terça-feira, 18 de março de 2008

A César o que é de César

Quando Itamar Franco assumiu a presidência, foi de susto. Se Collor tivesse sido mais político, a cassação não teria acontecido e, portanto, não existiria a renúncia.

Itamar ressucitou o Fusca, posou com uma modelo seminua (Lilian Ramos), tornou famoso seu topete e se foi. Mas iniciou um caminho que precisa ser resgatado. Ele convidou um político para ser ministro da fazenda, o senador Fernando Henrique Cardoso, que criou e fez a troca das URV. Não sei se matou o tigre da inflação, mas deu um tiro mortal. E Itamar Franco o deixou à vontade para trilhar esse caminho.

Quando os Tigres Asiáticos entraram em crise, o Brasil entrou em pânico. Hoje, depois de oito anos de Fernando Henrique Cardoso e oito (no total) de Lula, o peso pesado da economia mundial está em severa crise. Seu Fed (o Banco Central) trabalhou no fim-de-semana. Assustou mercados, apavorou investidores. Resultados no Brasil? Pequenos, se lembrarmos os tigres.

Lula é a continuidade de Fernando Henrique, por mais que negue qualquer semelhança. Fernando Henrique foi um político de primeira linha, ao aproveitar a deixa de Itamar Franco e, sob sua (de Itamar) responsabilidade, apostou alto. E ganhou. Já presidente, amarrou o cachorro com lingüiça, ou seja, colocou gente do mercado para cuidar do mercado. Banqueiros ficaram mais ricos (como agora, que concorrem para ver quem tem o maior lucro), eu fiquei mais pobre, mas FHC estabilizou a moeda.

Pode-se discutir o custo, como agora, com Lula. O fato é que a inflação está mais em nossa memória que em nosso dia-a-dia.

Mas lembremos de Itamar Franco, que tornou isto possível. Esquecido, de participação sempre negada, foi quem possibilitou tudo isto.

Não, não sou fã dele. Deploro coisas que ele fez. Nunca votaria nele. Mas a segurança do Brasil no meio do tsunami da crise americana começou com ele.

Ponto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário