quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Devargarzinho...

O Saguão de Congonhas já está quase como antes. Uma balbúrdia só.

O check-in está complicado. Pela TAM, podem ser três filas diferentes. O e-ticket, mais a fila de "não localizados" (às vezes), mais a fila de despacho de bagagem (se for o caso).

Aí, na entrada da sala de embarque, maus uma fila para checarem (novamente) os documentos de identidade. A seguir, a fila do raio-X, cuja máquina apita com a capa de um celular mas não com um molho de chaves... E ainda temos de tirar o notebook da pasta!

Fila para entrar no avião é inevitável, vá lá. Mas ficar 45 minutos dentro da aeronave esperando para decolar é demais. E para uma viagem de 45 minutos!

A volta, ah, a volta. Avião atrasa para chegar, atrasa para sair. Depois de 45 minutos de vôo, fica circulando sobre o mar por mais 25 minutos, aguardando a vez de pousar. E é impressionante a fila para decolagem que se vê em Congonhas!

Não mudou nada! Só que voltou ao estado (a)normal aos poucos. Já entupiu o saguão, já se formam filas no chão e nos céus. Mas já não se reclama mais, e os holofotes estão apagados.

Uma pergunta (de novo, confesso): os problemas dos controladores cessaram? Foram resolvidos, ou nunca existiram? Congonhas estava super-utilizado? Agora não está mais?
Até que um outro assassinato em massa aconteça, o Ministro da defesa segue falando que a ANAC "está paralisada, o que é bom". Os jornais deixaram de falar no assunto, e as empresas aéreas agradecem. Afinal, lucro comove, perigo não.

Sim, estou irritado. Entre as Maxxi Goiabinhas da vida, estamos na insegurança do mais pesado que o ar. Saio de casa e não se volto. A situação está como antes, e estamos todos quietos. Esperando.

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Imagem não é nada, palavra é tudo...

Uma vez combinei com minha filha que, caso ela quisesse, eu iria buscá-la na casa da avó, distante 160 km de Campinas. Bastava ligar.

Uma manhã, ela ligou. Queria vir embora. E lá fui eu. Cheguei, almocei por lá, e viemos embora. Quando chegamos em Campinas, eu a deixei na casa da avó e lhe disse:

- Agora papai vai para o hospital. Fique um pouco com a vovó (a daqui) que eu já volto.

E fui para o hospital. Porque estava com uma crise renal daquelas bem caprichadas (que depois a avó, a de lá, disse nem ter percebido). Antes de ir buscá-la, ainda me mediquei (conforme receita) para amenizar a dor.

Por que tanta estupidez? É que acho que algumas coisas se baseiam na confiança. E a palavra dada é nosso maior outdoor, nossa maior propaganda. Falei a ela que bastava ligar, precisava cumprir.

Claro que não foi minha primeira crise renal. Portanto, eu já sabia o que me esperava. Analisando os fatos, resolvi ir. E assim fiz.

Quando os Mamonas Assassinas morreram, minha filha ainda era pequenininha. E, ao saber da notícia, ela se recusava a acreditar.

- Meu papai falou que ia me levar ao show. Como ele ainda não levou, eles não podem ter morrido...

Enfim, este meu relacionamento com minha filha é o retrato do que acredito serem os relacionamentos. baseados na verdade, na palavra dada. Se assim não for, não há relacionamento. Há somente uma relação de manipulação. E, se sabemos da manipulação do outro, tornamos a relação ainda mais problemática. É a manipulação do manipulador...

Tenho alguns problemas com isto. Porque nem sempre as pessoas esperam a verdade. A verdade às vezes é tão cruel que algumas pessoas preferem se esconder dela. Nestes casos, há problemas.

Por outro lado, também me traz vantagens. Em vários dos meus relacionamentos, principalmente nos profissionais, as pessoas sabem que podem sempre contar com a foto real, não retocada. Isto gera credibilidade, que gera confiança. É uma vantagem, portanto.

Há, então, dois lados nessa moeda. Uma boa e outra ruim. Algumas vezes é difícil dizer qual a boa e qual a ruim. Mas o fato é que precisamos decidir, e essa decisão decorre de quem somos, daquilo em que acreditamos. Prefiro manter minha palavra a fazer dinheiro. Nem todos ao meu redor concordam com isto. Pena.

sábado, 22 de setembro de 2007

Atitudes e comportamentos

Tenho alguns amigos e amigas no orkut que participam de comunidades do tipo "minha atitude depende da sua". Com todo respeito que tenho pelas atitudes alheias, me sinto provocado a falar sobre o assunto.

No caso, parece que a atitude da pessoa com quem interagimos provoca a nossa. na prática, é exatamente o que acontece. Se a pessoa é indelicada, temos todo o direito de ser também. Certo? Se é ranzinza, sejamos também. Se é grossa, rude... seremos também.

Por outro lado, se for atenciosa, educada, gentil, aí, somente aí, teremos esse tipo de comportamento. É exatamente aí que entra minha discordância.

Desde pequeno, fui educado para ser atencioso, gentil, polido. E era punido quando não o era. Isto quando era pequeno e não tinha total arbítrio sobre meu comportamento. Depois de grande, crescido, pude escolher qual minha forma de comportamento. E, então, escolhi (pelo menos enquanto estou no controle) que eu quero ser educado, gentil, polido. E decidi também que será assim sempre. Independente da circunstância.

Há uma diferença básica. Eu escolhi. Eu defino como vai ser meu comportamento. Estou me lixando para um idiota que acordou de mau humor. O meu humor é bom, porque eu decidi que é assim.

Escolhi ser bem humorado, escolhi ver o lado bom da vida. Escolhi que meu comportamento é definido por minhas crenças, minhas verdades. Não por pessoas que (às vezes) mal conheço, e que talvez estejam tendo um dia ruim. Escolhi que meu destino, meu comportamento, minha atitude, dependem de minhas decisões, meu valores, minhas escolhas.

Acho que a maioria das pessoas que pensam assim nunca pararam para analisar o poder que dão a algumas pessoas e/ou comportamentos. Reagir é nossa opção, e independe de quem ou o que acontece. Ou deveria ser.

Eu mesmo só fui me dar conta desta verdade após ler o livro "Os sete hábitos de pessoas muito eficientes", de Stephen Covey. Felizmente, consegui aprender o conceito e aplicá-lo.

Hoje, não mais deixo que pessoas ou circunstâncias decidam meu comportamento. Antes, sou eu que decido.

Ponto.

Companhias agradáveis

Saí cedo, para uma viagem de carro. Resolvi me isolar dos problemas do país, e dos meus próprios. Coloquei um CD, com os melhores rocks de todos os tempos, e depois com os rock baladas. Esta sim, foi uma viagem

Minhas companhias de viagem: Pink Floyd, Led Zepellin, Rolling Stones, Beatles. Eagles, no Hotel California. Enfim, um mosaico de canções que me levavam ora a um momento de minha vida, ora a outro, em saltos não programados, mas eletrizantes.

Interessante como a música desperta outras sensações. Cheiros, gostos, sentimentos, lembranças que contextualizam. Músicas como Starway to Heaven, não à toa chamado de o Hino do Rock, com uma letra que hoje nem sei se gostaria, mas com uma carga de memórias que realmente a tornam eterna.

Quem se lembra de Suzi Quatro, B.J. Thomas, SDimon & Garfunkel na melhor forma? Mais: quem se lembra da época em que fizeram sucesso suas músicas? Lembra da vozinha pueril de Nika Costa? Lembra da voz portentosa de Freddy Mercury?

Pois bem, não foi uma viagem (física) curta. Foram várias e várias horas. Esqueci-me da vergonha do senado, do presidente com a diarréia verbal, dos mensaleiros. Voltei ao passado (que digo que nem está tão distante, mas ninguém concorda). E era uma época em que, claro as coisas eram diferentes. Eu era diferente. E via as coisas de forma diferente.

Fernando Sabino escreveu que tinha medo de encontrar nas esquinas de Londres o jovem assustando que fora vinta anos atrás. Já eu gostaria de encontrá-lo, ou melhor, a mim, para conversarmos da nossa vida. Que, afinal de contas, estava escrita naquelas músicas.

Foi um dia cansativo em termos de trabalho. Mas relaxante, muito relaxante, pela viagem à minha própria história (às vezes estória).

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

É...

Às vezes é difícil virar as costas para o que acontece neste Brasil.

Tentei evitar nos últimos dias escrever sobre a indigência deste nosso governo. Mas é impossível calar a tudo.

Mercadante, outrora ideólogo praticante, agora é um pragmático. Declarou que absteve-se na votação da cassação do senador Calheiros. Agora o quer afastado da presidência. Tucano num dia, petista noutro, Mercadante deslustra sua própria história.

Lula diz que ninguém tem mais autoridade moral que o PT. E se ele estiver certo? Em que nível está a autoridade moral dos demais? E agora quer o Marco Aurélio Top-Top Garcia na presidência do PT... É...

E nenhum partido governaria sem a CPMF. Fiquei sem entender. Antes dava? O que mudou? A saúde melhorou de tal forma que sem o tributo ela vai voltar ao que era? Ou será que o nosso presidente se referia ao dinheiro que, junto com a CPMF, vai para o "povo" escolhido. Escolhido para os mensalões, para as cuecas, para festas em casas de Brasília... Quanto mais se arrecada, mais se corrompe...

No Rio, dez por cento de um batalhão foram presos por causa de envolvimento com a bandidagem. É um número impressionante. Por dois motivos. Um deles é que é alto. E o outro é que não sabemos se a altura está correta. Ou seja, são só esses? Ou esses são os que foram pegos? Os policiais honestos desse batalhão (com certeza há) devem estar apreensivos. Serão, para sempre, confundidos com a "banda podre".

Por outro lado: se o bandido sabe quem o policial é, onde mora, onde estudam seus filhos, e quanto ganham, não é mesmo fácil assustá-los ou aliciá-los? Num governo onde "todo mundo faz", que apóia suspeitos de tudo, que se entregou à mesmice política ademariana (de Barros), o policial, coitado, é um que arrisca a vida sem sentido. Porque sua morte (ou os riscos que ele corre) não valem a pena. Cacciola que o diga. Todos os presos pela PF nas mega-operações dos últimos anos que o digam. Os mensaleiros e os aloprados que oo digam.

Ao fazer história, fizemos um capítulo vermelho. Seria bom se fosse somente a cor do PT. Mas é, ao mesmo tempo, a cor da vergonha. Uma vergonha!

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Tem de participar

A caminho de um compromisso, uma mensagem no celular. Minha filha, dizendo que estava passando mal, se eu poderia ir buscá-la.

Claro, o mundo pára, o sol congela, o oceano evapora. Fui buscá-la. Passou mal no carro, vim para casa. Deitou-se, passou mal na cama.

Hospital.

Sem outros sintomas, a não ser uma dor de cabeça. Passamos por um exame, uma aplicação de soro. Surpreendentemente, o soro não a assustou.

De volta para casa, medicada, dormiu. Aquele sono reparador, ajudando o remédio a fazer efeito.

Acordou com fome. Concedi, e ela comeu uma panqueca. Mas como jantar fiz uma canja de galinha. Que, cá entre nós, estava deliciosa (convencimento!!!).

Acho que passou. Acho que ela melhorou.

Não gostaria que ela se sentisse dessa forma. Vou pôr uma placa: proibido vírus, bactérias e outros males. Algo me diz que não terá efeito...

De minha memória, pesco um dia em que, pequeno, bem pequeno, passei mal assim. Minha mãe se desvelou em cuidados, numa noite longa e intensa. Pois bem, a presença dela ali foi confortante, e a própria lembrança também o é.

Espero que seja este o resultado de um dia como hoje. Uma memória boa, de uma situação ruim...

domingo, 16 de setembro de 2007

Na tv, nem tudo é...

A dica é do site Kibeloco. Cujo autor, Antonio Tabet, é muito atento.

A propaganda é de uma faculdade de direito. Mas serve direitinho para o momento (todos) do Brasil.

sábado, 15 de setembro de 2007

Sobre o presidente do Senado

Quando soube do resultado do julgamento do presidente do senado, tentei, mas não consegui evitar o sentimento de eu já sabia... Naquela noite, evitei os telejornais. Nos dias seguintes, evitei as manchetes dos jornais, lia outras coisas. Ouvia música, e nem a CBN nem a BandNews me acompanham como sempre.

Infantilidade, talvez. Mas eu não queria acreditar.

Dei-me conta de que estava naquelas fases que sucedem a um diagnóstico de câncer, por exemplo.
Pela ordem:
  • negação;
  • raiva;
  • barganha;
  • depressão;
  • aceitação.
Uma diferença, apenas. Não tenho com quem ou o que barganhar. Aliás, tem mais diferenças. A raiva veio junto à negação. A depressão, com esta vou lutar. Mas a aceitação, esta não vai chegar. Não vou permitir.

Mas a dificuldade em entender é imensa. Olhando por uma ótica legalista, não podemos contestar o resultado. As regras do jogo foram seguidas, e os nossos representantes na Câmara Alta absolveram um cidadão de uma acusação. Para isto não cometeram nenhum ato que desmereça o processo.

Do ponto de vista moral, que cena lamentável. A que interesses se submeteram os senadores? tenho certeza de que não aos da consciência. Senão, aos próprios. Um ato perpetrado na escuridão do anonimato do voto, como se praticam atos impublicáveis. Um ato que não representa o que pensa a maioria do povo brasileiro...

Que grande besteira, a última afirmação acima. Como podemos saber o que pensa o povo? Se os políticos acusados de falcatruas são eleitos e reeleitos, só quer dizer que o povo está pouco se importando com isto. Assim, nossa Câmara Alta representa com fidedignidade seus eleitores.

A propósito disto, para que é mesmo que serve o senado? Com seus mandatos de oito anos, com seus suplentes quase secretos, com sua composição numérica já anacrônica em termos de representatividade, o senado nada acrescenta à república senão um aumento de revolta com decisões esdrúxulas como esta.

Para não falar da "gestante" e da "criança", que é como o senador se refere à Monica Veloso e à sua filha, vamos falar da ocupação da presidência do senado para apartear discursos contra si e defender seus interesses. Vamos falar daquela pessoa com alto cargo comissionado que foi auditar as transcrições das declaração do senador ao conselho de ética. vamos falar dos documentos questionados e questionáveis apresentados como prova de capacidade de pagamento.

O senado deu um tiro no pé. Pena que o ferimento rapidamente se fechará, e logo estará prontinho para outra.

Que país, este!

Decisões, decisões

Ultimamente, já que o divórcio tem sido melhor aceito pela sociedade, muitos casais optam por ele em nome de qualidade de vida. Fazendo uma análise em perspectiva, conclui-se que o processo de separação, por mais desgastante que seja, é sempre melhor e mais breve que uma vida de brigas e de decepções.

A decisão nunca é fácil, mas é sempre baseada em momentos de tensão. Aqueles momentos em que as palavras escapam, a comunicação não-verbal recrimina, os ânimos desanimam.

Se falo do casamento em específico, poderia falar de qualquer tipo de relacionamento, Amizades, relações comerciais, sociedades.

Essas decisões, embora sejam mais comuns, ainda não expressam a realidade da necessidade. Quero dizer que muita gente se submete a uma relação desgastada por medo de enfrentar uma separação, seja em que tipo de relação estejamos. Poucos têm a coragem de enfrentar o problema.

Sobre enfrentar o problema, é bom que fique claro que a "separação" não é a única solução. A disposição de mudar, de fazer a coisa certa, de ajustar processos de comunicação e comportamento é fundamental, e deve preceder ao ato de rompimento. Mas essa comunicação às vezes está tão contaminada que é impossível tomar esse caminho.

A contaminação decorre do grau de desgaste. Do grau de comprometimento com a mudança O grau de confiança ainda existente entre as partes.

"Mudar para não mudar" é uma verdade nesses casos. Algumas mudanças são feitas para dizer que houve uma mudança, que é tão pequena, na prática, que a torna nula perante a realidade.

Enfim, quando é preciso, separemos-nos. Uma pequena dor agora pode evitar feridas enormes no futuro.

Tenho dito.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

My way

Em certas ocasiões, nossos valores falam alto. São os momentos que nos definem. Quando aquelas atitudes nos incomodam, quando as notas soam desafinadas, quando os valores não batem...

Contra o comodismo, a reação. E defendo uma reação sensata, razoável, desapaixonada, totalmente não contaminada por emoções.

São os momentos em que resolvemos tomar um caminho, que nem sempre é o mais rápido, nem o mais curto, nem o mais fácil. Às vezes é justamente o contrário, é o mais doloroso, o mais comprido, o mais sofrido Mas é o que nos fala à alma, o que redime, o que nos faz ter orgulho de nossa vida.

Abrir mão de várias facilidades, mas defender nossos valores.

Diga por mim, Sinatra, por favor:

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Excipiente q.s.p

Excipiente: substância inerte incorporada como veículo a certos medicamentos (Houaiss).
Q.S.P.: em Quantidade Suficiente Para... 1g (um grama), por exemplo.

Há pessoas e há pessoas. Como diria o sábio, uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa.
Mas as diferenças entre atitudes são tão contrastantes que às vezes chocam.

Algumas pessoas, à frente de um obstáculo, enxergam uma oportunidade. Uma chance de, vencendo-o, aprender como vencê-lo.

À frente do mesmo obstáculo, outras pessoas preferem vê-lo como isto mesmo: um obstáculo. Sua ação: reclamar, reclamar, reclamar. Não há que dizer desistir, pois só desiste quem tenta. E os obstáculos viram muros de lamentações.

Costumo dizer que pessoas são iguais, exceção feita a uns poucos. Estes são os líderes, o princípio ativo da humanidade. As demais são a boiada, a massa de manobra, infelizmente. São o excipiente q.s.p., que em farmacologia é aquele material inerte que é adicionado para totalizar um determinado peso, por exemplo. Significa "em quantidade suficiente para..." 1g, por exemplo.

A humanidade tem alguns que são princípio ativo. Fazem a diferença. E outros que somente estão passando, perpetuando-se pelos filhos, não pelas realizações.

Claro que não foi a humanidade que me motivou a escrever este texto estúpido. Foram exemplos dados por pessoas que enxergam somente o copo meio vazio (outro clichê meu). À frente de uma grande oportunidade de crescer, profissionalmente e financeiramente, entregam-se à comodidade, escondem-se na sua zona de conforto. A que preço!

Quando me deparo com uma dessas pessoas, costumo perguntar: - qual é o problema? E, em referência à questão apresentada, replico: - e o que precisamos fazer para resolver?

Esta abordagem tem efeito profundo em algumas pessoas. Que, pelo exemplo, conseguem se reposicionar perante várias das exigências da vida. Mas, para outras, não passa de um discurso irritante, sem objetivo.

Enfim, lamento por uma característica que é humana. O que é um contra-senso. Mas é um sentimento que nos invade quando vemos que, para ajudar algumas pessoas, precisamos esperar que ela se ajude. O que nem sempre acontece.

Sim, sou um idealista. Espero que a vida não tire isto de mim.

Update em 23/09/2009: destaquei em vermelho o significado por causa da grande quantidade de acessos gerados para saber o que é "excipiente qsp".

Flash back

Deu saudade. Antes, tínhamos intérpretes fora de série. Elis, Gal, Bethânia, Simone... Que davam emoção aos grandes compositores (Caetano, Ivan Lins, Chico Buarque).

Era outra época, com outras motivações para todos.

Simone, uma voz que dá saudade.

domingo, 9 de setembro de 2007

Orgulho de ser brasileiro?

Na semana da pátria, reciclam-se os discursos sobre as qualidades da pátria. De uma forma ou de outra, todos dizem a mesma coisa: que o Brasil é o país do amanhã, de nossas qualidades naturais, das belezas do Brasil, do brasileiro lutador, etc.

Reclamam os governantes da má vontade do povo para com o país. Dos neo-bobos e jurássicos denunciados por Fernando Henrique Cardoso, até os que "têm prazer de reclamar", uma coisa em comum: são os que criticam.

A crítica é uma necessidade (quando cabível). Vejamos se é o caso:
  • hospitais do Nordeste enfrentam crise profunda. Os salários pagos não conseguem segurar a equipe atendendo a população;
  • estradas estão esburacadas. Aquelas que não estã, é porque estão nas mãos da iniciativa privada. A qualidade é paga com dinheiro do pedágio;
  • o ensino vai bem? Multiplicaram-se faculdades pelo país. Mais gente com diploma superior. Mas ainda com uma dificuldade séria de escrever e falar corretamente. A iniciativa privada ocupa um espaço que é do governo, e herda sua "herança maldita";
  • o Supremo Tribunal Federal faz seu trabalhado, como convém à mais alta corte do país, o todos se orgulham: está fazendo seu trabalho. Não estava antes? Não fará depois?
  • o caos aéreo ainda é um caos, se me permitem a obviedade. Desapareceu do palco, mas ainda não vi equipamentos, novas equipes e melhoria nas condições dos controladores. Mas estou vendo Congonhas de novo se inflando, aos poucos. Tão lentamente que ninguém vai perceber;
  • a classe política está mais preocupada com próprio umbigo. Há uma chance real de se absolver alguém de quem não compraríamos um carro usado. O compromisso dessa casta é com quem? Com o povo é que não é;
  • o assistencialismo rege este governo. A vida melhorou, mas não porque o povo tem trabalho. Mas tem suas bolsas. Essa bolsa é sustentada pela CPMF, pelos impostos, por tudo aquilo que sai do nosso bolso. Damos o peixe, pescado por nós. Precisaríamos ensinar a pescar (e facilitar a compra de varas, linhas, iscas, anzóis...);
  • o presidente parece que está governando a Suíça. Enxerga somente as coisas boas, e volta as costas às coisas ruins. Trata os acusados de crime como se fossem injustiçados. Enxerga, do alto de seus devaneios, quimeras que só fazem atrasar a resolução dos problemas. Porque o primeiro passo para resolver o problema é admitir que temos um. Coisa que o presidente não faz.
  • a política do Brasil se transformou numa agenda de quatro em quatro anos. Sempre voltada para a eleição dos apadrinhados, senão a dos próprios. José Serra faz oposição? Aécio faz oposição? Cabral faz oposição? Não. Neste mundo definido por Nélson Rodrigues, há uma unanimidade. Não de opiniões, mas de interesses. Só não a chamo de burra. Mas de corrupta (ao menos ideologicamente).
Sim, quero ter orgulho do Brasil. E tenho, de várias de suas facetas. Mas, no geral, tenho mesmo é uma sensação de que somos somente uma massa de manobra, uma boiada (já que os bois estão mandando na política) que serve de argumento para enriquecimento de uns.

Não tenho orgulho, e acho que o brasileiro perdeu a capacidade de se indignar. Isto me deixa indignado!

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Exemplos

Quando fomos crianças, muitas das ações de nossos pais se impregnaram de tal em forma em nós que se transformaram em hábitos e valores. Até hoje, maneirismos de falar, crenças e credos deles ainda fazem parte de nossas vidas.

Com nossos filhos, igualmente, procuramos mostrar os caminhos, as coisas boas, dar bons exemplos, para que esse modo de agir possa ser um referencial de vida para os pequenos.

Angelina Jolie faz uma peregrinação pelo mundo com sua mensagem humanitária, dando um exemplo à humanidade que pretende ver seguido.

A maior liderança que existe é a exercida pelo exemplo. Um bom exemplo é melhor que um ótimo conselho. "Faça o que eu faço" é uma mensagem fortíssima, muito mais que o "faça o que eu digo".

Pois bem, o que dizer do presidente de um país que não encara os problemas? Que busca em devaneios fúteis explicações e fugas daquilo que lhe compete fazer e não é feito? de um presidente que diz que ler é chato?

Não é um problema de preconceito (meu, acho). Mas o recado que a nação tem recebido é uma afronta. Pessoas que se mobilizaram para uma grande chantagem são alprados, esses meninos. Mensaleiros cometeram erros, não crimes. Aliás, nada resta provado, segundo o presidente, nesta sua fase de telhado de vidro. Agora, com Renan Calheiros, presta solidariedade a uma pessoa claramente enrolada em explicações (?) mal ambasadas e cheias de buracos.

Quando Ayrton Senna morreu, morreu um herói. O que é um herói? No caso de Senna, uma pessoa genial, com gana suficiente para superações pessoais. O que fazia Senna com seu dinheiro? Não se ouvia falar de farras, bebedeiras, escândalos. Mas de uma fundação, voltada para crianças. O herói mecereu o título. Deu exemplos, ótimos exemplos.

Na área do automobilismo, Nelson Piquet, filho de ex-embaixador, ultrapassou os limites de pontos na carteira nacional de habilitação. Foi pedir ajuda aos políticos, muitos de seu relacionamento? Não. Ele e a esposa foram, humildemente, às aulas exigidas pela lei. Sua declaração, nua e crua: errou, tem de pagar.

Raí e Leonardo são mentores de uma fundação voltada também para crianças. Não se ouve deles falar de noitadas e bebedeiras. São exemplos silenciosos de um modo de vida.

O falecido PT (o neo-PT não carrega mais o DNA original) tinha pessoas de muito valor. Iniciou no meio de um período ditatorial, e falava com ideologia nascido no meio popular. Formadores de opinião embasavam as idéias do PT. Nunca concordei muito com os métodos, mas o embasamento ideológico era o que se esperava. O PT de hoje abandonou aquelas idéias. E os idealistas originais abandonaram o PT. O partido, hoje, deveria prezar pela apuração das acusações, com o maior rigor. Punir culpados e provar inocências (reais, não inocências de discurso). Ao invés, evita investigar. Prejulga, com o viés sempre antecipável: "são inocentes os da minha turma, são culpados os demais".

Aquele exemplo do início, da ética acima de tudo, infelizmente morreu. E, depois de morto, está sendo renegado.

Quando o pai de um assassino diz que o filho estuda, não merece ficar na cadeia, ;e gente boa, nada mais faz que retratar um valor contemporâneo. Imaginou se ele fosse um político importante? O filho nem para a prisão iria.

Quando o pobre diz que se aproveitaria do cargo para vantagens pessoais (reportagem da Veja sobre um livro), retrata o mesmo Brasil.

"Farinha pouca, meu pirão primeiro".

Exemplos, precisamos de exemplos. Mas de bons exemplos. De pessoas que assumam bravamente seus erros, acreditando que deles sempre nasce um aprendizado. Precisamos de alguém que mostre ao Brasil, aos brasileiros, que o melhor caminho é a verdade. Precisamos de alguém que não somente fale de ética, mas que a demonstre no dia-a-dia, quem sabe influenciando-nos a todos para que seja nossa verdade nacional.

Repito: a melhor liderança é a exercida pelo exemplo.

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Cigarros

Não sou chato com fumantes. Pelo contrário, tolero bem, embora nunca tenha fumado. Mas uma coisa me aborrece muito: a despreocupação com as cinzas.

Acho que nada justifica esse ato de jogar as cinzas no chão. Quando em casa, fumantes recorrem a cinzeiros. Pelo simples fato de que suja o chão, e em casa quem limpa é o morador... e nas ruas?

Pelas janelas dos carros é que saem essas cinzas. Nos cinzeiros dos automóveis, tudo menos cinzas e cigarros. Porque deixam um cheiro enjoativo, me disse uma vez um fumante. Ah, bom, nem ele agüentava o cheiro!

Vamos fazer um cálculo bem conservador, para uma cidade de 100.000 habitantes:
  • se 30% da população são fumantes, há 30.000 fumantes;
  • se cada fumante consome 10 cigarros por dia, consome-se nessa cidade 300.000 cigarros por dia;
  • se cada cigarro deixa um resíduo de 10g (cinzas mais a ponta do filtro), há 3.000.000 de gramas de resíduos por dia.
Resultado da brincadeira: 3.000 kg de resíduos de cigarros por dia. Três toneladas.
Quantas são lançadas às ruas? Metade: Uma tonelada e meia. Que eu, não fumante, estou pagando para ser limpa.

Tudo isto porque dia destes um camarada, fumando no carro dele, ao acabar jogou o cigarro no capô do meu. Além de sugismundo, um desaforado!


PS: Sugismundo, credo, que coisa antiga...

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Bode na sala

Hoje no aeroporto de Congonhas o movimento já estava maior. Mais gente pelas alas, mais movimento em geral.

Passeando pelo saguão, fiquei imaginando como é que sobreviveriam as lojas ali existentes. São lojas de roupas, presentes, importados, livros e revistas... Ali, esperando os compradores. Falência certa?

Acho que não. Talvez o maquiavelismo seja meu. Mas acho que esse esvaziamento é só temporário. E o aumento vai acontecer aos poucos. De conta-gotas, ninguém vai perceber o aumento, pois não será repentino. E, assim, protege-se os interesses daqueles que ali tem lojas e investimentos...

Talvez seja somente uma má idéia de minha parte. Mas depois de ver e-mails de uma diretora da ANAC combinando ações com as companhias aéreas, acho que a teoria da conspiração é um simples conto de fadas. A encrenca é brava.

Bem, aos poucos, tudo voltará ao ponto de onde saiu. E ninguém mais clamará contra o movimento, contra os riscos e perigos, contra a baderna. É a história do Brasil.

No fim, mudou-se para não mudar.

domingo, 2 de setembro de 2007

Crescei-vos e comunicai-vos

Este texto a Rúbia me mandou. Diz que é do ENEM. Eu prefiro acreditar que é uma piada, urdida por humoristas profissionais. Mas se a Rúbia diz...


"O sero mano tem uma missão..."
(A minha, por exemplo, é ter que ler isso!)


"O Euninho já provocou secas e enchentes calamitosas.."
(Levei uns minutos para identificar o El Niño...)


"O problema ainda é maior se tratando da camada Diozanio!"
(Eu não sabia que a camada tinha esse nome bonito)


"Enquanto isso os Zoutros... tudo baixo nive..."
(Seja sempre você mesmo!!)


"A situação tende a piorar: o madereiros da Amazônia destroem a Mata Atlântica da região."
(E,além de tudo, viajam pra caramba, hein?)


"O que é de interesse coletivo de todos nem sempre interessa a ninguém individualmente."
(Entendeu ....?)


"Não preserve apenas o meio ambiente e sim todo ele."
(Faz sentido)


"O grande problema do Rio Amazonas é a pesca dos peixes."
(Achei que fosse a pesca dos pássaros.)


"É um problema de muita gravidez."
(Com certeza...se seu pai usasse camisinha, não leríamos isso!)


"A AIDS é transmitida pelo mosquito AIDES EGIPSIO."
(Sem comentário)


"Já está muito de difíciu de achar os pandas na Amazônia"
(Que pena.Também ursos e elefantes sumiram de lá)


"A natureza brasileira tem 500 anos e já esta quase se acabando"
(Foi trazida nas caravelas, certo ?)


"O cerumano no mesmo tempo que constrói, também destroi, pois nos temos que nos unir para


realizarmos parcerias juntos."
(Não conte comigo)


"Na verdade, nem todo desmatamento é tão ruim. Por exemplo, o do Aeds Egipte seria um bom


beneficácio para o Brasil"
(Vamos trocar as fumaças pelas moto-serras)


"Vamos mostrar que somos semelhantemente iguais uns aos outros"
(Com algumas diferenças básicas!!)


"... menos desmatamentos, mais florestas arborizadas."
(Concordo! De florestas não arborizadas, basta o Saara!)


"... provocando assim a desolamento de grandes expecies raras."
(Vocês não sabiam que os animais têm depressão?)


"Nesta terra ensi plantando tudo dá."
(Isto deve ser o português arcaico que Caminha escrevia...)

sábado, 1 de setembro de 2007

Um dia atrás do outro

Já existe uma lista, segundo o Blog do Josias, que contabiliza os votos dos senadores sobre a cassação do senador Renan Calheiros.

E as notícias dão a saber que se a votação for aberta, o resultado será um. Se for fechada, será outro. Já se disse que consciência não é senão o medo de estar sendo vigiado...

O compadrio já se posicionou. Quem é que pode garantir que a votação não seja um piquenique entre amigos?

Não, nem nós. nem que lotemos as caixas de mensagens dos nossos representantes na câmara alta. Se o voto for secreto, a absolvição é certa.

Pobre povo...

Notícias boas?

Um senador pediu afastamento, e pediu desculpas à população por "conduta lasciva".
Boa notícia, né? Mas não foi no Brasil. Foi nos Estados Unidos.

No Brasil, isto não seria senão uma boa desculpa para atacar a imprensa. E a polícia. E a população. E a oposição. E colocar a culpa na "elite branca e má". E denunciar complôs e conspirações...


Mo Japão, políticos cometem suicídio quando pilhados em atos de corrupção, explícita ou implícita. No Brasil? A consciência continua limpa, a verdade vencerá, blá blá blá...

A moral do brasileiro não o leva a exigir muito mais que isto. Talvez porque o moral do brasileiro esteja muito abalado com tudo isto?

Acho que não. O futebol empolga. Felipe Massa emociona. A novela das oito é assunto até em bares. O renangate não.

Nem faz diferença que o juiz tenha dito que a tendência era amaciar com o chefe da quadrilha...

O brasileiro se aliena no cotidiano. Pobre povo...