terça-feira, 25 de setembro de 2007

Imagem não é nada, palavra é tudo...

Uma vez combinei com minha filha que, caso ela quisesse, eu iria buscá-la na casa da avó, distante 160 km de Campinas. Bastava ligar.

Uma manhã, ela ligou. Queria vir embora. E lá fui eu. Cheguei, almocei por lá, e viemos embora. Quando chegamos em Campinas, eu a deixei na casa da avó e lhe disse:

- Agora papai vai para o hospital. Fique um pouco com a vovó (a daqui) que eu já volto.

E fui para o hospital. Porque estava com uma crise renal daquelas bem caprichadas (que depois a avó, a de lá, disse nem ter percebido). Antes de ir buscá-la, ainda me mediquei (conforme receita) para amenizar a dor.

Por que tanta estupidez? É que acho que algumas coisas se baseiam na confiança. E a palavra dada é nosso maior outdoor, nossa maior propaganda. Falei a ela que bastava ligar, precisava cumprir.

Claro que não foi minha primeira crise renal. Portanto, eu já sabia o que me esperava. Analisando os fatos, resolvi ir. E assim fiz.

Quando os Mamonas Assassinas morreram, minha filha ainda era pequenininha. E, ao saber da notícia, ela se recusava a acreditar.

- Meu papai falou que ia me levar ao show. Como ele ainda não levou, eles não podem ter morrido...

Enfim, este meu relacionamento com minha filha é o retrato do que acredito serem os relacionamentos. baseados na verdade, na palavra dada. Se assim não for, não há relacionamento. Há somente uma relação de manipulação. E, se sabemos da manipulação do outro, tornamos a relação ainda mais problemática. É a manipulação do manipulador...

Tenho alguns problemas com isto. Porque nem sempre as pessoas esperam a verdade. A verdade às vezes é tão cruel que algumas pessoas preferem se esconder dela. Nestes casos, há problemas.

Por outro lado, também me traz vantagens. Em vários dos meus relacionamentos, principalmente nos profissionais, as pessoas sabem que podem sempre contar com a foto real, não retocada. Isto gera credibilidade, que gera confiança. É uma vantagem, portanto.

Há, então, dois lados nessa moeda. Uma boa e outra ruim. Algumas vezes é difícil dizer qual a boa e qual a ruim. Mas o fato é que precisamos decidir, e essa decisão decorre de quem somos, daquilo em que acreditamos. Prefiro manter minha palavra a fazer dinheiro. Nem todos ao meu redor concordam com isto. Pena.

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