quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O acidente de Santa Catarina

O acidente de Santa catarina choca e comove. Choca pela quantidade de vítimas e pela seqüência que levou ao total de mortos e feridos.

Infelizmente não é surpresa. Quando relatei o caso de um caminhoneiro pelo interior paulista, o fiz por ser uma cena bem comum pelas estradas. Quando a pista é simples, o perigo aumenta. Mas é um perigo que, apesar de gritante, não tem oposição. Não há formas de evitar e não há formas de controlar.

Estamos à mercê da sorte. Que às vezes sorri, mas às vezes se ausenta. Vemos todas as propagandas de segurança no trânsito, com suas recomendações de usar cintos de segurança, realizar manutenções no carro, verificar pneus, etc. Mas não vemos mais aquele policiamento que faz as checagens para ver se o carro do cidadão tem condições de checagem.

O policial foi substituído por um equipamento que se limita a verificar a velocidade. Que o motirista ajusta nas proximidades do radar, graças ao aviso de outros "bem intencionados" motoristas, que sinalizam denunciando o caça-níqueis do governo, ou pelos equipamentos que justamente identificam a presença desses radares.

Como se não bastasse, a manutenção do carro não garante o comportamento do motorista. No caso que relatei, o motorista chegou a obrigar carros que vinham na direção contrária a sair para o acostamento (para não bater). Assim são outros casos.

Vindo de São Paulo, uma senhora, quando eu estava ao lado do seu carro, resolveu sair para minha pista. Saiu, me obrigou a ir para o acostamento, e ainda se achou no direito de xingar (aqui, acho que não foi maldade. Foi um erro que, em lugar de ser reconhecido por ela, resolveu achar que eu não deveria estar ali quando ela queria passar).

Mas os caminhões são problema. Certa vez, a bordo de um guincho (eu e meu carro), o motorista, em alta velocidade, veio reclamando do limite. Pois o seu caminhão, mesmo carregando um automóvel, tinha condições de correr a muito mais que a velocidade máxima permitida ali (120 km/h para automóoveis, 90 km/h para caminhões, e ele estava a 120km/h).

Já é conhecido o sinal de "mudar de pista" dos caminhoneiros quando querem fazer uma ultrapassagem em pista dupla. Acenam com a mão para que nós mudemos de pista, pois eles já estão naquele em que trafegamos.

O acidente de Santa Catarina chocou. Quando acontece o acidente, chocamos-nos, perturbamos-nos, queremos deixar de acreditar. O que precisamos, mesmo, é evitar. E nossa ação não existe nesse sentido.

Nas rodovias Anhangüera e Bandeirantes existem câmeras de vídeo em grande parte da extensão. Elas não podem servir de base para autuação por velocidade, mas deveriam servir para punir os responsáveis por manobras perigosas, e estes existem aos montes. Exemplos: ultrapassagens pela direita, tráfego no acostamento, "cortadas" em outros veículos. Mas servem apenas para monitorar o trânsito. Se há pontos de lentidão, se há acidentes.

Nosso pedágio volta como facilidades nas vias de rodagem. Costumo dizer idiotamente pelo Brasil afora que pagamos, mas temos boa qualidade nas rodovias. É uma verdade, mas não abrange toda nossa necessidade. Há quesitos de segurança que precisam ser atendidos. Um acompanhamento mais objetivo, com ações punitivas, hoje seria uma boa resposta à essa demanda.

Para encerrar, (mais) uma experiência: vinha pela D. Pedro I (que liga Campinas ao litorial norte), à noite. De repente, todo apagado, entra na rodovia, de maneira atabalhoada, um Escort 1948 (sei lá que ano, mas era velho, no sentido de mal cuidado). Entra, ziguezagueia, e pára. Isto mesmo, pára, no meio (bem no meio) da pista. Quando percebi o risco, diminui minha velocidade e fiquei observando. Ele parava e se movia, aos sopetões. Repito, todo apagado, de noite. Quando percebi ser possível, ultrapassei-o, e vim na expectativa de avisar a polícia rodoviária. Que estava a mais de 50 kilômetros do local. Nenhuma câmera, nenhum policial. Um incauto que não o visse à noite poderia ter encontrado a morte. Assim como ele. De novo: estamos à mercê da sorte.

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