segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Rescaldo

Ainda acostumando a andar com três dedos no pé direito, algumas conseqüências são inevitáveis.

  • Responder sempre à mesma pergunta: - o que aconteceu?
  • Passar a reparar na sujeira que existe no chão. Em qualquer chão. Quando se anda de sapatos, não prestamos atenção. NO meu primeiro dia handicapped, com aquela preocução mortificante de saber em que estava pisando, reparei na quantidade de cacos de vidro, papéis, sujeiras, enfim, que grassam pelas ruas e calçadas.
  • Reparar como as pessoas são gentis. Muitos, muitos mesmo, se prontificam a ajudar. Digo dos estranhos, pelos ônibus e metrôs da vida. Essa gente (na qual me incluo), que anda ensimesmada no dia-a-dia, sai de sua concha para se mostrar atenciosa com quem precisa. Isto foi interessante.
  • Ouvir sempre os mesmos comentários. Acho que isto é, mais que clichê, uma demonstraçção normal de empatia.
  • Perceber como utilizamos o corpo sem perceber. Pisando meio de lado, meio de calcanhar, sinto-me meio limitado (claro que estou, só não esperava sentir-me assim). Saudades insuspeitadas da qualidade de "são".
Uma outra coisa que reparei e preciso rebatar: os comentários de que meu natal (e ano novo) se estragaram por causa do aciden te. Não, não se estragaram. Esse tipo de coisa se estraga quando permitimos. Nada consegue me tirar de meu estado normal se eu não permitir. Isto não perturbou meu natal e não, com certeza, perturbará minha passagem de ano.

No natal estava com minha filha, meus irmãos, minha mãe, meus cunhados e sobrinhos, além de vários amigos. Olhando agora, seria de um egoísmo imperdoável permitir que este pequeno acidente deslustrasse o excelente clima, as excelentes companhias. Não, não estragou nada (além dos dedos). E não estragará.

Aliás, as piadas começaram quando eu ainda estava no chão. Eu, minha filha e minha sobrinha, não conseguimos resistir à graça da situação. E, dor de lado, rimos bastante (o quanto possível) até chegarmos de volta à chácara. No hospital, mais brincadeiras. À parte, repito, a dor (e o sangue), tudo o mais era fato concreto, contra o qual nada se podia fazer. Nem lamentar, ou amuar, ou amaldiçoar. Portanto, vamos rir.

A dor passou, ficou o incômodo daquele monte de esparadrapo ali, na ponta do pé. O que me obrigou a comprar uma daquelas sandálias que acho horríveis, mas bem na moda para homens, daquelas que se prendem nos tornozelos. Ok, a necessidade realmente manda.

Agora, esperar a coisa toda passar. Tirar a bandagem, voltar a andar normalmente. Uma única preocupação: voltar a correr. Nestes dias de sol maravilhoso, esta é a única coisa que sinto falta. Tomara que seja logo...

sexta-feira, 28 de dezembro de 2007

Após o balanço

Pensando nas coisas que precisamos mudar, inútil tentar evitar pensar em como teríamos feito diferente as coisas que deram errado. Ou não tão certo como queríamos.

Meu pai costumava dizer, quando falava de limites, o ponto ideal para parar de apertar um parafuso: um quarto de volta antes de quebrar.

Descobrir como, sem, quebrar? Esta era lição, assim como hoje. Nossos erros, se assim podem ser chamados, não necessariamente refletem uma decisão errada. Tardia, talvez, ou intempestiva. Mas errada, errada, talvez sejam mesmo poucas.

Cada vez que penso num arrependimento de uma coisa que aconteceu, e sobre a qual tínhamos influêncioa restrita, lembro da frase da música de Lulu Santos: nada do que foi será...


Balanço de fim de ano

Não fui o pai que precisaria ser. Nem o amigo, Nem o filho, nem o irmão, nem o cunhado. Como vizinho, deixei a desejar. Assim como cidadão, idem para motorista.

Nem de longe fui o profissional que queria ser. Não consegui fazer todas as coisas que planejei, nem fiz tudo dentro do prazo estimado. Perdi horas e compromissos, assim como desperdicei momentos procurando em mim coisas que não estavam lá.

Acordei tarde em ocasiões que precisava acordar cedo, e acordei cedo demais nos finais de semana. Comi ora legumes de menos, ora de mais. Evitei as carnes, mais do que precisava. E, quando precisava evitá-las, achei a carne fraca...

Sempre corri menos do que me propunha, embora às vezes a correria do dia-a-dia me punha a corre mais do que queria.

Ao longo do ano, vi pouco minha mãe, meus irmãos e meus cunhados e sobrinhos. Os amigos, ficaram perdidas nas páginas de minhas agendas, não consegui mais do que ligar nos aniversários, parecendo mais telegramas fonados.

Sim, é verdade que consegui realizar várias metas. Sim, também é verdades que muitos planos foram cumpridos a contento. Fizemos bons negócios, mantivemos excelentes contatos e relacionamentos. Sim, metas pessoais também foram atingidas e alegrias foram conquistadas. Mas não é a hora de comemorar.

Como balanço de final de ano, diria que preciso melhorar. E muito. Planejar melhor as coisas, e seguir o planejado. Andar a milha extra, como diria Covey.

Preciso olhar minhas necessidades filho e satisfazê-las como pai. As necessidade de pai e satisfazê-las como filho. Enfim, preciso refletir e descobrir o que faltou neste ano, para que minha satisfação fosse completa ou completasse outra pessoa, qualquer delas que tenha feito parte de minha vida. Por um segundo, por uma parte dela, ou toda ela, como é o caso de minha família.

Comemoramos cada vitória isoladamente, pois que merecem essa rápida alegria. Mas as faltas e as derrotas, precisamos lamber essas feridas em ambiente de introspecção, de profunda reflexão.

Ensinou Og Mandino que "o fracasso jamais me surpreenderá se a minha decisão de vencer for suficientemente forte". Eu completo observando que, se soubermos onde melhorar, a vitória é mais que certa, é inevitável. Principalmente na nossa vida pessoal.

Dois inesquecíveis

Muito cedo eu já era um fã de carteirinha de Elis Regina. De morte chocante, triste, inútil... Morte, enfim.

Um dia, num show, descobri o talento de Jessé. Outro que foi levado cedo, muito cedo. Numa de nossas estradas, que é o predador artificial mais eficiente de nossos tempos.

Repito que não temos mais intérpretes como em épocas idas. Deve ser mesmo o tal progresso, que permite conexões inimagináveis, comunicações quase mágicas, mas as torna, como num ágio e pedágio, mais pobres.

Explico

Uma amiga me perguntou por que estou falando outra vez na minha filha.Explico: ela viajou, e estou com saudades...

Explicado?

quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

Momentos

De vez em quando sentamos, eu e minha filha, e conversamos. Sem assunto específico, sem marcar nada, sem motivo. Somente conversamos.

Algumas vezes é na cafeteria. Outras, na lanchonete ou em algum restaurante. Outras vezes, é no sofá.

Dura de minutos a horas. Os assuntos são os mais aleatórios. Mas passamos por todos aqueles que temos vontade, nem parecendo ser pai e filha.

Com o tempo, os assuntos, conteúdos dessas conversas, serão apagados. Não conseguiremos mais lembrar do que falamos. A lembrança será somente que falamos. E esses momentos são poderosíssimos, pela carga emocional que podem gerar.

Rimos, nos indignamos, nos emocionamos... Sem travas, sem preconceitos, sem prejulgamentos. Uma relação altamente comprometida, mas descompromissada. Altamente envolvida, mas com limites claros da individualidade e da compreensão individual sobre o mesmo tema. Sim, porque discordamos, também. Mas, na discórdia, descobrimos o que é importante: concordamos em respeitar a opinião do outro.

Chamam-me de coruja, de superprotetor, de tudo. Mas acho que falta, de fato, que compreendam o seguinte: é delicioso ter uma relação assim, gostosa, madura, envolvente, com alguém que amamos tanto.

Ser pai é muito bom!

terça-feira, 25 de dezembro de 2007

Satisfação

Para os milhões de consultas dos leitores deste blog, é preciso esclarecer: a TV está bem!

Feliz natal!

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Plantão URGENTE!

Na noite de ontem, fui violentamente atacado por minha televisão. Enquanto a transportava, ela começou a se contorcer até conseguir sair de minhas mãos. Ato contínuo, atacou meu pé direito, atingindo dois dedos, causando uma dor indescritível.

O engraçado foi que ela ficou quicando (de cara, ou melhor de tubo) um tempão, até a gravidade domá-la.

Como sou otimista, esperei um pouco antes de procurar socorro. Ok, não foi um pouco, foi bastante. Mas como se dor não passasse, fui ao hospital. Desta vez, levado pelo meu cunhado, já no final da noite.

Explico minha relutância em ir ao hospital: noite de domingo, véspera de feriado prolongado, achei que seriam somente médicos em início de carreira, para dizer o mínimo. Mas era um velho conhecido meu (devido às minhas corridas, de vez em quando procuro um ortopedista).

Primeiro, uma sessão de sadismo útil: a drenagem do sangue, feito, óbvio, sem anestesia. Nem precisava, pois não doeu (a outra dor era maior). Depois, a radiografia. Andei pelo hospital alguns quilômetros até a sala. Ou talvez tenha sido menos, acho que a dor influiu na avaliação.

De volta à sala do médico, ele foi bem técnico, mas o suficiente para esclarecer:

- Esmigalhou tudo!

Apesar da terminologia científica, entendi porque doía tanto. E, devidamente esparadrapado, aqui estou, depois de uma noite em claro com luzes apagadas, uma dor que parece praga de ex-esposa, e tentando me divertir com a história.

Quarta feira tenho duas reuniões, com o uniforme usual; terno e gravata. Sabendo disto, o médico mandou imobilizar até a coxa. Brincadeirinha, descobri depois.

E assim estou imaginando como será ir de ônibus/metrô/táxi aos encontros, sem notebook, de muletas. Com uma previsão de quatro a cinco semanas de esparadrado, vai ser divertida esta história.

Ah, está doendo! Muito!!!

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

O bode

No texto de Marina Colasanti aqui, uma demonstração de como nos acomodamos com as coisas da vida. É certo.

Nos últimos dias, São Paulo tem tido movimento de carros extraordinário. Grandes congestionamentos, motivado pelas compras de natal (dizem).

Em meses anteriores, qualquer parada na chegada da Rodovia dos Bandeirantes era um mau sinal. Nos últimos dias, o normal é ter o trânsito lento (muito) por dez quilômetros.

Aqui, o ponto em que nos acostumamos. Surpreendi-me, nestes dias, feliz ao saber que tinha três quilômetros de congestionamento. E encarei, leve, leve, aqueles longos vinte e cinco minutos necessários para vencer esse trecho.

Acostumei-me com o bode na sala! Precisamos matar o bode. Que está pagando o pato...

Nosso amigo tucano

Certa vez, numa viagem com minha filha, vimos um tucano atravessar a pista, bem na nossa frente. Bem quando passávamos. Ela, pequena, ficou maravilhada. Eu, já não tão pequeno, fiquei também.

Na volta dessa viagem, vimos um outro, mais ou menos no menos lugar. Fantasiamos que era o mesmo. E nos divertimos, felizes com nosso non-sense.

Pouco tempo depois, em outra estrada, outra vez um tucano. Mas, em vez de um, vimos o nosso. E nos divertimos mais, felizes com o reencontro improvável.

Desde então, em nossas viagens, procuramos nosso amigo. Que vem, nos lugares mais inesperados.E, cada vez que aparecem, têm o condão de arrancar sorrisos dos mais escancarados, Seguidos, claro, por alegria pura.

Uma alegria natural. Maseada na falsa premissa de que é sempre o mesmo tucano. mas poderia ser mesmo. E é, em nossas fantasias. E as usamos para, acumpliciados, montar nosso próprio conto de fadas.

De vez em quando, chego em casa e pergunto à ela: - adivinhe quem eu vi hoje?

- O tucano...

I'm back

Anteontem, conversando com uma amiga com quem não falava há tempos, ela reclamou que estava cansada de ler sobre política neste espaço.

Ela está certa. Até eu estou cansado.

Então, vamos mudar de assunto.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Na pizzaria

Naquela mesa barulhenta, primeiro eram as lembranças. Depois, as piadas. Quando o assunto começou a rarear, um deles comentou:
- Que desperdício de calor naquele forno. Só para assar algumas pizzas, uma quantidade enorme de madeira desperdiçada.

- Como podemos melhorar o processo? (eram analistas de organizações, sistemas e métodos).

- Vamos mudar o conceito! Em vez de uma simples pizzaria, vamos agregar valor!

- O calor é benéfico. As pessoas ficam com vontade de tomar chopp.

- Ok, o calor fica. Mas e o desperdício? Como podemos aproveitar o calor?

- Já sei. Fazemos a pizzaria/choperia perto de um velório. aí, vendemos também serviços de cremação e aproveitamos o calor.

A esta altura, já se formava ao redor da mesa uma grande audiência. Etilicamente embalados, todos riam do non-sense...

- Como o processo de cremação deixa resíduos, montamos também uma lojinha de lembranças. Chaveirinhos com pedacinhos de ossos, com os dizeres "Estive no velório de Fulano, e lembrei-me de você!"

Os amigos, cada um morando em uma cidade, não se reuniram novamente. Passados mais de dez anos, quando se falam, não conseguem deixar de falar nesse momento empreendedor. Os garçons e vários dos fregueses entraram na brincadeira, que se estendou pela noite afora.

Ah, a idéia, infelizmente, não prosperou.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

O que é decoro, mesmo?

Vejamos o que diz o Houaiss:

Decoro
substantivo masculino
1 recato no comportamento; decência
Ex.: decoro no vestir, no agir, no falar
2 acatamento das normas morais; dignidade, honradez, pundonor
Ex.: é um indivíduo torpe, sem d., sem honra!
3 seriedade nas maneiras; compostura
Ex.: ela dança sem perder o decoro.
4 postura requerida para exercer qualquer cargo ou função, pública ou não
5 Rubrica: literatura.
adequação do tema ao estilo literário

Não tem razão quem se revoltou contra a decisão do senado. Quebra o decoro somente quando ele existe. Se não existe, não há o que quebrar.

Infelizmente o senado ganhou destaque por um aspecto negativo. Não há como acreditar que os ilustres senadores estejam comprometidos com o Brasil. A absolvição de Renan Calheiros é obra de compadrio, coisa de negociata, deslustra a imagem da câmara alta do congresso nacional.

Em vez de orgulho, nosso sentimento é o de estupefação. Aí, ilações não faltam. Para que precisamos de uma casa que protege aos seus, ainda mesmo antes de proteger os interesses do Brasil? Que dizer daqueles que, encarregados de elaborar e aprimorar as leis, fingem que ela não existe, mas somente quando seus próprios interesses estão na mesa?

Com quem é o compromisso do senado? Não deve ser conosco, não é com o Brasil.

O sistema bicameral no Brasil precisa ser questionado. Não seria o caso de eliminá-lo, pois vantagens há. Mas seria o caso de dar um choque de realidade nos nossos ilustres representantes, se é que podemos considerá-los assim. Chega de amarrar cachorro com lingüiça, chega de dar autorizações aos deputados e senadores para julgar matérias de interesse próprio. Chega de esperar anos e anos por leis necessárias (por exemplo, o código civil, com décadas de tramitração, aprovado já com anacronismos). Chega de cheques em branco para quem não corresponde de fato à necessidade do Brasileiro (sim, com maiúscula).

Precisamos, sim, do senado. Mas precisamos de um senado composto por cidadãos comprometidos com o Brasil e suas necessidades, em vez de comprometidos com necessidades próprias. Precisamos de pessoas com, com seu conjunto axiológico, o façam coincidir com os dos Brasileiros, e que façam dele o norte para as decisões.

Todos tem direito de escolher seus caminhos. Se esses caminhos incluem pagar despesas de amantes com dinheiro espúrio, ou de encobrir seus negócios proibidos com laranjas, isto deve ser confrontado com as conseqüências legais. Que o senador faça o que quiser, mas que pague os preços.

O senado envergonhou o Brasil. Em nome de amizade, medo, seja lá o que for. Mas envergonhou seus representantes sérios, os honrados, os que se comprometeram com o Brasil real. Valores desvirtuados, ambiente amoral, para não dizer imoral, dissimulação, negociatas. O Brasil não merecia isto.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Função e papel - O líder e o gerente

As atividades de coaching estão ganhando mundo. Ela se dá quando uma pessoa, mais experiente, adota um pupilo (mais certo seria dizer o contrário) para, com suas orientações, fazer com ele atalhe o processo de tentativas e erros e seja mais assertivo nas ações.

Neste ponto, é um papel que se sobrepõe ao dos gerentes organizacionais, aqueles que têm um cargo de chefia/gerência.

Primeiro, uma distinção: função é uma coisa, papel é outra totalmente diferente. O gerente precisa liderar, mas o líder não precisa ser um gerente. Isto porque a liderança é um papel, e a gerência é uma função. A diferença está na formalidade da ação. O gerente precisa, por exemplo, aprovar, com sua assinatura, um determinado gasto. Ele tem o poder para isto, conferido pelo cargo que exerce. Assim, ele contrata e demite, decide e autoriza. É sua função.

O líder é aquele que, mesmo sem o cargo, influencia pessoas.Pode até dar ordens, mas os que o seguem o fazem porque acreditam nele. Na sua experiência, no seu conhecimento, no seu senso de oportunidade. Não por serem obrigados a isto. Não é raro vermos, numa empresa, o gerente, que se prende a questões administrativas, e um líder que realmente "toca" a equipe.

Uma conclusão obrigatória é que o ideal seria que os gerentes fossem, todos, líderes. Assim, somaria ao seu poder formal (legalidade) a capacidade de gerar adesões em torno de uma causa, um assunto (legitimidade). É o gerente ideal.

Mas o líder o é para o bem e para o mal. Há lideranças especializadas, mesmo que inconscientemente, em fofocas, intrigas, reclamações. Por ser informal, muitas vezes não se dá conta disto. E, neste ponto, é muito mais comum a liderança do gerente despreparado. Aquele que chega mal-humorado, sem cumprimentar ninguém, que não conversa, consegue contaminar a equipe. Os funcionários são influenciados, não pela ação positiva, mas pelo exemplo negativo. Já viu um local em que o mau-humor impera?

Pois bem, há pessoas que exercem muito bem a função de gerente e muito mal o papel de líder, como no caso acima. No casos do mau líder, não há legitimidade, e o papel não pode ser exercido para o crescimento pessoal dos "pupilos".

Há também os problemas decorrentes de concorrências pro cargos. Pessoas que concorrem entre si tendem a não legitimar umas às outras. Pois não querem dar munição ao inimigo. Este é o caso em que aparece o coach. Mesmo sem ser da organização, ele pode orientar pessoa que nele confie para escalar funções com um mínimo de erros, com um alto grau de assertividade. Em ambientes ultra-competitivos, não é pequena essa ajuda.

Mas lamento que o gerente não possa desempenhar esse papel. A gerência só é completa se englobar função e papel. Nada mais estéril que um bom desempenho das funções. Assim como não há nada mais gratificante que o fruto de uma liderança bem orientada.

Isto tudo para dizer o seguinte: estamos carentes de bons resultados que sejam obtidos com crescimento pessoal. Não nos preparamos para isto. Ainda há gerentes que gritam e ofendem, e isto porque foram eles funcionários que gritavam e ofendiam. Não há o cultivo da confiança, e sem confiança não há respeito. Continuaremos, ainda por um bom tempo, numa terra de índios. Onde há índios, há chefes. Mas precisamos mesmo é de gerentes. E líderes. De preferência, numa só pessoa.