domingo, 9 de setembro de 2007

Orgulho de ser brasileiro?

Na semana da pátria, reciclam-se os discursos sobre as qualidades da pátria. De uma forma ou de outra, todos dizem a mesma coisa: que o Brasil é o país do amanhã, de nossas qualidades naturais, das belezas do Brasil, do brasileiro lutador, etc.

Reclamam os governantes da má vontade do povo para com o país. Dos neo-bobos e jurássicos denunciados por Fernando Henrique Cardoso, até os que "têm prazer de reclamar", uma coisa em comum: são os que criticam.

A crítica é uma necessidade (quando cabível). Vejamos se é o caso:
  • hospitais do Nordeste enfrentam crise profunda. Os salários pagos não conseguem segurar a equipe atendendo a população;
  • estradas estão esburacadas. Aquelas que não estã, é porque estão nas mãos da iniciativa privada. A qualidade é paga com dinheiro do pedágio;
  • o ensino vai bem? Multiplicaram-se faculdades pelo país. Mais gente com diploma superior. Mas ainda com uma dificuldade séria de escrever e falar corretamente. A iniciativa privada ocupa um espaço que é do governo, e herda sua "herança maldita";
  • o Supremo Tribunal Federal faz seu trabalhado, como convém à mais alta corte do país, o todos se orgulham: está fazendo seu trabalho. Não estava antes? Não fará depois?
  • o caos aéreo ainda é um caos, se me permitem a obviedade. Desapareceu do palco, mas ainda não vi equipamentos, novas equipes e melhoria nas condições dos controladores. Mas estou vendo Congonhas de novo se inflando, aos poucos. Tão lentamente que ninguém vai perceber;
  • a classe política está mais preocupada com próprio umbigo. Há uma chance real de se absolver alguém de quem não compraríamos um carro usado. O compromisso dessa casta é com quem? Com o povo é que não é;
  • o assistencialismo rege este governo. A vida melhorou, mas não porque o povo tem trabalho. Mas tem suas bolsas. Essa bolsa é sustentada pela CPMF, pelos impostos, por tudo aquilo que sai do nosso bolso. Damos o peixe, pescado por nós. Precisaríamos ensinar a pescar (e facilitar a compra de varas, linhas, iscas, anzóis...);
  • o presidente parece que está governando a Suíça. Enxerga somente as coisas boas, e volta as costas às coisas ruins. Trata os acusados de crime como se fossem injustiçados. Enxerga, do alto de seus devaneios, quimeras que só fazem atrasar a resolução dos problemas. Porque o primeiro passo para resolver o problema é admitir que temos um. Coisa que o presidente não faz.
  • a política do Brasil se transformou numa agenda de quatro em quatro anos. Sempre voltada para a eleição dos apadrinhados, senão a dos próprios. José Serra faz oposição? Aécio faz oposição? Cabral faz oposição? Não. Neste mundo definido por Nélson Rodrigues, há uma unanimidade. Não de opiniões, mas de interesses. Só não a chamo de burra. Mas de corrupta (ao menos ideologicamente).
Sim, quero ter orgulho do Brasil. E tenho, de várias de suas facetas. Mas, no geral, tenho mesmo é uma sensação de que somos somente uma massa de manobra, uma boiada (já que os bois estão mandando na política) que serve de argumento para enriquecimento de uns.

Não tenho orgulho, e acho que o brasileiro perdeu a capacidade de se indignar. Isto me deixa indignado!

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