sexta-feira, 7 de março de 2008

Sobre olimpíadas e competições

Recebi um texto pela internet, que reproduzo abaixo:

Há alguns anos atrás, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove
participantes, todos com deficiência mental ou física, alinharam-se
para a largada da corrida dos 100 metros rasos.
Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com
vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos,
com exceção de um garoto, que tropeçou no asfalto, caiu rolando
e começou a chorar.
Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás.
Então eles viraram e voltaram. Todos eles.
Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no
garoto e disse: "Pronto, agora vai sarar".
E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos ate
a linha de chegada.
O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. E as
pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa historia
ate hoje.
Talvez os atletas fossem deficientes mentais... Mas, com certeza, não
eram deficientes da sensibilidade... Por que? Porque, lá no fundo, todos
nos sabemos que o que importa nesta vida e mais do que ganhar sozinho.
O que importa nesta vida e ajudar os outros a vencer, mesmo que isso
signifique diminuir o passo e mudar de curso.


Não sei se a história é verdadeira, mas serve para embasar o que quero dizer.

Dizem que as olimpíadas, por exemplo, são o maior congraçamento entre os povos, é o símbolo de união e paz, etc., etc. Desculpem, mas discordo.

Desde tempos imemoráveis, o homem procura subjugar seus inimigos. Inicialmente, eram predadores que o ameaçavam. Depois, disputas de força por poder. Logo, essas disputas pelo poder se transformaram entre guerras entre povos, uns querendo sobrepujar outros. Guerras e mais guerras foram empreendidas por causa dessa sede de poder.

Pois este poder se manifesta através da demonstração de que, sob um determinado aspecto, um indivíduo ou grupo é "mais" do que outro: mais forte, mais numeroso, mais armado, mais inteligente... É, em suma, a demonstração de uns são melhores que outros, e esta idéia vem se perpetuando através dos tempos.

As Olimpíadas não representam a paz entre os povos. Representam, sim, um armistício, um período em que a superioridade é provadas através dos esportes, não das armas. Mas, repito, com veemência, ainda assim, com a idéia de que "somos melhores que os outros..". Não sou contra os jogos, mas que fique claro que não passam disso: jogos.

A humanidade não precisa provar quem é melhor. Animais já foram extintos, plantas foram extintas... O ser humano proclama a igualdade. O negro, o amarelo, o caucasiano, são todos iguais, certo? Não, não está certo. O homem ainda busca provar quem é o melhor em alguma coisa. E isto é bom?

Desde crianças, somos levados à idéia de superioridade. As louras da televisão nos apresentam diversas brincadeiras, ditas educacionais, de "meninos contra meninas", do time azul contra o vermelho, etc., etc., Os programas de auditório fazem o mesmo. Com adultos. Os BBB da vida (e qualquer reality show) buscam quem sobrepuje os demais. Conclusão: desde cedo, somos educados para vencer os demais. A vida é uma competição, certo?

Acho que não. As brincadeiras, desde a mais tenra idade, deviam nos ensinar o valor da cooperação, da colaboração, do trabalho em equipe. Em vez de ver quem é o melhor, único, deveríamos privilegiar as uniões, as vitórias de todos, sem derrotados. Esportes deveriam ter o conteúdo objetivando demonstrar que todos ganham, ou perdem todos. Esta é a verdadeira lição.

Numa dinâmica de grupo que ministrávamos, secretamente incluíamos o componente da cooperação. Ou seja, o vencedor era a equipe que mais cooperasse com as demais. Não divulgada, a instrução fazia com que, várias e várias vezes, não houvesse um vencedor. Mas, quando havia, a lição era poderosa.
Poderosa, mas inócua. Como num experimento de laboratório em que as condições são artificiais, a vida nos desmentia. Na vida real, quem colaborasse daquela forma era o que mais cedo pereceria. Triste sina para uma bela mensagem.

O futebol, esse esporte que é tido mundialmente como uma grande festa, é uma fonte enorme de violência. Dentro de campo, com agressões diversas, e fora do campo, com brigas e brigas de torcedores. É uma coisa pela qual vivem milhares de pessoas, a ponto de largar seus empregos para ver o time jogar. Bonito? Não, triste, muito triste.

Sou fã de vários esportes. Todos eles com base na subjugação do oponente. Sem hipocrisia, gosto deles. Mas sei que a mensagem deles é apenas esta: "quero ser melhor que ele".
Triste, não?

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