terça-feira, 21 de agosto de 2007

Sobre o Cansei

Rico (assim compreendidos aqueles que têm uma empresa, são profissionais liberais, ou, enfim, aqueles que se queira dizer que sejam ricos) não têm direito a manifestações. Não podem se agrupar, nem aspirar a nada. Suas posses já deveriam satisfazê-los, motivo pelo qual qualquer outra necessidade ideológica já se compreenderia satisfeita. Certo?

O pobre (assim entendido aquele que trabalha, que vai de ônibus ou carro popular para seu emprego, aquele que faz contas para pagar o supermercado, ou seja, todos nós outros), este sim tem motivos para se manifestar. Vida dura, não viaja para a Europa, tem de pagar suas contas com sacrifícios, estes podem e devem se manifestar, se revoltar, estes têm o direito de cansar.

Há uma indigência nessa discussão que só cria abismos. Não há pobres e não há ricos? Sim, há. Mas achar que, a priori, que movimentos são ilegítimos a partir dessa condição é uma estupidez. Até porque há, dentre os adeptos do Cansei, muita gente que se encaixa na categoria dos não-ricos. a adesão se deu por motivos, acredito, alheios a essa classificação, senão por simpatia à idéia.

Cansei. Cansei de mensalões, de políticos impunes, de politicagens idem. Cansei de regras que sufocam o povo e dão céu de brigadeiro a banqueiros. Cansei da justiça enxergando e bem o dinheiro dos poderosos, e cega às necessidades dos demais (pobres e ricos??). Cansei, e daí? E, se andasse de mercedes, ainda assim poderia ter-me cansado.

Indigência é matar uma oportunidade de o povo, em rara sintonia, se manifestar em favor do país. Mas matamos. A imprensa se dividiu, as charges condenaram o movimento.

Cansei do Cansei.

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