sábado, 8 de março de 2008

O gerente ideal

Deparei-me com uma pergunta, e não consegui deixar de entrar no assunto.

- Qual é o gerente ideal?

Se eu fosse psicólogo, diria quer estamos idealizando. Montando, nos recônditos da mente, um paradigma de comportamento para comparar com os gerentes que conhecemos e classificá-lo: é um bom gerente, é um mau gerente, é um tirano...

Isto acontece com o gerente, com o namorado/a, com o marido/esposa, com todos os papéis que vivemos. E todos se sentem mais conformáveis em comparar nossas ações com um conjunto já gabaritado, já pré-moldado, para ser possível oferecer a avaliação/classificação.

Não é simples assim. As circunstâncias que nortearam o desenvolvimento do paradigma são, muitas vezes, estáticas. E a vida não é. Ao contrário.

Já vi definições dos "gerentes ideais". São aqueles que promovem a participação, são abertos, oferecem feedback, envolvem os subordinados nas decisões. Enfim, adotam aqueles comportamentos que nos fazem sentir como partes importantes do processo (mesmo que não sejamos !?!?!?).

Também já vi o rótulo de "mau gerente" ser aplicado a pessoas que têm uma tendência de ser mais fechados, menos participativos, mais autocráticos. Embora não deixe de ser um indício de má aplicação do poder, não passa de falhas de personalidade.

O que quero dizer, enfim, é que a gerência é uma função relacional, ou seja, trata da relação entre pessoas, agrupadas (numa equipe ou não), para atingir determinados objetivos. As características do gerente têm a ver com esses objetivos.

Pensando numa equipe de remo, pouco se pode esperar em termos de participação e democracia. Ao menos durante as provas. Já pensando numa equipe de criação numa agência de publicidade, não se pode imaginar que eles não sejam participativos, em prol do resultado final. O gerente ideal é aquele que, à vista dos objetivos, molda suas respostas para obter o melhor resultado possível, de acordo com cada circunstância.

O líder do time de remo não pode parar a corrida para pesquisar, dentre seus comandados, qual é a melhor tática. Ele avalia, decide, põe em prática. Suas qualidades como líder (ou gerente, já que cargo e papel estão amalgamados) serão avaliados pelos resultados. Que serão melhores, isto sim, se ele, nos momentos em que possível, promover a participação, avaliar desempenhos e táticas, abrir espaço para a voz de cada um dos integrantes da equipe.

Isto posto, o gerente ideal (ou pai/mãe, ou namorado(a), ou marido/esposa) coloca como prioridade a confiança; ele tem credibilidade. Nos momentos de crise, assume a dianteira, toma decisões, dá ordens, dirige a crise. E sua confiança é suficiente para gerar adesão aos seus atos e propósitos, pois os seus sabem que há motivos para cada passo tomado. E, claro, essa confiança deve ser mútua. O questionamento, ou uma eventual contestação devem também ser entendidos nesse contexto. Esse é não um gerente ideal, mas um clima ideal. O gerente ideal oferece condições para esse clima existir.

Falo por experiência. Em vários momentos, que qualquer um poderia entender como autocráticos, vi equipes se unirem a comandos, por vezes aparentemente absurdos. Todos na crença baseada na confiança. Vi, também, as conversas que se seguiram a esses momentos. Perguntas, explicações, detalhamentos. Enfim, já vi e fiz parte de equipes altamente comprometidas com seu gerente, que, como característica, sempre "delegava" o motivo do sucesso: a cada um, e à soma de todos.

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