segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Que é isto, companheiro?

Uma das noções que temos de corrupção é aquela clássica, bem demonstrada no Brasil, em que o corrupto aceita dinheiro em troca de algum favor, ou uma ação. É a corrupção em moeda sonante.

Fôssemos mais evoluídos, teríamos uma noção mais aprimorada do que é corrupção. Esqueçamos o dinheiro. Pois ele é uma vantagem financeira. Foquemos em vantagem.

O governo quer a aprovação da CPMF. Aí, orienta seus acólitos a absolver (amaciar) para o lado do presidente do Senado. Houve vantagem?

Outros não estavam sob avaliação. Ao menos, não como Renan Calheiros. Para uns, o governo liberou verbas, como amplamente noticiado pela mídia. É vantagem?

Alguns, que não queriam sapato de cromo, mas apenas um chinelinho, ao perceberem que não o receberiam, se rebelaram. Votaram contra a SEALOPRA (a famosa secretaria de ações a longo prazo). No curto prazo, acabaram com a festa daquele que chamou o governo Lula de "o mais corrupto de todos os tempos". Ainda que tenha faltado planejamento a longo prazo, o recado foi: que vantagem levou a turminha que votou contra?

Pois bem, isto é a política. Uma troca de vantagens, assim percebidas as ações que interessam a uns e outros grupos. Não se trata de analisar o que é melhor para o Brasil. Mas o que é melhor para os brasileiros. Os envolvidos nas negociações, pelo menos.

A política é essencialmente corrupta. Ao menos a praticada no Brasil. E estamos todos muito confortáveis com isto, o que é triste.

Nossos representantes somente deixarão de considerar vantagens pessoais como moeda de troca se nós mesmos, eleitores, deixarmos de escolher nossos representantes segundo essa ótica individualista. mas é uma utopia claro. Sempre vai existir o representante dos ruralistas, dos industriais, dos bancários, dos católicos, dos trabalhadores...

Peraí. Dos trabalhadores não. Pois este é um ser que existe somente em discurso de político. É como uma abstração, uma entidade amorfa, que não precisa e nunca precisará de representantes. Pelo menos é o que parece. Pois que nem aqueles que foram eleitos em seu nome hoje honram a preocupação prometida.

Como é que não nos indignamos com essa promiscuidade de vantagens pessoais entre nossos políticos?

Ah, é verdade. Não temos vantagem nenhuma nisto...

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