico determinou o aperfeiçoamento do sistema. Outro exemplo? O SPB (Sistema Brasileiro de Pagamentos), que faz operações interbancárias online.

Outro exemplo, na mesma linha, é a transação de cartões de débito, que reduz (ou elimina) aquele velho risco do cheque sem provisão (fundos). Os pontos de venda têm contato direto com o banco, e, embora paguem por isto, imagina-se que o custo seja menor que o d inadimplência.

Por falar em inadimplência, o SERASA opera um bem sucedido controle de inadimplentes. Serviço a que todos têm acesso. Nós, mortais, porque podemos figurar ali. Outros, os barões da economia, porque podem nos pôr ali e consultar para ver se têm interesse em negociar conosco. Desnecessário dizer que o interesse financeiro, neste caso, possibilitou, viabilizou e exigiu essa centralização de dados.


Com tantos exemplos, no Brasil e no mundo, algumas situações ainda não têm explicação. Vejamos:
  • ao nascermos, temos de gerar uma certidão de nascimento; traz dados básicos (nome do pai, da mãe, local e data de nascimento, etc);
  • depois um tempo, utilizamos essa certidão para fazermos nosso Registro Geral, o famoso RG, onde constam o nome do pai, o nome da mãe, local e data de nascimento), etc;
  • Em seguida, temos nos nos inscrever no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Que nos habilita a uma séria de atividades perante a sociedade (abrir contas em bancos, por exemplo), mas que nos amarra definitivamente no sistema tributário do Brasil;
  • Casamos, precisamos de uma certidão de casamento;
  • Divorciamos, precisamos averbar o fato na mesma certidão de casamento;
  • Ainda temos o PIS/PASEP, o FGTS, a certidão de reservista, o CNH (a carteira de motorista), e outros que não me vêm à cabeça agora;
  • Morremos, e só estaremos de fato mortos se a competente certidão de óbito for emitida.
Imagino que somente quando um interesse econômico monstruoso existir sobre a unificação de nossas informações é que será possível automatizarmos e agruparmos esses registros todos. Que poderia ser tão simples que é até insultante.

Vejamos: nascemos, e somos registrados no, digamos, RG. Registro esse que implicaria nosso nascimento, veja só que lógica boba. Quando começarmos a contribuir para o fisco, a receita federal, somente consultando o RG já teria nossos dados. Idem para PIS/PASEP, CNH, etc. Ao casarmos, criamos um vínculo com o cônjuge nos cadastros do RG. Da mesma forma que criamos com nossos pais no registro de nossa existência. E, veja que loucura, a morte seria registrada também no ... RG. Simples demais, deve haver algo errado com esse raciocínio tão reducionista.

Talvez a grande dificuldade esteja relacionada com o texto dos igníferos. Quantos interesses existem na manutenção do esquema atual? Por exemplo, qual seria o impacto nos cartórios, que emitem as certidões? Outra, com menos atribuições de controle e processos, quantos órgãos dos governos seriam extintos/reduzidos? O que equivale dizer, menos cargos para barganhar.

Enquanto isto, vamos nós, de órgão em órgão, tratando de atualizar nossos documentos e certidões. Porque, embora tenhamos um dos maiores índices de impostos do mundo, não temos poder econômico para exigir essas facilidades em nossas vidas.

A Era da Informação, nos últimos governos, é comparável com o Ministério da Verdade de George Orwell: "o que é ruim a gente esconde, o que é bom a gente fatura" (Segundo Rúbens Ricúpero). Em 1984, de Orwell, as informações eram constantemente modificadas, de acordo com o governo e situações vigentes.

Pensando bem, nossa desinformação presta bons serviços para alguns. Pena que não à população.

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