quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O que é decoro, mesmo?

Vejamos o que diz o Houaiss:

Decoro
substantivo masculino
1 recato no comportamento; decência
Ex.: decoro no vestir, no agir, no falar
2 acatamento das normas morais; dignidade, honradez, pundonor
Ex.: é um indivíduo torpe, sem d., sem honra!
3 seriedade nas maneiras; compostura
Ex.: ela dança sem perder o decoro.
4 postura requerida para exercer qualquer cargo ou função, pública ou não
5 Rubrica: literatura.
adequação do tema ao estilo literário

Não tem razão quem se revoltou contra a decisão do senado. Quebra o decoro somente quando ele existe. Se não existe, não há o que quebrar.

Infelizmente o senado ganhou destaque por um aspecto negativo. Não há como acreditar que os ilustres senadores estejam comprometidos com o Brasil. A absolvição de Renan Calheiros é obra de compadrio, coisa de negociata, deslustra a imagem da câmara alta do congresso nacional.

Em vez de orgulho, nosso sentimento é o de estupefação. Aí, ilações não faltam. Para que precisamos de uma casa que protege aos seus, ainda mesmo antes de proteger os interesses do Brasil? Que dizer daqueles que, encarregados de elaborar e aprimorar as leis, fingem que ela não existe, mas somente quando seus próprios interesses estão na mesa?

Com quem é o compromisso do senado? Não deve ser conosco, não é com o Brasil.

O sistema bicameral no Brasil precisa ser questionado. Não seria o caso de eliminá-lo, pois vantagens há. Mas seria o caso de dar um choque de realidade nos nossos ilustres representantes, se é que podemos considerá-los assim. Chega de amarrar cachorro com lingüiça, chega de dar autorizações aos deputados e senadores para julgar matérias de interesse próprio. Chega de esperar anos e anos por leis necessárias (por exemplo, o código civil, com décadas de tramitração, aprovado já com anacronismos). Chega de cheques em branco para quem não corresponde de fato à necessidade do Brasileiro (sim, com maiúscula).

Precisamos, sim, do senado. Mas precisamos de um senado composto por cidadãos comprometidos com o Brasil e suas necessidades, em vez de comprometidos com necessidades próprias. Precisamos de pessoas com, com seu conjunto axiológico, o façam coincidir com os dos Brasileiros, e que façam dele o norte para as decisões.

Todos tem direito de escolher seus caminhos. Se esses caminhos incluem pagar despesas de amantes com dinheiro espúrio, ou de encobrir seus negócios proibidos com laranjas, isto deve ser confrontado com as conseqüências legais. Que o senador faça o que quiser, mas que pague os preços.

O senado envergonhou o Brasil. Em nome de amizade, medo, seja lá o que for. Mas envergonhou seus representantes sérios, os honrados, os que se comprometeram com o Brasil real. Valores desvirtuados, ambiente amoral, para não dizer imoral, dissimulação, negociatas. O Brasil não merecia isto.

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