quinta-feira, 29 de novembro de 2007

Retrocesso?

A urna eletrônica vai imprimir o voto. pelo menos se depender de projeto em trâmite na câmara.

O TSE diz que é retrocesso. E é. Mas é um retrocesso necessário.

Quem se lembra da fraude na visualização dos votos no senado, aquela que provocou a renúncia de Antônio Carlos Magalhães, já põe um pé atrás quando se trata de voto eletrônico.

Some-se o fato de que as urnas são distribuídas para mais de quatro mil municípios. e pronto! Temos uma grande chance de fraude!

Quem trabalha com informática concorda: é um retrocesso. Quem conhece o Brasil, contemporiza: precisa, sim, imprimir.

O TSE parece acreditar que no Brasil as coisas são como nos nossos sonhos. Não são. Ainda precisamos proteger tudo e todos de tudo e de todos. Melhor prevenir...

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Fonte Nova

Nem bem anunciaram o Brasil como sede da copa, uma tragédia. Anunciada, para repisar o clichê.

Já tinham denunciado. A Procuradoria já tinha pedido a interdição. Nada foi feito, sete trocedores morreram. Agora, o governador fala em demolir.

É uma grande piada. Que envolve futebol, a grande paixão nacional. Se não fosse, outros seriam os rumos.

Quais, mesmo? A tragédia não se consumaria, não haveria mortes. Sem mortes, não haveria comoções, e não haveria manchetes, Talvez uma notinha de rodapé, dizendo da falta de condições da construção...

Sim, que venha a copa.

domingo, 25 de novembro de 2007

Denunciar a quem?

No caso do Pará, em que uma adolescente estava presa junto a homens que a estupravam freqüentemente, os moradores da região sabiam do caso. Mas não denunciaram. o argumento era que se a polícia, a delegada, e o juiz já sabiam, a quem poderiam denunciar?

O caso ganhou manchetes pelo mundo. No Brasil, principais jornais estampam a notícia e seus desdobramentos.

Agora, surgiram mais casos. E estão sendo apurados.

Fica a pergunta: denunciar a quem?

Se uma emissora de TV investigasse, e estampasse a denúncia, seria mais rápido. idem para um jornal. Mas as autoridades que já sabiam do caso não poderiam ser consideradas como solução, naturalmente.

Estamos num país que, em teoria, segue leis. E diversas delas foram solenemente ignoradas, neste caso. E pelos que deveriam zelar por ela. Dependemos, então, de entidades independentes, como a mídia, para que alguns casos possam ser apurados.

O que nem sempre acontece. Houve, nos anos FHC, uma denúncia de que ele teria tido um filho com uma jornalista. Somente vi o caso num meio de comunicação. Os demais calaram. Foi em interesse de quem? Outro exemplo, desta vez mais palpável: Boris Casoy. depois de dar voz à indignação do brasileiro, ainda nos anos Collor, diz a lenda que foi defenestrado da Record a pedido de Lula.

E se foi mesmo?

O caso é que, num e noutro caso (autoridades e meios de comunicação) estamos à mercê dos interesses privados, não da população. Se o retorno não compensar, estamos ainda no Velho Oeste.

Pena, mas os meios de comunicação ainda são nosso único porto. Nem sempre seguro, mas, ainda assim, nosso último porta-voz.

sábado, 24 de novembro de 2007

Ainda sobre o aborto

Com a atual discussão sobre o aborto, fica uma questão: onde serão feitos se legalizados?

É preciso lembrar que há filas de meses para uma simples consulta. Se para consultas demora-se dessa forma, como seria para agendar um aborto?

A discussão, no Brasil, está brava. Mas não quer dizer que a decisão será obedecida...

Mas a posição, independente de posição religiosa, deve levar em consideração o custo para o estado dos resultados indesejados do aborto feito em condições precárias. Legalizar o aborto seria, no mínimo, uma medica econômica do estado que se diz laico.

Outra coisa bem diferente é ser contra ou a favor do aborto em si. Mas esta é uma questão pessoal, a que aderem as pessoas que acreditam na causa. Assim sendo, repito, quem não aceita o aborto que não o faça. Ou melhor, que não precise dele. Mas não podemos impor a ninguém nossas crenças.

Isto posto: sou a favor da legalização. Embora seja contra o aborto.

Veja essa!

Os Estadus Unidos sempre são citados por causa de sua justiça. Lá, tudo acaba indo às cortes. Tropeçou na rua? Processo a prefeitura. Queimou a boca no restaurante porque a comida estava muito quente? Processo!

Agora, uma seguradora está processando uma mulher que, atropelada, utilizou o seguro para a assistência médica. Em processo contra o atropelador, conseguiu uma indenização e recebeu US$ 700.000,00. Descontadas as custas judiciais, ficou com pouco mais de US$ 417.000,00. No processo, foi condenada a pagar para a seguradora em torno de US 470.000,00. Ou seja, mais que o líquido que recebeu na justiça.

A decisão baseia-se numa cláusula do contrato que dizia que, se recebesse indenização pelo evento, o segurado deveria ressarcir a empresa pelos custos do tratamento de saúde.

Pois bem, eu achava que a saúde no Brasil era ruim... ah, mas é. Não é este o ponto. O ponto é que a saúde ainda vai acabar com os Estados Unidos. .. ok, deixe-me refrasear: os custos da saúde ainda vão abalar a economia dos Estados Unidos.

Os candidatos a candidatos a presidente dos Estados Unidos fogem da questão. É tão espinhosa que todos se deram mal ao abordá-la. Ford e GM já culparam o seguro saúde como um dos grandes custos que têm de arcar. E a saúde é bem tratada, ou não é. O SUS de lá é bem melhor que o de cá, mas não se compara ao serviço prestado aos assistidos pelo seguro.

Bem, lá a ré (
Deborah Shank) está viva para protestar. Na cadeira de rodas, mas viva. Aqui, como seria?

De qualquer forma, esta é uma decisão que aplica a lei, mas está longe de fazer justiça. Justiça, mesmo, não é o caso dos Estados Unidos. Aplicar a lei, sim.

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Essa merece

Por falar em lembranças, esta merece!

O site do Beto Santos é de visita obrigatória, veja aqui.

Lembranças de Campinas

Dia destes, dia de muita chuva em Campinas, levei minha ao teatro do Shopping e resolvi passear (algo raro). Encontrei logo um casal que estudara comigo, já havia vários anos.

Lembramos de tudo e de todos, e lembramos até de quem nem lembrávamos.

E isto trouxe-me à mente imagens que, se você conheceu Campinas há alguns (vários) anos, deve lembrar-se também:

  • o balão do Castelo, onde os boyzinhos iam fazer gracinhas com seus carros;
  • o balão do Timbó, aquele pizzaria que não existe mais, mas que todos ainda citam como ponto de referência;
  • o Paulistinha, barzinho muito perto do City Bar, e ponto de parada obrigatória na saída das noites. um dos poucos que funcionavam 24h;
  • o Bate-Papo no Cambuí, outra parada obrigatória, esta ao raiar do dia, para tomar um caldo ou uma sopinha, devidamente acompanhada por uma cerveja gelada, para espantar a ressaca;
  • o Bar do Mazzola no Castelo;
  • o Faca Bar na Conceição;
  • o Ponto Chic na Sacramento;
  • o Cine Scorpius, um drive-in dos mais comportados;
  • o Choppão, às margens da lagoa do Taquaral, concentrava os passeios nos finais de semana à tarde;
  • o Eldorado, quase um shopping;
  • O Apocalipsis, Apô para os íntimos, bem à frente da Woo Doo, pontos dançantes pertinho do Guarani;
  • Por falar em Guarani, além de seus carnavais, os shows que aconteciam no ginásio;
  • O Concórdia;
  • A Quéops;
  • e tantas mais...
Falamos a não mais poder dessas coisas tantas e distantes. Eles, que já namoravam naquela época,agora casados, somente para não fugir da escrita, ficaram imaginando alguém para mim...

Enfim, lembrar é bom. Era uma época em que a violência era menor, as drogas ainda não tinham a força de hoje, os lugares eram mais tranqüilos. Como sempre digo à minha filha, queria que conhecesse cada um desses pontos de minha memória. Mas já sei que seria tedioso; ainda não tinha internet, nem celular, nem TV a cabo.

Mesmo assim, sobrevivemos. E aqui estamos para contar as histórias.

Lula e o Rei

Agora, Lula defende Chávez. Jornalistas fazem uma ilação: o motivo é que, assim como Chávez, Lula também acha que mudanças na regra do jogo são legítimas, se chanceladas pelo povo. Assim, Lula, ao mesmo tempo que elogia a democracia de Chávez, faz vista grossa ao desentendimento com o rei, como se este não tivesse de estar presente no encontro que ele patrocinou.

Viajando no tempo, não podemos condenar Lula. Fernando Henrique esteve envolvido no escândalo da compra dos votos da reeleição. E ela foi instituída. Nem por isto ele tem a pecha de ditador ou de casuísta.

O fato é que todos se baseiam na regra do jogo. E ela admite mudanças. Condenar Chávez seria condenar Fernando Henrique e as pretensões de Lula.

Mas nem por isto é certo.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Girando...

O Rei e Chávez
Chávez quer que o Rei Juan lhe peça desculpas!
Incrível! Depois de uma demonstração de, no mínimo, falta de cordialidade, ouviu o que não queria. E ainda se acha no direito de exigir retratação. A postura autocrática é assim. A razão lhe pertence, os outros são... os outros.
Amigo de quem mesmo?

CPMF
Sim, vamos conviver com ela ainda muito tempo. Os discursos oposicionistas tinham somente um objetivo: vantagens estamentais. O povo? Ora, o povo...

O Petróleo
Uma bela notícia, que pretende acabar com a questão sobre a privatização da Petrobrás. Nunca saberemos se a Petrobrás privada teria mais sucesso que a estatal. A considerar o comentário de Mantega sobre o lucro do Banco do Brasil (o BB não está voltada para o lucro, como os demais bancos privados), acho que a Petrobrás privada teria um melhor desempenho. mesmo considerado o excelente desempenho atual. Pode ser somente um preconceito de minha parte. Ou pode mesmo ser o que a razão diz. Neste Brasil de Macunaíma, não sabemos onde estão as saúvas.

O feriado
Contra a maré, digo: que desperdício de tempo e dinheiro. O Brasil não melhora com esses feriados. Mesmo que não piore.

Renan
O fim está próximo?

terça-feira, 13 de novembro de 2007

Pessoas difíceis

Nos últimos tempo tenho me deparado com pessoas de trato muito difícil. Algumas no campo pessoal, outras no campo profissional. Em comum, o fato de adotarem posições ora dúbias, ora agressivas, ora infantis ao lidar com questões cotidianas.

Tenho uma posição pessoal firma: a pessoa escolhe seus comportamentos. Dizer que é assim mesmo e pronto é assumir que esse comportamento está bom, e não interessa mudar. Não reconhecer o próprio comportamento é um alheamento que, por si só, já indica que mudança nunca haverá.

Mas os sinais deveriam indicar à pessoa seu traço de comportamento. Em vez, mostra-se como uma conspiração, ou falta de competência, ou falta de habilidade... do outro.

Os amigos não ajudam. A maioria valida o comportamento. Ao ouvir os argumentos de uma explosão de sentimentos, é comum ouvir o apoio incondicional, no lugar da sinceridade necessária ao desenvolvimento pessoal.

O resultado, infelizmente, é meramente subjetivo. Mas poderoso, felizmente. Algumas pessoas se isolam no morro do mau-humor e acabam sem amigos. E, aos poucos, se encarregam elas mesmas de acabar com eles.

O profissional é tido como difícil. É aquele que não tem network (ou tem uma reduzida), aquele que, sem o poder o cargo, é somente mais "um grosso".

Esses comportamentos são desagregadores e determinam resultados ruins. Ou não tão bons como poderiam ser. isto no campo pessoal e profissional.

Aqui, como nos casos de usuários de drogas, não adianta nosso esforço, se a pessoa não reconhecer que tem problema e resolver tratar dele.

Infelizmente, comportamentos disfuncionais são regra. Poderiam, deveriam, ser exceção.

segunda-feira, 12 de novembro de 2007

CPMF

Sobre a CPMF, alguns registros:
  • O PSDB é o fiel da balança. Depende dele a manutenção da contribuição. Justo ele, que a trouxe de volta. Ironia...
  • Se o PSDB estivesse de fato no governo, a CPMF estaria aprovada. O quer dizer somente que o interesse é o que conta.
  • Mas parece até oposição séria. Seus argumentos são tão lógicos que parece mesmo que a prioridade é o Brasil. Pena que sejam contraditórios em relação àqueles que utilizaram na volta do simpático tributinho...
  • Se você gasta mais do que ganha, é irresponsável. Se seu salário é diminuído, tem de escolher onde cortar gastos. Mas o governo não é assim. Tem a caneta, tem a chave do cofre. Escolhe quando e como. Qualquer governo. PT e PSDB estão confirmando isto.
  • Lula, no seu pragmatismo, está cada vez mais a cara do Fernando Henrique. Sem ofensa. Para nenhum dos dois...

Eu confesso

Manhã destas, indo para São Paulo, acompanho as peripécias de um motorista pelo meu retrovisor. Ele vem lá de longe, pressionado carros á sua frente, ultrapassando pela direita, em alta velocidade.
Passou por mim um pouco antes do pedágio, bem rápido.

Ao perceber que ele tinha o SemParar, decidi pegar a fila que ele não pegasse. Dito e feito: passou muito rápido, o sistema não teve muito tempo para raciocinar, e o carro dele acabou batendo na cancela, fazendo-o parar para ver os estragos.

Confesso: foi bom!

Motorista espertinho, atrasou-se por causa da pressa...

Desleixo

Estou meio assoberbado, daí este espaço ter ficado um tempo sem atualização.
Final de ano, muita coisa acontecendo, tempo de conversas e planejamentos.

Mas voltei.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A ANAC

No dia da Fórmula 1 em SP, chuva. Foi o que bastou para aquele caos todo em Congonhas. Peraí: de novo?

Quando Jobim tomou posse, disse que resolveria os problemas. E determinou uma série de medidas que esvaziaram o saguão de Congonhas. Descrevi neste blog a diferença brutal de então com o "antes". E, ao longo do tempo, venho escrevendo que, aos poucos, o movimento se aproximava dos observados antes das queda do avião da TAM.

Prova disto é o reflexo de uma simples chuva no aeroporto. De novo, pessoas esperando muitas, muitas horas para embarcar.

O que mudou, de concreto? Não sei. Sei que nossa espera, agora, em vez de ser no saguão, é no avião. Já fiquei uma hora dentro do avião parado, para uma viagem de 45 minutos. Noutra ocasião, fizemos a viagem de 45 minutos e ficamos outros 40 sobrevoando Santos, à espera do momento de aterrisar.

As medidas anunciadas bombasticamente foram no melhor estilo "para inglês ver". Os problemas continuam, porque nunca foram resolvidos de fato. E, no GP da Fórmula 1, tenho aqui minhas suspeitas. Pois descer em Congonhas é muito mais próximo de Interlagos do que descer em Guarulhos. Os vôos que trariam o público, então, seriam para onde?

Enquanto isto, nosso ministro da defesa, ora de bombeiro, ora de soldado das selvas, vai desfiando ironias à aviação. É certo que não se vê mais rebeliões de controladores. E é certo que as medidas foram tomadas (se foram sustentadas, é outra história). Mas o passado nos permite desconfiar que haja uma grande dose de manipulação da verdade e uma outra grande dose de autoritarismo. E nem uma coisa e nem outra resolverão nossos problemas.

Para encerrar: o presidente da ANAC sai de cena. Milton Zuanazzi entregou o cargo. O que ele fez de bom? Não sei. recebeu uma medalha, acho. De ruim? Deixou os aeroportos sob a influência única da inércia. Que, com toda a "resistência" do dia-a-dia, acabou pior do que era. Vai tarde!