domingo, 25 de novembro de 2007

Denunciar a quem?

No caso do Pará, em que uma adolescente estava presa junto a homens que a estupravam freqüentemente, os moradores da região sabiam do caso. Mas não denunciaram. o argumento era que se a polícia, a delegada, e o juiz já sabiam, a quem poderiam denunciar?

O caso ganhou manchetes pelo mundo. No Brasil, principais jornais estampam a notícia e seus desdobramentos.

Agora, surgiram mais casos. E estão sendo apurados.

Fica a pergunta: denunciar a quem?

Se uma emissora de TV investigasse, e estampasse a denúncia, seria mais rápido. idem para um jornal. Mas as autoridades que já sabiam do caso não poderiam ser consideradas como solução, naturalmente.

Estamos num país que, em teoria, segue leis. E diversas delas foram solenemente ignoradas, neste caso. E pelos que deveriam zelar por ela. Dependemos, então, de entidades independentes, como a mídia, para que alguns casos possam ser apurados.

O que nem sempre acontece. Houve, nos anos FHC, uma denúncia de que ele teria tido um filho com uma jornalista. Somente vi o caso num meio de comunicação. Os demais calaram. Foi em interesse de quem? Outro exemplo, desta vez mais palpável: Boris Casoy. depois de dar voz à indignação do brasileiro, ainda nos anos Collor, diz a lenda que foi defenestrado da Record a pedido de Lula.

E se foi mesmo?

O caso é que, num e noutro caso (autoridades e meios de comunicação) estamos à mercê dos interesses privados, não da população. Se o retorno não compensar, estamos ainda no Velho Oeste.

Pena, mas os meios de comunicação ainda são nosso único porto. Nem sempre seguro, mas, ainda assim, nosso último porta-voz.

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