terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Um belo dia!

No dia em que fomos fazer o ultrassom para ver o sexo do bebê, minha mãe, que já tinha três netas, disse, torcendo:

- Vai ser um menino!

E eu, sem torcer, com uma certeza que não sei de onde vinha, respondi:

- Não, mãe! É menina!

Ela respondeu que então seria menina, porque pai não erra.

Há exatos quinze anos, saímos para a maternidade. Que, de tão perto, sempre me fazia brincar que ela iria a pé no dia do parto. Foi o que eu fiz. Levei-a, deixei-a na mternidade, voltei com o carro para casa e fui a pé para o grande evento.

Na sala de espera, a sogra me disse que não sabia como eu estava tão calmo. Porque sentei e esperei, pacientemente, o desenlace. Que demorou, mas aconteceu. A porta do elevador se abriu, e a médica me chamou para conhecer minha filha. Que era exatamente como imaginei. Muitos cabelos, abria e fechava os olhos, olhando sem saber para onde.

Eu, de máquina fotográfica em mãos, ia registrando os momentos. Fotógrafo bem experiente, comprara filmes de 12 poses para revelar o mais rápido possível. Tirei as mais esperadas fotos em tempo recorde. Quando a máquina (dessas computadorizadas, com flash eletrônico, devidamente aparelhada com lentes e filtros) indicava 15 fotos, pensei que tinha trocado o filme por um de 24 poses por engano. E dá-lhe foto...

Na vigésima sétima, pensei que meu erro fora ainda maior. Coloquei um filme de 36 poses, o experiente fotógrafo. E dá-lhe foto, para acabar logo o filme. Na trigésima nona, aí senti que alguma coisa estava errada. E estava. O experiente repórter, que estava muito calmo na sala de
espera, não colocara filme na máquina, como num filme de pastelão. E todos os filtros, e flashes, e lentes trocadas, tudo figuração...

As fotos que tenho foram tiradas por outras máquinas. A minha mesmo, aquela requisitada por todos na família e por muitos fora dela, falhara no momento que mudou minha vida. Na verdade, a falha foi minha. Mas, afinal, o que importava?

Tenho uma foto, extraída do filme que o sogro fez, encostado no vidro do bercário, olhando para aquela que veio reinar na minha vida. Aquela a quem dediquei muitas de minhas horas desde então, e a quem dedico minha vida. Ela, que já abusa do papai hoje, já começou fazendo-o perder-se...

Sempre brinco: - Se eu soubesse que ser pai era tão bom, tinha registrado todos...

E brinco mais, quando vejo aquele bebezinho transformar-se na bela adolescente que é hoje: - É, sua mãe está ficando velha!.


Só posso desejar a ela toda a felicidade que eu puder proporcionar-lhe, mais toda a felicidade que ela resolva conquistar. Espero que essa felicidade seja baseada em valores, espero que essa felicidade não seja a qualquer preço: que pague os preços certos e justos por ela. E que, felicidade por felicidade, ela seja feliz a seu próprio jeito, já que felicidade é uma forma de encarar a vida.

E reafirmo, como sempre fiz nestes quinze anos, o amor incondicional que tenho por ela. Mas o pai, ora, o pai, o pai esqueceu o filme da máquina. Será que dá prá confiar nele?





Parabéns, minha filha!

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