sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Celulares

O Kibe Loco é um dos meus sites favoritos, sempre para rir. Desta vez, merece uma visita por ser sério. Fala sobre os celulares bloqueados que compramos. Apoiamos.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Brasileiro é abusado...

No avião, motivada por características físicas, a aeromoça aborda um homem:

- O senhor não quer sentar-se ali, à frente? Ficará mais confortável, mais perto de nós, caso precise de alguma coisa.

Insistiu, insistiu, e recebeu um "não, obrigado".

Imediatamente, um passageiro logo atrás falou:

- Eu vou!

E aí, o carnaval rolou:

- Não, eu vou.

- Eu é que vou.

- Só tem um lugar...

- Então, eu vou...

A aeromoça saiu de mansinho, o avião virou uma grande torcida, e o convidado se escondeu atrás do jornal...

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Paradigmas e reações

Muitas vezes sou criticado por causa de minhas reações. Ou pela falta delas. Nem sempre isto foi assim. Até uma determinada época em minha vida, fui dominado pelas reações. E os resultados nem sempre foram bons.

Depois de muitos revezes, e pela disciplina pessoal, consegui estabelecer a ordem das coisas: EU estou no comando de minhas reações. Isto tem suas conseqüências. Quando não reajo negativamente a alguma coisa sobre a qual tenho informações suficientes, alguns me acham apático. Por outro lado, quando faço o mesmo com aquelas situações cujas informações são do meu controle, a acusação é a de ser mais que apático: é a de ser inerte mesmo.

Quando fraturei os dedos de meu pé, um amigo me provocou:

- Aposto que nem assim você xingou e falou um palavrão.

Verdade. Não sei o que algumas pessoas vêem no palavrão como elemento catártico. Não sei como ele permite "extravasar" a raiva e frustração. Sei somente que escolhi não dizê-lo, e nem um evento como um televisor me agredindo me faria rever esta postura. O fato é que o fato aconteceu, e posso escolher minha reação. E assim fiz.

Mas, divaguei. O ponto é que algumas vezes nossas reações são incompletas em relação ao conhecimento da situação. Às vezes julgamos e reagimos sem ter total conhecimento das origem de certos fatos. Como disse, tem seu custo. E não precisamos pagá-lo.

Cada vez que falo disto me vem à mente a história que reproduzo abaixo:

Eu me recordo de uma mudança de paradigma que me aconteceu em uma manhã de domingo, no metrô de Nova York. As pessoas esta­vam calmamente sentadas, lendo jornais, divagando, descansando com os olhos semicerrados. Era uma cena calma, tranqüila.
Subitamente um homem entrou no vagão do metrô com os filhos.
As crianças faziam algazarra e se comportavam mal, de modo que o clima mudou instantaneamente.
O homem sentou-se a meu lado e fechou os olhos, aparentemente ignorando a situação. As crianças corriam de um lado para o outro, ati­ravam coisas e chegavam até a puxar os jornais dos passageiros, inco­modando a todos. Mesmo assim o homem a meu lado não fazia nada.
Ficou impossível evitar a irritação. Eu não conseguia acreditar que ele pudesse ser tão insensível a ponto de deixar que seus filhos incomo­dassem os outros daquele jeito sem tomar uma atitude. Dava para per­ceber facilmente que as demais pessoas estavam irritadas também. A certa altura, enquanto ainda conseguia manter a calma e o controle, virei para ele e disse:
- Senhor, seus filhos estão perturbando muitas pessoas. Será que não poderia dar um jeito neles?
O homem olhou para mim, como se estivesse tomando consciência da situação naquele exato momento, e disse calmamente:
- Sim, creio que o senhor tem razão. Acho que deveria fazer algu­ma coisa. Acabamos de sair do hospital, onde a mãe deles morreu há uma hora. Eu não sei o que pensar, e parece que eles também não con­seguem lidar com isso.
Podem imaginar o que senti naquele momento? Meu paradigma mu­dou. De repente, eu vi as coisas de um modo diferente, e como eu estava vendo as coisas de outro modo, eu pensava, sentia e agia de um jeito diferente. Minha irritação desapareceu. Não precisava mais controlar minha atitude ou meu comportamento, meu coração ficou inundado com o sofrimento daquele homem. Os sentimentos de compaixão e so­lidariedade fluíram livremente.
- Sua esposa acabou de morrer? Sinto muito. Gostaria de falar so­bre isso? Posso ajudar em alguma coisa? - Tudo mudou naquele momento.
Muita gente passa por uma experiência fundamental similar de mu­dança no pensamento quando enfrenta uma crise séria, encarando suas prioridades sob nova luz. Isso também acontece quando as pessoas as­sumem repentinamente novos papéis, como marido, esposa, pai, avô, gerente ou líder.
Poderíamos passar semanas, meses ou até mesmo anos usando a Éti­ca da Personalidade para tentar alterar atitudes e comportamentos, sem sequer nos aproximarmos do fenômeno da mudança, que ocorre es­pontaneamente quando vemos as coisas por uma nova óptica.
Torna-se óbvio então que a vontade de realizar mudanças relativa­mente pequenas combina com o foco nas atitudes e comportamentos. Mas, se desejamos empreender mudanças qualitativas significantes, pre­cisamos trabalhar com nossos paradigmas básicos.
Ou, nas palavras de Thoreau: "Para cada mil homens dedicados a cortar as folhas do mal, há apenas um atacando as raízes". Um salto qualitativo somente pode ser realizado em nossas vidas quando deixa­mos de cortar as folhas da atitude e do comportamento e passamos a trabalhar nas raízes, nos paradigmas que determinam nossa conduta.

O texto foi extraído do Livro "Os 7 Hábitos de Pessoas Muito Eficientes", de Stephen Covey, 5ª Edição, Editora Best Seller.

Observação: O nome atual da obra é "Os 7 Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes". O Original é The Seven Habits of Highly Effective People. Na língua portuguesa, mesmo no jargão profissional (Administração, Recursos Humanos, Peopleware etc), effective não tem uma palavra unívoca para traduzi-la. Daí a diferença nos títulos, trata-se de um conceito. Já as palavras "eficiente" e "eficaz" precisariam se associar a uma terceira para completar o conceito.


domingo, 10 de fevereiro de 2008

Lendas urbanas

A história abaixo é uma ficção. Alias, sua fonte é esta aqui, de Sérgio Rodrigues, um site interessantíssimo. No desenvolvimento do artigo, ele esclarece a verdadeira origem da palavra "pinga", mas esta história ganhou fama pelo Brasil.

02.03.2005 | Juro que a palavra de hoje não tem a menor relação com o verbete “tagarela” de outro dia. É apenas uma resposta à leitora Luiza Fontes, de São Paulo, que envia uma historinha de certo sucesso na Internet sobre a origem das palavras “aguardente” e “pinga” – texto creditado, não se sabe se acertadamente, ao Museu do Homem do Nordeste, no Recife. “Você pode confirmar sua veracidade?”, pergunta Luiza. Não posso, lamento: a história é grotescamente falsa. Obra de algum etimologista bêbado ou apenas exemplo daquele conjunto de crendices divertidas que faz divisa com a etimologia popular, a coisa, no entanto, é instrutiva ao seu modo – embora não sobre aquilo que pretende ensinar. Vamos à lenda:

Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o “azedo” do melado antigo era álcool, que aos poucos foi evaporando e formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente, era a cachaça já formada que pingava, por isso o nome (PINGA). Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de ÁGUA ARDENTE. Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo. Hoje, como todos sabem, a AGUARDENTE é símbolo nacional!!!
Publico o texto porque recebi tantas sugestões de tratamentos aos meus dedos fraturados que fiquei até sem argumentos para várias. Mas muitas eram naquela linha do "passa pasta de dente...".

As sugestões eram de todas as formas. Algumas logicamente justificadas, outras sem o menor cabimento. Muitas delas baseadas no conhecimento popular, que produz as pérolas como na história acima.

Interessante notar que a história, embora falsa (sabemos agora), é incrivelmente crível (?!), no sentido de que podemos acreditar mesmo nela.

Depois de devidamente medicado e atendido pelo médico (repetindo: um médico), ainda assim tive de explicar, várias vezes e a muitas pessoas, os motivos que o levaram a fazer ou não tal coisa, por que estava ou não tomando determinado tipo de remédio.

Cada um com sua experiência, cada um com sua compreensão pessoal da coisa. Preferi ficar com o entendimento do médico.

Lembramos-nos, na família, de uma outra vez em que tive uma torção no pé (o mesmo pé, acho que é um predestinado, ou um pé-destinado) e a vizinha ficou insistindo para que eu passasse vinagre (ainda antes de ir ao hospital). E insistia...

- Passa vinagre. Quando o Fulano quebrou o dedo, ele passou vinagre e foi uma maravilha. O dedo ficou meio torto, mas foi uma maravilha...

É, prefiro ficar com os conselhos médicos.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Cenas de rua

Parada, sentadinha num murinho baixinho, estava aquela velhinha, bem quietinha. Velhinha não por causa da idade, embora já fosse bem madurinha... mas o seu aspecto de fragilidade era que dava a idéia de que era uma velhinha, que carecia de proteção.

Depois de um tempo, puxou um saco de papel e dele tirou um pão. Pelo jeito, duro, pois ela o mordiscava bem de levinho, assim, sem nada dentro.

Do outro lado da rua, vinha um homem, esbaforido, apressado, desviando-se de quem podia e trombando com os mais lerdos. Atravessou a rua, passou voando pela velhinha e foi-se. De repente, parou. Virou o tronco e ficou parado, olhando aquela senhora mordiscar seu pão. A pressa sumiu. Passou longo tempo olhando para ela. De repente, caminhou e direção a ela, trocaram rápidas palavras, ele a ajudou a levantar-se e entraram na lanchonete próxima.

Sentaram próximos à janela. A lanchonete era do tipo que servia os famosos PF, e logo chegou um. Para ela. Ele só observava. E ela comia, aos bocaditos, como fizera com o pão. Comia devagar, mas com gosto, e se deliciava com o refrigerante. E o homem só olhando.

Não se falaram. Ou quase. Palavras rápidas e raras. E ela acabou seu prato. Levantaram-se, ele pagou a conta e saíram. Ele quase não a deixou agradecer. Colocou alguma coisa na mão dela (dinheiro?), virou as costas e seguiu seu caminho. A pressa voltou, ele logo sumiu na multidão.

A velhinha nem parecia mais tão frágil. Agora a linha da boca se alterou, parecia um rascunho de sorriso. Pacientemente, pegou o pão que restou, embrulhou-o cuidadosamente e o guardou. Acho que é porque nunca se sabe quando o herói anônimo vai aparecer pra salvar o dia. Pois aquele homem salvou o dia desta senhora.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

A vida tem a cor que queremos

Uma entrevista de Zanardi a um mestre das entrevistas.
Chama a atenção o bom humor de Zanardi, e é contagiante a forma como ele pinta a vida da cor que ele a quer.
Lembrando que ele perdeu as duas penas num acidente numa corrida de automóveis.

Opa!

Fui ver o vídeo da Gabriele Andersen e ele não está mais disponível. Achei este outro, que, apesar da qualidade não muito boa da imagem, dá uma bela idéia do que foi a sua luta.

Exemplos

Um dos meus vídeos favoritos é o da Gabriele Andersen, ao cruzar a linha de chegada da maratona nas olimpíadas de Los Angeles em 1984 (publicado aqui).

Mas uma outra imagem, aliás imagens, chamam minha atenção.

Alessando Zanardi (Alex Zanardi, na fase americana) foi um corredor sem expressão na Fórmula 1. Talvez pela equipe em que correu, mas o fato é que não fez sucesso. Abandonou a categoria e foi para a Fórmula Indy, nos Estados Unidos. Lá, deu grandes shows e transformou-se no bicampeão da categoria. Com um bom carro, parece que era o que lhe faltava.

Convidado a retornar à Fórmula 1, desta vez por uma boa equipe, não reeditou o sucesso da Indy, e retornou a esta após algum tempo.

Pois bem, foi vítima de um acidente terrível, que o levou a perder suas pernas, amputadas na altura da coxa. Contam as histórias de quem o visitou no hospital que era ele, Zanardi, quem consolava sua esposa e filho. E saiu do hospital sorrindo, feliz por estar vivo.

Tempos depois, mostrava que não era bravata. De pernas mecânicas, participou de uma corrida da Indy, simplesmente para receber uma homenagem. Na última maratona de Nova York, participou com um carrinho não motorizado, especial para esse tipo de competição. E continua dando suas entrevistas, cheias de bom humor e motivação, a despeito daquilo que poderia considerar uma tragédia pessoal.

Stephen Covey professa que entre o momento do fato e nossa reação há um tempo que, por menor que seja, nos permite escolher a reação que teremos. Zanardi escolheu ver o lado bom. Escolheu agir, não reagir. Escolheu ser dono de seu moral, e assim se apresenta.

Um grande exemplo, de um grande esportista. Pessoalmente, acredito que nossa forma de reagir às coisas seja um diferencial em nossa qualidade de vida. Assim, se quiser me ver fora do sério, sente-se.

Na vida, precisamos escolher nossos caminhos. E não deixar que os caminhos nos escolham.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Sobre o racismo

Hamilton, da Mclaren. foi vítima de manifestações racistas de torcedores espanhóis. Movidos pela rivalidade com Alonso, os torcedores extravasaram seu modo particular de ver a diferença da cor do inglês.

Na origem disto tudo, está a intolerância com as diferenças. Neste caso, de cor da pela. Poderia ser de altura, de inteligência, de timbre da voz. Não importa. O que chama a atenção é que a manifestação se prende a uma diferença.

Que é o que Hitler pregava. Já disseram, mais de um milhão de vezes, que se o holocausto fosse submetido a um referendo, seria aprovado. A desinteligência, portanto, é multitudinal.

Hoje falamos com aparelhos sem fio, temos televisões ultrafinas, já produzimos aparelhos tão pequenos que são impossíveis de serem vistos à olho nu. Remédios potentíssimos fazem o que antes era inimaginável, aparelhos revolucionam o dia-a-dia. Mas a mente do ser humano não consegue evoluir nessa mesma velocidade.

O preconceito ainda grassa. E nem sempre a diferença que ele expressa é evidente. Às vezes se volta a uma diferença de performance: manifesta-se quando alguém tem mais sucesso que outra, um carro mais bonito, um círculo maior de amigos.

Se Hamilton não tivesse enfrentado um espanhol, pergunto: os espanhóis teriam alguma coisa contra ele? não importa, importa que a desinteligência se manifestou.

Não sei se o fato é exclusivo dos seres humanos. Mas sei que estes, por terem a condição de "inteligentes", são os únicos que poderiam vencer um sentimento dessa natureza. Mas o assunto não existe. Não se fala em enfrentá-lo, porque onde se poderia falar sobre o assunto? Não nas empresas, não nas escolas, não nas famílias. Pois que nesses ambientes não existe isto.

Nos autódromos, estádios, estações de metrô? Certamente que não, pois há coisas muito mais importantes tomando a mente das pessoas.

Ok, não falemos disto. Viremos as costas, e só nos resta a indignação quando uma coisa dessas acontecer. Neste caso, foi Hamilton, virou notícia. Mas acontece milhares de vezes por dia, com "não famosos". Acontece tanto que não vira notícia.

Pena. O homem já foi à lua. E está prestes a ir a Marte. Sempre acompanhado de seus preconceitos. Triste evolução, material, exclusivamente material.

Vai dar pé

Ainda convalescendo do ataque da TV assassina, o que mais sinto falta é de correr. Incrível, mas acho que se tornou um vício. Talvez um bom vício, mas ainda assim um vício.

Quando eu trabalhava em empresa estatal, não me preocupava com isto. Era sedentário assumido, e não estava nem um pouco sensibilizado pelos males anunciados.

O nível de stress era altíssimo. Empresas estatais não são uma maravilha de organização, e têm um componente político que só agrava o quadro. Não importa se você está do lado da "situação" ou da "oposição". Pois uma horas as coisas mudam.

Para ajudar, quando eu estava em Brasília, era o que se pode chamar de "gerente de crises". Sempre que alguém queria reclamar de algo errado, lá ia eu para ouvir. E as reclamações eram de todos os tons. Gritava-se mais ou menos, mas era uma gritaria. Ou seja, alguém tinha de engolir o sapo.

De outro lado, funcionários de estatais, com poucas e honrosas exceções, não são exatamente participativos (vim a descobrir, mais tarde, que são mais que os da iniciativa privada. Mas este desconhecimento, na época, agravou um quadro). E a luta contra uma cultura interna é sempre desgastante demais.

Pois bem, os murros em pontas de facas (plural) cobraram seu preço. Um dia, meu cardilogista, já com vários atendimentos para dor no peito, conversou comigo por mais de uma hora no seu consultório. Primeiro, eu era jovem demais para ter problemas cardíacos, e não os tinha (embora um colega nossa tenha morrido de enfarte na sua mesa de trabalho, e era de minha idade). Segundo, minha vida tinha componentes que, se não aguçavam o stress, não colaboravam para seu tratamento.

Como lição de casa, saí dali para enfrentar meu sedentarismo e fazer terapia. Esta não durou mais que duas sessões. Passo.

Mas o sedentarismo passou a ser enfrentado com caminhadas. Nunca gostei de correr. Até que um dia a energia em mim exigiu algo mais que a caminhada. E passei a correr.

Sem fôlego no início, cansava e parava sempre no mesmo lugar. E indignei-me com isto. Um dia desafiei-me: vou até ali (um determinado ponto, mais afastado que meu limite natural). E fui. Contra o "cansaço", enfrentei o limite.

E aprendi. Sem o limite, qualquer lugar é ponto de fuga. Com o limite, não há ponto de fuga. Há meta, há objetivo, e parece que pulmões e pernas se renovam. Não é fácil, mas é motivador.

Às vezes o cansaço cobrava seus preços. Que eu sempre comparei com outro preço. Porque eu sempre me prometia um mínimo de distância percorrida. Assim, o preço do cansaço era comparado ao preço da quebra da promessa a mim mesmo.

Stephen Covey explora bem as promessas feitas a nós mesmos: se não conseguimos manter uma promessa destas, que dirá aquelas que fazemos a outras pessoas?

Corria, então, para cumprir uma obrigação para comigo mesmo. E gostava cada vez mais das conquistas de cada dia. E renovava as promessas a cada corrida, assumindo sempre novos compromissos.

Hoje, aqui parado em função das fraturas, lembro disto tudo para justificar essa necessidade louca de correr. E lembro dos benefícios: o fôlego, a atividade física, a disciplina para comigo mesmo, a necessidade de comer bem.

Preciso voltar logo a correr. Vamos esperar dar pé.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Quem é o pato, afinal?

Nestes dias, na sala de espera do médico, ouvi um diálogo que sempre se repete. Duas pessoas conversando, e uma delas indignada com um médico. Segundo ela, foi procurá-lo, reclamando de alguma coisa, e ele receitou um remédio para o mal.

- Não pediu nem um examezinho, nem um de sangue. Só escutou meu coração, apertou meu pulso e minha garganta, e já foi receitando o remédio. Por isso vim aqui hoje. Para pedir um exame.

Pois bem, este é o assunto. Como trabalho na área de saúde, mais especificamente com operadoras e planos de saúde, ouço sempre a cantilena dos custos. Mas ela é muito maior da parte dos usuários que da parte das operadoras (neste caso).

As operadoras de planos de saúde, agora regidas por uma lei severa, têm de se enquadrar em determinadas regras. E o estão fazendo. Para isto, precisam controlar os custos dos atendimentos que presta/paga. Quando o exame (como no caso) é necessário, nunca vi nenhuma operadora não autorizar. E meu dia-a-dia é exxatamente nesse universo. Assim como nunca vi ninguém, dentro de uma operadora, dizer que negaria uma autorização de um procedimento por causa de seu custo.

Já vi, sim, e muito, os técnicos das operadora discutirem o procedimento. Muitas vezes, basta um relatório médico justificando a necessidade. Noutras, há conversas entre os médicos para acertar a autorização. mas não vi nenhum comportamento ou atitude de má-fé, no sentido de "penalizar" o beneficiário do plano de saúde.

Mas já vi muitos casos de tentativas de fraudes. Que justificam os cuidados tomados pelos planos de saúde. Assim como a conversa que testemunhei, são elementos que encarecem o atendimento. E o atendimento custa caro.

Há pessoas que chegam no consultório do médico já com um diagnóstico. Acham que têm uma determinada doença, e ficam pulando de médico em médico até achar um que concorde com elas. Outras pessoas não confiam no médico. Só se ele comprovar com um exame. Que, muitas vezes, é desnecessário.

Como encontrar um equilíbrio? Bom senso, eu acho. Há casos e casos. Mas quero repetir que nunca testemunhei nenhum caso de desconsideração do plano de saúde pelo beneficiário. Já testemunhei discussões em que até eu buscaria maiores informações antes de autorizar um procedimento. E estou escrevendo isto aqui sem nenhum compromisso com nenhuma operadora, mas motivado pela conversinha que testemunhei (espionei?).

O Brasil tem milhões de prefeitos, governadores e presidentes. Todos são médicos e todos são pacientes. Isto tem um custo. Mas não precisava.