domingo, 9 de março de 2008

Invasões

Há pessoas que não têm cerimônia: se intrometem mesmo na sua vida! E os motivos sempre são os mais altruístas possíveis:

- É para seu próprio bem.

- Você vai me agradecer por isto.

- Não tenho nada com isto, mas...

- Você não está vendo...

- Pense a respeito.

Pois bem! Tive a grata satisfação de conviver com mentes aguçadíssimas, com profissionais do mais alto gabarito, pessoas com muita experiência. Os que se destacavam profissional e oessoalmente eram aquelas que respeitavam os espaços dos outros. De que forma? Cultivávamos o hábito do feedback, numa turma restrita. Esse feedback (retroalimentação, em português) tinha um objetivo: mostrar ao receptor da mensagem como entendemos algum ato seu.

Para transmitir essa mensagem, algumas regras eram observadas (ou deviam ser). Uma delas era ter em mente que era uma percepção, e que nosso entendimento pdoeria não corresponder à realidade. Outra: o receptor precisava querer o feedback. O feedback deveria ter o objetivo de colaborar com o crescimento pessoal do receptor. E por aí vai.

O fato é que confiávamos uns nos outros, e essa manifestação sobre nosso comportamento era realmente uma oportunidade de crescimento pessoal. Mas foi um processo paulatino, que dependia do nível de confiança que tínhamos uns nos outros.

Como grupo, cuidávamos de dar o feedback ao feedback. Ou seja, sempre que identificávamos motivações possivelmente contaminadas, colocávamos o fato em discussão. E a confiança, repito, dava importância à observação.

Digo tudo isto porque algumas pessoas julgam e avaliam, de forma superficial, mas pretensamente profunda, e oferecem seus vereditos em função disto. Cada argumento é mais uma prova, mesmo que sob distorção, de que o interlocutor está certo.

Essas pessoas, que nem sempre têm vínculo conosco, mesmo assim se vêem na obrigação de dar seus palpites. Mesmo fora do contexto. E não aceitam nunca, sob hipótese alguma, a possibilidad de estarem erradas. Feedback nelas.

Ou melhor: elas não querem? Viva sua vida. Engula em seco (ou não engula, mostre sua indignação), mas avalie se você precisa daquela pessoa. Mais: avalie se você quer conviver com ela. Há um livro, que trata dos vampiros emocionais, que trata das necessidades desse tipo de pessoa. No meu caso, não quero dar sangue a esses vampiros.

Antes só que mal acompanhado!

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