quinta-feira, 13 de março de 2008

A carência de amizades

Antes da explosão da máquina internet (como diria Macunaíma), a solução de comunicação óbvia era o telefone. Mas ainda existia a carta, missiva, epístola etc, que, pelos correios, levavam e traziam histórias e estórias.

Eu achava que brasileiro, por não gostar de ler, não gostava de escrever. Mesmo assim, criei o que chamei (muito originalmente, creio) de Clube da Amizade. Funcionava assim: quem quisesse fazer novos amigos, que mandasse uma carta a uma determinada caixa postal se apresentando. Achei que o início seria muito, muito lento, mas tinha tempo para organizar de fatos as atividades do tal Clube.

A intenção era avaliar o grau de adesão que conseguiria, para um plano de negócios que eru estava montando. Portanto, não esperava muito da história.

Assustei-me quando fui buscar a primeira leva de cartas. Tinha um aviso para pegar correspondência excedente, pois não coubera tudo no espaço de minha caixa postal alugada.

Eram mais de trezentas cartas, de pessoas com idades variando de 8 a 82 anos, todas querendo novos amigos. Li e respondi uma por uma, e não pude deixar de me emocionar com os conteúdos.

Nenhuma das cartas tinha qualquer menção a alguma coisa que não fosse o desejo fazer novos amigos. Todos com uma história pessoal, mais elaborada ou mais objetiva, mas todos se apresentando e contando seus porquês.

Fiz questão de responder uma a uma. Com o passar do tempo, a experiência foi sendo abandonada, já que outras atividades menos lúdicas estavam exigindo minha participação. Não desisti da idéia, até que a internet tomou conta do mundo. Aí percebi que a idéia já era anacrônica.

Tenho uma suspeita, atualmente, que minha avaliação estava errada. Existia um senhor, o de 82 anos, que acredito que não faz (ou fez) parte desse mundo cibernético. E, lembrando dele, e da receita que recebi nas cartas, sinto que perdi grandes oportunidades de fazer grandes amigos.

Pena...

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