quarta-feira, 5 de março de 2008

As células-tronco

Hoje iniciou-se no STF o julgamento que pode definir a continuidade da pesquisa com células tronco no Brasil.

O tema é relevante. Há uns tempos, o próprio STF fez realizar (para seus ministros) uma série de palestras sobre o início da vida, justamente para embasar cientificamente as apreciações que deles são exigidas.

A ocasião está chamando a atenção por causa da polêmica, comparável à do aborto. De um lado,. católicos (principalmente), e de outros, cientistas e pessoas que vêem na terapia alguma esperança para si ou para um familiar doente.


Sobre a religião, quero lembrar que há ao menos uma que proíbe a transfusão de sangue. Sem entrar no mérito, é um avanço da ciência que essa religião desaprova e, portanto, não se beneficia (se é que cabe o termo) dela.

Sobre os cientistas, seria bom acreditar que eles fazem somente as coisas com ética e dentro dos limites aceitáveis. nem sempre é assim.

Sobre ambos (religiosos e cientistas), é bom lembrar que há muita gente de bom senso e honesta, e que isto sim é que balizará o avanço da terapia, se ela vier a ser aprovada.

Há uma nuvem sobre o julgamento, entretanto, que é a posição religiosa dos ministros do STF. Num estado que é laico, como Lula fez questão de lembrar ao papa na sua visita ao Brasil, essa nuvem não deveria existir. Existe por ser no Brasil, onde se desconfia que as pessoas votem de acordo com conveniências e interesses pessoais. Não foi assim no caso dos quarenta (mensaleiros) e quero acreditar que não será assim neste caso.

Espero que o bom senso vença. E, para mim, o bom senso é a ciência. Sou a favor da pesquisa com essas células.

Os principais argumentos:
Contra: é uma vida em potencial.
A favor: se não for utilizado neste tipo de pesquisa, os embriões serão descartados de qualquer forma.

Ou seja, ou é a pesquisa, ou é o descarte. DE qualquer jeito, o embrião se perde. Já que é assim, que seja a pesquisa.

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