domingo, 7 de outubro de 2007

Comemorações

Uma amiga me liga e pergunta onde estou. (Esta era do celular, não perguntamos mais "quem fala?", mas "onde você está?").

Estava num restaurante, jantando. Aí, ela veio se juntar a mim. Na conversa, mencionei que estava comemorando uma meta atingida, o que a revoltou.

Primeiro: era uma lanchonete que servia refeições, nem podia ser chamado de restaurante. Segundo, eu estava comendo salada, nem era um prato especial. Terceiro, quem é que comemora tomando água mineral? E, mais importante, se eu estava comemorando, por que estava sozinho?

Deu trabalho, não sei se consegui explicar. Mas a meta foi atingida, e eu gosto de registrar esses momentos. Não, não precisa ser uma comemoração em alto estilo. Principalmente porque a "comemoração" tinha sido planejada assim. Desta forma, não interessava muito ser uma "lanchonete", nem ser uma singela salada o meu prato. E a água mineral não simplesmente uma água mineral, mas era uma água mineral com gás. E o fato de estar sozinho, ah, este foi difícil explicar...

Mas há uma lógica (acho) por trás disto tudo. Sou solteiro, moro sozinho. Traço minhas metas, planejo minhas lutas, lambo minhas feridas, tudo isto só. Quando decido entrar no olho da tempestade, o faço com minhas convicções, estanques, sem considerar outras quaisquer. Muitas vezes alguns amigos fazem parte de algumas discussões. E, na maioria das vezes, eu me pego defendendo a batalha, contra a idéia de figa deles. A questão aqui é que, nas nossas batalhas, devem entrar nossas convicções e nossa história. Nossas metas e nossas ambições. O preço a pagar sempre é combinado com o valor intrínseco da vitória pretendida. E cada qual decide de acordo com essa correlação. Se tem muito a perder, precisa valer muito a pena. Se tem pouco a perder, pode ser que tudo valha a pena.

Mas a nossa vida cotidiana também tem seu peso. O sacrifício de uma atividade diária, a disposição para fins de semana, a necessidade de estar presente em outras circunstâncias, tudo isto influi na hora de decidir pelo que vamos brigar.

Na minha vida, essa decisão é sempre muito simples. Mas a batalha é sempre minha, e não gosto de arrastar para ela pessoas que não escolheram-na para si. Daí o motivo de eu também comemorar sozinho.

E tem outras questão. Da última vez em que comemorei acompanhado, a circunstância mudou. O momento de comer minha saladinha com água é o momento de reviver cada momento, cada dificuldade, cada degrau transposto. Avaliar os erros, questionar os acertos. Enfim, é um momento íntimo, de introspecção.


Disse tudo a ela, e ela concluiu que estava atrapalhando minha comemoração. Saímos dali, fomos a um restaurante de verdade, e saboreamos um belo jantar com um delicioso vinho. Satisfiz a necessidade que ela tinha para engrandecer o momento. Porque era uma amiga querida.

De meu lado, na noite seguinte voltei ao meu restaurante (lanchonete), pedi de novo minha salada com água e comemorei. Sozinho.

Um comentário:

  1. ÁS vezes é melhor estar só que mal acompanhado....rss...
    Isso também vale para as comemorações.

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