sábado, 29 de março de 2008

A caverna de Platão

Na Parábola da Caverna, de Platão, há os que, amarrados e obrigados a permanecer numa única posição, acham que conhecem o mundo quando na verdade conhecem a projeção de suas sombras na parede da caverna em que se encontram presos. Propõe Platão que um deles, ao ser solto, conheça a "verdade" que existe por trás das sombras.

Penso num e noutro casos quando me deparo com pessoas que têm a escritura da verdade. O que nunca saiu da caverna não consegue expandir seu pensamento, pois o considera acabado. E não considera a possibilidade de que a verdade pode ser diferente do que ele percebe.

O que saiu cai na armadilha contrária: acha que viu tudo o que havia para ver, e se considera acima dos outros, sendo condescendente para com eles. E, como viu mais que todos, também não considera a possibilidade de estar errado.

A verdade é que, num universo infinito, é infinita nossa ignorância, E que os avanços atingidos pelo homem só foram obtidos porque alguém resolver superar a pequenez, aí entendida a assunção da condição de ignorante, que obriga a investigação, ao estudo, ao questionamento.

Também é verdade que esse reposicionamento sempre se dá em questões objetivas, quase nunca das subjetivas. Ou seja, se o modelo atômico de Niels Bohr estava errado (ou incompleto), evidências, depois comprovadas , ao menos matematicamente, é que selaram seu destino.

Essa comprovação, às vezes matemática, outras vezes fática, presente na constatações científicas, não se apresenta nas questões subjetivas, que apresentam maior dificuldade de aceitação.

Tenho um grande amigo que dizia, ironicamente, que "contra argumentos, não há fatos". isto devido àquelas pessoas que não aceitam nem discutir a possibilidade de estarem erradas. A estas, costumávamos dar o tratamento mais irônico possível, e nem assim elas percebiam (a ironia).

O ser humano tem esse lado particular da espécie, que a torna empreendedora e vencedora, ao mesmo tempo em que a torna em predador voraz, e, pior, muito pior, predador da própria espécie, e muitas vezes, predador de si mesmo. Como cada um tem sua verdade, e cada um tem a visão distorcida (ou corrigida) pelos paradigmas assumidos (conscientemente ou não), qualquer avaliação de acerto/erro esbarra na condição particular de cada um.

Claro, posso estar errado...

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