sábado, 29 de março de 2008

A caverna de Platão

Na Parábola da Caverna, de Platão, há os que, amarrados e obrigados a permanecer numa única posição, acham que conhecem o mundo quando na verdade conhecem a projeção de suas sombras na parede da caverna em que se encontram presos. Propõe Platão que um deles, ao ser solto, conheça a "verdade" que existe por trás das sombras.

Penso num e noutro casos quando me deparo com pessoas que têm a escritura da verdade. O que nunca saiu da caverna não consegue expandir seu pensamento, pois o considera acabado. E não considera a possibilidade de que a verdade pode ser diferente do que ele percebe.

O que saiu cai na armadilha contrária: acha que viu tudo o que havia para ver, e se considera acima dos outros, sendo condescendente para com eles. E, como viu mais que todos, também não considera a possibilidade de estar errado.

A verdade é que, num universo infinito, é infinita nossa ignorância, E que os avanços atingidos pelo homem só foram obtidos porque alguém resolver superar a pequenez, aí entendida a assunção da condição de ignorante, que obriga a investigação, ao estudo, ao questionamento.

Também é verdade que esse reposicionamento sempre se dá em questões objetivas, quase nunca das subjetivas. Ou seja, se o modelo atômico de Niels Bohr estava errado (ou incompleto), evidências, depois comprovadas , ao menos matematicamente, é que selaram seu destino.

Essa comprovação, às vezes matemática, outras vezes fática, presente na constatações científicas, não se apresenta nas questões subjetivas, que apresentam maior dificuldade de aceitação.

Tenho um grande amigo que dizia, ironicamente, que "contra argumentos, não há fatos". isto devido àquelas pessoas que não aceitam nem discutir a possibilidade de estarem erradas. A estas, costumávamos dar o tratamento mais irônico possível, e nem assim elas percebiam (a ironia).

O ser humano tem esse lado particular da espécie, que a torna empreendedora e vencedora, ao mesmo tempo em que a torna em predador voraz, e, pior, muito pior, predador da própria espécie, e muitas vezes, predador de si mesmo. Como cada um tem sua verdade, e cada um tem a visão distorcida (ou corrigida) pelos paradigmas assumidos (conscientemente ou não), qualquer avaliação de acerto/erro esbarra na condição particular de cada um.

Claro, posso estar errado...

quinta-feira, 27 de março de 2008

O que fazer com os Igníferos

Seja em atividades de consultoria organizacional, seja em incursões na vida de amigos e parentes, sempre me deparo com situações que me parecem injustificáveis. É muito, muito raro que, na minha vida pessoal, toque no assunto. Mas profissionalmente é o que se espera de mim.

Tenho uma historinha singelinha, pueril até, para explicar algumas dessas coisas. Mas existe um texto que exemplifica muito bem a situação. Apesar de tê-lo, colei o texto deste site aqui. Os créditos estão no final.

Vou voltar para comentá-lo um dia destes (ou uma noite).

Uma das possíveis versões de um velho conto sobre a origem do assado é esta:

Certa vez, houve um incêndio num bosque onde se achavam uns porcos. Esses se assaram. Os homens, acostumados a comer carne crua, os provaram e os acharam saborosos. Logo, cada vez que queriam comer porcos assados, punham fogo em um bosque. Até que descobriram um novo método.

Mas o que quero narrar é o que aconteceu quando se tentou modificar o SISTEMA para um novo.

Havia muito tempo que as coisas não andavam bem: os animais se carbonizavam, às vezes ficavam parcialmente crus, outras ficavam de tal maneira queimados que era impossível utiliza-los. Como era um procedimento montado em grande escala, preocupava muito a todos, porque se o SISTEMA falhava, as perdas ocasionadas eram igualmente grandes. Milhares eram os que se alimentavam de carne assada e também milhares eram os que se ocupavam dessa tarefa. Portanto, o SISTEMA simplesmente não podia falhar. Mas, curiosamente, à medida que crescia em maior escala, mais parecia falhar, causando maiores perdas.

Por causa das deficiências, aumentavam as queixas e era do conhecimento geral a necessidade de reformular o SISTEMA. Tanto, que todos os anos se reuniam Congressos, Seminários, Conferências e Jornadas. E, assim, sempre.

As causas do fracasso do SISTEMA, segundo os especialistas, deviam prender-se à indisciplina dos porcos, que não permaneciam onde deveriam ficar, ou, talvez, à inconstante natureza do fogo, tão difícil de controlar, ou às árvores, excessivamente verdes, ou à umidade da terra, ou ao serviço de informações meteorológicas, que não acertava com o momento, lugar e intensidade dos ventos, ou ...

As causas eram, como se vê, difíceis de determinar, porque, na verdade, o SISTEMA para assar esses porcos era muito complexo: havia-se montado uma grande estrutura e uma grande maquinaria com inúmeras variáveis, havia-se institucionalizado. Havia indivíduos dedicados a incendiar: os IGNÍFEROS, que, por sua vez, eram especialistas de setores: incendiador ignífero de zona norte, zona oeste etc., incendiador noturno, diurno com especialização matinal ou vespertina, incendiador de verão e inverno (com disputas jurisdicionais sobre o outono e a primavera). Havia especialistas em vento: os ANEMOTÉCNICOS. Havia um Diretor Geral de Assamento e Alimentação Assada, um Diretor de Técnicas Ígneas (com seu Conselho Geral de Assessores), um Administrador Geral de Reflorestamento Incendiável, uma Comissão Nacional de Treinamento Profissional em Porcologia, um Instituto Superior de Cultura e Técnicas Alimentares (o ISCETA) e o Bureau Orientador de Reformas Ígneo-Operativas (BODRIO).

O BODRIO era tão grande que tinha, aproximadamente 7.000 porcos para um Inspetor de Reformas. E era precisamente o BODRIO que promovia os Congressos, Seminários, Conferências e Jornadas. Mas estes só pareciam servir para aumentar o BODRIO em burocracia.

Havia-se projetado e estava em pleno crescimento a formação de novos bosques e florestas, seguindo as últimas indicações técnicas (em regiões escolhidas seguindo uma determinada orientação: onde os ventos não sopram mais de três horas seguidas, onde era reduzida a percentagem de umidade etc.).

Havia milhares de pessoas trabalhando na preparação desses bosques, que logo seriam incendiados. Havia especialistas na Europa e nos Estados Unidos, estudando a importação de madeiras, árvores, sementes, tipos de melhores e mais potentes fogos, estudando estratégias operacionais (por exemplo: fazer poços para que neles caíssem os porcos). Havia ainda grandes instalações para conservar os porcos antes do incêndio, mecanismos para deixa-los sair no momento oportuno, técnicos em sua alimentação.

Havia especialistas na construção de estábulos para porcos, professores formadores de especialistas na construção de estábulos para porcos; investigadores que fiscalizavam os trabalhos das universidades que preparavam professores formadores de especialistas na construção de estábulos para porcos.

As soluções que os congressos sugeriam eram, por exemplo: aplicar triangularmente o fogo à razão de a-1 pela velocidade do vento; soltar os porcos 15 minutos antes que o fogo médio do bosque alcançasse 47 graus; outros diziam que era necessário colocar grandes ventiladores, que serviriam para orientar a direção do fogo e assim por diante. E, não é preciso dizer, muito poucos estariam de acordo entre si e cada um tinha investigações e pesquisas para provar suas afirmações.

Um dia, um IGNÍFERO categoria SD/DM/V-LL, ou seja, um Incendiador de Bosques, Especialidade Sudoeste, Diurno Matinal, Licenciatura em Verão Chuvoso, chamado de JOÃO SENSO COMUM, disse que o problema era muito fácil de resolver. Tudo consistia, segundo ele, em que primeiro se matasse o porco cru, que fosse limpado e cortado adequadamente e colocado em uma rede metálica, ou em uma armação sobre brasas até que, pelo efeito do calor e não da chama, estivesse assado.

- Matar ?” Exclamou indignado o Administrador de Reflorestamento.
- Quem mata é o fogo. Nós não matamos nunca.

Inteirado, o Diretor Geral de Assamento mandou chamá-lo, perguntou-lhe que coisas raras andava dizendo por aí...

- O que você disse está bem, mas só em teoria. Não vai dar certo na prática, é impraticável. Vejamos: o que você faria com os ANEMOTÉCNICOS, caso se adote o que você sugere?

- Não sei, respondeu João.

- Onde você colocaria os incendiadores de diversas especialidades?

- Não sei.

- E os indivíduos que têm ido ao estrangeiro para aperfeiçoar-se durante anos, cuja formação custa tanto ao País? Vamos colocá-los a limpar porquinhos?

- Não sei.

- E os especialistas em sementes, em madeira? E os construtores de estábulos de sete andares, com suas novas máquinas limpadoras e perfumadoras automáticas?

- Não sei.

- E os que se tem especializado todos esses anos para integrar os Congressos, Seminários e Jornadas para reformas e melhoramento do SISTEMA, se o seu resolve tudo? Que faço com eles?

- Não sei.

- Você se dá conta agora de que a sua idéia não é a solução e que necessitamos todos? Você crê que se tudo fosse tão simples não o teriam descoberto antes nossos especialistas? E o que os autores dizem disso? Que autoridade pode apoiar sua afirmação? E o que faço com os bosques já preparados, prontos para serem queimados, cujas árvores não produzem frutos e cuja escassez de folhas faz com que não sirvam para sombra? Que faço? Diga-me?

- Não sei.

- Que faço com a Comissão Redatora de Propostas de Assamento, com o Departamento de Classificação e Seleção de Porcos, Arquitetura Funcional de Estábulos, Estatística e População etc.?

- Não sei.

- Viu? Você o que tem a fazer é descobrir como fazer novos ANEMOTÉCNICOS, como conseguir mais rapidamente incendiadores de oeste (que é nossa dificuldade maior), como fazer estábulos com melhores pisos ou como melhorarmos o solo. TEMOS DE MELHORAR O QUE TEMOS E NÃO MUDÁ-LO. Traga-me você uma proposta para que nossos cursos na Europa custem menos, como fazer uma boa revista para análises profundas de problemas da Reforma do Assamento. É disso que necessitamos. É de que o País necessita,. A você o que falta é sensatez, Senso Comum. Diga-me, por exemplo, o que faço com meu bom amigo (e parente) o Presidente da Comissão para o Estudo e Aproveitamento Integral dos Ex-Bosques?

- Realmente, estou perplexo, disse João.

- Bem, agora que conhece bem o problema, não vá por aí dizendo que você o resolve completamente. Agora vê que o problema é mais sério e não tão simples como se imaginava. Um que está por baixo e de fora diz: “Eu resolvo tudo.”. Mas tem-se de estar por dentro para conhecer os problemas e saber as dificuldades. Agora, aqui entre nós, eu lhe recomendo que não insista no seu método, porque poderá trazer-lhe dificuldades com o seu posto. Não por mim. Digo para o seu bem, porque o compreendo; entendo o seu plano, mas, você sabe, pode encontrar-se com outro superior menos compreensivo, você sabe como são às vezes, hein?

E o pobre João Senso Comum não disse “UM”. Sem se despedir, entre assustado e estonteado, com a sensação de estar caminhando de cabeça para baixo, saiu e não foi visto nunca mais. Não se sabe para onde foi. Por isso é que dizem que nessas tarefas de reforma e melhoria do SISTEMA, falta sempre “SENSO COMUM”...

Gustavo F. Girigliani: La Escolaridad Enjuiciada.
Esta fábula foi publicada originalmente na revista Cátedra Y Vida, Buenos Aires, 1959.
Tradução de Sandra Diniz Costa
Uberlândia-MG

quarta-feira, 19 de março de 2008

terça-feira, 18 de março de 2008

A César o que é de César

Quando Itamar Franco assumiu a presidência, foi de susto. Se Collor tivesse sido mais político, a cassação não teria acontecido e, portanto, não existiria a renúncia.

Itamar ressucitou o Fusca, posou com uma modelo seminua (Lilian Ramos), tornou famoso seu topete e se foi. Mas iniciou um caminho que precisa ser resgatado. Ele convidou um político para ser ministro da fazenda, o senador Fernando Henrique Cardoso, que criou e fez a troca das URV. Não sei se matou o tigre da inflação, mas deu um tiro mortal. E Itamar Franco o deixou à vontade para trilhar esse caminho.

Quando os Tigres Asiáticos entraram em crise, o Brasil entrou em pânico. Hoje, depois de oito anos de Fernando Henrique Cardoso e oito (no total) de Lula, o peso pesado da economia mundial está em severa crise. Seu Fed (o Banco Central) trabalhou no fim-de-semana. Assustou mercados, apavorou investidores. Resultados no Brasil? Pequenos, se lembrarmos os tigres.

Lula é a continuidade de Fernando Henrique, por mais que negue qualquer semelhança. Fernando Henrique foi um político de primeira linha, ao aproveitar a deixa de Itamar Franco e, sob sua (de Itamar) responsabilidade, apostou alto. E ganhou. Já presidente, amarrou o cachorro com lingüiça, ou seja, colocou gente do mercado para cuidar do mercado. Banqueiros ficaram mais ricos (como agora, que concorrem para ver quem tem o maior lucro), eu fiquei mais pobre, mas FHC estabilizou a moeda.

Pode-se discutir o custo, como agora, com Lula. O fato é que a inflação está mais em nossa memória que em nosso dia-a-dia.

Mas lembremos de Itamar Franco, que tornou isto possível. Esquecido, de participação sempre negada, foi quem possibilitou tudo isto.

Não, não sou fã dele. Deploro coisas que ele fez. Nunca votaria nele. Mas a segurança do Brasil no meio do tsunami da crise americana começou com ele.

Ponto.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Semana cheia

Semana cheia de compromissos, vou viajar de carro e avião. ficar meio ausente.

Uma companhia obrigatória, Eagles, com Hotel California.



Boa semana!

domingo, 16 de março de 2008

O show precisa continuar

Certa vez, perguntei a um amigo o que ele estava fazendo ali, perdido num cargo inexpressivo, num lugar inexpressivo, com funções nada desafiadoras, logo ele que ocupara cargos muito mais altos na estrutura.

- Sabe quando você vem andando e se depara com um rio? Sua velocidade não lhe permite um salto, se você saltar desse jeito cai no rio. O que eu fiz foi dar uns passos para trás para poder ganhar velocidade, foi a resposta dela.

Faz sentido. Às vezes, precisamos ir devagar porque temos pressa, como diz o ditado. E, conforme ele me ensinou nesse dia, às vezes precisamos "andar para trás" para conseguir ir em frente.

Tudo isto quando as coisas são (podem) ser planejadas. Às vezes, não podem. E, na surpresa, como podemos fazer?

Pois bem, também é um exercício nos prepararmos para isto. Tínhamos um grupo que inventava situações esdrúxulas para que exercitássemos nossas reações. Perguntas do tipo "quantos kilos de arroz você compraria para alimentar a cidade de São Paulo por um fim-de-semana?". Fazíamos inferências e ilações, baseadas em informações baseadas sabe-se lá onde.

Em mesa de bar isto é fácil. Difícil é quando a vida te dá um limão, você quer fazer uma limonada, mas só tem o limão... (sempre achei péssima esse clichê, mas serve para a idéia).

Enfim, o que fazer à frente de uma encruzilhada? Perante um dilema (ou um trilema)? Como saber que caminho escolher, e como intuir seus resultados?

No máximo torcemos. Achamos, ou melhor, torcemos para que um caminho nos leve a alguns resultados, e o escolhemos por causa disto. Nem sempre acontece o que queremos, mas minimizamos o fato, juntando argumentos que justifiquem a decisão inicial.

Acho que isto é normal no processo. Mas o fato é: que caminho escolher?

Cara ou coroa!

sábado, 15 de março de 2008

Mudar para não mudar?

Estes dias fui questionado sobre minha saída da empresa estatal em que trabalhei. Por causa da posição, do tempo de serviço, do envolvimento e investimento pessoal, me perguntaram como eu era louco de sair de tal emprego.

Quando eu estava em Brasília, era um gerente de crises. Cada vez que um órgão interno estava insatisfeito com nossa área (Organizações, Sistemas e Métodos), eu ia para servir de muro de lamentações e traçar estratégias de melhoria.

Mas não eram somente lamentações. Algumas vezes, um ambiente muito hostil me esperava, e aprendi a engolir sapos. Fritos, cozidos, sashimi de sapo, inteiros, aos pedaços, aos bandos.

Tudo isto tinha um custo emocional, claro. cada vez que propunha melhorias, comprometia meu nome na adoção dessas soluções. E como nem tudo dependia de mim, mas de articulações que algumas vezes esbarravam ou na política ou na vocação dos funcionários que têm estabilidade de emprego, o resultado poderia demorar mais que o planejado.

Isto acarretava um stress que mais de uma vez me levou ao cardiologista, embora ainda muito jovem, com fortes dores no peito, sempre diagnosticadas como isto mesmo: stress.

Um dia, soubemos de um colega nosso que, mal entrado na casa dos trinta anos de idade, sofreu um infarto fulminante e morreu na mesa do trabalho.

Para ajudar, sucessivas ações de grande impacto foram empreendidas pela empresa, sempre com resultados pequenos em termos de produtividade, mas sempre com altos custos emocionais/pessoais por parte dos empregados.

Coloquei na balança os prós e os contras, e achei que melhor que sobreviver, era viver. E isto só seria possível fira da empresa.

Não foi uma decisão fácil, pois tinha metas (ambiciosas) na empresa. Sempre me comprometi com alguns caminhos, e tinha meu reconhecimento por isto. Em algumas áreas, eu fazia parte de pequenos grupos, no que se refere ao conhecimento das atividades, coisa que só se consegue com muita dedicação. Ainda assim, queria ser feliz, e ali não estava acontecendo.

Logo em seguida à saída, muitas dificuldades, algumas não previstas, outras já esperadas. O fato é que, com paciência e perseverança, e contando com a mesma dedicação de sempre, as coisas foram entrando nos eixos e a vida foi voltando ao normal. Com algumas diferenças óbvias.

A proximidade da família, a saúde melhor cuidada, os amigos mais próximos. Hoje em dia parecem sonhos os momentos que tive naquela empresa. Distantes, já embotados, parecem ser memórias de outra pessoa.

Meu stress ainda existe, Mais por características pessoais, menos pela impotência diante de situações indesejadas. Mas num patamar completamente diferente, e num contexto que mitiga suas conseqüências. Vejo meu cardiologista uma vez ao ano, quase que burocraticamente, como numa obrigação. Ele sempre se surpreende com minha forma física e mental, e parece mesmo que estou andando para trás, cronologicamente falando.

Pude viver, pude conviver, fiquei mais leve depois que saí da empresa. Isto não tem preço. Mas as pessoas que somente enxergam rótulos não conseguem ver isto. O salário, o status, a segurança (de resto, falsa) que a posição ofereciam ainda deixa (nos outros) um sentimento de perda.

Ser feliz, não tem preço!

sexta-feira, 14 de março de 2008

quinta-feira, 13 de março de 2008

A carência de amizades

Antes da explosão da máquina internet (como diria Macunaíma), a solução de comunicação óbvia era o telefone. Mas ainda existia a carta, missiva, epístola etc, que, pelos correios, levavam e traziam histórias e estórias.

Eu achava que brasileiro, por não gostar de ler, não gostava de escrever. Mesmo assim, criei o que chamei (muito originalmente, creio) de Clube da Amizade. Funcionava assim: quem quisesse fazer novos amigos, que mandasse uma carta a uma determinada caixa postal se apresentando. Achei que o início seria muito, muito lento, mas tinha tempo para organizar de fatos as atividades do tal Clube.

A intenção era avaliar o grau de adesão que conseguiria, para um plano de negócios que eru estava montando. Portanto, não esperava muito da história.

Assustei-me quando fui buscar a primeira leva de cartas. Tinha um aviso para pegar correspondência excedente, pois não coubera tudo no espaço de minha caixa postal alugada.

Eram mais de trezentas cartas, de pessoas com idades variando de 8 a 82 anos, todas querendo novos amigos. Li e respondi uma por uma, e não pude deixar de me emocionar com os conteúdos.

Nenhuma das cartas tinha qualquer menção a alguma coisa que não fosse o desejo fazer novos amigos. Todos com uma história pessoal, mais elaborada ou mais objetiva, mas todos se apresentando e contando seus porquês.

Fiz questão de responder uma a uma. Com o passar do tempo, a experiência foi sendo abandonada, já que outras atividades menos lúdicas estavam exigindo minha participação. Não desisti da idéia, até que a internet tomou conta do mundo. Aí percebi que a idéia já era anacrônica.

Tenho uma suspeita, atualmente, que minha avaliação estava errada. Existia um senhor, o de 82 anos, que acredito que não faz (ou fez) parte desse mundo cibernético. E, lembrando dele, e da receita que recebi nas cartas, sinto que perdi grandes oportunidades de fazer grandes amigos.

Pena...

quarta-feira, 12 de março de 2008

A voz dos sufocados

Quando falo da experiência de Milgram, aquela em que comportamentos claramente danosos são aceitos por pessoas, desde que alguém se responsabilize por isto, manifesto minha indignação com a situação. Mas algumas manifestações de amigos, conhecidos e, principalmente, pessoas com quem tenho contato profissional, me levaram a analisar a questão sem a contaminação de minha posição pessoal.

Rui Mattos, em seu livro Gerência e Democracia nas Organizações, trata da greve psicológica, que ele classifica como um cruzar de braços mental, em que pessoas numa organização, levados por questões de motivação (falta, no caso), desistem de participar dos processos, e obedecem cegamente às ordens, por mais danosas que eles as percebam.

Pois bem, estas duas abordagens, para mim, estão separados por uma linha muito tênue, e é difícil dizer quando começa uma e a outra se inicia.

Numa determinada ocasião, fui chamado para uma conversa com um colega de trabalho (da minha época de estatal). Ele recomendou, primeiro com muito tato e depois sem nenhum pudor, que eu e minha equipe tratássemos de trabalhar menos, pois "estava pegando mal" nossa produtividade. Estávamos em Brasília, afinal, e por lá as coisas era mais leves... E aqui um terceiro fator nessa questão dos comportamentos inadequados: a necessidade de aceitação (ou o temor da rejeição, ou ...).

A base de tudo, acredito, se divide por muitos motivadores. Cada qual tem o seu, a experiência de Milgram nos oferece um exemplo claro de uma faceta da questão. Mas o termo central, aquele que decide e dirige, este se encontra no individuo. Este, com seu conjunto axiológico, tem o poder de dizer sim ou não para suas demandas. Paga os preços por suas escolhas, é verdade, mas se coloca na direção da sua vida. Quando permite (e permite é um termo exato) que outros decidam por si, abdica do direito de escolher. Passa a ser um boi na manada, com toda autoridade que bois têm: nenhuma.

Se o conjunto de valores da pessoas não é suficiente para ele decidir sobre comportamentos que certamente afetam outras pessoas, perguntemos: que valores são esses?

Estamos acostumados a ver, na mídia, notícias de garis que devolvem pacotes de dinheiros e valores que levariam muitos para angariar com seus salários. Mas as notícias abrangem somente as somas devolvidas, pois as embolsadas não são conhecidas, não geram notícias. mas que há, certamente há. Aqueles que devolvem se enchem de orgulho para dizer que sua honra é mais importante que qualquer valor. Provado pela devolução, claro.Por que é que os exemplos de honra sempre vêm do mais humilde?

Há escolha em nossas vidas. A primeira: escolher comandá-la.

Sei, hoje estou piegas...

terça-feira, 11 de março de 2008

Dilemas

Algumas vezes, estacamos diante de um dilema, de uma encruzilhada, onde é necessário decidir: para onde vou?

Não raro, muitas das decisões são tomadas por preconceitos, por paradigmas que, às vezes sem saber, carregamos. Isto acontece quando temos uma preferência, e utilizamos argumentos em favor dessa tendência.

Outras vezes, a vantagem e a desvantagem ficam pulando à nossa frente, substituindo-se no foco de nossa razão.

O fato é que as decisões nem sempre podem ser embasadas em critérios racionais. Porque às vezes eles nem existem. Fundamentam-se, sim, em argumentos que podemos brandir para justificar a decisão, dando-nos a confortável segurança de que a escolha se deu racionalmente.

Raras vezes alguém assume que seguiu uma intuição, ou uma vontade. Mas isso é o que prevalece na maioria das vezes.

Precisamos de argumentos, razões, explicações e etc porque algumas pessoas cobram isto de nós. E, circularmente, também cobramos de outras pessoas a mesma coisa. Viver, ou melhor, conviver é isto. É a razão coletiva que impera sobre a razão individual, que parece nem existir.

Uma vez comprei um carro. Branco. Uma amiga elogiou o carro, mas perguntou:

- Justo branco? Por que branco?

Eu gosto de branco. Como dizer a ela que era uma lógica toda minha e, portanto, ilógica? Mas, para ela, parece que a cor branca tem desvantagens que obviamente contra-indicam a compra. Para ela.

Enfim, dilemas são pessoais (na maioria das vezes) e os porquês idem. O ato de decidir, entretanto, implica num compartilhamento (desejado ou não) com outras pessoas, e a especulação pode interferir na decisão. O que é uma pena.

domingo, 9 de março de 2008

Invasões

Há pessoas que não têm cerimônia: se intrometem mesmo na sua vida! E os motivos sempre são os mais altruístas possíveis:

- É para seu próprio bem.

- Você vai me agradecer por isto.

- Não tenho nada com isto, mas...

- Você não está vendo...

- Pense a respeito.

Pois bem! Tive a grata satisfação de conviver com mentes aguçadíssimas, com profissionais do mais alto gabarito, pessoas com muita experiência. Os que se destacavam profissional e oessoalmente eram aquelas que respeitavam os espaços dos outros. De que forma? Cultivávamos o hábito do feedback, numa turma restrita. Esse feedback (retroalimentação, em português) tinha um objetivo: mostrar ao receptor da mensagem como entendemos algum ato seu.

Para transmitir essa mensagem, algumas regras eram observadas (ou deviam ser). Uma delas era ter em mente que era uma percepção, e que nosso entendimento pdoeria não corresponder à realidade. Outra: o receptor precisava querer o feedback. O feedback deveria ter o objetivo de colaborar com o crescimento pessoal do receptor. E por aí vai.

O fato é que confiávamos uns nos outros, e essa manifestação sobre nosso comportamento era realmente uma oportunidade de crescimento pessoal. Mas foi um processo paulatino, que dependia do nível de confiança que tínhamos uns nos outros.

Como grupo, cuidávamos de dar o feedback ao feedback. Ou seja, sempre que identificávamos motivações possivelmente contaminadas, colocávamos o fato em discussão. E a confiança, repito, dava importância à observação.

Digo tudo isto porque algumas pessoas julgam e avaliam, de forma superficial, mas pretensamente profunda, e oferecem seus vereditos em função disto. Cada argumento é mais uma prova, mesmo que sob distorção, de que o interlocutor está certo.

Essas pessoas, que nem sempre têm vínculo conosco, mesmo assim se vêem na obrigação de dar seus palpites. Mesmo fora do contexto. E não aceitam nunca, sob hipótese alguma, a possibilidad de estarem erradas. Feedback nelas.

Ou melhor: elas não querem? Viva sua vida. Engula em seco (ou não engula, mostre sua indignação), mas avalie se você precisa daquela pessoa. Mais: avalie se você quer conviver com ela. Há um livro, que trata dos vampiros emocionais, que trata das necessidades desse tipo de pessoa. No meu caso, não quero dar sangue a esses vampiros.

Antes só que mal acompanhado!

sábado, 8 de março de 2008

O gerente ideal

Deparei-me com uma pergunta, e não consegui deixar de entrar no assunto.

- Qual é o gerente ideal?

Se eu fosse psicólogo, diria quer estamos idealizando. Montando, nos recônditos da mente, um paradigma de comportamento para comparar com os gerentes que conhecemos e classificá-lo: é um bom gerente, é um mau gerente, é um tirano...

Isto acontece com o gerente, com o namorado/a, com o marido/esposa, com todos os papéis que vivemos. E todos se sentem mais conformáveis em comparar nossas ações com um conjunto já gabaritado, já pré-moldado, para ser possível oferecer a avaliação/classificação.

Não é simples assim. As circunstâncias que nortearam o desenvolvimento do paradigma são, muitas vezes, estáticas. E a vida não é. Ao contrário.

Já vi definições dos "gerentes ideais". São aqueles que promovem a participação, são abertos, oferecem feedback, envolvem os subordinados nas decisões. Enfim, adotam aqueles comportamentos que nos fazem sentir como partes importantes do processo (mesmo que não sejamos !?!?!?).

Também já vi o rótulo de "mau gerente" ser aplicado a pessoas que têm uma tendência de ser mais fechados, menos participativos, mais autocráticos. Embora não deixe de ser um indício de má aplicação do poder, não passa de falhas de personalidade.

O que quero dizer, enfim, é que a gerência é uma função relacional, ou seja, trata da relação entre pessoas, agrupadas (numa equipe ou não), para atingir determinados objetivos. As características do gerente têm a ver com esses objetivos.

Pensando numa equipe de remo, pouco se pode esperar em termos de participação e democracia. Ao menos durante as provas. Já pensando numa equipe de criação numa agência de publicidade, não se pode imaginar que eles não sejam participativos, em prol do resultado final. O gerente ideal é aquele que, à vista dos objetivos, molda suas respostas para obter o melhor resultado possível, de acordo com cada circunstância.

O líder do time de remo não pode parar a corrida para pesquisar, dentre seus comandados, qual é a melhor tática. Ele avalia, decide, põe em prática. Suas qualidades como líder (ou gerente, já que cargo e papel estão amalgamados) serão avaliados pelos resultados. Que serão melhores, isto sim, se ele, nos momentos em que possível, promover a participação, avaliar desempenhos e táticas, abrir espaço para a voz de cada um dos integrantes da equipe.

Isto posto, o gerente ideal (ou pai/mãe, ou namorado(a), ou marido/esposa) coloca como prioridade a confiança; ele tem credibilidade. Nos momentos de crise, assume a dianteira, toma decisões, dá ordens, dirige a crise. E sua confiança é suficiente para gerar adesão aos seus atos e propósitos, pois os seus sabem que há motivos para cada passo tomado. E, claro, essa confiança deve ser mútua. O questionamento, ou uma eventual contestação devem também ser entendidos nesse contexto. Esse é não um gerente ideal, mas um clima ideal. O gerente ideal oferece condições para esse clima existir.

Falo por experiência. Em vários momentos, que qualquer um poderia entender como autocráticos, vi equipes se unirem a comandos, por vezes aparentemente absurdos. Todos na crença baseada na confiança. Vi, também, as conversas que se seguiram a esses momentos. Perguntas, explicações, detalhamentos. Enfim, já vi e fiz parte de equipes altamente comprometidas com seu gerente, que, como característica, sempre "delegava" o motivo do sucesso: a cada um, e à soma de todos.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Sobre olimpíadas e competições

Recebi um texto pela internet, que reproduzo abaixo:

Há alguns anos atrás, nas Olimpíadas Especiais de Seattle, nove
participantes, todos com deficiência mental ou física, alinharam-se
para a largada da corrida dos 100 metros rasos.
Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com
vontade de dar o melhor de si, terminar a corrida e ganhar. Todos,
com exceção de um garoto, que tropeçou no asfalto, caiu rolando
e começou a chorar.
Os outros oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás.
Então eles viraram e voltaram. Todos eles.
Uma das meninas, com Síndrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no
garoto e disse: "Pronto, agora vai sarar".
E todos os nove competidores deram os braços e andaram juntos ate
a linha de chegada.
O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. E as
pessoas que estavam ali, naquele dia, continuam repetindo essa historia
ate hoje.
Talvez os atletas fossem deficientes mentais... Mas, com certeza, não
eram deficientes da sensibilidade... Por que? Porque, lá no fundo, todos
nos sabemos que o que importa nesta vida e mais do que ganhar sozinho.
O que importa nesta vida e ajudar os outros a vencer, mesmo que isso
signifique diminuir o passo e mudar de curso.


Não sei se a história é verdadeira, mas serve para embasar o que quero dizer.

Dizem que as olimpíadas, por exemplo, são o maior congraçamento entre os povos, é o símbolo de união e paz, etc., etc. Desculpem, mas discordo.

Desde tempos imemoráveis, o homem procura subjugar seus inimigos. Inicialmente, eram predadores que o ameaçavam. Depois, disputas de força por poder. Logo, essas disputas pelo poder se transformaram entre guerras entre povos, uns querendo sobrepujar outros. Guerras e mais guerras foram empreendidas por causa dessa sede de poder.

Pois este poder se manifesta através da demonstração de que, sob um determinado aspecto, um indivíduo ou grupo é "mais" do que outro: mais forte, mais numeroso, mais armado, mais inteligente... É, em suma, a demonstração de uns são melhores que outros, e esta idéia vem se perpetuando através dos tempos.

As Olimpíadas não representam a paz entre os povos. Representam, sim, um armistício, um período em que a superioridade é provadas através dos esportes, não das armas. Mas, repito, com veemência, ainda assim, com a idéia de que "somos melhores que os outros..". Não sou contra os jogos, mas que fique claro que não passam disso: jogos.

A humanidade não precisa provar quem é melhor. Animais já foram extintos, plantas foram extintas... O ser humano proclama a igualdade. O negro, o amarelo, o caucasiano, são todos iguais, certo? Não, não está certo. O homem ainda busca provar quem é o melhor em alguma coisa. E isto é bom?

Desde crianças, somos levados à idéia de superioridade. As louras da televisão nos apresentam diversas brincadeiras, ditas educacionais, de "meninos contra meninas", do time azul contra o vermelho, etc., etc., Os programas de auditório fazem o mesmo. Com adultos. Os BBB da vida (e qualquer reality show) buscam quem sobrepuje os demais. Conclusão: desde cedo, somos educados para vencer os demais. A vida é uma competição, certo?

Acho que não. As brincadeiras, desde a mais tenra idade, deviam nos ensinar o valor da cooperação, da colaboração, do trabalho em equipe. Em vez de ver quem é o melhor, único, deveríamos privilegiar as uniões, as vitórias de todos, sem derrotados. Esportes deveriam ter o conteúdo objetivando demonstrar que todos ganham, ou perdem todos. Esta é a verdadeira lição.

Numa dinâmica de grupo que ministrávamos, secretamente incluíamos o componente da cooperação. Ou seja, o vencedor era a equipe que mais cooperasse com as demais. Não divulgada, a instrução fazia com que, várias e várias vezes, não houvesse um vencedor. Mas, quando havia, a lição era poderosa.
Poderosa, mas inócua. Como num experimento de laboratório em que as condições são artificiais, a vida nos desmentia. Na vida real, quem colaborasse daquela forma era o que mais cedo pereceria. Triste sina para uma bela mensagem.

O futebol, esse esporte que é tido mundialmente como uma grande festa, é uma fonte enorme de violência. Dentro de campo, com agressões diversas, e fora do campo, com brigas e brigas de torcedores. É uma coisa pela qual vivem milhares de pessoas, a ponto de largar seus empregos para ver o time jogar. Bonito? Não, triste, muito triste.

Sou fã de vários esportes. Todos eles com base na subjugação do oponente. Sem hipocrisia, gosto deles. Mas sei que a mensagem deles é apenas esta: "quero ser melhor que ele".
Triste, não?

quarta-feira, 5 de março de 2008

As células-tronco

Hoje iniciou-se no STF o julgamento que pode definir a continuidade da pesquisa com células tronco no Brasil.

O tema é relevante. Há uns tempos, o próprio STF fez realizar (para seus ministros) uma série de palestras sobre o início da vida, justamente para embasar cientificamente as apreciações que deles são exigidas.

A ocasião está chamando a atenção por causa da polêmica, comparável à do aborto. De um lado,. católicos (principalmente), e de outros, cientistas e pessoas que vêem na terapia alguma esperança para si ou para um familiar doente.


Sobre a religião, quero lembrar que há ao menos uma que proíbe a transfusão de sangue. Sem entrar no mérito, é um avanço da ciência que essa religião desaprova e, portanto, não se beneficia (se é que cabe o termo) dela.

Sobre os cientistas, seria bom acreditar que eles fazem somente as coisas com ética e dentro dos limites aceitáveis. nem sempre é assim.

Sobre ambos (religiosos e cientistas), é bom lembrar que há muita gente de bom senso e honesta, e que isto sim é que balizará o avanço da terapia, se ela vier a ser aprovada.

Há uma nuvem sobre o julgamento, entretanto, que é a posição religiosa dos ministros do STF. Num estado que é laico, como Lula fez questão de lembrar ao papa na sua visita ao Brasil, essa nuvem não deveria existir. Existe por ser no Brasil, onde se desconfia que as pessoas votem de acordo com conveniências e interesses pessoais. Não foi assim no caso dos quarenta (mensaleiros) e quero acreditar que não será assim neste caso.

Espero que o bom senso vença. E, para mim, o bom senso é a ciência. Sou a favor da pesquisa com essas células.

Os principais argumentos:
Contra: é uma vida em potencial.
A favor: se não for utilizado neste tipo de pesquisa, os embriões serão descartados de qualquer forma.

Ou seja, ou é a pesquisa, ou é o descarte. DE qualquer jeito, o embrião se perde. Já que é assim, que seja a pesquisa.

terça-feira, 4 de março de 2008

Filosofando...

Nossa vida é tão movimentada que às vezes nos perdemos seus meandros. Amigos se perdem no dia-a-dia, familiares se afastam por conta da rotina. E, numas ocasiões, que chamamos especiais, temos a oportunidade de encontrá-los, fazendo convergir nossos rumos para convivermos. Resgatamos momentos antigos, antecipamos novos, cristalizamos o momento atual...

Talvez essas ocasiões especiais não sejam tão freqüente quanto gostaríamos. Mas, quando acontecem, são uma catarse para os males que nos afligem.

Desde o natal, tivemos algumas dessas oportunidades. E o momento, de tão mágico, não pôde ser estragada nem por algumas fraturinhas... E, embora lamentássemos os ausentes, privilegiamos a alegria pelos presentes, que é como deve ser.

Minha família, aqui considerada minha filha (e sua mãe, e sua família também), minha mãe e meus irmãos, cada qual com seus cônjuges e filhos (e namorados/as, que já estão se apresentando), tem uma característica interessante: são raríssimas as ocasiões em que nos desentendemos. E, se nos damos bem, não é por causa de conveniências sociais ou familiares. É realmente uma posição de cada um de nós, com o objetivo de constituir o que possa ser chamado de família.

São bem-vindos os amigos que quiserem se juntar ao clima. Mas, um aviso: as diferenças são expostas, discussões são encetadas. a diferença é que o final será bom.

Sim, tudo isto porque encontrei amigos e familiares neste final de semana. E estou de alma lavada, de bem com a vida (mais que normalmente). Daí eu estar celebrando.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Paradigmas

O texto em que reproduzi parágrafos do livro de Stephen Covey "Os sete Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes" (ou muito eficiente, ou etc), alguns pessoas com quem convivo quiseram saber se era um recado para alguém.

Não não era. E, sim era. Pois este é daqueles "ensinamentos" que só se fazem presente quando queremos. Na verdade, o recado era para mim mesmo. É uma forma de cristalizar meus valores, minha impressão sobre o mundo. Mas da mesma forma que alguns ensinamentos de outrem batem fundo em nós, pode ser que estas mal traçadas tenham um efeito positivo em alguém.

Eu tinha o bom hábito de fazer às sextas-feiras o que chamávamos de Sexta Feliz. Revezávamos na compra de refrigerantes e salgados e, na hora do café, fazíamos uma reunião de trabalho, uma dinâmica de grupo e então íamos conviver. Fazer piadas, dar risadas, falar sério, reclamar da vida... E eram momentos riquíssimos de aprendizagem, até pelo fato de que a fonte do saber era cada um de nós, por princípio e pela prática.

Falávamos de quase tudo, se não de tudo por falta de tempo. Oferecíamos os feedback necessários, e ouvíamos aqueles a nosso respeito com a deferência exigida. Aproveitávamos para estreitar relacionamentos e aparar as arestas que o dia-a-dia insiste em criar. E, nesses momentos, o aprendizado. Que vinha pelas palavras, pelos olhares, pela emoção ou pela falta dela.

Enfim, momentos fugazes eram fonte poderosa de transformação. Se quiséssemos, E muitos de nós queríamos...

Assim, se você quiser, disse eu a cada uma daquelas pessoas que me perguntarem, SE você quiser, sim, é um recado. Caso contrário, é só um ajuntamento mal feito de frases.

Pode ir armando o coreto...

Nas últimas semanas, devido a compromissos de ordem pessoal e profissional, este blog ficou às moscas... Mas espero que tenha acabado (de novo) o jejum.

Não foi somente o blog. Não estava conseguindo ler o jornal, que é um de meus rituais diários. Sem saber das notícias, me sinto meio alienado, acho mesmo que deve ser um vício.

Agora, com a conclusão dos compromissos, volto a me dedicar, até que alguém me avise que minha ausência nem foi notada...