quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A Copa do Mundo é nossa!!!

O ufanismo do título está carregado de sarcasmo.

Quando John Kennedy lançou o desafio de ir à lua, ele mobilizou e fez mobilizar vários organismos e pessoas no sentido de viabilizar seu projeto. E, antes do prazo dado, o homem foi à lua e voltou, são e salvo, como predissera o repto.

O que Kennedy fez foi transformar em meta um sonho. Colocou data e hora, e em função disto estabeleceram o "como". E, sucesso. Os Estados Unidos já tinham um excelente nível educacional, e um excelente atendimento médico. Exceções à parte, o povo americano estava estabilizado. Assim, pôde sonhar com as nuvens e com a lua.

E o Brasil? Estima-se que serão necessários quase vinte bilhões de reais para viabilizar a copa (infra-estrutura e outras obras essenciais, além do aparato de praxe). Para ser usufruído por menos de um mês e depois incorporar-se à paisagem. Provocará um belo afluxo de turistas, isto é verdade. Em um mês, impostos de serviços prestados e produtos vendidos terá um belo valor, também verdade.

A pergunta do mal-humorado aqui é: esta deveria ser nossa prioridade?

No Nordeste, pessoas estão morrendo na fila dos hospitais sem atendimento médico. Lá o caso é mais grave que nas outras regiões, só por isto tem esse destaque. Nas demais regiões, o grave já se classifica como o "cotidiano". Nossas estradas continuam esburacadas, aumentando o valor dos fretes de transportes, refletindo-se nos preços finais de nossos produtos. Nossas escolas ainda nem segurança têm, sem mencionar o salário ultrajante dos professores. Os equipamentos do nosso aparato de segurança são dignos de sucata. Tudo isto por falta de dinheiro.

Mas a copa, ora, a copa é de futebol. Futebol é que emociona o brasileiro. O presidente do senado está envolvido em denúncias? Paz no Brasil. O Corínthians vai cair? Comoção! Protestos! Agressões!

O rolex de Luciano Huck foi roubado? Bem feito, o rico merece! A mãe do jogador (de futebol) foi seqüestrada? O Brasil inteiro pára para acompanhar e ajudar.

Lula, com sua verve natural (e sua diarréia verbal) deveriam engrandecer o Brasil. Há filas nos hospitais? Lance-se o desafio de, em sete anos (o tempo que falta para a "nossa" copa) acabar com essas filas. Há crianças sem escolas? Desafio: escola para todos (em sete anos). E por aí vai.

Mas nosso ufanismo não se comove com hospitais. Nem com educação. Comove-se com o espetáculo fugaz da Copa, com seus bilhões de reais que, sabemos, multiplicam-se como pães e peixes, aos doadores de campanha, digo, empreiteiras. Dos hospitais e escolas, obras pequenas, já não se pode atribuir o mesmo interesse.

Pobre Brasil. Mas nossa pobreza é intelectual. Principalmente intelectual.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sérgio Cabral, criminalidade, aborto

Sérgio Cabral tocou num nervo exposto, para variar. Declarou que a fertilidade das mulheres das favelas cariocas é grande fornecedora do crime (tráfico). E defendeu o aborto para pobres, da forma como já existe para os remediados.

Ok. Cabral tocou num ponto, mas não esgotou o assunto. Assumir que este seja a origem de todos os males criminosos do Rio (e do Brasil) é reduzir a questão a um tamanho inaceitável. Há diversos fatores, e este é, sim, um deles. Mas não é o único.

Mas é um deles, sim. Como frisou Barbara Gancia em seu artigo de hoje na Folha de São Paulo, quais são as chances de jovens gerados "à revelia" e rejeitados por seus pais se tornarem criminosos? Com as companhias que se lhes oferece nas favelas, e a falta de perspectivas sociais, o tráfico é até uma possibilidade de vencer na vida, infelizmente. Assim, aos que não planejam engravidar, ou não planejaram, o estado deveria oferecer meios de evitar ou interromper a gestação. Isto aqui colocado sem conotação religiosa, mas pragmática.

O que dizer, então, do perfil dos usuários de drogas, destacadamente jovens de classe média/alta? Não se pode afirmar que sejam fruto d gravidez indesejada. Não se pode dizer que não tenham tido amparo familiar ou conforto. Mas é quem oxigena o tráfico. Sem esse consumo. seria menor o tráfico (talvez crescessem outras atividades criminosas, para compensar a perda de receita dos bandidos, mas esta é outra discussão). Mas aqui não se pode dizer que o aborto resolveria. Portanto, é preciso olhar o cenário como um todo, e não apenas achar que, legalizado o aborto, resolveríamos todos os problemas do Brasil.

Mas o aborto é uma medida controversa, muito controversa. Há os que são a favor, muito a favor, e os que são contra, muito contra. Dificilmente se encontra quem seja neutro em relação ao tema.

Normalmente, o que embasa a posição formada é a orientação religiosa. Num estado laico, como se declara o brasileiro, tal orientação não pode se refletir na lei. Motivo pelo qual o STF realizou recentemente um workshop de biológos falando sobre concepção e vida. O objetivo era dar aos ministros um embasamento científico para julgas as questões que envolvessem esses conceitos. Sem resultados práticos, ainda, mas uma bela iniciativa.

Os argumentos religiosos se limitam sempre pela realidade. Ao assumir para si um comportamento indicado por uma religião, a pessoa o faz sempre manifestando sua liberdade de escolha. A mesma que define se ela terá relações sexuais (exceção feita ao estupro), e a mesma que lhe possibilita escolher sexo seguro e métodos contraceptivos. Não escolhendo este caminho, ou seja, optando por não se proteger contra DST e concepção indesejada, submete-se às conseqüências e riscos inerentes. Em tendo escolhido não utilizar métodos contraceptivos, assumiu a possibilidade uma gravidez. Se lhe barra a religião a possibilidade de fazer aborto, sua liberdade de escolha (mais uma vez) é quem determina se fará de fato ou não. Pois não tem (mais) a religião o poder coercitivo de evitar seu ato. Quanto ao fato de tomar uma atitude condenada pela religião, terá momento para se justificar, segundo a maioria das crenças.

O que destaca Sérgio Cabral é que as pessoas de maior capacidade financeira é que está ao alcance delas realizar o aborto (independentemente de orientação religiosa). O mesmo não se dá com as pessoas de menor poder aquisitivo. Que se arriscam com agulhas de tricô, parteiras/abortadeiras e pseudo-clínicas (onde parteira/abortadeiras fazem o "procedimento" às vezes até com agulha de tricô). Ou não. Essas de menor poder aquisitivo deixam a criança nascer, para dá-las a outras pessoas, à vida bandida, ou simplesmente dar-lhes as costas.

O debate não se encerrará cedo, porque não se iniciou. Ao tema é comum aplicar uma sonora vaia, mas não uma produtiva discussão. É terreno pantanoso, do qual fogem os políticos e religiosos.

E, assim, com todos desviando o rosto do problema, vão ainda morrer muitas mulheres em decorrência de complicações pós-aborto. E ainda muitas crianças vão crescer, rejeitados ou simplesmente mimetizados com a criminalidade, contribuindo para nossas trágicas estatísticas.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Camisa de força

Hoje, na Folha de São Paulo, Clóvis Rossi desafia: que sistema é menor ruim que a democracia?

Também na Folha, Melchíades Filho sugere que a copa seja focada também no Nordeste, para desenvolver a região. Mas ressalta que não há latitude para a roubalheira.

São tristes conclusões. Nosso sistema político é ruim. Aqui, a heresia expressa: a democracia não é tudo aquilo com quer sonhavam os idealistas. Mas é melhor que os regimes anteriores. Menos mal com ela, portanto.

A outra: com a Copa em 2014, vai haver obras e desenvolvimento. Mas também roubalheiras. Como se as coisas fossem parte integrante uma da outra.

Moral da história: é ruim nossa democracia, mas não avançamos em direção a um ponto melhor. Não temos mobilização, e, se tivéssemos, falta-nos o poder institucional ara efetivar qualquer, frisando, qualquer mudança. O que é irônico, pois as instituições são formadas e reformadas em nosso nome. E somos nós que transferimos poder àqueles que fazem isto. Na hora de mudar (ou de decidir qualquer coisa), entretanto não passamos de "bases", "povo", "opinião popular". E não temos, nessa maravilha de democracia, poder de voz. Grande exemplo disto é que na votação sobre a cassação de Renan Calheiros, os deputados (nossos representantes) foram impedidos de entrar (entraram alguns, mas a que custo: pugilato). Se nossos representantes não podem, que dirá do "povo", que nem credencial tem?

Mas seja dita uma verdade: poucos estão interessados realmente nisto. Já na zona de conforto, nós que trabalhamos dez, doze horas ao doa (ou mais), nos preocupamos mesmo é com as banalidades cotidianas, deixadas para trás no corre-corre de nossa vida.

Refere-se a isto Clóvia Rossi no artigo de hoje, mas em relação às eleições argentinas, onde o desinteresse grassa. É diferente do Brasil? Não me parece.

Sobre a roubalheira, estamos de mão amarradas, e bem amarradas, nas costas. Recentemente foram indiciados dirigentes da Infraero por desvios de dinheiro. Milhões de reais. O que podemos fazer sobre o assunto? Recolher a CPMF, parece ser a resposta do governo.

À CPMF, pois.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Dois pesos, duas...

Quando Rubens Barrichelo deu passagem para Schumacher na Áustria, em 2002, a manobra foi tachada de marmelada, vergonha, daí para baixo.

Em 2007, com a evolução dos tempos, a manobra de Massa em favor de Raikonnen foi jogo de equipe. Como "equipe de futebol", como citou nosso locutor esportivo obrigatório (por causa do monopólio).

Como dois eventos de mesma origem e tipo conseguem sensibilizar de forma tão diferente? Na primeira ocasião, a FIAT do Brasil protestou, segundo noticiários da época. Será que agora se antecipou, e tratou de acalmar os ânimos chauvinistas bem cedo?

Não gosto do Galvão Bueno. Ele interrompe seus comentaristas e desdenha de suas opiniões. Se perde em apologias do nada, e gosta de adivinhar, não narrar, os eventos esportivos. Adivinha o que está pensando, o que está querendo, o que está sentindo.

Só para comparar, ontem vi o VT da cortida no SporTV. É descomunal a diferença da dupla Sérgio/Lito. Eles narram como uma dupla de fato, um admitindo a possibilidade do outro estar correto. E suas análises são sempre mais acertadas que o trio de ouro. Um exemplo: enquanto o trio tentou, por vários e intermináveis minutos, adivinhar o que acontecera com o carro de Hamilton, Lito e Sérgio mataram na hora: "- a marcha não entrou!"

Tristeza é não podermos escolher, por uma tremenda dominação negocial-financeira, onde vamos assistir os eventos. A solução é simples: veja na Globo, ouça em qualquer rádio.

domingo, 21 de outubro de 2007

sábado, 20 de outubro de 2007

Fim de semana

Semana cheia, fim de semana de pai.
Depois de voar muitos, muitos kilômetros, dirigindo, por mais de 1200. Reunião, aqui, reunião ali, planejamentos, relatórios, cobranças...

Mas, hoje, sábado, é dia de ser pai. 100% pai. E vamos assistir à uma peça da filhinha com amigos. E não é que foi um excelente programa?

Agora, descansar um pouco. Estou mesmo precisando.

Ah, Massa na pole. O domingo promete. Estou torcendo pelo Raikkonen. Não, não para ser do contra. Mas para ser justo. A Mclaren trapaceou. Seus pilotos se beneficiaram disto. Gostaria mesmo que a título de pilotos não fosse para um dos seus.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

O tempo passa...

Quem assistiu Star Trek original certamente resiste a aceitar o Capitão Kirk como Denny Crane em Boston Legal (No Brasil, pela Fox, Justiça sem limites). Aliás, é, ao lado de Alli Mcbeal, o melhor seriado cômico sobre advigados da TV.

Mas voltemos ao Capitão Kirk. Outrora destemido, politicamente correto, um herói com caráter, de repente vê-se tolo, fútil medroso... Quando cultuamos a figura, é difícil aceitra novo papel. Willian Shatner que o diga.

Mas Star Trek se foi, dando lugar a outros sucessos. Boston Legal, por exemplo. Ator que é, Shatner incorporou outro papel. E, ao lado de Alan Shore (James Spader), constrói uma deliciosa comédia.

Mas me lembrou muito a música abaixo. Que, cantada por Sinatra, virou hino.



Na voz de Dione Warwick

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Estereótipos?

Recentemente li num artigo uma referência azeda de um jornalista a um estereótipo aplicado ao Brasil. Mas não concordo com o azedume, embora concorde que haja mesmo imagens que são emprestadas a pessoas, países, tecnologias e outras, transformando-se em ícone, quer gostemos oi não.

Mas pelas ruas de Manaus vejo sinais desses estereótipos: cocares, artigos indígenas, imagens de onças, araras, papagaios... E quem as está divulgando é o público local, que lucra com isto.

Nas ruas de Salvador, as imagens das baianas. Por Salvador e Recife, por exemplo, imagens de coqueiros, sol, mar e... mulatas. Muitas mulatas. Quer estereótipo maior?

O fato é que estereótipo vende. Quem esteve em Manaus terá uma tendência de lembrar do Brasil pelas imagens locais. Idem para quem esteve em Porto Alegre, Recife, Belém. Não vale para São Paulo, que tem uma imagem difusa de metrópole problemática. mas vale para o Rio, com a importante diferença que é uma cidade que não precisa criar estereótipos. Seus ícones são suas belezas naturais, e incluem-se aí as imagens das belas mulheres nas praias. Assim, na lembrança real ou idealizada do Rio, praias linda, paisagens lindas, mulheres lindas.

É ou não um estereótipo? Mas nem por isto é menos verdadeiro.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Tétris Humano

Você conhece aquele jogo de computador Tétris? Onde peças de formatos diferentes vão surgindo em cima, na tela, para que você as posicione de forma a encaixá-las embaixo?

Pois bem, por indicação de minha filha, aqui vai um vídeo de um Tétris. Mas veja a criatividade dos japoneses.



Ai, deve doer.

domingo, 14 de outubro de 2007

Privatizou bem...

Vamos elogiar.

Houve a privatização de rodovias federais na última semana. O que surpreendeu foi o valor do pedágio. Mais que o fato de que seis dos sete trechos foram arrematados por espanhóis. Talvez, uma vingança por Tordesilhas...

Vamos aos valores, destrinchados por Élio Gaspari na sua coluna de hoje na Folha de São Paulo (infelizmente só para assinantes). Ou melhor, ao valor mais surpreendente: R$ 1,42 (para cada 100 km, na Rodovia Fernão Dias, que liga São Paulo a Belo Horizonte). Compare: eu vou todos os dias para São Paulo, e pago R$ 10,60 no percurso (seja Anhangüera ou Bandeirantes).

Dá para comparar?

Onde está a mágica?

Mágica não existe em capitalismo. Ou o valor é suficiente, com uma margem de lucro considerada boa pela empresa, ou a empresa blefou. Não acredito que ela tenha blefado, pois não é um joguinho.

O que nos leva a pensar.

Os sábios da área condenaram os valores desse negócio. Representantes de entidades de classe (sim, há), especialistas, e até Geraldo Alckmin (votei nele, sinto-me à vontade para criticá-lo). Todos dizendo que o valor é insuficiente. Acho que insuficiente foi a análise e o trabalho daqueles que privatizaram as rodovias no estado de São Paulo. Que é a mesma base de partida da Fernão Dias, que teve esse valor absurdo na negociação.

Os espanhóis sabem que a comparação será inevitável. Obrigatória, até. Ainda assim, "compraram" a concessão.

Ao governo cabe estabelecer check-points que garantam qualidade dos serviços e das vias. E, mais que isto, por óbvio que seja: fiscalizar. Se isto acontecer, haverá uma vitória dos usuários.

Ao elogio, portanto. O governo Lula fez sua parte. Extrapolou a ideologia, mas, ora, já nem tinha mais essa preocupação, não é mesmo? Privatizou, e privatizou como se fosse gente grande. Uma ação de privatização entre adultos consentidos. Deu um banho nas privatizações anteriores. Deu um banho nas privatizações das rodovias paulistas.

Quem sabe se agora deixo de falar que pago caro pela qualidade de nossas estradas em São Paulo?

Não me lembro de outra situação em que o governo fez nada além do que bem governar. Quando se meteu em política, foi para que mesmo??? Nunca para interesses do Brasil como propagado nos períodos pré-eleitorais. As armações políticcas do governo nunca tiveram esse cunho de beneficiar a população, senão a pessoas e/ou partidos chamados aliados...

Parabéns. Que haja outras desse tipo.

sábado, 13 de outubro de 2007

É, as coisas mudam

Tínhamos uma turma. Que nasceu pequena, com quatro pessoas. Mas que logo foi crescendo, com outros aventureiros.

A desculpa? Pescar. Mas tinha uma época em que somente dois de nós levávamos material ("traia") de pesca; Os demais nem se davam o trabalho. Também, só o que eu levava era suficiente para que vários pescassem...

Com o passar do tempo, somente eu continuei levando a "traia". caprichosamente guardada numa mochila, cuidadosamente montada a cada pescaria. Descobri, depois de um tempo, que havia um rodízio dentre os demais, para evr quem iria ficar comigo no rio. Quem perdesse, claro.

Eram dias de churrasco, cerveja, e muita conversa jogada fora. Brincadeira várias, inclusive as mais bestas. Por exemplo, uma brincadeira de dar tapas na nuca que acabou num vidro de um carro quebrado. E um só comentário: - "puxa, imagina se tivesse me acertado".

Tinha um caiaque no rancho (era uma represa). Um belo dia, um de caiaque, outros de lancha, outros pescando num jirau no meio da represa, outro num avião (era chique, o danado).

Histórias mil. Como a do caiaque que virou. A da pedra, de toneladas, que "se mexeu" e jogou o incauto na água. A isca, que chamou a atenção de pescadores ao nosso redor, tantos eram os peixes que pescávamos, e que um de nós afirmou, simplesmente "- é a Folha de São Paulo". E, ato contínuo, puxou o anzol da água mostrando um pedaço de jornal como isca.

É, tempos idos. Era uma fuga às pressões do dia-a-dia, e só nós sabemos como eram grandes. Era a chance de nos escondermos da verdade, e montarmos nosso grande teatro do faz-de-conta. Nosso maior problema era a madeira para assar a carne. Ou descobrir quem é que iria limpar os peixes. Ou saber quem iria contar ao dono da casa que o seu scotch blue label tinha acabado...

Enfim, tempo em que algumas coisas muito, muito bobas viraram piadas. E que afloravam no dia-a-dia, na hora mais tensa, como escape. Como se estivéssemos no nosso recanto de pesca, brincando. Fugindo da insanidade, escondíamos-nos na insanidade.

Hoje, tenho contato com um dessa turma, que chegou a ter mais de vinte participantes. Um de nós se perdeu no Mato Grosso, ninguém sabe seu fim. Tememos pelo pior. Outros, distanciaram-se como há de ser nesta vida, de amizades fugazes e eternas.

Aquele com quem tenho contato amargurou-se com a vida. Não ri mais, a não ser aquela risada que trai a má vontade. Os demais, ora, os demais, a vida continua.

Mas de vez em quando pesco com minha turma, que me aturava pelas madrugadas afora, na beira do rio, com minhas piadas infames, que me dão tanta satisfação. E, nessas fugas, reencontro cada um desses amigos, rindo de piadas que só mesmo nós somos capazes de entender.

É, vamos pescar...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Caiu?

Não, foi um afastamento estratégico. Ainda não caiu. Será que vai?

Eliane Cantanhede na Folha de São Paulo afirmou que ele não reassume a presidência do senado, por falta de condições. Vou torcer para que ela tenha razão.

Afastou-se porque deteriorou-se o apoio político que ele tinha. Ou seja, se os senadores quisessem podiam tê-lo cassado na primeira votação. Não o fizeram.

Senadores acharam que ter as despesas pagas por uma empreiteira não quebra o decoro. Apoiavam abertamente (seu grupo de apoio) as afirmações do Grande Líder. Agora, que o GL resolveu espionar a chantagear os demais colegas (segundo as notícias da imprensa), seu apoio esvaiu-se.

Quer dizer, os senadores não tiveram problemas em aceitar o primeiro comportamento. Mas o segundo, que mexeu diretamente com eles, foi demais. Até seus aliados debandaram. O senado da república é corporativista, estamental e hipócrita.

Vai soltar? Espero que não. Espero que ele seja cassado, e que volte ao seu estado natal. E que lá seus eleitores tenham a coragem de puni-lo pelos excessos. Mas também espero que acabe a fome no mundo, e este é um pedido mais realista que o primeiro...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

O acidente de Santa Catarina

O acidente de Santa catarina choca e comove. Choca pela quantidade de vítimas e pela seqüência que levou ao total de mortos e feridos.

Infelizmente não é surpresa. Quando relatei o caso de um caminhoneiro pelo interior paulista, o fiz por ser uma cena bem comum pelas estradas. Quando a pista é simples, o perigo aumenta. Mas é um perigo que, apesar de gritante, não tem oposição. Não há formas de evitar e não há formas de controlar.

Estamos à mercê da sorte. Que às vezes sorri, mas às vezes se ausenta. Vemos todas as propagandas de segurança no trânsito, com suas recomendações de usar cintos de segurança, realizar manutenções no carro, verificar pneus, etc. Mas não vemos mais aquele policiamento que faz as checagens para ver se o carro do cidadão tem condições de checagem.

O policial foi substituído por um equipamento que se limita a verificar a velocidade. Que o motirista ajusta nas proximidades do radar, graças ao aviso de outros "bem intencionados" motoristas, que sinalizam denunciando o caça-níqueis do governo, ou pelos equipamentos que justamente identificam a presença desses radares.

Como se não bastasse, a manutenção do carro não garante o comportamento do motorista. No caso que relatei, o motorista chegou a obrigar carros que vinham na direção contrária a sair para o acostamento (para não bater). Assim são outros casos.

Vindo de São Paulo, uma senhora, quando eu estava ao lado do seu carro, resolveu sair para minha pista. Saiu, me obrigou a ir para o acostamento, e ainda se achou no direito de xingar (aqui, acho que não foi maldade. Foi um erro que, em lugar de ser reconhecido por ela, resolveu achar que eu não deveria estar ali quando ela queria passar).

Mas os caminhões são problema. Certa vez, a bordo de um guincho (eu e meu carro), o motorista, em alta velocidade, veio reclamando do limite. Pois o seu caminhão, mesmo carregando um automóvel, tinha condições de correr a muito mais que a velocidade máxima permitida ali (120 km/h para automóoveis, 90 km/h para caminhões, e ele estava a 120km/h).

Já é conhecido o sinal de "mudar de pista" dos caminhoneiros quando querem fazer uma ultrapassagem em pista dupla. Acenam com a mão para que nós mudemos de pista, pois eles já estão naquele em que trafegamos.

O acidente de Santa Catarina chocou. Quando acontece o acidente, chocamos-nos, perturbamos-nos, queremos deixar de acreditar. O que precisamos, mesmo, é evitar. E nossa ação não existe nesse sentido.

Nas rodovias Anhangüera e Bandeirantes existem câmeras de vídeo em grande parte da extensão. Elas não podem servir de base para autuação por velocidade, mas deveriam servir para punir os responsáveis por manobras perigosas, e estes existem aos montes. Exemplos: ultrapassagens pela direita, tráfego no acostamento, "cortadas" em outros veículos. Mas servem apenas para monitorar o trânsito. Se há pontos de lentidão, se há acidentes.

Nosso pedágio volta como facilidades nas vias de rodagem. Costumo dizer idiotamente pelo Brasil afora que pagamos, mas temos boa qualidade nas rodovias. É uma verdade, mas não abrange toda nossa necessidade. Há quesitos de segurança que precisam ser atendidos. Um acompanhamento mais objetivo, com ações punitivas, hoje seria uma boa resposta à essa demanda.

Para encerrar, (mais) uma experiência: vinha pela D. Pedro I (que liga Campinas ao litorial norte), à noite. De repente, todo apagado, entra na rodovia, de maneira atabalhoada, um Escort 1948 (sei lá que ano, mas era velho, no sentido de mal cuidado). Entra, ziguezagueia, e pára. Isto mesmo, pára, no meio (bem no meio) da pista. Quando percebi o risco, diminui minha velocidade e fiquei observando. Ele parava e se movia, aos sopetões. Repito, todo apagado, de noite. Quando percebi ser possível, ultrapassei-o, e vim na expectativa de avisar a polícia rodoviária. Que estava a mais de 50 kilômetros do local. Nenhuma câmera, nenhum policial. Um incauto que não o visse à noite poderia ter encontrado a morte. Assim como ele. De novo: estamos à mercê da sorte.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Faça o que digo...

Acusado por todos os lados, Renan Calheiros se declarou inocente. E isto bastou para que não se afastasse da presidência do senado. Afinal, nada restou provado. Eram apenas afirmações de outrem.

Agora, foi acusado de, através de seu assessor, espionar (ou tentar) senadores da oposição (a si). Conseqüência: afastou o assessor.

De duas, uma: ou o assessor é culpado, e o afastamento se deu porque a acusação tem sentido, é verídica; ou o senador faz uso de dois pesos e duas medidas.

Pois bem. Quando a acusação era contra si, bastou a contra-afirmação de que era inocente. No caso do assessor, que não deve ter a mesma credibilidade (ao que parece), ele o afasta, mesmo sem provas. Foi para o sacrifício. Será outro aloprado? Outro daqueles que, sob a alegação de "fi-lo ao meu alvedrio", assumem culpas que não lhes pertencem (unicamente)?

Ressuscitado, o senador do PT, como é mesmo o nome dele... ah, o senador Mercadante, O Abstêmio, declarou que consegue dez assinaturas do PT pela cassação do presidente do Senado. O que mudou? O muro caiu? Há alguma prova que não havia no caso da empreiteira? O senador foi ameaçado? Magoou-se com alguma coisa? Agora volta-se contra aquele contra quem não se tinha a menor prova?

As novelas da Globo andam a perder (o gerúndio faz falta..) público. Não é para menos. A TV Senado pode, em cores reais, mostrar muitos dos componentes das tramas montadas. Há romance (acho que sim, foi um romance, acreditemos); há vilões (muitos, pelo menos quarenta), há intrigas (agressões em boates, espionagem, bate-boca). Há os herói... (maldade, da brava, mas foi irresistível. Além da língua plesa, ops, presa, o herói adora um "s", come todos os que encontra numa frase)...

Diria o poeta morto: Brasil, mostra sua cara...

domingo, 7 de outubro de 2007

Comemorações

Uma amiga me liga e pergunta onde estou. (Esta era do celular, não perguntamos mais "quem fala?", mas "onde você está?").

Estava num restaurante, jantando. Aí, ela veio se juntar a mim. Na conversa, mencionei que estava comemorando uma meta atingida, o que a revoltou.

Primeiro: era uma lanchonete que servia refeições, nem podia ser chamado de restaurante. Segundo, eu estava comendo salada, nem era um prato especial. Terceiro, quem é que comemora tomando água mineral? E, mais importante, se eu estava comemorando, por que estava sozinho?

Deu trabalho, não sei se consegui explicar. Mas a meta foi atingida, e eu gosto de registrar esses momentos. Não, não precisa ser uma comemoração em alto estilo. Principalmente porque a "comemoração" tinha sido planejada assim. Desta forma, não interessava muito ser uma "lanchonete", nem ser uma singela salada o meu prato. E a água mineral não simplesmente uma água mineral, mas era uma água mineral com gás. E o fato de estar sozinho, ah, este foi difícil explicar...

Mas há uma lógica (acho) por trás disto tudo. Sou solteiro, moro sozinho. Traço minhas metas, planejo minhas lutas, lambo minhas feridas, tudo isto só. Quando decido entrar no olho da tempestade, o faço com minhas convicções, estanques, sem considerar outras quaisquer. Muitas vezes alguns amigos fazem parte de algumas discussões. E, na maioria das vezes, eu me pego defendendo a batalha, contra a idéia de figa deles. A questão aqui é que, nas nossas batalhas, devem entrar nossas convicções e nossa história. Nossas metas e nossas ambições. O preço a pagar sempre é combinado com o valor intrínseco da vitória pretendida. E cada qual decide de acordo com essa correlação. Se tem muito a perder, precisa valer muito a pena. Se tem pouco a perder, pode ser que tudo valha a pena.

Mas a nossa vida cotidiana também tem seu peso. O sacrifício de uma atividade diária, a disposição para fins de semana, a necessidade de estar presente em outras circunstâncias, tudo isto influi na hora de decidir pelo que vamos brigar.

Na minha vida, essa decisão é sempre muito simples. Mas a batalha é sempre minha, e não gosto de arrastar para ela pessoas que não escolheram-na para si. Daí o motivo de eu também comemorar sozinho.

E tem outras questão. Da última vez em que comemorei acompanhado, a circunstância mudou. O momento de comer minha saladinha com água é o momento de reviver cada momento, cada dificuldade, cada degrau transposto. Avaliar os erros, questionar os acertos. Enfim, é um momento íntimo, de introspecção.


Disse tudo a ela, e ela concluiu que estava atrapalhando minha comemoração. Saímos dali, fomos a um restaurante de verdade, e saboreamos um belo jantar com um delicioso vinho. Satisfiz a necessidade que ela tinha para engrandecer o momento. Porque era uma amiga querida.

De meu lado, na noite seguinte voltei ao meu restaurante (lanchonete), pedi de novo minha salada com água e comemorei. Sozinho.

sábado, 6 de outubro de 2007

A China

A proximidade do GP da China de Fórmula 1 me fez lembrar o quanto tenho encontrado grupos de chineses pelo Brasil afora.

Sempre em grandes grupos, são alegres e barulhentos. Conversam como se estivessem brigando, em altos brados, mas de repente tudo se transforma em risadas. São um povo alegre, lembrando italianos e os próprios brasileiros.

Lembro-me do livro Henfil na China, editado em meados dos anos 70, em plena ditadura nossa e deles. E hoje, vendo as fotos e lendo o comentário do blog do Fábio Seixas sobre a suntuosidade do autódromo, só consigo pensar em como as coisas mudam!

Os chineses são um dos povos mais antigos do mundo. Eram um império planetário antes de Cristo, e devem voltar a sê-lo nas próximas décadas.

Ainda estão experimentando o "efeito melado" pela queda do comunismo, se lambuzando de liberdade e capitalismo. Mas o caminho é sem volta, vão chegar lá e solapar muita potência pelo caminho.

Ainda hoje leio uma notícia de criança(s) que morreu(ram) envenada(s) pela ingestão de doces fabricados na China. Sim, assim, como brinquedos com excesso de chumbo, materiais de baixa qualidade, etc, etc, etc.

Mas precisamos lembrar que eles estão saindo de uma inércia total para um movimento catapultado pelas condições locais: extrema miséria, capacidade quase nula de gerar receita, de repente, são os grandes exportadores mundiais. Em ambientes onde se compra tênis sabidamente falsificados e CD sabidamente pirateados, tudo pelo menor valor, essa ímpeto chinês tende somente a crescer.

Num primeiro momento. O momento seguinte é o da busca pela qualidade, o da normalização da produção em relação às normas internacionais. Se lembrarmos do Japão antes da Guerra, com sua invasão de rádios a pilha, mas de baixíssima qualidade, e compararmos com o Japão pós-guerra e pós-Deming, poderemos ter uma visão do que deve ser a China pós-melado.

Vai ser interessante ver a guerra dos americanos, com sua força natural, enfrentar a força cultural da China, e ambos tendo como sombra a disciplina japonesa. A China não é um tigre, mas um dragão. Seu povo está mais que vivo, está pulsando. E quer se globalizar. Tomara que estejamos prontos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Mandatos e partidos políticos

O STF decidiu não decidir. Mudou uma regra que era fruto do seu entendimento, não da letra pura da lei. E disse que somente depois de uma certa data valia. Os mandatos são dos partidos, e quem trocou de partido perde o mandato. Só a partir de março deste ano.

O brasileiro vota na pessoa, não no partido. Algumas vezes não vota na pessoa por causa do partido, mas o contrário é muito mais raro. Dizer que o mandato pertence ao partido, então, é uma quimera.

Com a regra atual, os partidos querem puxadores de votos. Aqueles que, com sua votação pessoal, podem garantir outra cadeiras para deputados menos votados. Exemplo: Enéas com sua bancada. Por que, então, o entendimento?

É necessário. É o jogo político, é uma premissa da democracia. Está correta a decisão, por vias tortas. Essa decisão deveria vir por ação do legislativo, não por decisão do judiciário.

Mas nada muda. Uma primeira lei de anistia evitará a punição, e uma segunda ação, legislando em direção contrária, é certa.

Pena. O Brasil é dos políticos, que nos permitem sustentá-los.

Encuanto iço, em Brazilha...

Clichê:

O Congresso Nacional contratou o Seu Creisson. Felissidades a ele...


Seguro-Desemprego
Já no Governo do Distrito Federal, o esforço é para aumentar o desemprego. Foi demitido, por decreto, devidamente publicado no Diário Oficial, o Gerúndio. Isso mesmo, o Gerúndio, com maiúscula.
O governador José Arruda cansou de estar ouvindo os argumentos de seus comandados e esteve contatando que há um emprego indevido do Gerúndio. No país da piada pronta, acabou com o emprego indevido: demitiu-o.

As conseqüências serão inevitáveis. Os sindicatos estarão entrando com uma ação na justiça trabalhista para o governo estar pagando os direitos trabalhistas. O Gerúndio vai estar dando uma entrevista para Luciana Gimenez, para estar falando dos problemas que vai estar enfrentando. O jornal Nacional vai estar fazendo uma matéria especial com os desempregados por questões políticas.

A G Magazine vai estar convidando o Gerúndio para estar mostrando seus atributos em suas páginas.

E nada vai estar mudando, porque misturou-se comédia com autoritarismo. O governador fez um trocadilho (oficial, via Diário Oficial) com o emprego indevido, e mostrou que algumas coisas pretende-se que acabem por decreto.

A " invasão" dessa forma de comunicação acontece por um vácuo cultural. Ele ocupou um espaço na comunicação que a educação continuada deveria preencher. Em não sendo assim, o gerundismo vai estar imperando. Essa moda começou ainda antes da metade dos anos 90, e agora grassa feito erva daninha, segundo puristas. Mas, deselegante ou não, é uma forma de comunicação validada pelo povo, a utilização comprova.

Pena que as medidas "contra-culturais" sejam deboche e autoritarismo.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

De quimeras mil...

Lula está querendo aumentar a máquina administrativa, contratando mais funcionários e, disse ele, com salários maiores. Afirmou que é essencial para que o Brasil cresça, e sem isto não haverá choque de gestão.

Triste Brasil. Nosso presidente se preocupa com quantidade, quando deveria olhar a qualidade. Enquanto nunca antes neste país se fez (e disse) tanta bobagem, o Brasil poderia ter dado passos largos ao futuro que não chega.

Fernando Henrique Cardoso teve oito anos para colocar o Brasil no caminho. Colocou, mas a velocidade era terrível. O preço era alto, pagamos pela promiscuidade com o mercado. (Quem se lembra quem derrubou o limite de 12% de juros que estava na constituição de 1988?).



Lula assumiu criticando ferozmente o estilo de Fernando Henrique. Um estilo que ele, Lula, logo assumiu. Não deu velocidade às mudanças, não deu velocidade ao crescimento. Chegou com um discurso de fome zero, e está patinando no melhor programa de seu governo: o ação zero.

Diz que o Brasil está bem, chega ao cúmulo de agredir nossa inteligência o dizer que a saúde vai bem. É só 0har para qualquer estado e ver seus hospitais públicos para se constatar que a quimera grassa. Nem precisa ir aos estados mais necessitados.

Claro, Lula está se baseando no seu atendimento médico. O hospital que ele freqüenta quando precisa é um dos melhores do país. Se ele está bem servido, para que se mexer?

Buracos nas estradas, crise nos aeroportos, crise na infra-estrutura... Será que Lula vive em outros país, onde não existem esses problemas?

Segundo o José Simão, da Folha de São Paulo, deve ser porque ele viaja muito. Quase não pára no Brasil. Aí, não há como conhecer nossos problemas. Certo?

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Que é isto, companheiro?

Uma das noções que temos de corrupção é aquela clássica, bem demonstrada no Brasil, em que o corrupto aceita dinheiro em troca de algum favor, ou uma ação. É a corrupção em moeda sonante.

Fôssemos mais evoluídos, teríamos uma noção mais aprimorada do que é corrupção. Esqueçamos o dinheiro. Pois ele é uma vantagem financeira. Foquemos em vantagem.

O governo quer a aprovação da CPMF. Aí, orienta seus acólitos a absolver (amaciar) para o lado do presidente do Senado. Houve vantagem?

Outros não estavam sob avaliação. Ao menos, não como Renan Calheiros. Para uns, o governo liberou verbas, como amplamente noticiado pela mídia. É vantagem?

Alguns, que não queriam sapato de cromo, mas apenas um chinelinho, ao perceberem que não o receberiam, se rebelaram. Votaram contra a SEALOPRA (a famosa secretaria de ações a longo prazo). No curto prazo, acabaram com a festa daquele que chamou o governo Lula de "o mais corrupto de todos os tempos". Ainda que tenha faltado planejamento a longo prazo, o recado foi: que vantagem levou a turminha que votou contra?

Pois bem, isto é a política. Uma troca de vantagens, assim percebidas as ações que interessam a uns e outros grupos. Não se trata de analisar o que é melhor para o Brasil. Mas o que é melhor para os brasileiros. Os envolvidos nas negociações, pelo menos.

A política é essencialmente corrupta. Ao menos a praticada no Brasil. E estamos todos muito confortáveis com isto, o que é triste.

Nossos representantes somente deixarão de considerar vantagens pessoais como moeda de troca se nós mesmos, eleitores, deixarmos de escolher nossos representantes segundo essa ótica individualista. mas é uma utopia claro. Sempre vai existir o representante dos ruralistas, dos industriais, dos bancários, dos católicos, dos trabalhadores...

Peraí. Dos trabalhadores não. Pois este é um ser que existe somente em discurso de político. É como uma abstração, uma entidade amorfa, que não precisa e nunca precisará de representantes. Pelo menos é o que parece. Pois que nem aqueles que foram eleitos em seu nome hoje honram a preocupação prometida.

Como é que não nos indignamos com essa promiscuidade de vantagens pessoais entre nossos políticos?

Ah, é verdade. Não temos vantagem nenhuma nisto...