terça-feira, 30 de dezembro de 2008

2009

No limiar de 2009, uma crise financeira bate às portas. Mas, ora essa é fácil. A pior é aquela guerra tão esquecida, que há quarenta anos não nos incomoda, mas assusta, e que agora mostra suas bombas. Distante de nós, parece até coisa de ficção, como foram aquelas bombas da primeira guerra do Iraque, comandadas pelo joystick.

O ser humano nunca o será na plenitude enquanto alguns ainda estiverem sob o jugo de tiranos, déspotas, demagogos e outras espécies menos desejadas. Enquanto ainda estivermos um pedaço de mundo sob guerra, a guerra deveria ser contra a guerra em si.

A guerra é a negação da evolução. A guerra é a presunção da bestialidade, e sua manifestação mesma. As agressões, de ambos os lados, precisam parar. Precisávamos, nós que assistimos, calados e confessadamente impotentes, fazer algo. Que fosse o gesto singela da história piegas do beija-flor tentando apagar o incêndio. Mas precisamos fazer alguma coisa.

O quê?

Parece que celebrar 2009  e ignorar a tragédia distante ainda é o melhor caminho. Não, o melhor, não. Talvez o mais cômodo, talvez o mais acessível. Mas nunca o melhor.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Endereço errado

Todos têm o direito de sonhar; e, cada um, o direito de ser o dono se seu sonho…

Fernando Sabino

Ainda de madrugada, acordei, depois de um sonho cheio de pessoas que não conheço, em lugares que não conheço, fazendo coisas que não têm sentido algum para mim. Imediatamente lembrei de Fernando Sabino, mas para imaginar que o sonho que tive era de outrem, e estava extraviado…

Um ano depois…

Depois de um ano do ataque da TV, é preciso dizer que tudo está bem, não houve gangrena, voltei a correr, e as unhas voltram a crescer. Uma delas não a ponto de receber corte, mas cresceu. Apesar do seu aspecto, digamos, macambúzio, o dedo está refeito.

A TV (que não quebrou, a daninha) foi exilada num apartamento de uma praia qualquer, debaixo de cobertores para evitar corrosões.

Que aniversário feliz!!!

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

São Pedro e planejamento estatégico

Eu tinha um texto pronto para publicar quando São Pedro errasse a mão e mandasse mais chuva que o necessário, falando de planejamento estratégico, gestão, governança. Mas a tragédia de Santa Catarina me calou, não é assunto para brincadeiras. Mas é preciso dizer algo. Se São Pedro não pode regular as chuvas, precisaríamos ter medidas para que as conseqüências não fossem tão nefastas.

Construir casas em encontas parece ser um atalho à tragédia, como andam insinuando algumas reportagens. Mas parece-me que as pessoas não o fazem por gostar do perigo, senão por necessidade pura. Maslow nos ensina que precisamos satisfazer as necessidades básicas, e este ditado parece explicar o problema:

- Qualquer porto, numa tempestade!

Se a família não tem outra condição, vai para onde? Exatamente, para a encosta. Que pode culpálos pela escolha (ou pela falta dela)?

O problema, sem qualquer oportunismo de crítica, é mais, muito mais social que podemos pensar. Nossas políticas públicas, infelizmente, não se ocupam disso.

Enfim, São Pedro é inatingível. Mas nossos governantes não. Espero que um dia se ocupem disto.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Comerciais de Natal

Em adição aos comerciais que publiquei, outro vídeo interessante, com uma seleção de comerciais de natal. Tem pouco mais de nove minutos, mas vale a pena ver. A seleção é do programa Reclame, da MultiShow

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terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Quero ver você não chorar

Publiquei aqui uma música que é quase obrigatória nesta época do ano. Aí vai outra.
É do Banco Nacional, e se tornou um clássico, uma das músicas mais tocadas e contagiantes da história da propaganda brasileira. E, todo ano, parece que não é nata se ela não tocar (antes ou depois da Simone).

 

 


 

Ah, achei legal manter a mensagem do Bosco, que editou o vídeo e adicionou informações sobre autoria da propaganda.


Update em 17/12
Notei que as pessoas querem a letra da música. O autor é Edson Borges, o "Passarinho". O nome da Música é "O Natal Existe". A letra abaixo foi retirada do site Vagalume.

Quero ver
você não chorar
não olhar pra trás
nem se arrepender do que faz...

Quero ver
o amor crescer vencer
mas se a dor nascer
você resistir e sorrir...

Se você
pode ser assim
tão enorme assim
eu vou crer...

Que o Natal existe
que ninguém é triste
e no mundo há sempre amor...

Bom Natal um Feliz Natal
muito Amor e Paz pra Você...

pra VOCÊ.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

A verdade de cada um

Quando meu avô paterno faleceu, meu pai veio de Blumenau para o funeral. E, daqui, teríamos de viajar mais trezentos quilômetros até o local do enterro.

Atrasamos, claro, e quando lá chegamos o caixão já tinha sido “baixado”. longe da era dos celulares, sem possibilidade de comunicação, os parentes não tinham como saber onte estávamos, eu e meu pai, e um tio decidiu que não podiam esperar. Fiquei muito chateado com esse tio, embora tenhamos tido oportunidade de despedida, pois o caixão foi retirado e aberto.

Achei que faltou sensibilidade ao tio. E fiquei alimentando essa mágoa.

Alguns anos depois, minha mãe me fez ver que eu fizera o mesmo, quando o pai dela faleceu (dois anos após). Um tio que vinha de outra cidade, atrasou-se muito, e eu decidi que tínhamos de prosseguir com o enterro. Nesta caso, não houve possibilidade dele se despedir.

O caso é que eu me posicionei de uma forma no primeiro caso e de outra, no segundo. Quando percebi isto, parecia um daqueles momentos em que nos encontramos com nosso eu, verdadeiramente. Percebi a armadilha psicológica que montamos para justificar nossas ações e ressentimentos. E, a partir dessa percepção, comprometi-me comigo mesmo a praticar mais a empatia: colocar-me no lugar da outra pessoa antes de julgar. No caso, condenar.

Mas a epifania me desnudou uma verdade doída, pois eu pensava que já praticava suficientemente a empatia (chamada de reversibilidade). Não, não praticava como deveria. Era nada mais que arrogância, transformada em verdade por mais e mais arrogância.

Uma vez que tive de me enfrentar (nunca tive um adversário tão chato), compreendi que o que professamos não é exatamento o que praticamos. E não tenho (no meu caso, divorciado há treze anos) quem me alerte para esse tipo de comportamento disfuncional.

Quando eu era tecnocrata, tive dois amigos com quem praticava a provocação dessa auto-observação: Cristina e Carlos Renato. Dois grande amigos até hoje, mas que o tempo e a distância impedem de usufruir mais de sua sabedoria. Tínhamos uma certeza: nossas palavras eram sempre com a melhor das intenções e nunca tivemos problemas com isto.

Em família, ou com amigos próximos, nem sempre isto dá certo. A história às vezes contamina a mensagem, e o resultado  em sempre é bom. Mas a experiência é muito mais proveitosa que muitos daqueles conhecimentos que acabamos adquirindo na vida profissional. Por que aqui o dedicamos a aprimorar nossos relacionamentos.

Queria ter muitos amigos dispostos a perder minha amizade em prol de nosso crescimento. E é o caso daqueles dois. A quem procuro respeitar, praticando sempre aquilo que tornou nossa amizade tão especial.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Marcas do que se foi

Uma música, de uma época ainda romântica, e que pode receber o epíteto de “brega”. Mas que, sem dúvida, marcou época para muita gente e infelizmente foi sendo, aos poucos, substituída pelos “tchans” da vida.

Acredito que as mensagens que passamos têm o dom de contágio, imediato ou em conta-gotas. É uma espécie de programação neuro-lingüística natural. Assim, importante cuidarmos da mensagem que passamos.

O vídeo abaixo é uma dessas mensagens, e nunca será menos que atual.

sábado, 13 de dezembro de 2008

A violência gratuita

Faleceu o torcedor são-paulino agredido por um policial. As imagens foram gravadas pela Rede Record e chocam.

Torcidas têm comportamento multitudinal e extrapolam, na maior parte das vezes. A violência é quase natural, infelizmente, para muitas das manifestações, pela vitória ou pela derrota de seu time. Contra essa violência, a polícia deve agir. A pergunta é: combater a violência com violência (e imotivada, neste caso) surte efeito?

A polícia deveria garantir a paz. Se sua ação é a de agressão contra pessoas desarmadas, ela alimenta esse círculo de violência, tratando de tornar improvável a paz desejada. E, neste caso, o torcedor não faz nada (de acordo com as imagens) senão correr, atarantado, de um lado para outro. Foi agredido pelas costas. Morreu por estar ali e ter sido escolhido como exemplo por um policial.

Que lição nos traz essa história? Gostaria de enumerar muitas lições. Não há como. Não há sentido na morte desnecessária. Quem nos protegerá daqueles que precisam nos proteger?

 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Santa Catarina e a vocação brasileira

O desastre já está demais. Milhares de pessoas sofrendo com a ação da natureza, sofrendo perdas pesadas, materiais e pessoais. Perdas irreparáveis.

A população brasileira mostra sua solidariedade, e envia auxílio ao povo catarinense. Como leniente, basta. Mas e o futuro?

Não há, em nossa experiência no Brasil, acontecimento que nos permita concluir que as coisas serão rapidamente recuperadas. E por “rapidamente” quero dizer que seja no tempo necessário, que será longo. A vocação brasileira é de demorar mais que o necessário e admissível para resolver os problemas. O PAC é um excelente exemplo disso. Mais? o Fome Zero, que prometia acabar com uma das maiores ameaças ao ser humano, satisfazendo uma de suas necessidades mais básicas. O Fome Zero perdeu-se em falatórios, em retórica, em bravatas. Nosso presidente, por suas declarações, já mostrou ser adepto das bravatas. Que elas não se apresentem justo agora, num momento de tragédia nacional.

Nos momentos de maior necessidade (e comoção), temos visto nossas autoridades com muito discurso e pouca (quando existe) ação. Nas tragédias dos vôos Gol 1907 e TAM 3054. o bater de cabeças foi constrangedor e irritante. O maior gesto do governo foi o top-top dos assessores, torcendo muito e agindo nada. Se Macunaíma pudesse se manifestar, acho que parafrasearia a si mesmo: “muito discurso e pouca ação, os males do Brasil são!”

Ah, mas a Petrobrás já recebeu seus bilhões de reais, o presidente já voa num jato novinho, a Oi-Telemar já pode comprar a BrT. O Banco do Brasil já adquiriu a NossaCaixa, os esforços para a Olimpíada no Brasil continuam em marcha acelerada. Afinal de contas, prioridade é para isso, não é mesmo?

O vídeo abaixo é dos que se multiplicam pela web, e mostra uma estrada sendo destruída pelas águas. Não impressiona tanto quanto a queda de uma casa, mas dá para ter uma idéia da força com que age (achei no blog Procurando Vagas, que é uma de minhas paradas diárias).

 

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O tribunal sob suspeita

É comum ouvirmos alguém dizendo que “entrar na justiça” contra alguém. Suprema instância, a justiça é quem vai resolver todos nossos problemas, é o Chapolin Colorado de nossa vida mundana.

Um momento! Em primeiro lugar, acionamos o poder judiciário, que vai julgar o caso. Se haverá de ser feita justiça, bem, aí é outra história. os problemas são vários: falta de provas, ou as que existem depõem contra nós. Casos de contratos mal-feitos (ou bem feitos, pela outra parte). Aqueles que assinam sem ler ou sem entender vêem a lei ser aplicada, mas, justiça que é bom, neca.

Mas depositamos uma fé incondicional no poder judiciário. Ele é justo, parece dizer a lógica pleonástica. Quando não nos acertamos com nosso vizinho, com aquele que bateu em nosso carro, com aquele que comprou e não pagou, não adianta apelar para o bom senso. É o judiciário, certo?

No Espírito Santo, a lei é a mesma para todos. Mas a decisão que tomam seus desembargadores está sob suspeita. levantada pela própria polícia federal (nunca antes neste país se viu a policia federal tão ativa em favor da lei). A denúncia é que há um balcão de venda de sentenças. E envolve muita gente.Tudo indica que seja um balcão de atacado, não de varejo. Ou seja, são causas de valores expressivos, não aquelas que nos envolvem, simples mortais. Mas, se há para tais, por que não haverá para outras?

imageA pergunta é retórica e expressa somente uma preocupação. Embora não haja evidências, a credibilidade está se esfarelando. Aquele bastião da moralidade, desnudo, mostra-se, como no Patropi das saúvas, uma grande pizzaria. Para quem pode pagar, claro.

Se a moral contém justiça (não o inverso), falta moral, faltam valores àqueles em quem depositamos nossa fé incondicional. Ou seja, falta conjugar aqueles valores básicos que deveriam fazer com que as ações fossem pautadas no que é certo, não nas vantagens pessoais que nos traz. Vida pública, deveria ser isso, não?

A cada escândalo, esvai-se nossa confiança naqueles que deveriam ser por nós. Onde fica a esperança?

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Declaração Universal dos Direitos Humanos

Há sessenta anos, foi publicada a Declaração Universal de Direitos Humanos. O lado bom,temos nossos objetivos. O lado ruim: após sessenta anos, o quão longe estamos de atingir o mínimo de dignidade.

 

DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS
Adotada e proclamada pela resolução 217 A (III)
da  Assembléia Geral das Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948

Preâmbulo

        Considerando que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da família humana e de seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo,   
        Considerando que o desprezo e o desrespeito pelos direitos humanos resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade foi proclamado como a mais alta aspiração do homem comum,   
        Considerando essencial que os direitos humanos sejam protegidos pelo Estado de Direito, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra tirania e a opressão,   
        Considerando essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações,   
        Considerando que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e no valor da pessoa humana e na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla,   
        Considerando que os Estados-Membros se comprometeram a desenvolver, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos humanos e liberdades fundamentais e a observância desses direitos e liberdades,   
        Considerando que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mis alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,   

A Assembléia  Geral proclama 

        A presente Declaração Universal dos Diretos Humanos como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados-Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.   

Artigo I

        Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão  e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.   

Artigo II

        Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua,  religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.

Artigo III

        Toda pessoa tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal.

Artigo IV

        Ninguém será mantido em escravidão ou servidão, a escravidão e o tráfico de escravos serão proibidos em todas as suas formas.   

Artigo V

        Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.

Artigo VI

        Toda pessoa tem o direito de ser, em todos os lugares, reconhecida como pessoa perante a lei.   

Artigo  VII

        Todos são iguais perante a lei e têm direito, sem qualquer distinção, a igual proteção da lei. Todos têm direito a igual proteção contra qualquer discriminação que viole a presente Declaração e contra qualquer incitamento a tal discriminação.   

Artigo VIII

        Toda pessoa tem direito a receber dos tributos nacionais competentes remédio efetivo para os atos que violem  os direitos fundamentais que lhe sejam reconhecidos pela constituição ou pela lei.   

Artigo IX

        Ninguém será arbitrariamente preso, detido ou exilado.   

Artigo X

        Toda pessoa tem direito, em plena igualdade, a uma audiência justa e pública por parte de um tribunal independente e imparcial, para decidir de seus direitos e deveres ou do fundamento de qualquer acusação criminal contra ele.   

Artigo XI

        1. Toda pessoa acusada de um ato delituoso tem o direito de ser presumida inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa.   
        2. Ninguém poderá ser culpado por qualquer ação ou omissão que, no momento, não constituíam delito perante o direito nacional ou internacional. Tampouco será imposta pena mais forte do que aquela que, no momento da prática, era aplicável ao ato delituoso.

Artigo XII

        Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

Artigo XIII

        1. Toda pessoa tem direito à liberdade de locomoção e residência dentro das fronteiras de cada Estado.   
        2. Toda pessoa tem o direito de deixar qualquer país, inclusive o próprio, e a este regressar.

Artigo XIV

        1.Toda pessoa, vítima de perseguição, tem o direito de procurar e de gozar asilo em outros países.   
        2. Este direito não pode ser invocado em caso de perseguição legitimamente motivada por crimes de direito comum ou por atos contrários aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XV

        1. Toda pessoa tem direito a uma nacionalidade.   
        2. Ninguém será arbitrariamente privado de sua nacionalidade, nem do direito de mudar de nacionalidade.

Artigo XVI

        1. Os homens e mulheres de maior idade, sem qualquer restrição de raça, nacionalidade ou religião, têm o direito de contrair matrimônio e fundar uma família. Gozam de iguais direitos em relação ao casamento, sua duração e sua dissolução.   
        2. O casamento não será válido senão com o livre e pleno consentimento dos nubentes.

Artigo XVII

        1. Toda pessoa tem direito à propriedade, só ou em sociedade com outros.   
        2.Ninguém será arbitrariamente privado de sua propriedade.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XIX

        Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.

Artigo XX

        1. Toda pessoa tem direito à  liberdade de reunião e associação pacíficas.   
        2. Ninguém pode ser obrigado a fazer parte de uma associação.

Artigo XXI

        1. Toda pessoa tem o direito de tomar parte no governo de sue país, diretamente ou por intermédio de representantes livremente escolhidos.   
        2. Toda pessoa tem igual direito de acesso ao serviço público do seu país.   
        3. A vontade do povo será a base  da autoridade do governo; esta vontade será expressa em eleições periódicas e legítimas, por sufrágio universal, por voto secreto ou processo  equivalente que assegure a liberdade de voto.

Artigo XXII

        Toda pessoa, como membro da sociedade, tem direito à segurança social e à realização, pelo esforço nacional, pela cooperação internacional e de acordo com a organização e recursos de cada Estado, dos direitos econômicos, sociais e culturais indispensáveis à sua dignidade e ao livre desenvolvimento da sua personalidade.

Artigo XXIII

        1.Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre escolha de emprego, a condições justas e favoráveis de trabalho e à proteção contra o desemprego.   
        2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a igual remuneração por igual trabalho.   
        3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remuneração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim como à sua família, uma existência compatível com a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se necessário, outros meios de proteção social.   
        4. Toda pessoa tem direito a organizar sindicatos e neles ingressar para proteção de seus interesses.

Artigo XXIV

        Toda pessoa tem direito a repouso e lazer, inclusive a limitação razoável das horas de trabalho e férias periódicas remuneradas.

Artigo XXV

        1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família saúde e bem estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e direito à segurança em caso de desemprego, doença, invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda dos meios de subsistência fora de seu controle.   
        2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados e assistência especiais. Todas as crianças nascidas dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma proteção social.

Artigo XXVI

        1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será gratuita, pelo menos nos graus elementares e fundamentais. A instrução elementar será obrigatória. A instrução técnico-profissional será acessível a todos, bem como a instrução superior, esta baseada no mérito.   
        2. A instrução será orientada no sentido do pleno desenvolvimento da personalidade humana e do fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais. A instrução promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e coadjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da manutenção da paz.   
        3. Os pais têm prioridade de direito n escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Artigo XXVII

        1. Toda pessoa tem o direito de participar livremente da vida cultural da comunidade, de fruir as artes e de participar do processo científico e de seus benefícios.   
        2. Toda pessoa tem direito à proteção dos interesses morais e materiais decorrentes de qualquer produção científica, literária ou artística da qual seja autor.

Artigo XVIII

        Toda pessoa tem direito a uma ordem social e internacional em que os direitos e  liberdades estabelecidos na presente Declaração possam ser plenamente realizados.

Artigo XXIV

        1. Toda pessoa tem deveres para com a comunidade, em que o livre e pleno desenvolvimento de sua personalidade é possível.   
        2. No exercício de seus direitos e liberdades, toda pessoa estará sujeita apenas às limitações determinadas pela lei, exclusivamente com o fim de assegurar o devido reconhecimento e respeito dos direitos e liberdades de outrem e de satisfazer às justas exigências da moral, da ordem pública e do bem-estar de uma sociedade democrática.   
        3. Esses direitos e liberdades não podem, em hipótese alguma, ser exercidos contrariamente aos propósitos e princípios das Nações Unidas.

Artigo XXX

        Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada como o reconhecimento a qualquer Estado, grupo ou pessoa, do direito de exercer qualquer atividade ou praticar qualquer ato destinado à destruição  de quaisquer dos direitos e liberdades aqui estabelecidos.

O texto foi retirado daqui.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

O bode brasileiro

As coisas no Brasil parecem andar contra a lógica. Quando aconteceu o desastre do vôo 3054 da TAM, foi uma unanimidade que Congonhas estava operando acima do limite. Era impossível andar pelos saguões, os vôos atrasavam, reclamações e tumultos.

Após o acidente, medidas foram tomadas: vôos foram transferidos de aeroportos, horários foram reajustados. E Congonhas parecia avenida em dia de feriado. Vazio, o aeroporto passava uma idéia de bonança…

Atualmente, o caos começa pelo estacionamento. Já cedo, com poucas vagas (ou nenhuma). A não, claro, que você queira utilizar o serviço VIO de valet. Estranhamento, há vagas.

Nos saguões, a volta do movimento. Filas e mais filas. Os vôos que foram transferidos estão voltando, devagar e sempre.

Ninguém é sedentário, se voar a partir de Congonhas.

- Atenção passageiros do vôo XXXX. Anunciamos que a aeronave que fará esse vôo já se encontra em solo, e que seu embarque, quando autorizado, será efetuado pelo portão de número YY.

Nem é preciso dizer que o portão muda, a toda hora. O movimento é o de um filme de pastelão. Todos indo para a direita. Depois, todos voltando para a esquerda. Todos já acostumados com esse vai-e-vem das aeronaves…

O bode estava na sala, e o brasileiro percebeu somente quando o TAM estatelou-se na avenida. Como se fosse uma piada pronta, mas ao contrário, ele foi retirado para que as pessoas parassem de reclamar, mas está sendo recolocado lá. E ninguém percebe o bode. Só se perceberá que ele está lá, de camarote, quando o próximo acidente chamar a atenção para ele.

E nós, passageiros, compramos as passagens e a verdade. O avião ainda está pousando quando vejo pessoas ligando de seus celulares. O avião ainda está taxiando quando os passageiros começam a levantar-se para pegar suas malas, para agilizar a saída. E as malas, quem é obedece aos limites de bagagens de mão?

Nisso tudo, só uma coisa mudou: a VariGol abriu milhagens. E mudou o serviço de bordo, e a vítima foi a Maxi Goiabinha. Mas quem se  importa?

domingo, 30 de novembro de 2008

Círculo das preocupações

No post sobre a violência contra as mulheres, reproduzi o testemunho de uma amiga que viu o ocorrido. Indignada, além do relato, promete ela outras medidas.

O caso é: o que fazer? Quais medidas seriam efetivas para que o problema seja eliminado?

Stephen Covey, na imagem abaixo, nos mostra o que odemos fazer de fato e o que, apesar de constar em nosso rol de preocupações, está fora do nosso alcance imediato.Círculo Covey

Mas ensina que, se não está podemos trabalhar para que fique ao alcance de nossa ação.

Alguns exemplos são simplórios. É o caso de nossa ação em relação a um superior, a quem conquistamos pela presteza e assertividade de nossas ações, o que o torna interessado em nosso modo de ser. Já um caso em envolve cultura e sociedade, como o das agressões a mulheres, o caminho é muito mais longo.

O caminho é o da conscientização, seja o lá o que isto quer dizer. (Sempre que precisaríamos de alguma inteligência no ato, dizemos que falta conscientização. Isto é de um reducionismo ignorante).

Como fazer com que o animal macho perceba que sua ação de agredir é errada? Será que realmente é preciso? A inteligência que lhe proporciona o dom da fala não deveria suprir essa falta? Ou seja, não é óbvio que a violência é errada?

Sempre que vejo um pai ensinando o filhinho ainda pequeno a fazer gracejos para as mulheres penso que nossa inteligência superior é bem estúpida. E, quando a criança repete o que lhe manda dizer o pai, todos acham muita graça, riem muito, e passam a mensagem ao garoto de que ele está agradando. Idem para aquelas brincadeiras de palavrão. É engraçado ver a criança falando palavras chulas que ele nem tem condições de entender? É engraçado ver crianças dizendo obscenidades que só muito tempo depois ele compreenderá?

Qual é o papel da mãe nisso? Acha engraçado? Ri junto? Faz vista grossa?

O comportamento é socialmente aceito. O pai espera que o filho nseja macho, que seja mulherego, que diga palavrões. E os palavrões são, na maioria das vezes, aplicados em situações em que há irritação, aborrecimento. Ou seja, é a manifestação verbal da discordância. A própria violência verbal.

Criamos nossos monstros. Ensinamos, ou deixamos ensinar, o que é a raiz de nossos problemas. Ninguém se preocupa com a mensagem, só com o conteúdo. Quando, entretanto, crianças são jogadas das janelas, esquartejadas, assassinadas sem piedade, por adultos mal-formados, ou seja, manifestando ainda aquelas crianças que, na birra, extrapolam, todos nos assustamos. Assustamos-nos com o fruto do que plantamos. E regamos ao longo da vida.

Se queremos aumentar nossos círculo de influência nessa área, como professa Covey, temos de começar a plantar as sementes certas. Não espermos muito do “pau que nasce torto”. Tratemos, pois de consertar o futuro.

sábado, 29 de novembro de 2008

Violência contra a mulher: covardia imperdoável

Eu sou contra a violência verbal, aquela contida nos nossos processos de comunicação inadequados, em que gritos e ofensas tentam impor alguma coisa. Nem é preciso dizer que considero a violência física um ato de extrema irracionalidade, para dizer o minimo, e a negativa da evolução humana e da tão propagandeada inteligência que deríamos ter.

Em 2006 o presidente Lula sancionou a lei 11.340, conhecida como Lei Maria da Penha, e que alterou o código penal para tornar mais severa a punição do homem que agride a mulher.

A referida lei tem esse nome em decorrência do caso de maria da Penha Maia Fernandes, vítima de agressões e tentativas de assassinato perpetradas por seu marido. Como conseqüência, ficou tetraplégica, depois de receber ataques com arma de fogo, tentativa de afogamento e eletrocução.

O julgamento levou quase vinte anos, e o marido/verdugo ficou apenas dois anos preso em regime fechado.

Muitas vezes, a mulher não registra ocorrência policial. Em parte das vezes, o medo de relatiação a impede de procurar ajuda. Noutras vezes, a esperança de que tenha sido a última vez. É conhecida, pelo caso de Patrícia Hearst, a Síndrome de Estocolmo, em que a vítima nutre sentimentos pelos seus algozes (como no casos de seqüestros), e se apaixona por ele (ou o perdoa). Mesmo aqui, psicológos defendem o medo como motivador, pois dirige a ação no sentido de auto-preservação.

Uma amiga alterou seu perfil do orkut para contar a história abaixo:

Como ajudar uma mulher vítima de violência ?
Presenciei no início desta madrugada uma mulher sendo espancada pelo marido e violentada em seguida, chamei a polícia e nada, os outros moradores do prédio fizeram o mesmo, e nenhuma patrulha apareceu. Os gritos da mulher podiam ser ouvidos de longe e a seqüência de maus tratos durou mais de 3 horas.
E a polícia mantém seu comodismo, afinal, se morrer, é menos uma... Então aparecem na TV como heróis da fatalidade!
Porteiros por sua vez, não podem fazer nada: É problema interno... Nem o síndico pode se meter...
É problema interno, até acontecer com alguém da sua família! Todos os moradores circunvizinhos ouviram, era o show dos horrores de camarote em suas janelas. A polícia informou que recebeu 19 chamados para atender o caso, que por sua vez, não foi atendido. Então me pergunto: Seria policial o agressor e por isso seus comparsas não apareceram com suas decadentes fardas? Especulações a parte, o fato é que houve negligencia e a mulher esta lá com seus ferimentos no corpo e na alma, vítima da impunidade e do medo.
Não acredito que nada possa ser feito!

Vejamos: foram 19 chamados para atender ao caso, e a polícia não apareceu.

Foram 3 horas de violência, o que garantiria uma atendimento da polícia, por mais lerda que fosse. Ao mesmo tempo, imagine 3 horas de tortura e violência.

A mulher vai prestar queixa? Não sei. Temo que não. Em casos assim, por medo ou amor distorcido, essas mulheres procuram em seu comportamento motivos para fundamentar a agressão que sofreram. Infelizmente, assumem a culpa da covardia do animal que se diz macho. Não nos enganemos, ninguém tem culpa pela ignorância alheia.

A polícia é co-autora. Se dezenove chamados não a convenceu de que havia um crime em andamento, o que poderia convencê-los? Se, avisados, não compareceram, permitiram a seqüência da barbárie. E a indefesa mulher indefesa continuou.

Vizinhos? Não recomendo que se metam, a não ser por acionar as autoridades. Já há casos suficientes de defensores agredidos por, pasme, marido e mulher nesses casos. Mas se acionar a autoridade não produz resultados, o que fazer? Não sei.

Sei que a violência é a manifestação da falta de inteligência para argumentar. E falta de inteligência para reconhecer a razão alheia. E falta de inteligência (por paradoxal que seja) para perceber que animais irracionais é que se valem da força bruta. Nós, seres pretensamente evoluídos, valemos-nos é da força retórica, dos ataques verbais, dos requintes da tortura psicológica, que eu já acho de ignorância mostruosa.

Infelizmente, a barbárie continua. E continuará. Até que a polícia aja, e a lei possa ser aplicada. Mas, santa utopia, continuará até que o ser humano se livre desses impulsos bestiais que os levam a ser predador de si mesmos. E, nessa predação, deixem os indefesos e fracos como vítimas.

Estudo sobre acidentes de motos

Na Folha On Line, em 29/11, uma matéria sobre acidentes com motos. Feito pela Associação Brasileira de Medicina do Tráfego, indica que há 25 acidentes com motos pode dia na cidade de São Paulo, no Fórum Desafio em Duas Rodas - Convivência entre Automóveis e Motos nas Grandes Cidades.

Segundo esse estudo, as causas dos acidentes são:

image

Mais:

Sobre a região do corpo agerada:

  • 95% dos acidentados têm o cérebro atingido;
  • 73% têm os membros atingidos.

Hospitais:

  • 65% das Unidades de Tratamento Intensivo são ocupadas por acidentadas no trânsito;
  • 73% daqueles acidentados envolvem motociclistas.

Tipo de motociclista, para cada cinco mortes:

  • quatro envolvem motociclistas usam a moto para ir ao trabalho ou se divertir;
  • uma envolve motoboy.

Já relatei por este blog acidentes que presenciei. E já expus minha posição. Entre carros parados, as motos  trafegam em altas velocidades. Se há um movimento de um carro que afete uma moto, esta tem um tempo curtíssimo para reagir. E oss movimentros dos carros são inevitáveis.

Sobre esses movimentos, ainda, há a reação, sempre violentas, dos motociclistas que se sentem afetados. Mas eles surgemdo nada, muitas vezes de outras faixas de direção, e não dão muito tempo para vê-los, que dirá evitar as manobras.

Já presenciei, inclusive, acidentes entre motos. Uma atrapalhando a outra, da mesma forma que reclamam que fazem os carros. A imprevisibilidade dos movimentos acaba potencializando a quantidade de acidentes ocorridos. E já vi, também, motos fora da “faixa de rolagem” das motos, aguardando uma brecha para entrar. É tão sensível essa relação que mesmo entre eles há problemas.

Os dados sobre hospitais são preocupantes. Quer dizer que o dinheiro dos hospitais, já tão escasso, destina-se a vítimas de acidentes evitáveis. E, se evitáveis, o dinheiro é desperdiçado, além das conseqüências pessoais aos motociclistas.

Relembro que houve um item da lei barrado por Fernando Henrique Cardoso, justamente a que disciplinava a forma de condução das motos entre os carros. A alegação era a de que perderiam as motos a agilidade que se espera. Agilidade e acidentes/mortes, eis a decisão tomada. Já sabemos quem domina essa relação.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Pro Teste e PROCON

Contei aqui o caso que achei um abuso num hotel. Nem sempre, entretanto, saímos ganhando essas batalhas em que somos o punho, e as empresas são a ponta de uma grande faca.

Em outro hotel, uma exigência: uma pré-autorização no cartão de crédito, com o valor das diárias programadas. Ao sair, mesmo que pagando com o mesmo cartão de crédito, cancela-se a pré-autorização para aprovar o valor total de novo. Várias pessoas reclamando, e a explicação padrão: - É assim que trabalhamos.

- Ok, pelo menos me dê o comprovante do cancelamento da pré-autorização.

- Impossível, nossos sistema não está preparado para isso.

- E como tenho certeza de que foi cancelado?

- Nós nunca tivemos problemas com isso.

Parecia um falando grego, o outro japonês.

O resultado é o seguinte: não vamos mais àqueles hotéis. É pouco? Sim, acho que sim. Mas é necessário.

Por outro lado, há associações que se preocupam com esse tipo de ação e cutucam, sempre com grande poder de persuasão, aqueles que desrespeitam o consumidor. O PROCON é um exemplo já incorporado. Mas a Associação Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor - http://www.proteste.org.br) merece destaque. Preste atenção: sempre que há recall, aumentos de planos de saúde, alterações legislativas, eles são ouvidos. Ou se fazem ouvir. E os resultados dessa associação, séria, aos poucos se impõem como incontestes.

Não terceirizemos a reinvindicação dos nossos direitos. Mas contemos com gente séria a nos auxiliar. Vai pôr a boca no trombone? Chame ajuda.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Dura lex, sed latex

Pros pobres, é dura lex, sed lex: a lei é dura, mas é lei. Pros ricos, dura lex, sed latex: a lei é dura, mas estica.

Fernando Sabino

 

No meio dessa confusão econômica mundial, já li várias vezes nomes de grandes empresas: Citibank, General Motors, JP Morgan, e por aí vai. Em manchetes, todos recebendo ou pedindo dinheiro. Ao/do governo, claro. Ainda não vi, uma vez sequer, Joe, o Encanador, nas manchetes (Joe foi o personagem utilizado pelo candidato derrotado McCain para personificar o americano). Pois bem, ele existe, e aos milhões.

Enquanto essas empresas socorridas pelo governo recebem seus bilhões de dólares que fariam corar nosso PROER, seus dirigentes continuam intocados, com seus milhões de dólares de bônus recebidos pelos serviços prestados. Intocados pois ainda andam em seus helicópteros ou jatinhos, e suas Mercedes descansam em paz nas garagens das mansões. Mas os joes americanos (e outros pelo mundo, inclusive no Brasil) não têm a mesma sorte: sua casa foi tomada (motivo da crise: financiamentos hipotecários. as pessoas físicas perderam suas residências, as pessoas jurídicas receberam dinheiro do governo). Ao mesmo tempo, enquanto a crise se alastra e atinge a produção de automóveis, mais e mais pessoas físicas, atingidas pela mesmíssima crise, com dificuldades para pagar seus financiamentos, receberam também dinheiro do governo para honrá-los. Espere aí… Não, não receberam. Continuaram quebrados, e estão tendo seus carros arrestados. Obama está protelando o auxílio às montadoras, mas ele virá. Já aos donos dos carros…

No Brasil, tente abrir ou fechar uma empresa. Os regulamentos são muitos, e rigorosos: não há exceções. Exceto…

Antes: você já teve problemas com a Receita Federal? Ou com o IPTU? O presidente da república ou o prefeito de sua cidade receberam você em audiência para ouvir suas queixas? Ajudaram?

Felipão, o ex-técnico da seleção canarinho (nossa, que coisa velha!!!), foi visitar Lula. Cortesia? Não, problemas a Receita. Pediu uma ajudinha. Será que influenciado pelo exemplo que deu nosso governo, ao articular mudanças na lei para a operação Oi-Telemar-Brasil Telecom? Os mortais, ao abrirem aquela empresa lá de cima, são engessados pelas leis e regulamentos. Os mais-que-mortais recebem mudanças nas leis que os atrapalham… mas peça uma audiência para pedir ajuda…

No Brasil, pessoas já estão devolvendo automóveis financiados. A crise, aquela marolinha, já tem surfista se aproveitando dela. Mas como Joe, o encanador, não merece manchetes, não nos preocupemos com ele. Preocupemos-nos com os dirigentes/governantes que permitiram que essa crise se instalasse. Pobrezinhos, devem estar tão preocupados…

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Colhemos o que plantamos

Todos nós conhecemos aquelas pessoas “difíceis”. Eufemismo para “estouradas”. São pessoas que se dizem autênticas, que dizem que são francas, falando exatamente o que pensam. Mas, pensando ou não, conseguem ser, no mínimo, inconvenientes. No mais das vezes, agridem e ofendem seus interlocutores.

Os grossos que me perdoem, mas gentileza é fundamental.

A pergunta é: o que pretendem essas pessoas com esse comportamento?

Pode ser a reafirmação do que acreditam ser. Com palavras duras, destemperadas, mantêm comportamento que lhes acompanhou durante boa parte da vida. Não conseguem ver o reflexo de suas ações nas outras pessoas. Ou, vendo, não conseguem mudar. Ou, ainda, mesmo vendo, não vêem motivos para mudar.

Pode ser insensibilidade mesmo. As palavras fluem sem crítica, sem consideração pelo que representarão ao interlocutor. Ou sejam, falam sem pensar. Se ao falar não pensam, não têm mais motivos para pensar depois. De novo, não vêem motivos para mudanças.

E pode ser uma escolha. Pode ser somente a manifestação de um poder, seja de fato, que reflita um cargo ou uma posição social, ou a obtenção de poder, justamente pela ferinidade das palavras. Poder fugaz, obtido pela agressão verbal pura.

Ninguém precisa ser assim. E quando digo “precisa”, quero dizer “escolhe”. Algumas vezes, somos mesmo mais agressivos ai falar. Mas naquelas situações em que a porção animal vem à tona, é o nosso rosnar social. Mas ser assim todo o tempo, aquele animal feroz e indomável, já não é mais socialmente necessário.

A essas pessoas que se comportam como se as palavras fossem vãs, as conseqüências. São pessoas que são evitadas. Suas conversações não se mantêm, porque seus interlocutores temem a próxima explosão. São alijadas de processos mais delicados, onde a comunicação é ponto sensível. São rotuladas como difíceis, porque realmente são, e carregam esse estigma pela vida afora.

Veja: não custa nada ser amável, ser gentil. Não custa refrasearmos para não sermos duros. Não custa escolher as palavras, para não ter de rechaçar reações. Não custa ser civilizado, e ser civilizado é uma grande ajuda ao bom dia que sempre desejamos a todo mundo.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Vale a pena

Achei no Blogger'SPhera, reproduzo abaixo por valer a pena. Veja que a letra não é a original de Stand By Me (Ben E. King/Jerry Leiber/Mike Stoller).

sábado, 22 de novembro de 2008

O NossoBanco do Brasil

Olhando aqui de longe, de bem longe, estava imaginando o porquê do interesse do Banco do Brasil pela NossaCaixa. Não consegui, nesta minha ignorância, identificar um motivo sequer.

Até que o Molusco Lá explicou: o Banco do Brasil precisa ser o maior banco do Brasil. Ah, bom!

Mas… por quê, mesmo?

Aí o presidente do banco aprofundou a explicação: “não se consegue imaginar o Banco do Brasil, com esse nome, não estando no bloco da liderança. Ah, bom!

Mas, de novo… por quê, mesmo?

O custo da operação foi/será de R$ 5,386 bilhões de reais. Merece um destaque: BILHÕES.

Eu, mero mortal, preciso comparar esse valor com coisas que conheço. Vamos lá, o que é possível comprar com esse dinheiro?

  • 2.445.958.220 quilos de arroz (agulhinha tipo 1, a R$ 2,20 o quilo);
  • 2.895.698.925 litros de leite (Integral, a R$ 1,86 o litro);
  • 769.428.571,4 quilos de pão (francês, a R$ 7,00 o quilo);
  • 26.930 ambulâncias (ao custo aproximado de R$ 200.000,00, segundo dados do GDF);
  • 3.590.667 salários de policiais civis em início de carreira (assumindo-se como R$ 1.500 o valor individual, projetado daqui);
  • e por aí vai…

O ponto é: o Brasil vai muito bem, obrigado. Com índices de aprovação altíssimos, o Molusco Lá se despreocupa com o Brasl real (o de verdade, não o da moeda). nas escolas públicas, professores ora são agredidos, ora agridem; nos hospitais, o sucateamento é o padrão, e até que outra série de mortes aconteça, o fto está longe dos noticiários.

Mas a preocupação dos nossos mandatários é manter um banco federal como o maior do país. E, triste, sem conseguir explicar (e convencer) exatamente por quê.

Se me lembro bem, a movimentação pela privatização dos bancos estaduais tinha como bandeira a falta de gestão, bem como o apadrinhamento que era regra. E, se me lembro bem também, o Banco do Brasil já foi pilhado comprando muitos ingressos de um show que não interessa a ninguém. É preciso lembrar que há cargos e salários envolvidos, e que o dinheiro do governo federal é fruto do nosso trabalho.

Como vão ficar os indicados pelo governador no novo banco? Como vão ficar os indicados pelos partidos no NossoBanco? E a concorrência, como vai ficar? Alguém se lembra de Itaú e Bradesco em dificuldades por não serem o maior das américas? Alguém imagina que Itaú/unibanco, agora os maiores, vão ter taxas mais competitivas e melhor atendimento do que antes, somente pela mágica de ser o maior?

Infelizmente o que comove nosso presidente é um delírio. Deveria sofrer um choque de Buda, e ver nossos mortos, nossos idosos, e nossos doentes. Mas a origem (pobre do presidente) é delével, e o futuro é moldável (plante agora para colher depois).

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Escolha suas batalhas

A fez um comentário sobre o texto do Abuso ao Consumidor que me leva a complementá-lo.

A criação dos Juizado Especial Cível (antes chamado de pequenas causas) alavancou uma ação direta pelo que as pessoas consideram seus direitos. Um pouco antes, o Código de Defesa do Consumidor já estabelecera a inversão do ônus da prova em alguns casos, o que não foi pouco. Quer dizer que se você alegar um fato (crível, com um mínimo de verossimilhança), a empresa é que tem de provar que o fato não ocorreu. Vendo a justiça agir em seu favor, e, melhor, de forma rápida, os cidadãos se animaram e as ações nessa esfera têm crescido a cada ano.

Um pouco do ânimo com o PROCON diminuiu em função da procura, por paradoxal que seja. Em minha cidade, as filas são enormes, e somente quem realmente tem paciência é que enfrenta a briga por seus direitos. Ou seja, aumentou a procura, a celeridade que se verificou no início sofreu um revés.

As recentes decisões do governo (a lista de não inclusão em telemarketing, as regras para cancelamento de serviços e reclamações) mostram que há deputados preocupados com o assunto. E que, cada vez mais, poderemos contar com dispositivos que nos auxiliem em nossa inglória batalha por nossos direitos.

O que quero dizer é que, quando escolhemos uma batalha dessas, muitas vezes nossa avaliação recai sobre a possibilidade de ganhar de fato. E o tempo que se despenderá até que isso ocorra.

Sabemos todos que há abusos por parte das empresas. E sabemos que devemos reagir. Mas, continuo acreditando, nossa cultura nacional nos define nesse ponto. E, na medida em que reagimos, as gotas no oceano que somos, vamos chegar a um momento em que vamos, de forma concreta, influenciar essa cultura no sentido inverso.

A União não faz somente açúcar e álcool…

Ah, e o fato e exigirmos o que é nosso por direito não diminui, em nada, nadica, a essência de nosso caráter e personalidade. Ao contrário.

domingo, 16 de novembro de 2008

Abusos ao consumidor?

No check-in do hotel, um documento para preencher tratava do cofre interno do apartamento. Se eu quisesse utilizá-lo, tinha de pagar R$ 50,00 (cinqüenta reais). Caso contrário, tinha de assinar um termo isentando o hotel de qualquer problema que acontecesse com meus pertences.

Então: ou paga ou a responsabilidade é sua

Desta vez, não briguei. Mas vou apurar, e vou considerar a denúncia do hotel. Pois neste Brasil das saúvas, os abusos só se encerram quando lutamos.

Certa vez, num banco oficial, ao solicitar um serviço, o caixa do banco negou. Disse que só poderia prestá-lo aos clientes do banco. Solicitei ser atendido pelo gerente. Era uma mulher, que só me atendeu porque exigi. E explicou-me que, como exceção, prestar-me-ia o tal do serviço. Ao que respondi, de carteirada, que conhecia profundamente o Manual de Normas e Instruções do Banco Central (o que era verdade), e que não era favor, era dever. Ao que, contrangida, confessou que era o procecimento padrão para evitar o que chamavam de usuários…

Em outra ocasião, também em um banco, o guarda travou a porta giratória. E disse que precisaria revistar minha pasta. Eu disse que tudo bem, mas que ele chamasse a polícia – ou eu o faria – pois, se não tivesse nada, eu registraria uma ocorrência para processar a instituição.  gerente mandou autorizar minha entrada. (Nada contra a porta giratória com seus detetores de metal. Mas, repito: o guarda acionou o travamento, não foi detectado nenhum metal pelos sensores. Daí minha intransigência).

Enfim, este tipo de briga é inglória. Nunca a ganharemos, consumidores. Ao menos neste estado de mobilização que estamos. Veja que eu mesmo, indignado como estou, não reagi na hora. Acho que o histórico nos desanima. Nunca ganhamos…

Ânimo. Uma hora ganharemos…

sábado, 15 de novembro de 2008

Blog a la Carte e BloggerSPhera - II

Ainda estou impressionado com o problema do Blog a La Carte. O que leva uma pessoa a querer roubar uma blog? Ainda mais um blog com um sentido de ajuda e, mais, ajuda gratuita?

Quando eu era tecnocrata, “aprendi”, por força do ofício, vários tipos de fraude, inclusive virtuais, s quais combatíamos, claro. Como objetivo, havia sempre o vil metal: a apropriação de quantias de dinheiro. Objetivo claro, definido, embora ilegal.

No caso de um blog (ou uma página de internet), o que se pretende? Qual é o objetivo? Não consigo chegar a solução melhor que a comparação desse ato àqueles de vândalos que, sem ter  mais o que fazer, resovem depredar o bem alheio. Sem objetivo, senão extravasar a irracionalidade animal.

Dormíamos de janela aberta até que ladrões passaram a se valer disso. Como resposta, janelas trancadas. E, como o ser humano aprende, passo a tomar cuidado com também este bem intangível que é o blog. O exemplo da Rô infelizmente alertou. Há pessoas que podem fazer esse tipo de maldade. E passo a trancar a janela deste espaçozinho.

Que, a bem da verdade, não passa de um lugarzinho para minha bobagens pessoais. Mas o Blog a La Carte era diferente. Útil, com conteúdo, de ânimo para auxiliar.

Um crime.

Anote: http://bloggersphera.blogspot.com/, o BloggerSPhera. A vida continua, nasce um outro espaço. Útil, como sempre. Espero que não haja mais problemas. Infelizmente, esperar é tudo que nos resta.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Ilhado

No hotel, a conexão wi-fi está em “fase de ajustes”. Eufemismo para “não funciona nem com reza brava”…
Minha placa da Vivo não conecta. Insisto, pode ser só preguiça. Clico, ela diz que não dá. Clico, clico, clico… cansei.
No celular, a conexão não ajuda. As páginas não cabem na telinha…
Tecnologia é bom, mas cria uma dependência…

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Esfingenianas…

Música intrigante, de letra tão genérica que, ao não dizer nada, diz muito. Ahn? Não disse coisa com coisa? Ah, tudo bem. Uma amiga diz que sou mais misterioso que a esfinge…

 

Letra:

Overkill

Men At Work

I cant get to sleep
I think about the implications
Of diving in too deep
And possibly the complications
Especially at night
I worry over situations
I know will be alright
Perhaps its just imagination
Day after day it reappears
Night after night my heartbeat, shows the fear
Ghosts appear and fade away
Alone between the sheets
Only brings exasperation
Its time to walk the streets
Smell the desperation
At least theres pretty lights
And though theres little variation
It nullifies the night
From overkill
Day after day it reappears
Night after night my heartbeat, shows the fear
Ghosts appear and fade away
Come Back Another Day
I cant get to sleep
I think about the implications
Of diving in too deep
And possibly the complications
Especially at night
I worry over situations
I know will be alright
Its just overkill
Day after day it reappears
Night after night my heartbeat, shows the fear
Ghosts appear and fade away

Overkill (tradução)

Men At Work

Composição: Men At Work

Exagero
Não consigo pegar no sono
Eu penso nas implicações
de mergulhar tão fundo
E possivelmente as complicações
Especialmente à noite
Eu me preocupo com situações que
Eu sei que se resolverão
Talvez seja só minha imaginação
Dia após dia reaparece
Noite após noite a batida do meu coração demonstra o medo
Fantasmas aparecem e somem
Sozinho entre os lençóis
somente traz irritação
É hora de caminhar nas ruas
Sentir o cheiro do desespero
Pelo menos há luzes bonitas
E embora haja pouca variação
Ela livra a noite
do exagero
Dia após dia reaparece
Noite após noite a batida do meu coração demonstra o medo
Fantasmas aparecem e somem
Volte outro dia
Não consigo pegar no sono
Eu penso nas implicações
de mergulhar tão fundo
E possivelmente as complicações
Especialmente à noite
Eu me preocupo com situações que
Eu sei que se resolverão
É somente exagero
Dia após dia reaparece
Noite após noite a batida do meu coração demonstra o medo
Fantasmas aparecem e somem

As letras são do Letras de Músicas.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Motos, caminhões: perigo!

Numa viagem ao sul, deparei-me com mais de uma dezena de acidentes pela estrada. Mas havia um detalhe: todos, sem exceção, envolviam somente um veículo, que acontecia ser sempre um caminhão. Geralmente era uma saída da estrada que provocava o derrubamento da carga. Ou capotamento. Mas sempre um caminhão sozinho. Sozinho, claro, sem contarmos a clássica desculpa da “fechada”.

Ontem, pela Bandeirantes (considerada, não sei por quem, a melhor estrada do país), um caminhão pedia passagem insistentemente pela pista da direita, num ponto em que há quatro pistas. Ou seja, ele estava muito, muito rápido. Principalmente se considerarmos que a velocidade máxima ali é(ou deveria ser) de 90km/h para caminhões. E sem contar que isto aconteceu bem na frente do posto dos policiais rodoviários.

Por falar neles, parece que a era dos radares os livrou dessa tarefa incômoda de fiscalizar. SUVs, caminhões, carros de passeio já não parecem se importar com o posto de guarda. Mais intimidante é o radar. Assim, ninguém mais respeita senão o “multador” automático.

Na própria Bandeirantes, uma das vias mais monitoradas do Brasil (há câmeras em quase toda a extensão) ninguém parece preocupado com os abusos do volante: as imagens não são utilizadas para punir. Quando acontece um acidente de grandes proporções, a surpresa é geral. Mas não deveria ser.

Ontem, na cidade de São Paulo, uma SUV passou por cima de um motoqueiro, matando-o. O motorista da SUV diz que foi um acidente, e que não parou por medo dos outros motoqueiros. É verdade que motoqueiros xingam com veemência quem, a seu critério, lhes barra a passagem. E é verdade que, em acidentes, esses motoqueiros, unidos em multidão, intimidam e até mesmo agridem os motoristas envolvidos, independentemente de culpa. E é verdade também que alguns motoristas manobram sem a devida atenção a essa praga urbana causada pelo veto de Fernando Henrique Cardoso a um artigo de lei que ele sancionou. Além disso, alguns realmente não se incomodam, como eu mesmo presenciei várias vezes. Mas o resultado é cruel para o motociclista, Qualquer acidente é grave, no mínimo. Apesar disso, não é pequena a velocidade com trafegam a centímetros de outros veículos, muitas vezes entre dois caminhões. E, de sua rapidez no trânsito surge a grande armadilha: qualquer descuido é fatal.

Acreditei no que disse o motorista da SVU. E acreditei que o motoqueiro foi vítima. Mas o motoqueiro faleceu, não há lição nessa história, ao menos para ele.

No país do “dois pau prá eu” a educação de trânsito é um luxo. Um luxo que mata mais que muitas guerras. O custo de um motoqueiro por dia parece pequeno numa cidade de milhões de habitantes. As famílias, entretanto, contam seus membros individualmente. Qualquer um faz falta. Não importa de quem é a culpa.

Mas o pedágio está pago. E o IPVA também!

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Blog a la Carte e Blogger’SPhera

Para me auxiliar na formatação, resolução de problemas e embelezamento deste espaço, recorro a alguns blogs de especialistas no assunto. O que mais me ajudava era o Blog a La Carte, da Rô, sempre muito atenciosa, com auxílios prontos e precisos. Mas o blog foi “roubado”, e ela, sem conseguir recuperá-lo, teve de construir um novo.

Nesta blogosfera selvagem, ser bom é raridade. Ser ótimo, é para feras. Daí, passo a recorrer ao Blogger'SPhera, novo cantinho da Rô, que, tenho certeza, vai continuar nos auxiliando, pobres mortais tão necessitados de dicas e tutoriais.

Atualizei meus links. Se você é blogueiro(a), visite, vale a pena: http://bloggersphera.blogspot.com/.

 


Decisões a priori

Stephen Covey nos apresenta nos livro Os Sete Hábitos de Pessoas Altamente Eficazes a desconcertante noção de que entre uma ação e a reação que temo,s há um intervalo de tempo que, por menor que seja, nos permite escolher que reação será essa. Assim, a responsabilidade pela (re)ação é nossa, pois utilizamos (ou não) essa tempo para decidir como reagir. Ele menciona Viktor Frankel (criador da logoterapia) como sendo um exemplo (e sua obra confirmará) como é possível manter a disciplina mental mesmo sob as mais árduas condições.

Essa capacidade de escolher as decisões não é, entretanto, fácil de adquirir. Exige força de vontade e disciplina. Mas o progresso é concreto, e os resultados surgem.

Ao longo do tempo, quando nos preparamos para esse comportamento, algumas vezes, entretanto, nos percebemos engolfados pela reação intempestiva, no que Daniel  Goleman chamou, no excelente Inteligência Emocional, de seqüestro emocional.São aqueles situações em que o inusitado nos pasma a ponto de virarmos passageiros de nossas emoções.

Uma vivência que poucos registram é exatamente essa: as ocasiões em que perdemos o controle. Mas é particularmente útil termos ciência dessas situações, para que aconteça nosso preparo.

Aprendi, tardiamente, reconheço, a controlar minhas reações. Foi baseado nesse rol de situações (que eu observei em mim) que pude identificar o que me levava ao seqüestro citado por Goleman. Mas a verdadeira vivência é aquela em que, a priori, escolhemos nossas reações. Como naqueles mantras de algumas técnicas de relaxamento, ou aquelas abordagens de programação neurolingüística, é possível adotar uma linha de comportamento que abranja a todas as situações e evite, o máximo possível, o tal seqüestro.

Em situações mais drásticas, ainda é possível ir além. Por exemplo, numa época de crise no ambiente profissional, um pouco de reflexão leva a resultados excelentes na questão controle, e contamina positiva todo o ambiente. Basta que mentalizemos as situações-problema possíveis e escolhamos a reação para elas. Por exemplo, os resultados não foram os desejados, e vai acontecer uma reunião para analisar as causas. Espera-se, obviamente, uma grande carga emocional em reuniões desse tipo. Se nos preparamos para as situações de conflito com o propósito de não deixá-lo prosperar, o resultado é o mais produtivo possível. E, se antecipamos essas situações, outros subprodutos surgem: diagnóstico da situações, ações necessárias, mitigações, etc..

Mas o mais importante de tudo: acordamos e nos preparamos para que o dia bom. Tomamos a decisão de não permitir que qualquer acontecimento interfira nessa decisão. Escolhemos, como diz Covey, estar no comando de nossas vidas.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Obama e o racismo

Apesar de repudiar a idéia de que a eleição americana tenha cores (Obama foi eleito pelas suas qualidades, contra as deficiências dos americanos), o resultado é uma incógnita em relação ao racismo.

Rejeito a idéia por um princípio moral. Não acredito que o país mais desenvolvido e rico do planeta se deixasse levar por uma idéia tão pequena. Mas a verdade é que os eleitores de Obama são os hispânicos, os jovens e os negros. E parte dos eleitores republicanos. Então, temos duas “minorias”: negros e hispânicos. Claro que eles estão também entre os neo-democratas e jovens. Mas a votação em bloco indica tendência interessante a ser acompanhada.

Mas um negro foi a Harvard. E assumiu o posto mais importante do país mais (atualmente) importante do mundo. Provando que não foram em vão as batalhas de Rosa Parks e de Martin Luther King.

Esperemos que essa posição lhe dê condições de enterrar, de uma vez por todas, a idéia de que possa haver, dentre os humanos, uns que sejam mais ou menos em relação a outros. Noção essa que produziu escravidão, genocídio e humilhações muitas como no caso do apartheid sul-africano.

Em meu sonho à Luther King, não precisamos nos preocupar com a cor de nossas peles, assim como não nos segregamos pela cor dos cabelos ou olhos. Mas a realidade do apartheid se impõe, assim como a bala que feriu o sonho.

Agora, Barack Obama pode mostrar ao mundo que a cor da pele não importa. Importa o caráter, a personalidade. É a grandeza do ser, não a ignomínia do preconceito racial.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

A idéia torturante da anistia a torturadores

O poder é esmagador. Literalmente quando aqueles que o detêm o utilizam para subjugar aqueles que não são seus aliados. Essa prática, a de torturar fisicamente outros seres humanos, não deveria pertencer ao mais inteligente animal da Terra. Ao contrário, é demonstração de bestialidade cabível somente em irracionais. Mas, pensando bem, irracionais foram aqueles que praticaram a tortura no Brasil.

Abdicaram da racionalidade ao enfrentar seus opositores não com idéias, mas com a força bruta. Não satisfeitos, e impunes, torturaram também, a granel, aqueles que, mesmo sem apresentar oposição, não lhes eram prezados. Assim, opositores e desafetos eram as vítimas comuns. mas opositores a quê? Desafetos de quem? A tudo e de todos, parece ser a resposta mais acertada. A depender daquele de quem emanava o poder, qualquer um poderia ser desafeto ou opositor.

O ser mais inteligente desarmou com a força bruta as idéias que lhes eram inconvenientes. E seus donos. Covardemente, encurralou a pessoa no pior medo: o da morte. Na pior das situações: a da impotência de reação. Retirou a dignidade, humilhou, feriu, marcou, matou. Em nome de quê, mesmo?

Todos, sem distinção, estavam sujeitos a serem a próxima vítima. Bastava ter uma idéia, ou bastava incomodar alguém.

Quando a prática acabou (se é que acabou, nada parece afiançar isto), os mais notórios pretendiam-se intocáveis. Sim, torturaram, mas e daí? São águas passadas, parece ser seu raciocínio.

Como disse o Ministro da Justiça, emendado pelo Ministro da Defesa, quem vai decidir é o Supremo Tribunal Federal. O lado triste: que seja preciso que uma instituição diga que uma prática tão covarde seja crime imprescritível. Deveria ser senso comum que há covardias que exigem punição. E o lado bom: que haja uma instituição, num estado de direito, a quem incumba esse papel. E que, gostemos ou não, cumpra-se a lei. Ou as leis, e de acordo com sua hierarquia, que é a discussão presente.

Lembremos-nos de Nuremberg, e rechacemos o argumento de que todos somente cumpriam ordens. O crime é contra a humanidade!

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Falha nossa!

Por um erro de configuração (vulgarmente chamado de burrice) no FeedBurner, alguns posts deixaram de ser atualizados via Feeds. Agora que a ficha caiu (expressão mais arcaica, né? Nem existe mais a tal da ficha…), consertei lá e voltamos ao normal.

Aos milhões (!?!?) de leitores deste blog, minhas desculpas (nada humildes)…

 

A propósito:

Que diabos é um Feed?

Que diabos é esse tal de Feedburner?

 


A grande festa da democracia

o título é irônico. Cada vez que um espetáculo de eleição acontece, como agora nos Estados Unidos e, recentemente, a eleição para prefeitos no Brasil, esse chavão é repetido à larga. No caso dos Estados Unidos, é quase uma verdade absoluta. No caso do Brasil, é uma quimera.

Mas sejamos justos: a quimera é parcial. Eleições são uma parte do que deveria ser a democracia. O pós-eleição a completa, e este ponto ainda é muito incipiente no Brasil.

Como pós-eleição, entendo que sejam aquelas ações de controle dos nossos representantes. E este é o conceito fundamental: são nossos representantes. Se, sob essa denominação podem votar o que quiserem, da forma que quiserem, em nosso nome, nem tudo deveria ser permitido. É histórica a determinação dos conflitos de interesse. Mas ninguém se declara suspeito em matéria alguma, para não ser telhado de vidro. Ou pedra.

Os nossos representantes, eleitos na grande festa da democracia, votam seus salários. Votam quem, dentre seu grupo, pode ser processado pela justiça. Votam regras de funcionamento da casa onde trabalham (senado e Câmara, por exemplo. Você sabia que a Câmara funciona somente de terça a quinta? Isto fora de épocas de eleições, que “exigem” mais dos representantes).

Na democracia americana, em meio a uma grande crise, o presidente quis baixar um pacote de medidas. Anunciou-o com espalhafato, e o Congresso barrou. Somente numa segunda tentativa, com a percepção do povo de que sem o pacote a situação ficaria muito ruim é que ele foi aprovado. Na semidemocracia da terra de Macunaíma, para responder à mesma crise, o presidente baixou uma medida, com reflexos imediatos, que autoriza os bancos oficiais  (Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) a incorporarem outras instituições, inclusive não financeiras. O que o Congresso diz? Por enquanto, nada. Quando estiver no limite do prazo para apreciar a medida provisória é que ele se pronunciará de fato. Mas os atos desse interstício ficarão no vácuo jurídico que é a medida provisória rejeitada pelo congresso brasileiro.

Se não olharmos criticamente nossas instituições não será possível qualquer evolução. E tudo pode ser melhorado. As loas cantadas, quando merecidas, sã justas. Já hoje, entretanto, as loas são anacrônicas, pois baseadas em comparações com a pior época (em termos de liberdade)  do Brasil: a ditadura militar.

Se é verdade que a democracia é a melhor forma de governo do planeta, também é verdade que ela é a pior forma de governo, exceto todos os outros (Winston Churchill).

Precisamos crescer!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

A eleição americana

De importância planetária, a eleição americana é o sonho de todo jornalista que tem um mínimo de envolvimento com política. E todos, sem exceção, sempre têm algum contraponto aos fatos e tendências, como parece ser praxe entre aqueles profissionais.

Eu também tenho as minhas (humildes).

Seria uma eleição diferente, de qualquer forma. Do lado democrata, ou um negro ou uma mulher, poderiam inaugurar uma nova fase na política americana. Do lado republicano, nada de novo. Dizer que o escolhido foi o negro é reducionismo barato. E injusto. Foi escolhido um senador inteligente, carismático, sério. Poderia ser uma senadora, inteligente, carismática, séria. Mas foi Barack Obama.

John McCain, se eleito hoje, será o mais velho presidente americano, esta é a novidade que oferecem os republicanos. Sua vice, depois de causar furor benéfico, trouxe as implicações de declarações (e fotos) infelizes. Talvez um quê de má-vontade (da mídia), mas inegavelmente infelizes as situações da vice.

O que eu espero, para o bem de nosso futuro, é que a eleição se dê não por causa de idade e de cor de pele. Não por ser negro, nem apesar de ser negro. Nem por ser mais velho, nem apesar de ser mais velho. Que seja escolha baseada nas qualidades de cada um, aquelas que se pretende existirem num chefe de estado, quando mais no estado mais poderoso do planeta.


quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Ninguém erra na vida pública

Nas (muitas) entrevistas que se seguiram à tragédia de Santo André, o que se viu foi a reafirmação, de forma uníssona do lado do governo, de que suas (da polícia, que é um  braço do governo) ações foram acertadas. Há justificativa para tudo, até para o injustificável. O governador, o comandante, o capitão, todos estão com um discurso uniforme. De defesa, claro.

Num outro lado, está a imprensa. Que, como é de seu ofício (ou deveria ser), instiga. Pergunta, incansável e cansativamente, se tudo foi feito da forma correta. A mesma imprensa que sobrevoou a cena, encheu de repórteres, deu um show de sensacionalismo, em nome da informação. (Não é correta a generalização. Não obstante, é necessária, pois, sob a desculpa de informar, setores da mídia que não são jornalísticos fazem do fato um espetáculo ao vivo. E a banda boa não se revolta, talvez por ser xipófaga da banda ruim). Essa “ imprensa” (entre aspas por causa da oportunidade de aparecer) que mostrou ao vivo cenas dos policiais em prontidão, e é claro que o seqüestrador adorou a promoção.

Fosse perfeita a vida, o governador apoiaria os policiais, mas indicaria as falhas. O comandante idem. O negociador também. Porque infelizmente outros casos devem acontecer, e o aprendizado é importante. Ao se esconder atrás do corporativismo, ou do partidarismo, nossos representantes perdem essa oportunidade única de aprendizado. E, pior, se a consideram desnecessária, corremos o risco de ver outras tragédias de mesmo tamanho acontecerem.

Se todos acertaram, é só explicar porque há uma vítima ferida, uma vítima morta, e o seqüestrador está incólume.

Do lado da imprensa, está aí uma área em que a competição é um problema. Muitos foram os veículos que declararam ter entrevista “exclusiva” com o pai da Eloá. Como se isso fosse importante, como se atraísse mais “clientes”. Se uma estação de TV mostra a cena ao vivo, as demais correm a mostrar. Para não ficar atrás, pois isto é mais importante que as ameaças do ato em si.

Acho que a TV é parte da vida pública. Prova disso é que interfere diretamente em nossas vidas, como prova o caso Lula/Lurian. Deve ser, portanto, exercida com responsabilidade. E, no caso destas terras de Macunaíma, com mais responsabilidade que nossos estamentos, espera-se.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Está na hora de chamar o ladrão?

A charge é do Angeli e foi publicada na Folha de São Paulo no último domingo. E, a qualquer momento, um ou outro podem exigir a sua retirada deste espaço. Mas é emblemática da situação em que vivemos.

Chegando de viagem, passei perto do palácio do governo na quinta-feira última, sem saber do confronto. Mas ficamos impressionados com a quantidade de PMs nas redondezas. Protegendo o governador da polícia…

Como podemos criticar a polícia militar ao proteger o governador de pessoas que, com flagrante animosidade, dirigiam-se, armadas, ao palácio do governo? E, nessa ação de proteção, contra agentes armados, como poderíamos esperar que armas não fossem utilizadas?

E, do lado dos grevistas, qual é a opção que lhes resta? Assim como os policiais militares, seus salários não os dignificam, embora muitos arrisquem a vida por ele. Não parece que o governo está querendo negociar, senão acabar com o movimento incômodo. Mas sabem os grevistas que, esvaziado o movimento, nada ganharão, ainda mais por ser quem é nosso governador, não famoso por suas habilidades de negociação, mais pelas de imposição.

Não é certo, acredito, manifestações de agentes armados, em qualquer lugar que seja. Ainda mais em frente ao palácio de governo. E não seria certo se a polícia militar não cumprisse o papel que dela se espera. Então, o que fazer?

Menos ação emergencial, mais planejamento. Olhar para as corporações esperando que delas saiam profissionais de carreira. Isto implica em analisar seus conhecimentos, habilidades e aptidões, o famoso CHA. E, à vista dos resultados, estabelecer planos de carreira, com formação e informação, e um plano salarial mais justo. Aos desesperados, que nada têm a perder, a arma é o caminho. Mas a quem tem o que perder, a conversa se impõe. Exceto no caso de quem deveria negociar e se nega. Pelo exemplo dado, não se poderia esperar menos dos grevistas.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

O duplipensamento na eleição paulistana

O duplipensar da Novilíngua é um estado mental em que dois pensamentos excludentes entre si conseguem coexistir, como nos ensinou George Orwell no seu 1984. Algo como existir e, ao mesmo tempo, não existir, justamente por existir.

Pois bem. Se voltarmos o olhar para o passado, lembraremos do episódio da Lurian, a filha do Lula usada por Collor para desestabilizá-lo no debate daquela eleição. Ficamos todos pasmos, e mesmo entre os que não éramos petistas, aderimos à causa por tamanha apelação. Um golpe baixo, baixíssimo.

Ainda no passado, podemos lembrar da sexóloga, que sempre defendeu minorias e crenças, sem prejulgar e, por isto, sem condenar. Já sem o cargo de sexóloga, mas já candidata, desfilou com o marido senador para, depois de eleita, divorciar-se e casar-se novamente. Quem tem alguma coisa com isso? Ninguém. Só interessa a eles.

No presente, o partido daquele que foi injustiçado, que acontecer ser o mesmo daquela que não tinha preconceitos e não teve pejo de desfilar com o marido para depois trocá-lo, ataca a reputação do candidato com a mesma baixeza do episódio Lurian. E, lulescamente, disse que não sabia…

Não sou fã de Kassab. Aquele episódio em que ele enfrenta o manifestante que se dirigiu a ele aos gritos mostra o equilíbrio que podemos esperar. Mas ele não merecia esse golpe abaixo da linha da cintura.

Espero que, no mínimo para respeitar sua história, ambos passem a esgrimir argumentos e plataformas. Chega da política tradicional, é hora de resultados.

O duplipensamento? É que a ação, quando se é vítima, é reprovável. Quando se é autor, é mais que defensável, é necessária… A que ponto chegamos.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Se a vida te der um limão…

Não gosto de clichês. Deve ser uma manifestação de meu lado iconoclasta. Portanto, não vou dizer que, do limão, façamos uma limonada.

 

Um amigo, desses de desde sempre, passou por alguns percalços. Alguns sérios, como divórcio e morte de parentes próximos. Entregou-se a um estado de amargura que o vem consumindo. E, conseqüência adicional, vem afastando seus velhos amigos. Quando nos encontramos, fato cada vez maios raro, é um desfile de problemas. Cada pedra no caminho é um obstáculo intransponível.

 

Um outro amigo passou por verdadeiras tragédias: morte da esposa num acidente, chamado de assassino pelos parentes dela, depressão profunda. Quando nos encontramos, uma verdadeira alegria: o tempo está bom, se não está vai melhorar. Estamos “crescendo”, ficando melhores, como vinho. Vintage…

 

Quando perdemos um ente querido, há pessoas que encontram coisas boas nisto:

- Foi melhor, estava sofrendo…

- Ao menos, morreu em paz…

- Está em paz agora…

 

Nada disto me comove. Stephen Covey (Os Sete Hábitos de Pessoas Muito Eficazes) professa que tudo tem dois pólos, dois lados: p bom e o ruim. Algumas pessoas escolhem o lado bom. Outras, o lado ruim. Qualquer que seja a escolha, não quer dizer que o lado preterido não exista. Sim, existe, e grita que prestemos atenção nele. A diferença é nossa atitude perante o fato. E o fato importa.

Se a vida te dá um limão… Ora, e se você gosta de limão? A vida foi boa com você. Vai fazer uma limonada? Uma caipirinha? Uma mousse? Vai chupar o limão, como alguns fazem (eu, por exemplo)? E se ela der uma laranja, e você detestar laranja? O que adianta fazer uma laranjada?

Somos resultado de nossas decisões. Limão, laranja, morango, dificuldades, facilidades… Como queremos reagir? repetindo, com grifo: como queremos reagir? Gostamos do que recebemos? Gostamos daquilo que plantamos e estamos colhendo? Como vamos reagir? Como escolhemos reagir?

Pelo meu ponto de vista, é muito simples: àquilo que a vida nos oferecer, escolhemos o que fazer. Às vezes, escolhemos sofrer. Às vezes, escolhemos enfurecermos-nos. E, às vezes, oferecemos outra face. Algumas vezes, sai uma limonada…

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

A hora das eleições

Dia desses resolvi assistir ao horário eleitoral gratuito. Triste, muito triste.

Nosso sistema eleitoral é cruel. Mas basta criticá-lo para vir o patrulhamento ideológico. É cruel e mal concebido, isso é fato.

Um desfile de rimas de nomes com números, algumas músicas sem talento, os indefectíveis bonequinhos animados… e foi só. As propostas, vagas a ponto de não serem nada, ao mesmo tempo em que eram tudo.

- Vou defender a ecologia…

- Vou lutar pela saúde…

- Vou defender você…

- Vou colocar os bandidos na cadeia…

- Vou construir escolas…

E, agora, ao final dos mandatos dos que saem (ou não), como aferir se as propostas de campanha deles foram implementadas? E, afinal, como é que eu queria que fosse? Para eles se manifestarem, todos e de forma completa, seria necessário utilizar o dia inteiro, de muitos e muitos meses. Algo assim como a teletela que tanto entediava Winston (em 1984).

Por outro lado, um debate na cidade de São Paulo foi cancelado porque a emissora queria limitar a participação aos cinco mais bem colocados. Ficaria inviável, era a alegação. Por outro lado, como conhecer as idéias dos chamados nanicos?

Afinal de contas, pergunto novamente, qual é a grande contribuição desses políticos em nossas vidas? Acho que não precisaríamos de representantes para dar nomes a ruas e praças. ou para homenagear sabe-se lá quem. Podíamos ser auto-suficientes nisto. Sem ajuda.

Insisto: qual é a contribuição desses representantes?

Claro, os cargos majoritários são diferentes, porque… porque… Por quê, mesmo?

Na maior capital do país, uma história de vingança e traição. Uma tragédia grega. O sobrevivente pode não sobreviver à sobrevivência…

Enfim, o voto é obrigatório. Às vezes acho bom, noutras acho terrível. Terrível que a democracia, que tanto defende a liberdade de expressão nos obrigue a manifestar nossas vontades (ou falta delas) na urna. Mas, se não fosse assim, como ficaria nosso sistema eleitoral? Quantos votos seriam realmente apurados? Ou seria só mais um fim-de-semana para passarmos cinco horas na descida da serra?

Pelé estava errado, não é que o brasileiro não saiba votar. Ele não quer…


quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Caetaneando

Na hora da necessidade, como, por exemplo, num assalto, invocamos o auxílio de todos e qualquer um que passe. Mas, geralmente, nos é negado, exceto pela solidariedade muda e escondida que provoca. Evocamos nossos nossos protetores e nossos momentos, nossa vida, que, tal qual filme, passa-nos pela mente. Daí, quando percebemos que não nos resta escolha, resolvemos enfrentar a besta. Avoquei essa responsabilidade, e o convoquei para a briga. Provocamos, xingamos, ofendemos, blefamos. Esperando que a besta acredite…

Estávamos num daqueles devaneios em que a discussão já é só pelo esporte, quando veio a dúvida cruel, que nos tiraria horas de sono: qual a diferença entre invocar, provocar e provocar?

Segundo o Houaiss:

  • invocar: chamar em auxílio, pedir a proteção de (falando geralmente. de seres ou forças divinas, sobrenaturais); suplicar; pedir auxílio, assistência; recorrer
  • evocarchamar (algo, sobrenatural), fazendo com que apareça; tornar (algo) presente pelo exercício da memória e/ou da imaginação; lembrar
  • provocar: forçar (alguém) a responder a um desafio; desafiar; tentar despertar em (alguém) a vontade de fazer (algo); convidar, incitar, desafiar; impelir alguém) a (algo); estimular, incitar, instigar
  • avocar: chamar, invocar; chamar a si, fazer vir; atrair a si; aliciar; atribuir a si; arrogar-se.
  • convocar: chamar para determinada reunião ou ato coletivo; mandar comparecer.

 

Como foi possível vivermos até hoje sem isso?

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Sobre punição e vingança

A sociedade brasileira parece indiferente à sorte dos presos. Incluo-me nesse mundo.

Em princípio, há os que, por índole, roubam, matam, agridem sem necessidade e sem limite. Parece-me que nesses casos, não basta punição. É mais que compreensível que venha à tona nosso desejo de vingança, por mais bestial que pareça. Queremos mais que uma simples burocracia, queremos infligir dor à pessoa culpada de atos covardes e sem sentido.

Também há os que, mesmo sem ter no sangue a predisposição a atos criminosos, os comete. Motivado por situação e/ou necessidade, ou mesmo sem motivação, apenas por descaso (eufemismo para imprudência, imperícia e negligência). Nesses casos, a simples punição parece de bom tamanho, no mais das vezes. Nosso desejo de vingança não se apresenta como no caso do criminoso patológico, do reincidente contumaz, com o perdão da redundância.

Mas, em qualquer caso, há os que, tendo a tendência negativa, ou enfrentando a situação adversa, consegue se conter e não comete nenhum ato reprovável. Há aqueles que, frente à oportunidade (negativa), colocam seus valores à frente, e se mantêm dignos. E permitem a outros manterem sua dignidade. As pessoas que conseguem manter seus valores acima das necessidades e das circunstâncias são, felizmente, uma maioria, uma grande maioria. Que, pela simples existência, colocam por terra qualquer razão que podem pretender ter pessoa que comete atos reprováveis.

Há essas pessoas aos montes, apesar de minoria. Pessoas que parecem não se importar com o que acontece fora do mundo do próprio umbigo. Pessoas que matam crianças e as jogam pela janela. Ou desmembram-nas, para atirá-las ao lixo como lixo, eliminando qualquer possibilidade daquela dignidade que mencionei. Estas pessoas são particularmente desprezíveis, por terem, além de tudo, o dever legal (e, portanto, o moral) de proteger aqueles que virão a se tornar suas vítimas. E há, ainda , os que, vendados pelas drogas, e se dizendo desconhecedores da realidade, apertam gatilhos contra vítimas indefesas e inertes. E, pior, há os que fazem isto sem droga nenhuma, a não ser na própria índole, mas genética.

Contra esses atos covardes e inumanos, disponho-me a dizer que não sou favorável à simples punição. Contra a civilidade, contra os dogmas da evolução da sociedade, atrevo-me a dizer que precisamos de vingança. Atrevo-me a dizer que nossos sistema penal não basta como satisfação ao bem ofendido. A pena é pequena e incerta. Mas pena punitiva, perdoando de novo a redundância.

Não sou a favor da vingança pessoal, registre-se. A punição é um direito somente do Estado. Mas é, ao mesmo tempo, um dever. Assim deve ser a vingança.

Casos como de João Hélio, Isabella e João Vítor e Igor Giovanni merecem vingança. Penas mais duras, ultrapassando o limite hoje estabelecido de 30 anos de prisão. Perpétua, talvez. Talvez seja hora de pensarmos seriamente na pena de morte.

Mas toda esta discussão é nada, se considerarmos o seguinte: as penas não estão sendo aplicadas. Os julgamentos são demorados, cheios de chicanas. Há o caso daquele que matou a jornalista e está livre. Há o juiz que roubou e está em casa. Há… exemplos muitos. Precisamos, sim, de representantes que aperfeiçoem nosso sistema jurídico. E que coloquem ordem em nossas polícias (sim, plural, pois há mais de uma). Precisamos, desesperadamente, de um exemplo claro e inquestionável de que estamos no caminho certo. Que não precisamos de vingança, que não queremos a pena de morte. Sim, precisamos disso e há muito tempo. Mas esse exemplo, essa solidez de que tanto precisamos não vem.

Enquanto isto, flertamos com pensamentos imbecis. Espero, sinceramente, que o exemplo venha. Antes que o flerte vire caso concreto, e se alastre, como um rastilho incontrolável de pólvora acesa.

Espero…