sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Resoluções de ano novo

Não me ocorre nada que não seja brigar com a TV. Resolvo que, em 2008, não vou ligar para as provocações que elas me fizerem. Já chega de esparadrapo!

A verdade é que não acredito nesse espírito de virada. Para mim, isto é somente uma válvula de escape, para coisas que não acontecerão. Por que é que somente no final de ano nos entregamos a esse tipo de reflexão?

É óbvio que é por causa do simbolismo. É o momento em que encerramos um ciclo e iniciamos outro. E, nesse recomeço, paramos e pensamos no que podemos mudar. Sempre para melhor, claro. Aí é que entra minha discordância.

Não na mudança para melhor. Mas no apagar das luzes no ano. Quando alguém toma uma decisão e diz que "a partir de amanhã..." já caiu um descrédito. Se uma coisa está errada, ou poderia ser melhor, é prá já. Para amanhã?

- Amanhã paro de fumar...

- Amanhã paro de beber...

- Amanhã começo uma dieta...

- Amanhã conserto isto...

O Brasil é o país do amanhã, dizem. Justamente por causa disto. E nossa cultura individual é semelhante. Enquanto não... Só se... Se não...

São muitas as desculpas. Para muitas decisões. E são poucas as ações.

Fernando Sabino (acho que era dele) tinha uma crônica em que uma pessoa disse que pararia de fumar. Aos poucos, foi restringindo a promessa. Era somente no país, depois no estado, na cidade, em casa, aí danou-se. Abandonou a desculpe, e foi fumar feliz.

Por isto, fora os sites humorísticos, acho uma tremenda balela essa coisa de resoluções. Stephen Covey (Os sete hábitos de pessoas muito eficientes) escreveu sobre as promessas que fazemos, e destacou aquelas que fazemos para nós mesmos. Daquele tipo da dieta (amanhã começo uma dieta...). E destacou que o índice de abandono é assustador. E pergunta: se a pessoa não consegue manter uma promessa feita para si mesmo, para que é que poderá?

Neste ponto, somente neste ponto, concordo com a publicação da resolução. A força de vontade é mais ou menos como a moral alheia. É mais forte quando alguém está olhando!

Mas mantenho a decisão: parei de chutar televisores!

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