domingo, 10 de fevereiro de 2008

Lendas urbanas

A história abaixo é uma ficção. Alias, sua fonte é esta aqui, de Sérgio Rodrigues, um site interessantíssimo. No desenvolvimento do artigo, ele esclarece a verdadeira origem da palavra "pinga", mas esta história ganhou fama pelo Brasil.

02.03.2005 | Juro que a palavra de hoje não tem a menor relação com o verbete “tagarela” de outro dia. É apenas uma resposta à leitora Luiza Fontes, de São Paulo, que envia uma historinha de certo sucesso na Internet sobre a origem das palavras “aguardente” e “pinga” – texto creditado, não se sabe se acertadamente, ao Museu do Homem do Nordeste, no Recife. “Você pode confirmar sua veracidade?”, pergunta Luiza. Não posso, lamento: a história é grotescamente falsa. Obra de algum etimologista bêbado ou apenas exemplo daquele conjunto de crendices divertidas que faz divisa com a etimologia popular, a coisa, no entanto, é instrutiva ao seu modo – embora não sobre aquilo que pretende ensinar. Vamos à lenda:

Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o “azedo” do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente, era a cachaça já formada que pingava, por isso o nome (PINGA). Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de ÁGUA ARDENTE. Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo. Hoje, como todos sabem, a AGUARDENTE é símbolo nacional!!!
Publico o texto porque recebi tantas sugestões de tratamentos aos meus dedos fraturados que fiquei até sem argumentos para várias. Mas muitas eram naquela linha do "passa pasta de dente...".

As sugestões eram de todas as formas. Algumas logicamente justificadas, outras sem o menor cabimento. Muitas delas baseadas no conhecimento popular, que produz as pérolas como na história acima.

Interessante notar que a história, embora falsa (sabemos agora), é incrivelmente crível (?!), no sentido de que podemos acreditar mesmo nela.

Depois de devidamente medicado e atendido pelo médico (repetindo: um médico), ainda assim tive de explicar, várias vezes e a muitas pessoas, os motivos que o levaram a fazer ou não tal coisa, por que estava ou não tomando determinado tipo de remédio.

Cada um com sua experiência, cada um com sua compreensão pessoal da coisa. Preferi ficar com o entendimento do médico.

Lembramos-nos, na família, de uma outra vez em que tive uma torção no pé (o mesmo pé, acho que é um predestinado, ou um pé-destinado) e a vizinha ficou insistindo para que eu passasse vinagre (ainda antes de ir ao hospital). E insistia...

- Passa vinagre. Quando o Fulano quebrou o dedo, ele passou vinagre e foi uma maravilha. O dedo ficou meio torto, mas foi uma maravilha...

É, prefiro ficar com os conselhos médicos.

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