sábado, 15 de setembro de 2007

Sobre o presidente do Senado

Quando soube do resultado do julgamento do presidente do senado, tentei, mas não consegui evitar o sentimento de eu já sabia... Naquela noite, evitei os telejornais. Nos dias seguintes, evitei as manchetes dos jornais, lia outras coisas. Ouvia música, e nem a CBN nem a BandNews me acompanham como sempre.

Infantilidade, talvez. Mas eu não queria acreditar.

Dei-me conta de que estava naquelas fases que sucedem a um diagnóstico de câncer, por exemplo.
Pela ordem:
  • negação;
  • raiva;
  • barganha;
  • depressão;
  • aceitação.
Uma diferença, apenas. Não tenho com quem ou o que barganhar. Aliás, tem mais diferenças. A raiva veio junto à negação. A depressão, com esta vou lutar. Mas a aceitação, esta não vai chegar. Não vou permitir.

Mas a dificuldade em entender é imensa. Olhando por uma ótica legalista, não podemos contestar o resultado. As regras do jogo foram seguidas, e os nossos representantes na Câmara Alta absolveram um cidadão de uma acusação. Para isto não cometeram nenhum ato que desmereça o processo.

Do ponto de vista moral, que cena lamentável. A que interesses se submeteram os senadores? tenho certeza de que não aos da consciência. Senão, aos próprios. Um ato perpetrado na escuridão do anonimato do voto, como se praticam atos impublicáveis. Um ato que não representa o que pensa a maioria do povo brasileiro...

Que grande besteira, a última afirmação acima. Como podemos saber o que pensa o povo? Se os políticos acusados de falcatruas são eleitos e reeleitos, só quer dizer que o povo está pouco se importando com isto. Assim, nossa Câmara Alta representa com fidedignidade seus eleitores.

A propósito disto, para que é mesmo que serve o senado? Com seus mandatos de oito anos, com seus suplentes quase secretos, com sua composição numérica já anacrônica em termos de representatividade, o senado nada acrescenta à república senão um aumento de revolta com decisões esdrúxulas como esta.

Para não falar da "gestante" e da "criança", que é como o senador se refere à Monica Veloso e à sua filha, vamos falar da ocupação da presidência do senado para apartear discursos contra si e defender seus interesses. Vamos falar daquela pessoa com alto cargo comissionado que foi auditar as transcrições das declaração do senador ao conselho de ética. vamos falar dos documentos questionados e questionáveis apresentados como prova de capacidade de pagamento.

O senado deu um tiro no pé. Pena que o ferimento rapidamente se fechará, e logo estará prontinho para outra.

Que país, este!

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