sábado, 6 de outubro de 2007

A China

A proximidade do GP da China de Fórmula 1 me fez lembrar o quanto tenho encontrado grupos de chineses pelo Brasil afora.

Sempre em grandes grupos, são alegres e barulhentos. Conversam como se estivessem brigando, em altos brados, mas de repente tudo se transforma em risadas. São um povo alegre, lembrando italianos e os próprios brasileiros.

Lembro-me do livro Henfil na China, editado em meados dos anos 70, em plena ditadura nossa e deles. E hoje, vendo as fotos e lendo o comentário do blog do Fábio Seixas sobre a suntuosidade do autódromo, só consigo pensar em como as coisas mudam!

Os chineses são um dos povos mais antigos do mundo. Eram um império planetário antes de Cristo, e devem voltar a sê-lo nas próximas décadas.

Ainda estão experimentando o "efeito melado" pela queda do comunismo, se lambuzando de liberdade e capitalismo. Mas o caminho é sem volta, vão chegar lá e solapar muita potência pelo caminho.

Ainda hoje leio uma notícia de criança(s) que morreu(ram) envenada(s) pela ingestão de doces fabricados na China. Sim, assim, como brinquedos com excesso de chumbo, materiais de baixa qualidade, etc, etc, etc.

Mas precisamos lembrar que eles estão saindo de uma inércia total para um movimento catapultado pelas condições locais: extrema miséria, capacidade quase nula de gerar receita, de repente, são os grandes exportadores mundiais. Em ambientes onde se compra tênis sabidamente falsificados e CD sabidamente pirateados, tudo pelo menor valor, essa ímpeto chinês tende somente a crescer.

Num primeiro momento. O momento seguinte é o da busca pela qualidade, o da normalização da produção em relação às normas internacionais. Se lembrarmos do Japão antes da Guerra, com sua invasão de rádios a pilha, mas de baixíssima qualidade, e compararmos com o Japão pós-guerra e pós-Deming, poderemos ter uma visão do que deve ser a China pós-melado.

Vai ser interessante ver a guerra dos americanos, com sua força natural, enfrentar a força cultural da China, e ambos tendo como sombra a disciplina japonesa. A China não é um tigre, mas um dragão. Seu povo está mais que vivo, está pulsando. E quer se globalizar. Tomara que estejamos prontos.

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