quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Camisa de força

Hoje, na Folha de São Paulo, Clóvis Rossi desafia: que sistema é menor ruim que a democracia?

Também na Folha, Melchíades Filho sugere que a copa seja focada também no Nordeste, para desenvolver a região. Mas ressalta que não há latitude para a roubalheira.

São tristes conclusões. Nosso sistema político é ruim. Aqui, a heresia expressa: a democracia não é tudo aquilo com quer sonhavam os idealistas. Mas é melhor que os regimes anteriores. Menos mal com ela, portanto.

A outra: com a Copa em 2014, vai haver obras e desenvolvimento. Mas também roubalheiras. Como se as coisas fossem parte integrante uma da outra.

Moral da história: é ruim nossa democracia, mas não avançamos em direção a um ponto melhor. Não temos mobilização, e, se tivéssemos, falta-nos o poder institucional ara efetivar qualquer, frisando, qualquer mudança. O que é irônico, pois as instituições são formadas e reformadas em nosso nome. E somos nós que transferimos poder àqueles que fazem isto. Na hora de mudar (ou de decidir qualquer coisa), entretanto não passamos de "bases", "povo", "opinião popular". E não temos, nessa maravilha de democracia, poder de voz. Grande exemplo disto é que na votação sobre a cassação de Renan Calheiros, os deputados (nossos representantes) foram impedidos de entrar (entraram alguns, mas a que custo: pugilato). Se nossos representantes não podem, que dirá do "povo", que nem credencial tem?

Mas seja dita uma verdade: poucos estão interessados realmente nisto. Já na zona de conforto, nós que trabalhamos dez, doze horas ao doa (ou mais), nos preocupamos mesmo é com as banalidades cotidianas, deixadas para trás no corre-corre de nossa vida.

Refere-se a isto Clóvia Rossi no artigo de hoje, mas em relação às eleições argentinas, onde o desinteresse grassa. É diferente do Brasil? Não me parece.

Sobre a roubalheira, estamos de mão amarradas, e bem amarradas, nas costas. Recentemente foram indiciados dirigentes da Infraero por desvios de dinheiro. Milhões de reais. O que podemos fazer sobre o assunto? Recolher a CPMF, parece ser a resposta do governo.

À CPMF, pois.

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